Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

Recordações de férias

Olá, amigas e amigos do Rochedo!
Estavam cheios de saudades minhas, confessem lá...
Pois já cheguei no domingo, mas estive estes dias em conversa como Carlos e a Brites, para discutir como vamos ocupar o nosso espaço daqui em diante. Trouxe uma recordação para o Carlos e um cha+péu novo para a Brites, mas ela não gostou. Mesmo assim agradeceu e ficou até emocionada.
Foi por causa das recordações de férias que me lembrei de escrever este post. É grande, mas espero que leiam tudo até ao fim.


O período de férias, por ser curto, nos permitir quebrar as rotinas e conhecer outras culturas, é propício a ser guardado no baú das nossas recordações das formas mais variadas. Se, para alguns, a fotografia é suficiente para captar os momentos mais marcantes de umas férias, a maioria não dispensa trazer os “ex-libris” das cidades que visita, em réplicas mais ou menos bem amanhadas e que servem não só para perpetuar a memória de uma visita, mas também para distribuir a alguns amigos como recordação.
Fruto da necessidade de satisfazer o desejo consumista da maioria dos turistas, as recordações são normalmente “monos” mal amanhados cujo destino final, ao fim de algum tempo é, para aqueles que muito viajam, um lugar na arrecadação ou no caixote do lixo. Mas se trazer de Paris uma Torre Eiffel em latão cobreado, ou de Nova Iorque uma Estátua da Liberdade luminosa, não acarreta maiores males do que um desperdício aceitável, e pode servir para matar a fome a alguns vendedores ambulantes que têm nos turistas a garantia do seu sustento, o mesmo não se pode dizer de outro tipo de recordações que cada vez mais parece agradar aos turistas.
Refiro-me a peles de animais- seja em forma de peças de vestuário ou simples adereços- plantas, corais, marfins e até - imagine-se! – animais vivos que vão de pequenos primatas a pitons. (Espero que nenhum de vocês pense em levar-me de recordação para vossas casas… se quiserem levem antes a Brites que eu até agradeço).
Há que ter algum decoro e evitar trazer este tipo de recordações que ameaçam destruir a biodiversidade e põem em risco algumas espécies. È certo que hoje em dia o comércio e o lucro comandam a vida, mas não é preciso exagerar!
Por inconsciência, ou ignorância, alguns turistas incorrem em ilegalidades que lhes podem provocar amargos de boca na hora do regresso. Dêmos alguns exemplos:
Está de visita a um país africano e sentiu-se atraído por aquelas peças de xadrez em marfim, ainda por cima tão barato?
O melhor é esquecer, pois trazer marfim para a Europa é ilegal desde 1997 e pode ter algum dissabor quando entrar nas fronteiras do espaço Schengen.
E se as tartarugas gigantes da Malásia o deixaram encantado, porque razão não as deixa estar sossegadas em vez de pensar logo em trazer como recordação uma, empalhada? E mesmo que a tentação se reduza a uns óculos de sol ou um simples pente, feitos à custa do animal, o melhor é ter cuidado, pois para além de outros contratempos, pode ver esse produtos confiscados. Além do mais, se parar um minuto para pensar... chegará à conclusão que o seu “ pequeno” prazer, custa a vida a milhões de animais que anualmente são sacrificados para satisfazer os gostos dos turistas.
E já agora, se vai partir amanhã para as Maldivas e encantar-se com os maravilhosos corais, aconselho-o a tirar fotografias e resistir à tentação de trazer um para casa. É que os recifes de corais são sistemas VIVOS de que dependem muitas espécies marinhas e o leitor também não gostou que lhe tirassem do prato o “jaquinzinho” , pois não?
Então, saiba comportar-se... mas se não resistir a trazer um exemplar, informe- se antes se está perante uma espécie cuja entrada no espaço europeu é permitida, desde que sob licença especial. É que se assim não for, arrisca-se a que o coral lhe saia mais caro do que as suas férias.
Se o leitor aprecia mais o género “tudo o que mexe” e se deixou encantar por um pequeno sagui, pense no seguinte:
-VAI TIRAR UM ANIMAL DO SEU HABITAT E DO SEU QUADRO FAMILIAR!
Gostava que lhe fizessem o mesmo a si? Se gosta assim tanto de animais, ouça um bom conselho: deixe os papagaios, araras, macacos, camaleões, tartarugas e similares em paz, e quando regressar de férias delicie-se a ver os programas sobre a Natureza exibidos em diversos canais!
Pronto, já sabia!!! Agora que o convenci a desistir dos animais... deixou-se embeiçar pelas plantas! E logo por uma espécie protegida... Olhe, traga mas é um exemplar artificial que faz o mesmo efeito e não consome água!
Agora a sério! Saiba que a Convenção CITES ( Comércio Internacional das Espécies, da Fauna e da Flora Selvagem ameaçadas de extinção) impõe normas restritivas à comercialização de cerca de 30 mil espécies de animais e plantas.
Mas se o leitor é daqueles que acha que nunca vai ser apanhado em contravenção, pelo menos pense neste Planeta lindo em que habita, agradeça as maravilhosas dádivas da Mãe Natureza e não contribua para as destruir. Ao menos durante as suas férias resista aos apelos consumistas e pense um bocado na Terra.
Não é de opinião que os seus filhos apreciarão mais poder ver as maravilhas que existem do que ouvir os relatos saudosos dos pais e dos avós acerca de uma realidade de que já não podem usufruir?
Seja generoso com os seus filhos e deixe-lhes como legado um presente que eles vão adorar: um Planeta fantástico dotado de uma natureza exuberante. Valeu?

18 comentários:

  1. O Sr. Sebastião é de uma lucidez a toda prova e já chega trazendo sábios conselhos que espero, sinceramente, sejam seguidos a risca pelos viajantes que adoram um souvenir...

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  2. Grande rentrée, Sebastião. Um texto muito útil e acertado. Oxalá muitos turistas o leiam e pratiquem o que ele diz. Um abraço ao Carlos. Eu ainda vou até aos trópicos por 3 semanas. Mas não é fazer turismo e tudo o que espero trazer na volta é a satisfação de encontro com amigos e muiiiiitas fotografias do mar, das rochas e dos amigos.

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  3. Benvindo Sebastião!
    Felizmente que existem pessoas preocupadas com a preservação desta nossa Casa. Numa visita ao Ilhéu de Vila Franca, que é uma das nossas mais belas reservas naturais, fiquei agradavelmente surpreendida quando, à espera do barco de regresso, uma senhora disse para o filho para lá deixar as pedras que tinha apanhado, pois lá é que era o seu lugar.
    beijinhos com raios de sol

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  4. Eu viajo , mas não trago nenhuma especie viva.
    Mas como voce disse um chaveiro da torre Eiffel, a gente não pode deixar de levar para fazer a alegria dos amigos.
    Mas quase minha irmã foi presa por causa dos vendedores ambulkantes de Paris.
    Com carinho Monica

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  5. É por isso que eu corro toda a gente a t-shirts e porta-chaves e 'tá feito, mai nada!!

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  6. Então e uma Crema Catalana, posso?
    É que aquilo parece que tem vida dentro de mim.

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  7. Grande Sebastião..este post faz despertar o bicho que há em mim...
    Bem, não um bichinho fofo e inteligente como vc, mas algo um tanto irracional como uma leoa protegendo a sua cria e habitat aonde vive.
    Sou um tanto radical, ao ponto de não utilizar nem uma peça de couro, o que inclui sapatos e bolsas.Roupas, nem pensar!!!
    Os do dia a dia e mesmo os de festa são sintéticos.E para andar de lá prá cá nada como um bom par de tênis que dura muitos e muitos anos.
    Minhas amigas mais consumistas arregalam os olhos quando confirmo que nem bolsas eu uso de couro. São todas de tecido ou lona reciclável.
    Aqui do lado de casa mora uma comunidade de saguis. Vez ou outra eles aparecem pedindo banana, eu os alimento e só, logo em seguida voltam para a natureza.Fico feliz quando consigo uma boa foto.
    Até mesmo as orquídeas que tanto amo compro de produtores , entre eles uns malucos que ficam fazendo cruzamentos entre as plantas.
    Da natureza só extraio o que posso repôr, como minha pequena horta.Também me cerco de algumas árvores frutíferas que alimentam seus colegas emplumados e a minha vontade por mangas, laranjas e amoras.Ando pensando num pé de jaboticabas.
    Até meus animais "de estimação", na verdade são resgatados da maldade humana.As duas gatas foram encontradas abandonadas, literalmente jogadas à rua. Dos cachorros, dois são fruto de crias indesejáveis e o outro estava num saco de lixo numa saída de água da rua.Sabe-se lá por onde andou...
    Ah...e tem mais...a mulheres preferem o diamante, certo? ERRADO.Hoje em dia os russos desenvolvem pedras perfeitas, sintetizadas em laboratório.
    Eis que preservar o planeta, começa por preservarmos a natureza à nossa volta. E isso é muito mais do que economizar água ou reciclar embalagens.
    Eu bem que sabia que não queria começar esse assunto pq aí eu não ia parar :o)

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  8. Não viajo assim tanto mas, sempre que o faço, às vezes, nem fotografias tiro. Gosto de estar despreocupada sem pressões e deambular pelos sítios, já me aconteceu ir a Paris por 4 dias e só ver um espectáculo (já lá tinha estado outras vezes) e o resto do tempo, deixei-me estar, a sentir a cidade...foi tão bom!
    Quanto a "souvenirs", também, já fui mais dada a isso e, normalmente, trazia comestíveis ou artesanato. Hoje em dia: um livro ou os comestíveis como chocolate ou massas:))

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  9. Carlos
    mas que informação mais pedagógica...
    Resta que os turistas cumpram.
    O Sebastião é danado...
    bjs

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  10. Gostei muito desse post...super didático.


    abraços

    Hugo

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  11. O Sebastião explica tudo com muita clareza.

    Cumpra-se!

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  12. obrigada carlos por este texto, pela preocupação com os animais

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  13. Patti: por mim pode, mas prefiro o nosso leite creme queimado no momento.

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  14. Turmalna: seu comentário dava um belo post. O sebastião também gostou e disse-me que tem uma história muito enraçada para contar sobre os saguis.Vamos esperar, a ver o que sai dali.

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  15. Ué!! Mandei um comentário ontem, mas acho que não chegou.
    Dizia eu, meu querido Sebastião, que além de preservarmos o nosso planeta, precisamos educar nossas crianças para que continuem a tarefa.
    De que adianta entregarmos uma planeta melhor para humanos piores?

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  16. Excelente post. Eu também me farto de falar sobre isto, que temos de cuidar da nossa "casa", a quem me rodeia. A maior parte chama-me maluco. Por acaso, ainda foi na sexta feira passada que falei sobre isto com duas pessoas com quem costumo trabalhar. Um deles, é sensível a estas coisas, o outro diz que não é bem assim, que "isto não se acaba". A maioria pensa igual. Enfim, é só fartura, só resta saber até quando...

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  17. T-shirts, porta chaves e fotografias para ver como é bonito e não estragar.

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