
“Quand vient la fin de l'été sur la plage
Il faut alors se quitter peut-être pour toujours
Oublier cette plage et nos baisers
Quand vient la fin de l'été sur la plage
L'amour va se terminer comme il a commencé
Doucement sur la plage par un baiser
Le soleil est plus pâle mais nos deux corps sont bronzés
Le soleil est plus pâle mais nos deux corps sont bronzés
Crois-tu qu'après un long hiver notre amour aura changé ?...”
(Derniers baisers- Les Chats Sauvages)
Inicio o regresso a Lisboa ao fim da manhã, depois de me despedir do Douro. O dia está magnífico, faço um desvio para almoçar em Pedrógão. Praia quase deserta, apesar da temperatura convidativa. Um casal joga raquetes, outro passeia de mão dada à beira mar. Mais adiante, vislumbro um guarda sol que protege dois corpos femininos. Dois casais com aspecto nórdico irrompem no meu campo de visão. Devem andar na casa dos quarenta. Usam todos gangas e t-shirts. Avançam em correria alegre em direcção ao mar. Molham os pés durante uns segundos e voltam para trás em passo lento. Caminham em direcção ao restaurante.
Na esplanada e lá dentro, bastantes turistas. Quase todos nórdicos. Enquanto aguardo a chegada do robalo grelhado, mantenho os olhos fixos na paisagem. A luminosidade, a cor do céu e do mar,a quase ausência de vento e de pessoas na praia, a maioria do comércio fechado, são indícios do fim do Verão. Apenas a elevada temperatura teima em nos confundir nesta dança de estações, cada vez mais mescladas.
Chega o robalo. Não tenho apetite. Sem querer, deixei-me invadir pela força nostálgica do Outono. Olho em volta. É de praias quase desertas que eu gosto mas, neste momento, preferia que estivesse cheia. Tenho sentimentos contraditórios em relação ao Outono. Gosto dos tons acobreados das folhas, da luminosidade dos seus dias de sol. Não gosto do anúncio de fim de ciclo, que culminará no Inverno. Não gosto dos dias chuvosos em que anseio a noite. Já não sinto tristeza. É mais uma sensação de amargura, de quem se despede de um amigo, sem ter a certeza se o vai voltar a ver.
Vendo o robalo quase intacto, a empregada pergunta-me se há algum problema. Não há problema nenhum. Eu é que tenho um problema com estes dias que me provocam sentimentos contraditórios. Animo-me quando penso que o paredão do Estoril vai voltar às suas manhãs felizes. Que vou poder voltar a percorrer o caminho entre o Estoril e a Casa da Guia, sem estar constantemente a tropeçar em gente. Sem ouvir gritos de crianças em birra. Sem me arriscar a apanhar com uma bola, enquanto leio o jornal ou folheio um livro.
O meu Rochedo ganha mais encanto com a paisagem desanuviada. Animado, acabo o robalo e peço a conta. Quero passear um pouco junto à praia antes de retomar a viagem. Decido que vou continuar junto à costa. Quero dizer um último adeus ao Verão em Vieira de Leiria, S.Pedro de Muel, Nazaré, S. Martinho do Porto... com o cabelo ao vento e a música de outras férias a ribombar nos meus ouvidos. Como a que escolhi para título deste post. Espalharei beijos pelos areais. Recordarei estios que ficaram selados com um beijo** e promessas de amor eterno. Quando chegar a Lisboa, conto-vos como foi.
*Derniers baiser é uma canção de 1962 dos “Les Chats Sauvages”, mas a versão que vos deixo aqui é mais recente, interpretada por Laurent Voulzy . Dos criadores desta canção deixo-vos outro dos seus grandes sucessos.
** O título da versão inglesa era “Sealed with a kiss”
Parece que gostou do verão!
ResponderEliminarCom carinho Monica
Não..não..não...um longo inverno não faz diminuir um grande amor. Ele sempre se fará presente quando novamente nos encantarmos com paisagens desanuviadas :o)
ResponderEliminarBem, se eu morasse na fotografia do post, com certeza todos os dias, no final da tarde, com a praia já vazia, me encontrariam contemplando a paisagem, num desses banquinhos adoráveis!!!
Obrigada pelo passeio
Aqui no nosso paredão, seja em que estação for, basta estar sol e calor ... ele está sempre cheio.
ResponderEliminarAi que estação do ano, mailinda!
ResponderEliminarEla é renovação, cor, mudança, composição, ensaio ....
Monica: Não gostei... gosto!
ResponderEliminarBejinho
Turmalina: O passeio continua amanhã
ResponderEliminarGi: No meu paredão, que é um pouco mais adiante, no Inverno está-se bem. Mesmo em manhãs de sol.
ResponderEliminarPatti: Pois, eu sei que é a sua estação preferida... Como já dissse, não é que desgoste, tenho é de a viver no sítio e tempo certo.
ResponderEliminarHummmm! Não me diga que o restaurante era o "Rotunda do Mar". Se era, mal empregado robalo que esfriou, é que não são de viveiro! E o robalo ao sal? Divinal!
ResponderEliminarMilu: Confesso que não me lembro do nome, mas de certeza que não era esse. Era um daqules restaurantes de madeira que ficam na marginal, em cima da praia.
ResponderEliminarMas registei o nome para a próxima. Obrigado pela dica.