quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Foi você que falou de impostos?

A discussão em torno do aumento dos impostos, que tem sido um dos temas de animação da campanha eleitoral, não me entusiasma particularmente. Mais do que estar preocupado com o aumento dos impostos ( questão que afecta essencialmente os endinheirados) gostaria que se discutisse o seu destino.Não me importaria de pagar mais impostos, se tivesse a certeza que seriam utilizados na melhoria das condições de vida dos portugueses.
Estou cansado de ver os meus impostos esbanjados em submarinos e material de guerra - certamente muito úteis para alguns militares se divertirem- mas, face à inexistência de um perigo real de entrarmos num conflito armado, não têm qualquer serventia nem aumentam a minha qualidade de vida. Bem pelo contrário… porque Portugal já gastou milhões de euros em material de guerra que com o tempo se foi tornando obsoleto e foi necessário trocar por material novo. Esse dinheiro, aplicado na saúde ou na educação teriam tido mais serventia.
Eu sei que o sr Dick Cheeney e outros patrões do armamento, criam de quando em vez uns conflitos para incendiar o mundo, mas isso não justifica que Portugal despenda avultada fortunas em desperdícios inúteis. Enfurece-me bastante ver, diariamente, os meus impostos serem derretidos com deputados faltosos, banquetes opíparos de ministros, cartões de crédito sem plafond, ajudas de custo pagas a quem melhor sabe ludibriar a lei, vaidades pessoais, automóveis topos de gama e por aí adiante. Eu queria ouvir os partidos discutir o destino dos impostos. Queria que os meus impostos fossem utilizados na compra de livros para as crianças e jovens do meu país; no pagamento dos medicamentos e das despesas de saúde dos velhos que trabalharam uma vida inteira e não conseguem pagar os medicamentos, porque a reforma que recebem é miserável; na melhor redistribuição da riqueza, no combate à pobreza e à info-exclusão. Sei que vivo num país pobre e de parcos recursos, que não é possível exigir tudo ao mesmo tempo, mas também sei que este país vive há muitos anos acima das suas possibilidades e ninguém põe travão a este estilo de vida de novos ricos, que a sociedade de consumo erigiu a paraíso terreno.
Ando há 30 anos à procura de um partido que me diga claramente como vai aplicar os meus impostos e cumpra as suas promessas. Três deles já deram repetidas provas de serem incapazes. Porque não apostar noutro desta vez? Se um partido me disser que os impostos serão aplicados nas melhorias da saúde e da educação e apresentar medidas concretas em que eu acredite, terá o meu voto. Caso contrário (porque nunca deixarei de votar), talvez dê a oportunidade a quem nunca governou.

8 comentários:

  1. Carlos, o seu texto está tão perfeito e tão direcionado também à nossa realidade que não resisti e coloquei lá no blog :o)
    E sem nem pedir antes...estou ficando abusada..rs...

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  2. Nenhum ,mesmo os que nunca tiveram oportunidade de governar , irá cumprir tais promesas.Aliás creio que pouco o nada falam do que fazem com o nosso dinheiro dos impostos porque não têm coragem para o fazer.Mentir é facil para esta gente, mas são demasiado espertos para se exporem a um futuro confronto com a população.Não falando do assunto , não têm mais tarde de se justificar por não terem cumprido um programa , um projecto.
    A mim pessoalmente o que mais me intriga é todo este intusiasmo , toda esta agitação , com constantes pseudo debates , entrevistas a todas as horas em todos os meios de comunicação , criando uma noção de que se está a passar algo de importante.Toda a campanha e pré campanha actua como um anestésico lento.As pessoas estão com duvidas , descrentes ,mas ao fim de 2 meses ouvindo falar sobre o mesmo assunto acabam por criar de novo expectativas, criam esperanças e votam .
    Não se trata de partidos mas de personalidades que as campanhas querem impor e na verdade o panorama apresentado é por demais pobre .
    A semana passada , no jornalexpresso , na revista Unica , apareceu um artigo escrito pela jornalista Clara Ferreira Alves , cujo titulo é :-" O futuro das cidades"
    O artigo ´sobre Lisboa ,mas pode ser alargado facilmente a todo o restante Portugal e reflete o espanto , a desilusão, o cansaço e a tristeza que é minha e de muitos que mesmo gostando de participar não encontra em quem confiar.
    Desculpe se me alargei e ocupei mt espaço :)
    Eu pago impostos , muitos , gostava de viver num pais melhor, só isso.

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  3. De acordo: não me importaria de pagar mais se houvesse uma melhor utilização e SE soubesse para onde são canalizados.
    Agora pago impostos e pago tudo o resto em todos os sectores (educação, saúde, etc).
    É fácil falar dos outros. Mas em países do Norte a coisa funciona. Mesmo que paguem altas taxas de impostos. Há uam retoma.

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  4. Que bom que aqui não são somente as palavras que chegam em ondas e sim tb os pensamentos :o)

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  5. Adendo: Embora eu tenha a certeza que aprendo muito mais com vc do que vc comigo, agradeço muitíssimo o elogio.E começo à pensar tb que a telepatia realmente exista...o que confesso que me é um pouco assustador..r.s..

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  6. Carlos: dê uma oportunidade a quem nunca governou, dê, e verá mais do mesmo desgoverno dos outros ou do "por aqui me governo" dos outros.
    Não tenhamos ilusões.

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  7. Pois Carlos, eu sou da opinião da Gi. Durante alguns anos e só por não passar cartão à politica, não votava. A dada altura comecei a tomar consciência que para se criticar e exigir, há que ter o poder de escolher e esse poder está no voto. Mesmo votando em branco, por não me rever em nenhum partido, por não acreditar nos políticos, por achar que tudo aquilo está minado por esquemas que a maior parte de nós nunca entenderá ou, pior ainda, saberá.
    Mas desta vez já decidi o meu voto.
    Por um lado, por ser o mal menor, espero, por outro, porque acredito que só com alguma estabilidade o país rumará para a frente, mesmo que o passo seja coxo.
    O PCP, parou no tempo, o Bloco é utópico e demagógico, o CDS (detesto o Portas) ainda é o que mais medidas e propostas apresenta, com algum sentido, o PS teve azar com os tempos que correm, mexeu onde e com quem não devia, também fez algumas coisas que não devia, mas no geral, acho que foi dos melhores governos que tivemos. Eu disse acho, pois não percebo patavina de política.
    Por isso prefiro que seja o PS a ficar e se aumentarem os impostos, que os saibam utilizar para melhorar isto. Assim não me importo também de pagar mais.
    É utopia, mas prefiro arriscar.

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