"Gimme a ticket for an aeroplane,
Ain't got time to take a fast train.
Lonely days are gone,
I'm a-goin' home,'
Cause my baby just a-wrote me a letter(...)
Durante as actividades num campo de férias, o monitor perguntou:
O que preferiam receber de um(a) amigo(a) distante que vos desperta especial atenção ? Um convite para um encontro por e-mail, ou por SMS?
As opiniões dividiram-se. A maioria manifestou preferência pelo SMS. Uma miúda de 16 anos respondeu:
"Preferia receber por carta"Todos viraram os olhos na sua direcção. Um, mais atrevidote, avançou:
"Deves ser muito romântica... já ninguém escreve cartas."
O monitor perguntou:
"Por que razão preferias a carta?"
A miúda, envergonhada, mas convicta, respondeu:
" Porque uma carta dá mais trabalho a escrever e ainda é preciso metê-la no correio. E depois, se for verdadeiramente meu amigo, ainda me vai mandar qualquer coisa a acompanhar. Uma flor seca, uma ilustração, ou uma fotografia. E ainda há mais uma coisa. A carta pode ser perfumada e quando toco no papel, sei que ele também teve que o tocar para escrever a carta."
Os jovens entreolharam-se. Uns sorriram de escárnio.Outros reflectiram sobre as palavras da colega.
À noite, o monitor encontrou alguns rapazes a escrever cartas.(História verídica e ainda muito fresca)
* "The Letter" era uma canção dos "The Box Tops" (1967). Vai bem com a leitura deste post
Ha coisas que a tecnologia ainda nao consegue fazer e o original sabe melhor :)
ResponderEliminarEu gostava das cartas escritas. Do toque, da cor e até mesmo do leve amarrotado do papel. Quando adolescente o coração já quase saía pelo boca só em reconhecer a caligrafia do remetente. E algumas cartas eram perfumadas...
ResponderEliminarMinha tia , até falecer no mês passado, enviava-me quase que mensalmente uma carta pelo correio.A última foi no meu aniversário e esta foi a primeira vez em que ela me parabenizou antecipadamente. Agosto passou e nenhuma carta chegou...
Ha..ha...esta música eu conheço e tem a minha cara, apesar de ter a minha idade :o)
...eu ainda espero o carteiro.
ResponderEliminarNada substitui uma carta, e até pode ser escrita no computador...
Mas, como tão bem disse a menina: Houve envolvimento da parte de quem a escreveu e expectativa da parte de quem a recebe...
Já não escrevo tantas cartas como fazia há tempos. Acho que é tempo de começar a escrever à minha sobrinha(que ainda só tem 3 anos)!!
Obrigada por esta pequena história e por tantas outras que nunca agradeci...
Já ninguém escreve cartas. Agora até a EDP me envia a factura electronicamente...
ResponderEliminarBjs
Dou toda a razão a miuda. Também preferiria uma carta. Mesmo porque escrever cartas da forma tradicional, em papel especial, com um toque de perfume, é uma forma especial de se dizer a alguém que esteva com ele no pensamento por algum (muito) tempo...
ResponderEliminarE, se for o caso, Carlos, e apetece-me pensar que o é, ainda poderá guardar as palavras " vai carta feliz voando/ nas asas de um passarinho/ se vires o meu amor/ dá-lhe um abraço e um beijinho " :)
ResponderEliminarCarlos
ResponderEliminarA menina tem toda razão.
Há alguns meses sugeri no post Coisas simples, belas e baratas para se fazer...a escrita de uma carta.
Quanta magia vem junto. Quantas emoções.
Beijinhos escritos numa caneta azul
Carlos,
ResponderEliminarQue delícia! E ainda mais partindo de uma adolescente. Hoje em dia os jovens não escrevem cartas e nem sequer sabem pegar numa caneta de tinta permanente. E é uma pena pois não sabem a emoção que é abrir um envelope e ler algo só para si.
Como tudo mudou numa geração! Eu ainda tenho um bau cheio delas!
Um beijinho
miepee: Não duvide!
ResponderEliminarTurmalina: " A música tem a sua cara"? Explique lá isso melhor...
ResponderEliminarPedras Tuas: Eu é que agradeço as suas visitas e comentários.
ResponderEliminarVioleta: Um dia ainda acabam com as cartas por decreto, invocando o interesse ambiental. Embora os interesses sejam outros, como é óbvio, porque em relação ao ambiente estão todos marimbando.
ResponderEliminarDulce: Uma carta é uma coisa muito pessoal. E-mails e SMS são, pelo menos para a nossa geração, gestos automáticos onde falta o sentimento.
ResponderEliminarse calhar estou errado, mas é asim que sinto
Cristina: Há tanto tempo que não me lembrava dessa quadra! Creio que a última vez que a ouvi(cantada) foi numas vindimas...
ResponderEliminarObrigado pela recordação
Luz: com caneta de tinta permanente, pode ser?
ResponderEliminarBacouca: Há tempos desfiz-me de muitas que tinha lá em casa no Porto. Cartas que vinham de v´rios pontos do globo, pois eu correspondia-me com muita gente. Não sei se é do seu tempo, mas na minha juventude era normal procurar corrspondentes noutros países para aperfeiçoarmos a língua.
ResponderEliminarEra uma espécie de Facebook dos anos 60!
Explicando melhor:
ResponderEliminarA batida, o ritmo, é mais ou menos como meu coração e minha alma.
Da letra acho graça, eu escrevi muitas cartas de amor, daquelas do tipo que faziam sentido e causavam mudanças.Eu sempre fui movida à emoção...
Bem, para comprar um ticket e pegar um avião não preciso de um motivo assim tão forte. Me convenço rapidinho da necessidade de atravessar o oceano, mesmo não gostando de voar em grandes aeronaves, e nem por longos períodos.
Aquela coisa toda da impulsividade me faz resolver tudo sempre com urgência.É um defeito, eu sei,mas já me acotumei com ele :o)