Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Ainda a "Rentrée"

Ei-los que chegam! Pele tisnada dos ares algarvios, carregando no acelerador o peso das amarguras, ou ensaiando malabarismos em ultrapassagens acrobáticas, num treino para o equilíbrio do orçamento mensal, desaguam nas ruas da grande cidade com o ar triste de quem regressa às rotinas diárias.Voltam a abarrotar –se os transportes; regressam as filas intermináveis caracoleando nos acessos à cidade; os balcões das pastelarias voltam a animar-se em refeições rápidas de come em pé, num menu “standard” SFB ( sopa, folhado e bica); as escolas voltam a ser palco de disputas entre professores e alunos e a ministra voltará à sua função de árbitro parcial numa contenda interminável.A cidade volta a tornar-se insuportável, os que cá ficaram suspiram pelo próximo Agosto, ou por aqueles dias de Natal e Ano Novo, quando a cidade se volta a esvaziar, para um encontro repetido de famílias, cumprindo o ritual de troca de presentes.Até lá suceder-se-ão fins de semana, num movimento de io-io entre a cidade e a “terrinha”, continuaremos a assistir ao regresso a casa de carros a abarrotar de mantimentos e agruras.Para a maioria das pessoas é assim que se renova a vida. Na sequência repetitiva do asfalto, nas areias de uma praia a abarrotar, no contar de mortos em acidentes de viação, provocados pela incúria e loucura de uns quantos. Para telenovela, o argumento até não me parece mau… mas para modo de vida parece-me curto de ambição!

8 comentários:

  1. Tenho pavor à rotina, tanto que sempre que posso mudo meus trajetos diários. Sempre que percebo um padrão repetitivo na minha vida tento modificá-lo, muitas vezes até sem consciência de que estou modificando-o. O que pode parecer falta de constância é muito mais uma busca pela melhor sobrevivência, justamente para que a minha vida não se torne um argumento de telenovela.Prefiro ser a roteirista desta balbúrdia do que atriz principal :o)

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  2. Que coisa triste pode ser a vida, Carlos, se não encontramos " escapes " ...

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  3. No mundo de luta que é o trabalho, por vezes não se pode fugir a essa rotina que mata.
    Como diz TURMALINA, a arte da fuga é o melhor....
    Estar "jubilada" , como dizem os espanhois ,e, em júbilo já é uma graça da vida...
    :))

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  4. Por muito que tentemos há rotinas que se colam à pele.
    p.sp.s. caro amigo hoje pelo meio dia tenho lá um post com uma dúvida que os seus conhecimentos de politica podem ajudar.obrigado.

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  5. Setembro, outrora o mês do meu contentamento, é, hoje em dia, o mês do meu descontentamento: sobra-me muito mês.:(

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  6. Oh meu Deus, que coisa mais terrífica é a rotina urbana!

    Adorei o "menu “standard” SFB"!

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  7. Por um lado isso tudo, Carlos. Por outro, essas incursões cíclicas á terrinha serve como porto de abrigo para muitos. Parece um ciclo: monótono - como se a vida valesse apenas por isso. Não vale. Mas é reconfortante o reencontro.
    Mas há outras coisas mais para além de... há. Tem de haver:)
    Bom Dia!

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  8. Remato, infelizmente, com uma frase muito batida - já lutei muito para não ter que concluir assim, mas...é a vida, por enquanto, possível!

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