Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Passagem para o abismo


Quando andava no 3º ano do liceu (actual 7º ano), o meu professor de Geografia falou, numa aula, das vantagens que adviriam para a navegação - e para o comércio - em encontrar uma passagem navegável e comercialmente rentável que permitisse passar da Ásia à Europa através do Árctico. Não foi, porém, esta informação que despertou a nossa curiosidade. Foi o que se seguiu.
O professor Portocarrero contou, nessa aula, algumas tentativas que já tinham sido feitas para atravessar o Árctico- a maioria delas mal sucedidas- e terminou dizendo mais ou menos isto:“Felizmente, a marinha mercante não poderá utilizar essa rota. No dia em que o conseguir, todos vocês se devem preocupar, porque isso significa que os gelos do Árctico estão a derreter e a Terra corre perigo”.
Hoje, mais de 40 anos depois, acordei preocupado. No metro, ao ler a primeira página do “Global”, deparei com esta notícia: “NAVIOS JÁ PASSAM O ÁRCTICO. As alterações climáticas permitiram a dois navios alemães ligar a Ásia à Europa através do Oceano Árctico, uma rota que poupa sete mil quilómetros à viagem tradicional com passagem pelo canal do Suez”.
Fui ler o resto. A notícia revela que a travessia só se tornou possível devido ao degelo provocado pelo aquecimento global e que vários armadores já anunciaram a intenção de adoptar este trajecto.Imagino que, por todo o mundo, muitos predadores estejam a abrir garrafas de champagne e a celebrar a proeza. Pessoalmente, estou preocupado, mas grato ao professor Portocarrero por ter feito aquele aviso numa aula há mais de 40 anos.

30 comentários:

  1. Não sei o que é mais preocupante: o aquecimento global ou o lucro resultante do mesmo... :|

    ResponderEliminar
  2. actual o post...e um alerta para a situação do mundo relativamente ao aquecimento global
    beijo

    ResponderEliminar
  3. Assustadora, a notícia! E nada se fará, em nome do lucro fácil e imediato, nem se pensará nas consequências para o mundo.Que lhes interessa o futuro?

    ResponderEliminar
  4. O homem continua em sua sanha destruidora, em sua ganância pelo poder e pelo dinheiro, passando como um rolo compressor sobre tudo que possa estar obstruindo seus passos, ainda que isso signifique o fim da própria humanidade... Afinal, que lhe importa? Ele não vai estar mesmo lá para ver!... Seus descendentes? O resto dos homens, dos animais, do próprio planeta em que vive? Que lhe importa? Isso é coisa para o futuro e quando la chegarem, os donos do mundo que se preocupem. Hoje, agora, eles são poderosos, eles mandam, eles dominam, eles atendem seu egoismo e sua inconsequência infinita...
    E foi assim que caminhou a humanindade... Pobre planeta! Pobre humanidade, tão pobre de humanismo!...

    ResponderEliminar
  5. Sábio professor Portocarrero...
    Ah...se todos tivessem essa visão amplificada evitaríamos muitas tragédias, principalmente aquelas decorrentes de catastrofes naturais.
    Acompanho as matérias do meu filho, não por extrema dedicação minha e sim pela falta de comprometimento dele. Também , alguns professores aqui andam cumprindo somente a tabela.Não vejo mais numa sala de aula alguém que lecione apaixonadamente.De 8 professores percebo que só 2 realmente se importam...
    Anos atrás eu comecei uma pós graduação na área de Comunicação Pública e Responsabilidade Social. Fui lá achando que encontraria conteúdo voltado à mobilização social, ética e políticas públicas. A preocupação da maioria dos professores do meu curso, estava mais em criar grupos para fazer o MBA no exterior do que para coordenar estudos de carater relevante.Fora que depois de um ano de curso percebi que o tipo de estudo que desenvolvíamos interessava muito à grandes empresas privadas e posso garantir que a prioridade delas não era o social :o)
    Aff..fugi do tema outra vez...mas voltando ao post,será que as pessoas não conseguem mesmo ter uma visão clara sobre a situação? É mais que óbvio que esta "nova" rota irá aumentar a poluição, a depredação e a caça ilegal na região. Os russos e japoneses já devem estar a caminho, deixando um rastro de garrafas de vodka e sakê :o)

    ResponderEliminar
  6. Creio não estar errado mas penso que o Canadá afastou-se do protocolo de Quioto para que, entre outras coisas, esta rota fosse uma realidade.

    ResponderEliminar
  7. Qundo eu estudava, tenho 50 anos, nossa professora de geografia irmã Zélia, era um terror. Tudo o que acontecia geograficamente no mundo era sinal dos fins dos tempos.
    Papai nos proibiu de assistir ao jornal nacionl de tanto que ela dizia que o que aconteceria seria um perigo para nossa civilização.
    Estou pensando porque ela também nos contou uma história sobre o degelo, o quanto seria perigoso.
    Imagine se ela ainda tiver viva e souber sobre o que nos contou.
    Bom dia!
    Monica

    ResponderEliminar
  8. Um final infeliz há muito anunciado. Mas li também no DO (há lá um link para o EU Referendum) que esta rota já se faz há décadas.

    ResponderEliminar
  9. Não querendo contestar o que escreve, deixo leitura para uma diferente perspectiva:

    http://eureferendum.blogspot.com/2009/09/triumph-for-propaganda.html

    http://eureferendum.blogspot.com/2009/09/turd-eaters.html

    http://eureferendum.blogspot.com/2009/09/pictures-tell-story.html

    ResponderEliminar
  10. E, uma vez mais, se comprova que o homem não aprende nunca, nem tão pouco o quer fazer, preocupado que está apenas com o seu bem estar e lucro imediato. O futuro, esse, alguém o há-de resolver....

    ResponderEliminar
  11. Dramático e assustador, resta saber o que vão dizer agora os professores de Geografia dos nossos filhos. Provavelmente, algo que já todos sabemos.

    ResponderEliminar
  12. Pois é Carlos, mas parece que há por aí muito boa gente a dizer que tudo isto não passa de uma tenebrosa teoria da conspiração....:))

    ResponderEliminar
  13. Li a mesma notícia esta manha. Não me espanta que os armadores esfreguem as mãos de contentamento, afinal estão apenas a aproveitar-se dos crimes contra o meio ambiente. Tenho receio de imaginar este nosso planeta daqui a 40 anos.

    ResponderEliminar
  14. Turmalina: Apesar de tuo por aqui a responsabilidae social já vai sendo incorporada nos curricula de aguns cursos. Coisa pouca, por vezes distorcida, mas vão-se dando pequenos passos. O problema é que começa a ser tarde demais e ninguém ousa tomar as medidas que o mundo precisa, porque o importante continua a ser a economia. Triste mundo este...

    ResponderEliminar
  15. Lacoste: não lhe sei confirmar, mas não me admira que tenha razão. Embora o Canadá tenha outas razões paar se afastar de Quoto...

    ResponderEliminar
  16. Monica: O meu professor felizmente não era catastrofista. Tinha era já conhecimentos sobre a temática ambiental que só viiam a ser amplamente divulgados no início dos anos 60, através de um livro de Rachel Carlson, intitulado "A Primavera Silenciosa"

    ResponderEliminar
  17. TOZE: Fazer, não se faz. tem havido tentativas, mas s+ó agora se concretizou com barcos de grande porte.

    ResponderEliminar
  18. António Almeida: Obrigado pelos links. Um deles já conhecia.Há uma corrente cépica em relação às questões ambientais, muito apoiada por grandes grupos económicos. Todos sabemso como se arranjam e se pagam determinados estudos...

    ResponderEliminar
  19. Patti: Depende dos profesores...
    Então de regresso? Chegou mesmo a tempo de fugir da invasão que a nossa nova padeira de Aljubarrota prepara em direcção a Espanha.
    Seja bem vinda

    ResponderEliminar
  20. Ariel: Alguns grupos económicos têm todo o interesse em criar a ideia de que as alteraç~eos climáticas não passam de invenções de catastrofistas e velhos do Restelo.

    ResponderEliminar
  21. Paulo: Felzmente já cá não estarei, mas os meus receios é que esses 40 anos se reduzam drasticamente. No início do século,admitia-se que o degelo no àrctico começasse a assumir contornos de gravidade por volta do ano 2050. Hoje em dia, j´há quem admita que a partir de 2013 vários estados ribeirnhos poderão começar a ficar submersos em virtude do degelo do Árctico.

    ResponderEliminar
  22. É terrível que isso aconteça, Carlos, como é terrível o sentimento de impotência do cidadão comum (e não ganancioso) perante a ameaça que esse facto representa.

    ResponderEliminar