Palavras que chegam em ondas, envoltas no cheiro da maresia
Terça-feira, 25 de Agosto de 2009
Rochedo das Memórias (120)
Faz hoje 21 anos, ardeu o Chiado. Não estava em Portugal mas, quando soube da notícia, não pude conter as lágrimas. Como se estivesse a arder um bocadinho de mim.
Ah, também me lembro da tristeza com que ouvi essa noticia, leitora apaixonada que era de Eça de Queiroz, o Chiado era como se fosse lugar já conhecido e frequentado por mim e em minha primeira visita a Lisboa, em 1993, foi o primiero lugar que quis conhecer.
Carlos, Também eu não. Vi pela TDM! Engraçado que não tendo vivido muito tempo em Lisboa senti que se perdia um pouco de mim. Por mais voltas que demos pelo mundo, somos sempre patriotas! Um beijinho
Vinte e um anos?! Vinte e um anos???? ... Minha Nossa Senhora... Vivia então em Carcavelos e o meu avô na Calçada do Combro, pelo que desembestamos para a zona, totalmente em pânico... Tanto tempo, já?.. Foi tão mau. E, mesmo agora, tanto se perdeu, apesar do que se reconstruiu...
Fui acordada de madrugada .Era o aviso de que havia um fogo , que alguma coisa podia ficar fora de control....melhor era ir . Passei a manhã na casa maternal da Santa Casa da Misericordia e no hospital infantil de S.Roque ajudadando as enfermeiras e assistentes sociais a vestir e acomodar meninos doentes , de modo a serem evacuados sem perigo.Nenhum perigo , entre eles o de se perderem ou serem desviados.Escrevi com marcadores nas costas , no peito , nos braços ,nas pernas , na sola dos pés o nome de cada um e o nº da ficha de internamento , mais o meu nome e o telefone de minha casa.Fiz listas e listas , contámos e recontamos enquanto os iamos metendo em taxis e carros do hospital.Levámos todos para longe , para uma moradia que já não sei quem emprestou e onde se improvisou , enfermarias, simples quartos de dormir,um refeitório tudo no chão em cima de cobertores cinzentos de casa pobre , tudo contado e recontado vezes sem conta, sem alarido mas numa pressa que nunca mais vivi,e chegamos ao fim do dia cansados , recostados aqui e ali numa casa estranha mas segura de uma zona alta de lisboa , com medo que no dia seguinte nos faltasse algum....não tivemos tempo para ver o fogo ....... Só chorei o Chiado dias mais tarde , só vi o fumo e as chamas nas fotografias dos jornais .
Foi a mancha no meu currículo nos Bombeiros. Estava a passar uma semana de férias no Algarve e claro não fui ajudar ao pouco que havia a fazer. Demorava-se quase meio dia a chegar a Lisboa, de qualquer modo, na altura, carro só havia um. Telemoveis? O que era isso? Tinha 20 anos, recordo-me perfeitamente que esse foi um dos dias que mais me custou a passar. Nervos, frustração, revolta, impotência... Era onde eu ia em pequeno, com a minha mãe, às compras, onde havia quase de tudo, ao estilo do agora "corte inglês". Adorava as escadas rolantes do Grandela. Adorava aquele emaranhado de coisas. Era dia de festa, o dia de compras em Lisboa. Foi um dia triste para todos nós
Annie: este seu comentário dava um post brilhante. Vivido na primeira pessoa e escrito com a emoção própria só de quem sentiu tal tristeza e vivência na pele. Bem haja.
Imagino o quanto custou ver isso. As "nossas" ruas, os "nossos" lugares, são como parte de nós. Fazem-nos falta, fazem-nos sentir parte integrante. Bem, há 21 anos não me lembro de nada disso. Com 4 aninhos não ligava muito ao telejornal...
Se para voce e seus patricios foi muito triste. Para mim digo que sou solidária porque não me lembro deste fato no noticiario. Acho que me preocupava só com minhas criançinhas de pré escolar a 21 anos atras. Com carinho Monica
Pati: estive lá no princípio da semana passada, ao princípio da noite. Enquanto cá por baixo Lisboa se movia lentamente e apenas as esplanadas tinham alguma vida, graças aos turistas, no Chiado realmente havia muita vida
Bacouca: Não é bem patriotismo, penso que é mais o apego à terra onde nascemos ou crescemos. Andei por esses lados tantos anos e só vinha aPortugal em trabalho mas, nesse dia, apeteceu-me pegar num avião e voar para Lisboa.
Carlos, o que mais me impressionou depois da tragédia, foram os anos que levamos a reconstruir e a voltar a povoar um espaço como aquele. Felizmente que já o temos quase de volta, diferente do que era, no entanto, vivo e alegre.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarÉ porque embora não pareça e mesmo que muitos neguem, somos todos parte de um todo!!!
ResponderEliminarE como já lhe disse no Delito, estive lá ontem e felizmente o meu/nosso Chiado, pulsava como nunca!
ResponderEliminarAh, também me lembro da tristeza com que ouvi essa noticia, leitora apaixonada que era de Eça de Queiroz, o Chiado era como se fosse lugar já conhecido e frequentado por mim e em minha primeira visita a Lisboa, em 1993, foi o primiero lugar que quis conhecer.
ResponderEliminarCarlos,
ResponderEliminarTambém eu não. Vi pela TDM! Engraçado que não tendo vivido muito tempo em Lisboa senti que se perdia um pouco de mim. Por mais voltas que demos pelo mundo, somos sempre patriotas!
Um beijinho
Estive lá. O avião em que seguia sobrevoou-o. Depois assisti de um 4º. andar Rua Marechal Saldanha às chamas que inrompiam dos telhados.
ResponderEliminarO Chiado nunca mais ficou igual.
Obrigada por me trazer ã memòria... esse dia!
ResponderEliminarël tiempo passa, nos vamos poniendo viejos "...
Abraço
21 anos... lembro-me bem, encontrava-me de férias no Alentejo, era um dia muito quente.
ResponderEliminarmarcou-me muito esse incêndio.
Vinte e um anos?!
ResponderEliminarVinte e um anos????
...
Minha Nossa Senhora...
Vivia então em Carcavelos e o meu avô na Calçada do Combro, pelo que desembestamos para a zona, totalmente em pânico...
Tanto tempo, já?..
Foi tão mau.
E, mesmo agora, tanto se perdeu, apesar do que se reconstruiu...
Não sou Lisboeta, mas também me impressionou. Sobretudo pelo pedaço de História que se transformou em cinzas.
ResponderEliminarPara não atrapalhar fui "ver" arder para o miradouro do castelo de Almada e... chorar.
ResponderEliminarFui acordada de madrugada .Era o aviso de que havia um fogo , que alguma coisa podia ficar fora de control....melhor era ir .
ResponderEliminarPassei a manhã na casa maternal da Santa Casa da Misericordia e no hospital infantil de S.Roque ajudadando as enfermeiras e assistentes sociais a vestir e acomodar meninos doentes , de modo a serem evacuados sem perigo.Nenhum perigo , entre eles o de se perderem ou serem desviados.Escrevi com marcadores nas costas , no peito , nos braços ,nas pernas , na sola dos pés o nome de cada um e o nº da ficha de internamento , mais o meu nome e o telefone de minha casa.Fiz listas e listas , contámos e recontamos enquanto os iamos metendo em taxis e carros do hospital.Levámos todos para longe , para uma moradia que já não sei quem emprestou e onde se improvisou , enfermarias, simples quartos de dormir,um refeitório tudo no chão em cima de cobertores cinzentos de casa pobre , tudo contado e recontado vezes sem conta, sem alarido mas numa pressa que nunca mais vivi,e chegamos ao fim do dia cansados , recostados aqui e ali numa casa estranha mas segura de uma zona alta de lisboa , com medo que no dia seguinte nos faltasse algum....não tivemos tempo para ver o fogo .......
Só chorei o Chiado dias mais tarde , só vi o fumo e as chamas nas fotografias dos jornais .
Foi a mancha no meu currículo nos Bombeiros.
ResponderEliminarEstava a passar uma semana de férias no Algarve e claro não fui ajudar ao pouco que havia a fazer.
Demorava-se quase meio dia a chegar a Lisboa, de qualquer modo, na altura, carro só havia um.
Telemoveis? O que era isso?
Tinha 20 anos, recordo-me perfeitamente que esse foi um dos dias que mais me custou a passar. Nervos, frustração, revolta, impotência...
Era onde eu ia em pequeno, com a minha mãe, às compras, onde havia quase de tudo, ao estilo do agora "corte inglês". Adorava as escadas rolantes do Grandela. Adorava aquele emaranhado de coisas. Era dia de festa, o dia de compras em Lisboa.
Foi um dia triste para todos nós
Annie: este seu comentário dava um post brilhante.
ResponderEliminarVivido na primeira pessoa e escrito com a emoção própria só de quem sentiu tal tristeza e vivência na pele.
Bem haja.
Imagino o quanto custou ver isso. As "nossas" ruas, os "nossos" lugares, são como parte de nós. Fazem-nos falta, fazem-nos sentir parte integrante.
ResponderEliminarBem, há 21 anos não me lembro de nada disso. Com 4 aninhos não ligava muito ao telejornal...
Se para voce e seus patricios foi muito triste. Para mim digo que sou solidária porque não me lembro deste fato no noticiario.
ResponderEliminarAcho que me preocupava só com minhas criançinhas de pré escolar a 21 anos atras.
Com carinho Monica
Pati: estive lá no princípio da semana passada, ao princípio da noite. Enquanto cá por baixo Lisboa se movia lentamente e apenas as esplanadas tinham alguma vida, graças aos turistas, no Chiado realmente havia muita vida
ResponderEliminarDulce: Mas o grande poeta do Chiado ( com direito a uma peculiar estatueta que faz as delícias dos turistas) é Fernando Pessoa.
ResponderEliminarBacouca: Não é bem patriotismo, penso que é mais o apego à terra onde nascemos ou crescemos. Andei por esses lados tantos anos e só vinha aPortugal em trabalho mas, nesse dia, apeteceu-me pegar num avião e voar para Lisboa.
ResponderEliminarSalvo: é verdade, nunca mais ficou igual, mas felizmente recuperou a vida que cheguei a pensar se iria perder para sempre
ResponderEliminarMargarida: O tempo voa!
ResponderEliminarSi:Não é preciso ser lisboeta para sentir a perda do Chiado. Foi uma verdadeira desgraça
ResponderEliminarannie hall: faço minhas as palavras da Patti. Emocionei-me ao ler o seu comentário
ResponderEliminarToZé: O Chiado também me traz muitas recordações da infância, apesar de nessa altura não viver em Lisboa. Mas vinha cá com muita frequência...
ResponderEliminarMonica: Nada mais natural. Lisboa fica tão longe...
ResponderEliminarSónia: Nessa idade a única coisa que arde dentro de nós é a curiosidade da descoberta...
ResponderEliminarCarlos, o que mais me impressionou depois da tragédia, foram os anos que levamos a reconstruir e a voltar a povoar um espaço como aquele. Felizmente que já o temos quase de volta, diferente do que era, no entanto, vivo e alegre.
ResponderEliminarE eu estava tão perto e a única coisa que fiz foi ir entregar leite aos bombeiros.....
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