Uma crónica do Ricardo Garcia, na “Pública” de ontem, fez-me regressar às férias recentes por terras escandinavas. Para quem não leu ( não é possível fazer link) informo que ele se refere ao seu gosto pelas bicicletas e à dificuldade de usufruir desse prazer em terras lusas. Comomuitos saberão, nos países escandinavos a bicicleta é um meio de transporte muito utilizado, como a fotografia documenta. Há grandes parques de estacionamento para bicicletas, a sinalização própria para velocípedes é eficiente, as ciclovias estão bem delineadas e as pessoas deslocam-se de casa para o emprego com grande facilidade.
Sou grande apreciador deste meio de transporte, mas cada vez menos consumidor. Quando vivia em permanência em Cascais e trabalhava por aqueles lados, ainda me era possível “fazer o gosto ao pé”, mas hoje em dia é quase impossível, porque as ciclovias neste país -como muito bem salienta o Ricardo- “unem lugar nenhum a nenhum lugar”.
Os seres pensantes da maioria das nossas cidades ( Aveiro é uma das honrosas excepções, mas creio que sem grande sucesso…) delinearam os traçados das ciclovias, como percursos de lazer, em vez de as pensarem como vias alternativas para cidadãos que gostariam de utilizar este meio de transporte como meio de locomoção. Para se deslocarem para o emprego, ir à mercearia, comprar os jornais, ir à farmácia ou simplesmente ir beber um copo.
Os maiores aliados destes seres pensantes que governam as nossas cidades são os fanáticos do automóvel que esgrimem como argumento anti-velocipédico o facto de Lisboa ser uma cidade cheia de altos e baixos que não está talhada para ciclistas. Mentira!!!!!!!
Há muitos circuitos que se podem fazer de bicicleta e eu próprio a utilizaria de bom grado, nas minhas rotinas diárias, não se desse o caso de não estar disposto a ouvir as constantes bunizadelas das mesdames e messieurs que do alto dos seus “jeeps” olham para um ciclista como um empecilho que só atrapalha o trânsito. O problema é que não há, neste país, um único autarca com coragem para ignorar os interesses dos trogloditas do asfalto que, uma vez empoleirados nos seus “todo o terreno” e nas suas carrinhas de caixa aberta ( quando as vejo até me sinto protagonista de uma série televisiva passada no Texas) se sentem donos do espaço urbano.
Não acredito em promessas, mas se houver um candidato a Lisboa que me prometa taxar a circulação dos automóveis em Lisboa e criar ciclovias verdadeiramente úteis para o quotidiano do cidadão, terá o meu voto.
* As músicas dos Queen lembram-me a programação nocturna da TVI: é todos os dias igual, só dá telenovelas. Escolhi o “ (I want to) ride my bicycle” porque vai bem com o tema do post. Podia ter optado por “We are the champions”, mas essa ouço-a todos os anos em Maio, quando o meu clube do coração ganha o campeonato.
Sou grande apreciador deste meio de transporte, mas cada vez menos consumidor. Quando vivia em permanência em Cascais e trabalhava por aqueles lados, ainda me era possível “fazer o gosto ao pé”, mas hoje em dia é quase impossível, porque as ciclovias neste país -como muito bem salienta o Ricardo- “unem lugar nenhum a nenhum lugar”.
Os seres pensantes da maioria das nossas cidades ( Aveiro é uma das honrosas excepções, mas creio que sem grande sucesso…) delinearam os traçados das ciclovias, como percursos de lazer, em vez de as pensarem como vias alternativas para cidadãos que gostariam de utilizar este meio de transporte como meio de locomoção. Para se deslocarem para o emprego, ir à mercearia, comprar os jornais, ir à farmácia ou simplesmente ir beber um copo.
Os maiores aliados destes seres pensantes que governam as nossas cidades são os fanáticos do automóvel que esgrimem como argumento anti-velocipédico o facto de Lisboa ser uma cidade cheia de altos e baixos que não está talhada para ciclistas. Mentira!!!!!!!
Há muitos circuitos que se podem fazer de bicicleta e eu próprio a utilizaria de bom grado, nas minhas rotinas diárias, não se desse o caso de não estar disposto a ouvir as constantes bunizadelas das mesdames e messieurs que do alto dos seus “jeeps” olham para um ciclista como um empecilho que só atrapalha o trânsito. O problema é que não há, neste país, um único autarca com coragem para ignorar os interesses dos trogloditas do asfalto que, uma vez empoleirados nos seus “todo o terreno” e nas suas carrinhas de caixa aberta ( quando as vejo até me sinto protagonista de uma série televisiva passada no Texas) se sentem donos do espaço urbano.
Não acredito em promessas, mas se houver um candidato a Lisboa que me prometa taxar a circulação dos automóveis em Lisboa e criar ciclovias verdadeiramente úteis para o quotidiano do cidadão, terá o meu voto.
* As músicas dos Queen lembram-me a programação nocturna da TVI: é todos os dias igual, só dá telenovelas. Escolhi o “ (I want to) ride my bicycle” porque vai bem com o tema do post. Podia ter optado por “We are the champions”, mas essa ouço-a todos os anos em Maio, quando o meu clube do coração ganha o campeonato.
Concordo com tudo!
ResponderEliminarMas...
falta:
1 - convencer o poder político a... com bem diz;
2 - educar os ciclistas-(vivo numa zona em que as biciletas são muito usadas e, na grande maioria das vezes, só dá vontade de atropelar alguns ciclitas, dada a falta de civismo destes);
3 - taxar a ntrada em lisboa e promover outras vias de locomoção: homem, voc~e está a mexer com lobbies poderosíssimos! E, na minha ingenuidade, tb. penso que o problema passa por aí. Nunca, os governos dos últimso anos (se é que algum) teve coragem suficiente para enfrentar lobbies - desses - tipo polvo!
No entanto, aí pelas bandas de baixo, há quem vá tentando dar a volta. Ora veja este texto de um amigo meu do dia 22 de Julho! Preserverante, o moço a pedalar pelos arrebaldes!:))
http://alexreflex.blogspot.com/
Vou andar por fora. Qdº puder darei aqui um pulo pra tomar um copo. Com todo o gosto.
Beijinhos, carlos
Olá!
ResponderEliminarConcordo consigo que podia e devia haver mais ciclovias em Lisboa e que há falta de vontade política para as construir. E também que as desculpas para não as construir, mas apenas concordo em taxar o exagero de automóveis apenas com uma pessoa que entram em Lisboa todos os dias e dão cabo da qualidade de vida de quem cá vive.
Embora compreenda que algumas das pessoas vivam em zonas com transportes de má qualidade e daí trazerem o automóvel, logo também esses transportes teriam de sofrer melhorias.
Era preciso era que houvesse vontade para se proceder a todas essas alterações.
Um abraço,
Ana
Carlos,
ResponderEliminarCá em casa há duas pessoas adeptas da bicicleta: o Vabenne e a Rita que entretanto está a trabalhar em Itália. Os dois fazem a sua vida de bicicleta: trabalho, café, jornais, passeios e até os caminhos de Santiago. Eu infelizmente já não ando porque a minha coluna não permite. Contudo em Viana é fácil pois é uma terra plana mas ciclovia existe uma inacabada...
E nós com um clima propicio a isso...
Enfim mentalidades.
Um beijinho
Um meu irmão, já desde o Natal - quando a mulher lha ofereceu -, e sempre que está bom tempo, vai de vespa ( assim como a de Gregory Peck no « Férias em Roma » para o trabalho, apesar da miséria de estrada que por aqui temos ( e o Carlos acredite que é mesmo uma miséria! ). Que economia...!
ResponderEliminarEu não aprendi a andar de bicicleta, porque não caí.
ResponderEliminarE hoje com 50 anos não arrisco mais.
Moro em Belo Horizonte parte do ano e também não dirijo aqui. Parece coisa de louco. Só dirijo no interior de Minas.
Mas BH tem é muita motos. Bicicleta só em alguns pontos da cidade. Mas existe muitas cidades que utilizam este veiculo, mas quase sempre no interior.
Com carinho Monica
Lúcia: e também falta educar os automobilistas...
ResponderEliminarentão cá a espero com o bar bem apetrechado. O gosto é todo meu em recebê-la.
Lagartixa: Mais dia menos dia, vai ser inevitável taxar a entrada dos carros em Lisboa. Já há cidades europeias a fazê-lo, será uma questão de tempo at´chegar a Lisboa. Ma concordo, claro, que é imperioso melhorar os transportes públicos
ResponderEliminarBacouca: mentalidades e falta de coragem política. Folgo em saber que por aí também há adeptos da bicicleta.
ResponderEliminarCristina: a vespa é boa porque dá mais mobilidade, mas também polui.
ResponderEliminarMonica: O modelo de vida não está mesmo talhado para as bicicletas, mas é uma pena.
ResponderEliminarCarlos, este tema é tão antigo, tem pelo menos 20 anos. E houve quem escrevesse e apontasse soluções para o Porto. Uma delas era os automóveis não passarem a Ponte da Arrábida. Lembra-se?
ResponderEliminarE está em vigor em vários países. Em São Paulo, por exemplo, utilizando as matriculas para o controlo dos dias de circulação. Noutros países com o transporte de vários passageiros com prioridade de circulação nas autoestradas.
Como já dei a entender no gabinete, eu sempre tive um enorme prazer em dar umas pedaladas e cada vez mais uso a bicicleta como alternativa ao carro, até para deslocações a grandes distâncias. Vila Nova de Gaia é um bom exemplo de uma autarquia que fomenta o uso da bicicleta. Em cada rua nova ou remodelada a autarquia tem reservado uma faixa de ciclovia, veja-se a ciclovia ao longo da orla maritima de Gaia de mais de 10 km que vai desde a Afurada até à Madalena. Pessoalmente, e por razões de segurança, devo confessar que raramente as uso, porque costumo pedalar em velocidade e quase sempre as ciclovias estão pejadas de pessoas a passear. Circular na estrada muito depende do ciclista e é preciso ter bom senso para andar em segurança. O ciclista tem o direito de circular na faixa de rodagem, apenas permitir as ultrapassagens se isso não condicionar a sua segurança, procurar seguir a uma distância segura do carro que circule à sua frente e manter toda a atenção aos movimentos imprevisíveis dos peões.
ResponderEliminarÉ mesmo Carlos podia ter optado pos “We are the champions” mas o tema de “I want to ride my bicycle” vai também no mp3 quando pedalo na minha bicicleta.
GJ. É uma medida que inevitavelmente chegará a Portugal. Com ou sem carros eléctricos. Já várias cidades europeias ( nomeadamente em França) interditam a circulação automóvel no centro durante o Verão, em dias sucessivos.
ResponderEliminarLondres adoptou a portagem há anos e Estocolmo seguiu-lhe o exemplo.´
Não me lembro desse caso da Arábida. Provavelmente não estaria cá.
Paulo: Quando estava a escrever este post lembrei-me de si, porque já conheço a sua veia velocipédica.
ResponderEliminarEu uso mais a bicicleta para passear entre Cascais e o Guincho, mas nunca no Verão, porque a ciclovia está com muita gente ( até vendedores ambuilantes por lá acampam). Gostaria de a utilizar no meu dia a dia, até porque os mesu percursos em Lisboa são quase todos planos, mas é realmente impossível.
Em relação a Gaia totalmente de acordo. Ainda na semana passada comentava isso. LFM fez, em Gaia, o que nunca nenhum outro autarca sequer ousou ensaiar. Louvo-o por isso.
Ah, como eu gostava de ver esse seu desejo, por mim partilhado, concretizado!
ResponderEliminarPara além de tudo, seria um óptimo sinal de boa vontade e inteligência de quem decide - um bom motivo para também ter o meu voto!
estou há 3 semanas a utilizar a bicicleta todos os dias para as viagens casa-trabalho-casa totalizando 16km/dia. todos os dias me cruzo com outros ciclistas. uns a descer, outros de capacete e calções de licra, outros a subir, uns pelo passeio outros pela faixa BUS. é começar, temos de ser nós a mostrar que faz sentido andar de bicicleta.
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