
Nos últimos anos o Metro decidiu colocar frases e pensamentos de autores portugueses nas novas estações. É uma ideia que aplaudo. Na estação Saldanha II há, todavia, frases em excesso e, em minha opinião, algumas pouco apropriadas como estas de Almada Negreiros:
" Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não duro nem para metade da livraria. Deve certamente haver outras maneiras de se salvar uma pessoa, senão estou perdido”.
Num país com baixos índices de leitura, a escolha parece-me infeliz. Em vez de incentivar a leitura, passa a ideia de que a leitura é uma perda de tempo. É esta a minha interpretação, mas admito que esteja a ver mal o problema, pelo que gostava de saber a vossa opinião.
Há ainda outro erro. A frase não está completa. Falta-lhe este excerto:“No entanto, as pessoas que entravam na livraria estavam todas muito bem vestidas de quem precisa salvar-se”. Alguém encontra uma explicação para terem amputado Almada em “A invenção do dia claro”? Aceitam-se sugestões.
Eu vejo que é quase a frase de um suicida se a pessoa encontra-se em estado de depressão.
ResponderEliminarEssa frase caía bem na cena do curta Tuileries, dos irmãos Coen, na coletânia Paris Te Amo.Com certeza na livraria ele estaria mais seguro : http://www.youtube.com/watch?v=XV_0LTEhEjM
É muito pertinente , sim senhor- "A invenção do dia claro" é realmente muito sedutor para qualquer artista/designer nem sei como chamar a quem foi encarregue do projecto(?)da estação mas, como o Carlos diz e muito bem, temos que ter muito cuidado com "a idéia que passa" e então, onde é - espaço público e onde passa tanta gente jovem. Para mim , a "amputação", rouba toda a força,ao excerto, terá sido..branqueamento/censura?!
ResponderEliminarCarlos não sou mulher de enredos:))
Concordo com o Carlos. Para mim, colocar frases e pensamentos de autores portugueses nas paredes de estações de Metro é demagogia. Se à demagogia se juntar incompetência (frases incompletas) então mais vale ficar mesmo quieto.
ResponderEliminarAs tantas a malta que frequenta o metro podia interpretar que para ir a uma livraria se tinha de usar roupa bonita e que os livros são para as elites.
ResponderEliminarPara além desta interpretação parva, concordo que faz mais sentido frases curtas e directas.
abr
Turmalina: o servidor com que estou neste momento a trabalhar, não me permite visualizar o link que me enviou. terei de esperar pela noite e depois responder ao seu comentário. Obrigado.
ResponderEliminarMaria: eu também não sou homem para isso, mas há coisas que me deixam a cismar.
ResponderEliminarMike: É isso mesmo. Quem fez isto foi incapaz de se colocar na pele de quem utiliza o metro e ver a outra interpretação que a frase pode ter.
ResponderEliminarPedro: também me parece, até porque estas ocupam todo o espaço da plataforma, em comprimento, o que é outro disparate!
ResponderEliminarJá não cabia o resto ou o texto tinha que ir até S. Sebastião.
ResponderEliminarCarlos - por um lado ignorância - mais do que incompetência.
ResponderEliminarPercebo que uma grande maioria das pessoas que não lê, leve aquilo á letra. Quem conhece Almada e leia precisamente a mesma frase, largará um sorriso. Quem não é familiarizado com a leitura, se calhar nem sabe quem á AN. Provavelmente, nem chegou ao fim da frase. Quanto a mim, sou a favor de toa a divulgação que possa alcançar pessoas que não t~em habitos de leitura. Mesmo que pareçam apenas fachadas pintadas. para essas, pode ser um começo. Para quem lê, ou para eu que leio... acho piada. E não raras vezes estes bocadinhos de nada no tempo de um metro ou afins fazem-me voltar a ter vontade de pegar em determinado livro ou autor.
Bem, já me alonguei... :)
Gi: Sabe que ontem tive de passar por lá outra vez e fui ver se a sua hipótese estava certa. Infelizmente não... reparei ontem que, mais à frente, comça outra frase que nada tem a ver com estas.
ResponderEliminarLúcia: Concordo consigo mas, como escrevi no post, quem não for muito dado a leituras, vai perceber a frase ao contrário...
ResponderEliminarola!
ResponderEliminareu acho que as frases na estação estao todas muitos giras, gosto principalmente de uma que diz: "quando eu nasci as frases que hao de salvar a humanidade ja estavam todas escritas, só faltava uma coisa, salvar a humanidade" acho que faz sentido...
mas quanto a frase "Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não duro nem para metade da livraria. Deve certamente haver outras maneiras de se salvar uma pessoa, senão estou perdido” interpreto a da seguinte maneira, a vida é curta, infelizmente nao vou poder ler todos os livros que existem, como em tudo na vida, tenho que escolher aqueles que realmente quero ler, nao vou posso acreditar que a salvação do homem esta em ler todos os livros que existam, se nao estou perdido... penso que seja isso que a frase quer dizer, nunca um escritor iria dizer que ler era uma perda de tempo, penso eu nao sei... para mim ler, nao é de maneira nenhuma uma perda de tempo!!!
bjs
Não concordo de todo com a sua interpretação da frase. Creio que qualquer amante da leitura se identifica minimamente com ela, sendo que descreve de modo exacto aquilo que sinto quando entro numa biblioteca ou livraria, um misto de tristeza e alegria. O primeiro pela impossibilidade de ler tudo o que quero em simultaneo, o segundo por mal conseguir esperar por começar. Quanto à segunda frase interpreto-a como uma certa dose de ironia que camufla, de modo genial, a ideia de vivência como modo de aprendizagem em sobreposição à leitura e como consequência, eficaz método de salvação. Genial.
ResponderEliminarannie: Obrigado pela visita
ResponderEliminarVim aqui calhar hoje e não posso discordar mais. Para mim uma das melhores estações da rede do Metro de Lisboa.
ResponderEliminarReparem: está situada numa zona universitária. Toda a estação faz alusão ao pensamento (quer seja matemático, literário, etc.)
Uma estação não serve, nem deve servir, para educar. Não é por ter umas frases na parede que as pessoas vão tornar-se mais ou menos interessadas. Quem gosta nota, quem não gosta ignora. É um piscar de olhos a quem a percebe. Tal como qualquer outra obra de arte: uma estátua, uma exposição de arte, etc.
Quanto à frase em si terei também que discordar. Para quem lê, e gosta de ler, é fácil perceber a inquietação de saber que nunca se lerá tudo quanto se quer. Quantas vezes já entrámos em livrarias e pensámos aquilo mesmo? Nunca vamos ter tempo. Morramos a tentar! ;)
Abraço.