Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Na hora do rescaldo

Deixarei para mais tarde uma análise mais pormenorizada ( no Delito de Opinião) sobre o futuro que antevejo face aos resultados da noite eleitoral. Por agora, apenas uma leitura aos resultados de cada partido
PS- Foi o vencedor das eleições. Razão suficiente para cantar vitória. Na perspectiva de Sócrates, o facto de não ter ficado refém do BE para uma eventual maioria parlamentar justifica o seu rasgado sorriso, mas não vai ter vida fácil. A vitória desta noite, pode ter significado o seu esvaziamento a breve prazo. Precisará de gerir com pinças os acordos que vier a estabelecer à direita e à esquerda, até que uma moção de censura determine a sua queda.
PSD- O grande derrotado. Quando o maior partido da oposição sobe apenas 0,4%, num momento em que o governo é criticado à direita e à esquerda, demonstra a inabilidade da líder e o falhanço rotundo da sua estratégia. Não se derrota um governo sem propostas concretas e sem credibilidade.
CDS- O grande vencedor. Não tanto pelo crescimento em número de votação ( o BE subiu mais), mas por ter conseguido fazer o pleno dos seus objectivos. Reforço significativo da representação parlamentar e único partido com possibilidade de fazer um entendimento com o PS para a formação de um governo de coligação.
BE- O partido que mais subiu e duplicou a sua representação parlamentar, falhou o seu grande objectivo: obrigar o PS a entender-se com ele. Nem o significativo aumento da votação e o facto de ter eleito deputados em nove distritos, evitam algum amargo de boca na hora do balanço final. Foi um dos grandes vencedores, mas a vitória de nada lhe servirá, se continuar a cometer os erros em que a esquerda europeia persiste. O PS estará à espreita de recuperar muitos dos votos que o BE agora lhe roubou, nas próximas legislativas. Corre o risco de se esvaziar, se continuar a persistir nos mesmos erros. Os eleitores não deixarão de perguntar, para que servem 16 deputados, se o BE não conseguir fazer passar algumas das suas propostas.
CDU- Conseguiu eleger mais um deputado que em 2005 e, apesar de ter passado a ser a quinta força política, continua a ser a formiguinha laboriosa que vai levando a água ao seu moinho. Já muitos lhe decretaram a morte, mas resiste. A explicação é simples. Juntamente com o CDS, é o partido que tem ideologia e princípios programáticos bem alicerçados. Ali há convicções, não há clubites.
MRPP- Como é que um partido com 0,9% pode cantar vitória? Simples... teve mais de 50 mil votos, o que lhe confere o direito a receber uma subvenção anual de 3,33€ por voto! Nada mau...

16 comentários:

  1. Sócrates a gerir com pinças? Aquilo parece mais um elefante numa loja de porcelanas. Aquilo que lhe falta em jogo de cintura sobra-lhe em arrogância.

    Quanto ao resto a análise está correcta.

    ResponderEliminar
  2. Para além de ter gostado muito do comentário acima, concordo em pleno com a sua análise, Carlos.
    Beijinhos e boa semana.

    PS - Quando ouvi os resultados, saí à rua e fui dançar nas festas da freguesia de Queijas. Se os portugueses estão muito contentes não dei conta de nada...pelo menos por aqui ninguém se manifestou.

    ResponderEliminar
  3. Quer dizer, todos ganharam e nós! O que ganharemos?

    Uma correcta e bem esmiuçada análise do sufrágio. No gabinete deixo a questão ao "inginheiro" sobre o que irá fazer agora. Negociar com o CDS-PP? Abrir-se com o Bloco e a CDU ou o que me parece mais lógico formar governo pela sua conta e risco.

    ResponderEliminar
  4. O ps vencedor, sim na medida em que se mantém no governo, mas perder meio milhão de votos é obra. Uma obra extraordinária para alguém que se julga omnidetudoumbocadinho.

    Portas o verdadeiro vencedor da noite.

    ResponderEliminar
  5. Eu até me deliciei com a noite eleitoral ... nunca tinha visto tanto vencedor junto!

    ResponderEliminar
  6. Veremos agora se o homem é mesmo arrogante, ou se andou a "armar" apoiado na maioria absoluta.
    Um abraço

    ResponderEliminar
  7. O importante é que não houve maioria absoluta!

    Seja qual o partido que estiver no PODER.... nunca com maioria absoluta!

    Abraço.

    ResponderEliminar
  8. Salvoconduto: Tem razão, Salvo, mas ele terá de perder a arrogância se quiser formar governo e presrervá-lo para lá de 2011.

    ResponderEliminar
  9. Humana: Não ha razões para festejos. A única coisa que me apetece celebrar é o desaparecimento de MFL da cena política. Fez muito mal à credibilidade da democracia

    ResponderEliminar
  10. Paulo: Sócrates só tem a ganhar em governar sozinho. Sabe perfeitamente que só poderá ser derrubado se a direita se juntar à esuqrerdda e, nesse caso, capitalizará muitos votos em eleições futuras.

    ResponderEliminar
  11. Patti: como espero explicar ainda hoje lá no DO, a vitória de Sócartes foi bem mais saborosa para ele, do que parece à primeira vista. Pelas razões que adiantei na resposta ao Paulo, mas não só...

    ResponderEliminar
  12. Patti: Só para acrescentar que Paulo Portas foi, sem dúvida, um dos grandes vencedores da noite, mas Louça também. Foi o único partido a duplkicar o nº de deputados e tem quase o mesmo número de votos do PP.
    resta agora saber, quem melhor saberá utilizar este crescimento.

    ResponderEliminar
  13. Ferreira-Pinto: E eu nunca tinha visto tanto vencedor a proclamar vitória com razão. Todos ganharam à custa do PS que, apesar de tudo, temn razões para se considerar vencedor, porque foi o partido mais votado

    ResponderEliminar
  14. Elvira: arrogante, não tenho dúvidas que é. A minha dúvida é saber como vai conseguir dominar essa arrogância, num governo minoritário.

    ResponderEliminar
  15. Maria Valadas: Não ter havido maioria absoluta foi a grande vitória para o país, sem dúvida.
    Obrigado pela visita e comentário.

    ResponderEliminar
  16. ........................ acho que concordo com a sua análise, Carlos.

    ResponderEliminar