Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

O banqueiro do Povo

Muhammad Yunus vai receber, hoje, a mais alta condecoração civil outorgada pelos Estados Unidos: a medalha presidencial pela Liberdade.
A altíssima distinção com que Barack Obama o vai distinguir, é o reconhecimento pela obra de um homem que fez mais pelo combate à pobreza, do que qualquer político mundial.

Como salientou Obama, Muhamad Yunus "foi um agente de mudança, que viu um mundo imperfeito e agiu no sentido da sua melhoria, superando grandes obstáculos pelo caminho".
Ao criar o Banco Grameen e o microcrédito, este economista banqueiro tirou da miséria milhares de cidadãos condenados à pobreza e à fome. Deu à sua vida um outro rumo, onde a palavra empreendedorismo cintila como uma mensagem de esperança. O microcrédito foi adoptado em muitos países do mundo, transportando consigo essa mensagem de esperança para muitos que já a tinham perdido, na voragem deste mundo de liberalismo selvagem. Recebeu, por isso, o PrémioNobel da Paz.
Há uns meses, tive a oportunidade de o entrevistar. Fiquei impressionado com a sua simplicidade. Em nenhum momento vislumbrei no seu rosto uma réstea de vaidade. Apenas a reacção natural de quem tem a sensação de que o mundo poderia ser bem melhor, se a volúpia e ambição dos homens, não o tornassem tão injusto. Se não houvesse tanta promiscuiade entre política e finança. Da rasca, não da alta...
Um exemplo para um mundo onde os banqueiros são olhados como seres superiores, pelo simples facto de praticarem a usura e olharem para os mais desfavorecidos como “indignos de aceder ao crédito”.
Um exemplo para os políticos que transportam ao colo usurpadores, vigaristas de chinela que gastam numa hora de charutadas, o vencimento de um trabalhador médio, que investem o dinheiro dos outros com a displicência de quem joga na roleta e nos atiraram para esta situação miserável, culpando agora os políticos de serem os responsáveis pela bancarrota.
Não sou lírico, ao ponto de acreditar que os problemas do mundo se resolveriam com o microcrédito, mas não tenho dúvida que seria melhor se os bancos funcionassem a favor da sociedade e não apenas para proveito de meia dúzia de gananciosos.

Por um dia, deixem-me acreditar que Obama está a dar ao mundo um sinal de que é imperiosa a mudança do sistema financeiro mundial. Por um dia, apenas, quero acreditar nisso, porque amanhã, as notícias que vão chegar da América Latina me vão despertar do sonho e mostrar que os desígnios de Obama são bem diferentes daqueles que esta homenagem a Muhammad Yunus pretende transmitir. Mas amanhã é outro dia…

(Também no Delito de Opinião)

21 comentários:

  1. Sonhar é um direito inalienável, meu amigo. Imaginar um mundo que se liberta da miséria pode até ser utopia, mas precisamos acreditar que um dia isso possa acontecer para que não percamos a esperança de um melhor amanhã para a humanidade...

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  2. Eu fiquei feliz por esta comemoração. E sinal de que alguem sabe quem são os humanos por aqui.
    Com carinho Monica

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  3. Carlos,
    Sinceramente, invejo-o.
    Não é todos os dias que podemos encontrar alguém que teve o privilégio de privar com outrém desse gabarito humano.
    Especialmente nos dias de hoje.
    Guarde bem essa entrevista - que por acaso até gostava de ler - e este post.
    Sempre que o desespero de caminhar neste deserto de princípios e integridade for demasiado para suportar, pegue neles e relembre-se que ainda há esperança de encontrar gente assim.

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  4. ...porque amanhã é outro dia, vivamos o hj praticando os pequenos microcréditos que estão ao nosso alcance: vinte sorrisos sinceros por dia (pode começar com menos, para ir se acostumando!), meia hora semanal de serviço social...

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  5. Já tem concorrência. O Bill Gates tomou decisão parecida. A diferença é que um inventou a ideia e partiu para ela com poucos recursos o outro, mais recente, parte com imensos recursos e ideais sólidos. Vale o exemplo que frutificará.

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  6. Um exemplo para todos nós.
    O modo como se iniciou o banco do micro-crédito faz-me sempre pensar na importância dos pequenos-grandes gestos.

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  7. Ainda hoje vi nas notícias, que um empresário italiano, salvo erro, prometeu que se ganhasse o euromilhões, que o dividia com os seus empregado.
    Ganhou, dividiu e ainda tirou a empresa da falência.

    Por cá também há gente assim, humilde.....
    Claro.....

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  8. Dulce: Podem querer matar-nos a esperança, mas temos de resistir e coninuara a creditar que o sonho é possível

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  9. Monica: Pena serem tão poucos os bons exemplos, que até temos de fazer uma referência especila para o que devia ser normal na vida.

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  10. Si: Conheci Muhammad Yunus em 1991 na Índia.fartei-me de conversar com ele, mas só num dos últimos dias é que uma amig chilena me veio perguntar se eu sabia quem ele era. Tratava-o apenas por Yunus e não me tinha apercebido com quem estava a falar. Por aí, pode fazer uma equena ideia da simplicidade dele.
    Quanto à entrevista não a posso guradra, infelizmente. Foi uma entrevvista para uma rádio latino-americana, em directo...
    Graças ao tipo de vida que escolhi, tenho tido a sorte de conhecer gente fantástica. Principalmente na Ásia e na América Latina. Alguns têm sido exemplos na minha forma de vida. tenho esperança ( apesar de tudo) que um dia os seus princípios frutifiquem, dando azo a uma sociedade mais justa.

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  11. Dulce: Belíssimas as suas palavras. confesso que 20 sorrisos por dia, nesta Europa moribunda não é feito fácil de alcançar.
    Quanto ao trabalho social, já é diferente. Faço bastante mais de meia hora semanal e sinto-me muito bem com isso.
    Fui dar uma espreitadela ao seu blog e gostei muito do que por lá li e vi. Vou voltar amanhã com mais tempo.
    Apareça mais vezes!

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  12. Anónimo: a iniciativa de BG- que considero muito meritória- é bastante diferente desta. E, como muito bem salienta, o ponto de partida e as condições de um e outro são muito divrsas. Por mim, podem triunfar os dois. O mundo agradece.

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  13. Sunshine- precisamos de muitos exemplos destes e de muitos equenos grandes gestos.

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  14. Sunshine- precisamos de muitos exemplos destes e de muitos equenos grandes gestos.

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  15. To Zé: a atitude é louvável, mas em nada comparável com o trabalho de Yunus, não acha?

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  16. Não estava a comparar. Claro que não.
    Mas não sendo comparável, não deixa de ter algo em comum.
    Estava a dar mais um exemplo de humildade (pelo menos aparenta).
    Fazer o bem em prol dos outros.
    Este Italiano, ajudou, a dobrar, quem de si dependia.
    Deu-lhes um bom sustento e ainda lhes garantiu os postos de trabalho por mais uns anos.
    Estes exemplos, fazem-me "recordar" atitudes dos nossos conterrâneos... é isso.
    Basta abrir um jornal, ou ligar a televisão e é ver-se tantos casos de entre ajuda que alguns "humildes" nossos conterrâneos têm em prol de outros, também "humildes e desfavorecidos" concidadãos....
    Não é um orgulho viver num país assim?

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  17. "precisamos de muitos exemplos destes e de muitos equenos grandes gestos."

    Não devia ser necessário haver gente assim.
    É utopia, claro que é, mas isto chega para todos.
    Porque raio uns querem tudo e outros ficam com nada?
    Sempre foi assim, dir-me-á. Foi, mas é uma pena que ainda não tenhamos aprendido com os erros.

    Com diz a Dulce, Sonhemos...

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  18. Um bocado no seguimento do meu raciocínio, mas que nunca consegui expressar, muito menos desta forma, li hoje um dos melhores e mais pertinentes, comentários sobre aquilo em que se transformou o Homem.

    Aqui: http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/840420.html

    Há cerca de 15 anos ouvi alguém dizer:

    "O Homem é o pior parasita do planeta"

    Cada vez mais actual, esta afirmação.
    Se não levarmos com nenhum meteorito em cima, entretanto, a extinção do Homem, pelo Homem, é certa.

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  19. Carlos,
    Também muito admiro esse Homem que com uma ideia conseguiu transformar tantas vidas! E ainda dizem que não é possível acreditar que com pequenos gestos se fazem grandes obras. Que sorte a sua em conhecer pessoalmente pessoas assim!
    Um beijino

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  20. São de Homens com esta força e inteligência que o mundo precisa.

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  21. Este Homem merece todo o meu respeito
    e admiração é muito especial e o seu texto diz -me muito!
    Hajam mais dias de "sonho" e oxalá que Obama nos surpreenda no bom sentido, claro!

    (Obama e o "Plano Colômbia", deixa-me apreeensiva...)

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