Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

Liberdade de imprensa? Assim não, obrigado!

A minha posição sobre o “não caso” Manuela Moura Guedes foi alvo de diversas censuras. Fui fortemente criticado por ter escrito que a liberdade de expressão pouco me interessa, quando serve apenas para apoiar obscuros interesses de alguns. Sabia- e sei- a razão porque fiz essa afirmação e, mais dia menos dia, toda a verdade à volta do “jornalismo de investigação” de MMG será conhecida.
Também fiz críticas em relação à telenovela lançada pelo “Público” em Agosto, dei uma pista que à maioria dos leitores terá passado despercebida sobre a “fonte anónima”, e afirmei que nada daquilo era jornalismo. Como era expectável, choveram as críticas…
Estava era longe de imaginar que o assunto tinha estado a marinar durante 17 meses na secretária de José Manuel Fernandes, para ser lançado na altura que o director do “Público” considerasse mais oportuna.
O Provedor do “Público”, Joaquim Vieira, começou no último domingo a desvendar a trama de uma notícia que o próprio director do “Público” sabia não ter fundamento, mas não teve qualquer pejo em publicar. Quando o caldo se começou a entornar, e se percebeu que seria uma questão de tempo, até ser descoberta a verdade, ficou a saber-se que JMF iria ser afastado. Desta vez, porém, o “timing” não deu oportunidade à criação de mais uma vítima da liberdade de imprensa, nem pretextos para acusar José Sócrates de ingerência na comunicação social.
Sou acérrimo defensor da liberdade de expressão e comecei a escrever em jornais no tempo da Censura. Sei bem o que é escrever sob a ameaça de cortes de censores idotas. Nunca confundi as duas coisas. Por isso não alinhei, como virgem ofendida, no coro de apoios corporativos que João Marcelino oportunamente denunciou nas páginas do DN.
Não me custa admitir que o governo procure influenciar os media. Que atire a primeira pedra, aquele governo que nunca caiu nessa tentação.
Joaquim Vieira alertava, no último domingo, para a gravidade do caso, manifestava a sua “tristeza” face a este tipo de jornalismo e deixava perceptível que algo bombástico iria ser conhecido. Foi hoje.
A divulgação feita pelo DN sobre o caso das escutas, fabricado em Belém, é um serviço à democracia e à liberdade de expressão e desmistifica as carpideiras que, em torno de MFL, defendem uma liberdade de expressão que não praticam. Mais… demonstra que, afinal, aqueles que acusavam Sócrates de ingerência na comunicação social, são os primeiros a tentar intoxicar a opinião pública com notícias falsas.
Sempre gostei - e pratiquei- de jornalismo de verdade e nunca o vi em perigo com Sócrates. Pelo contrário, sempre alertei para o perigo de haver jornalistas que não respeitam essa verdade. A liberdade de imprensa está em perigo? Infelizmente temo que sim. O problema é que são alguns jornalistas a pô-la em risco!
Compreende-se agora pior o silêncio de Cavaco. Acredito que não esteja envolvido mas, para evitar quaisquer dúvidas, tem obrigação de falar.
A liberdade de imprensa está em risco mas, pior ainda, é a própria democracia que começa a estar em causa. A compra de votos pelo candidato “fetiche” de MFL acaba por ser apenas um “fait divers” da prática de mentira que se acoberta no estafado “slogan” da “Política de Verdade”. MFL continuará a dizer que não sabia de nada. Então o que estava a fazer à frente da distrital de Lisboa do PSD? Se desconhecia o que se passava numa distrital, como podemos acreditar que ela algum dia venha a saber o que se passa no país?

18 comentários:

  1. Excelente, oportuno e obrigatório este seu 'post'. Caro Carlos, obrigado. Um abraço.

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  2. Por uma notícia não se corre até ao fim da rua ou até ao fim do mundo, corre-se para além do limite da honestidade ... são estes os tempos modernos, onde vale literalmente tudo.

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  3. Leio à tudo isso com muita tristeza...parece que o tempo passa, o ser humano se diz evoluir, mas tem coisas que nunca mudam...
    Aqui vivemos num Estado absolutamente democrático...hã, hã, sei...aonde a própria mídia, seja por motivos econômicos e até políticos, é a maior censora da tão desejada liberdade de expressão.
    É até engraçada a forma como a censura mudou de mãos (ou não) e o modo como ela vem se desenhando, silenciosamente.Ela é tão ardilosa que, com lavagens cerebrais em massa, consegue quem a defenda em alto e bom tom. Teimo em acreditar que a liberdade de expessão seja utopia...

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  4. Diz o Carlos - "A liberdade de imprensa está em risco mas, pior ainda, é a própria democracia que começa a estar em causa." -è realmente caso para preocupação e que parece - "a procissão ainda está no adro", não?
    Custa-me dizer isto, meu caro Carlos, mas, sabe melhor que eu - "a coisa aqui está preta..." como, escreveu e cantou Chico Buarque ao seu amigo Augusto Boal, numa carta que se tournou canção e enviada em cassete para Portugal onde Boal se encontrava, exilado, trabalhando com o Teatro "A Barranca" (meus amigos e companheiros de estrada) a encenar "Tiradentes" 1976, lembra-se Carlos, talvez não estivesse cá na altura (saudades desse tempo do teatro, nas colectividades, do sonho) então canção versava assim:

    "...Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
    Mas o correio andou arisco
    Se me permitem, vou tentar lhe remeter
    Notícias frescas nesse disco
    Aqui na terra ’tão jogando futebol
    Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
    Uns dias chove, noutros dias bate sol
    Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta"
    "Meu Caro Amigo"-Chico Buarque-1976

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  5. Pra dizer bem a verdade, até hoje só temos uma liberdade parcial de imprensa. Tem um documentário antigo (Sorria, vc está sendo manipulado) que mostra bem como a televisão controla nossa vida. É incrível como a maioria da população não se dá conta disso.
    Ótimo post.. bjs
    Fernanda Dias

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  6. Por onde andam os bonitos por fora e por dentro deste país???
    Tudo muito triste!

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  7. Carlos
    Apoiei e defendi o mesmo que tu no caso da Manuela. Foi estapafúrdio o barulho que se fez á volta de uma pessoa que, a ser jornalista, é má! Chamar censura àquilo - só quem não sabe o que é a censura!

    E o que dizes sobre o que se passou hoje na imprensa vai de encontro ao que penso! Mas eu não sou jornalista. Quero, por isso, LOUVAR o teu não corporativismo ilimitado, característico de muitas classes neste país e da dos jornalistas também. Como se tem visto.
    De resto, e a resumir o que hoje veio a público, a coisa é muito, muito grave. Porque A SER verdade, das 3 uma:
    1 - O P república cometeu um crime, que mais não seja de tentativa de manipulação(e chamo a atenção para o facto, que passou despercebido, de ele ter tratado o caso como 'político-partidário' e não como um crime)
    2 - O assessor cometeu um crime
    3 - Um jornalista (porventura mais 2) aceitou um frete ecnomendado. É grave
    Se a notícia for mentira - alguma verdade haverá no meio da história. E, qualquer que seja, é grave.
    Como grave é o Cavaco dizer que isto são questões 'político-partidárias'. Se são só isso, então não há escutas nenhumas e o assessor mentiu!
    Bom já me alarguei, Carlos. mas isto é uma trama que envergonha quem nela se envolveu. A apurar, portanto!
    E rapidamente!

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  8. Joaquim Lucas:Obrigado pela sua visita. Vou com muita frequência ao seu Cartório onde me farto de aprender coisas.

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  9. GI: Quem me dera poder dizer que discordo do que diz.Infelizmente, não posso...

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  10. Turmalina: Nos dias que correm e por culpa da misturada entre jornalismo, poder político e económico, começa a ser mesmo uma utopia. Mas há quem resista!

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  11. Maria: quando estava a escrever este post lembrei-me dessa canção. Alias, nos últimos meses tenho-me lembrado dela muitas vezes. Ainda bem que não estou só. Obrigado por tê-la trazido até aqui.

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  12. IDEIAS: Obrigado pela visita. Na verdade o poder manipulador da televisão e da comunicação social em geral é muito grande e temos de estar cada vez mais atentos.

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  13. Anamar: Ficam no silêncio, porque a vida não lhes agrada, de certeza.

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  14. Lúcia: No meio de tudo isto, o silêncio do PR é muito, muito, muito, preocupante!

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  15. Eu não tenho acompanhado esta polémica das escutas e trocas e emails mais não sei quê. Muito se joga com estas eleições e o controle dos media por parte dos governantes e de interesses partidários muito tem contribuído para a descredibilização da política e de alguma imprensa que se deixa levar por essa onda demagógica e facciosa.

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  16. Minha Cara Amiga Maria...
    a coisa aqui tá beje :o)
    E tenho medo que o caldo entorne.
    Mas ainda bem que há por aí quem ainda resista!!!

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  17. Também me tenham espantado verdadeiramente com esta campanha eleitoral. Jamais esperaria que pessoas desta idade, fossem capazes de fazer tábua rasa dos valores e princípios mais elementares. Fossem eles mais jovens e compreenderia apesar da sujeira. Mas dois septuagenários, Manuela F.Leite e Cavaco Silva, que acredito piamente estar envolvido nesta campanha de mentiras e injúrias, chega a ser, quanto a mim, o maior ultraje ao povo português. Depois disto, em quem poderemos acreditar, se nem os velhos têm vergonha?

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