segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Os meandros da justiça

Duas mulheres, de 39 e 42 anos, atraíam homens adultos para encontros sexuais. Drogavam-nos e depois roubavam-nos. Estão em prisão preventiva, a aguardar julgamento.Um homem de 45 anos conheceu uma jovem de 13 através da Internet.Atraíu-a a um hotel. Violou-a e filmou-a. A polícia presume que terá vendido o filme. Aguarda julgamento em liberdade.
Haverá, certamente, questões “técnicas” que justifiquem esta aparente diferença de tratamento, mas o cidadão comum não as entende. Para além da morosidade da justiça, é esta discrepância que os portugueses querem perceber. Nenhum programa, de nenhum partido, apresenta soluções. Percebe-se porquê.

Memories- a canção do dia (31)

Para a maioria dos portugueses, este fim de semana marcou o fim das férias.
Quando chegaram a casa muitos terão cantado aquela canção que atribuem aos Xutos e Pontapés, mas que na realidade é uma criação da saudosa Milú em... 1943! Foi no filme "O Costa do Castelo, lembram-se?".
Pois é essa mesmo... a "Minha Casinha", mas aqui na versão dos Xutos.
Tenham uma boa semana.

domingo, 30 de agosto de 2009

Momento de Humor (30)

Para testar a personalidade de um funcionário, o dono da empresa mandou pagar 500€ a mais no salário dele.
Os dias passam e o funcionário não diz nada.No mês seguinte, o patrão faz o inverso: manda tirar 500€.
Nesse mesmo dia, o funcionário entra na sala para falar com ele:
- Engenheiro, acho que houve um engano e tiraram-me 500€ do meu salário.
- Ah é?! Curioso porque no mês passado eu paguei-lhe 500€ a mais evocê não comentou nada!
- Pois, mas um erro eu ainda tolero, agora dois, acho um absurdo!

Uma boa semana para todos!

sábado, 29 de agosto de 2009

Viciante, eu?


A Luísa e a Maria do Sol ofereceram-me este selinho com a minha fotografia. Gostei da foto e de ser acusado de ter um blog viciante. Sempre há vícios piores, não é?

Eu tinha escrito há dias que não daria seguimento a mais desafios , mas sou um fraco e como tenho um tempinho disponível, vou cumprir as regras:

1) Indicar três compromissos com o futuro

- Comprometi-me a jantar com uns amigos esta noite numa esplanada catita perto do Rochedo.

- Tenciono fazer um esforço para manter o vício dos muitos que me visitam e, se possível, viciar mais alguns.

-Tenciono celebrar, na próxima semana, o segundo aniversário do Rochedo.

2) Atribuir o selo a 10 blogs. Em virtude de se aproximar a campanha eleitoral, decidi atribuir o selo a 10 blogs essencialmente vocacionados para a política, de áreas muito diversas, mas que gosto de visitar. Embora muitas vezes discorde do que se escreve em alguns destes blogs, isso não significa que não os leia com prazer. Aqui vão os nomes:

31 da Armada; A Barbearia do Senhor Luís; A Nossa Candeia; Abluente; Arrastão; Corta-fitas; Defender o Quadrado; Der Terrorist; Direito de Opinião; Estado Sentido; Exílio de Andarilho; Jugular; Jumento; Lobi do Chá; O País do Burro; O tempo das cerejas; Salvoconduto; Vilaforte.

Já sei que ultrapassei os 10 mas, como recebi dois selinhos, penso que tenho direito ao bónus.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Memories- a canção do dia (30)

Esta série diária do Rochedo está quase a terminar, mas seria imperdoável se não incluísse este duo que tanto me ajudou a sonhar.
Para este fim de semana escolhi Simon & Garfunkel e "Bridge Over Troubled Water"

É p'ra amanhã *

Vai uma grande azáfama no Saldanha e zonas adjacentes. Abre amanhã o prolongamento da Linha Vermelha do Metropolitano entre S. Sebastião e a Alameda e dezenas de operários procuram ultimar os arranjos à superfície. Tudo indica que os automóveis vão voltar a circular pela Duque de Ávila e os comerciantes que vivem há anos entaipados pelos estaleiros, poderão finalmente respirar de alívio. No entanto, ninguém arrisca. Perguntei a comerciantes e a trabalhadores se os estaleiros seriam levantados amanhã, mas ninguém sabe a resposta. “Eles é que sabem”- respondeu-me um calceteiro entre duas fumaças. Compreendo. A linha do Metro abre com quatro anos de atraso, que importa se os comerciantes tiverem de esperar ainda alguns dias, semanas, ou meses ,para recuperarem os avultados prejuízos provocados por estes anos de espera?
A reposição da calçada portuguesa parece ser, por agora, a preocupação dominante nos trabalhos. A reconstrução está a ser feita tal qual como estava antes, com lombas e afundamentos, que no Inverno se transformam em lagoas por onde é impossível transitar. No estio a irregularidade do piso provoca algumas quedas. Não teria sido de elementar bom senso, aproveitar as obras para aplanar os passeios, diminuindo os riscos de quem aqui passa diariamente? Provavelmente a pergunta é estúpida. A ideia é restituir à zona a imagem que tinha antes das obras. Assim como alguém que põe um dente postiço e, para que os outros não percebam, pede ao dentista um dente com os mesmos riscos e deformações do original.

* "É p'ra amanhã" é uma canção de António Variações. Uma justa homenagem aos empreiteiros que hoje se reúnem para um jantar na Alameda. Disse-me um comerciante que vão celebrar o fim das obras. Haverá alguma coisa a celebrar quando se termina uma obra com quatro anos de atraso?

É uma crise portuguesa, concerteza...

Eu bem me parecia que a crise não tinha chegado a Portugal. Até já tinha falado disso aqui.

Hoje tive a certeza, ao ver uma reportagem no Algarve durante as notícias da noite. Uma senhora dizia à repórter "Crise? Qual crise? Não está a ver como isto está?" As imagens mostravam uma multidão ocupando todos os espaços de uma coisa que me pareceu um areal. Depois, a repórter anunciava que num qualquer aldeamento próximo de Vilamoura, onde uma semana custa a módica quantia de 3600€ a maioria dos apartamentos estava ocupada. Só nos repletos bares de Albufeira, os proprietários se queixavam que este ano as pessoas bebiam menos. Resumindo: somos uns queixinhas mas, na verdade, não sentimos verdadeiramente a crise.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Brites encontra Manuela Ferreira Leite

Hoje fui às compras. Ao sair do supermercado do Restelo, encontrei Manuela Ferreira Leite. Trazia, debaixo do braço, uma revista de desportos náuticos.
-“Bom dia s’dutora”
-Está a falar comigo? Bem, eu sei que os meus assessores têm feito um grande esforço para melhorar a minha imagem, mas daí a ser sedutora, com esta idade, vai uma grande distância… de qualquer maneira, obrigado pelo elogio.
-Bem, não era isso que eu queria dizer, mas agora não interessa nada. Gostava era que me explicasse porque é que comprou essa revista de desportos radicais...
-É para o meu neto… não pensava que era para mim, pois não?
-Para o seu neto? Mas ele ainda é tão pequenino…
-Pois, mas é bom que ele comece desde já a perceber que os desportos náuticos são um emprego de futuro.
-Desculpe, não estou a perceber…
-Você é um bocadinho lerda, não é?
-Bem, talvez, mas não estou a ver onde quer chegar...
-Como sabe, defendo que as pessoas devem comprar iates e dar festas, porque isso cria postos de trabalho, mas também acredito que, não podendo dar festas todos os dias, os donos dos iates queiram investir em desportos náuticos, como regatas, sei lá, dinamizando a economia do país.
-Pois, mas os impostos sobre os barcos são muito elevados e poucos poderão comprá-los.
-Quando eu chegar ao governo, acabo com os impostos sobre os iates. É uma das medidas do programa minimalista que vou apresentar ao eleitorado.
-Então quer dizer que eu poderei finalmente aspirar a ter um iate?
-Se for suficientemente rica para comprar um, não vejo qualquer problema…
-Rica, eu? Mas a senhora não disse outro dia que essa divisão entre pobres e ricos é um disparate?
-Disse e reafirmo. Não há pobres e ricos, isso é uma invenção dos marxistas. Uma pessoa que tem um iate não é rica, no sentido que você lhe está a dar, de ter muito dinheiro. É rica, porque ao comprar um iate está a pensar na forma de criar postos de trabalho neste país. Já imaginou quantos instrutores de surf essa gente pode empregar? E as empresas de “cattering” que poderão se criadas para organizar as festas dos donos desses iates? Não há maior riqueza do que viver a pensar na melhor forma de criar empregos para fazer os outros felizes. E olhe, agora vou-me embora, porque estou com pressa. Tenho de acrescentar mais uma alínea ao meu programa eleitoral.

What a wonderful world*

Não conheço este senhor de lado nenhum, mas ganhou desde já a minha mais profunda admiração. Embora, ao contrário do que ele diz, o fenómeno exista em vários países desenvolvidos, a verdade é que esta campanha merece o meu total apoio. Penso que o PR não pensará o mesmo, mas está sempre a tempo de emendar a mão.

* O país e o mundo seriam sem dúvida muito mais bonitos sem estas geringonças, por isso vos deixo com Louis Armstrong e "What a wonderful world"

Memories- a canção do dia (29)

Soube pela Paula, que passaram ontem 21 anos sobre a morte de Carlos Paião. A princípio pensei que estivesse enganada, mas a Wikipédia ajudou-me a confirmar.
Embora com atraso, aqui fica a minha homenagem. Pó de arroz foi a canção que escolhi. Vejam, porque o video é excelente!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

The Letter*


"Gimme a ticket for an aeroplane,
Ain't got time to take a fast train.
Lonely days are gone,
I'm a-goin' home,'
Cause my baby just a-wrote me a letter(...)
Durante as actividades num campo de férias, o monitor perguntou:
O que preferiam receber de um(a) amigo(a) distante que vos desperta especial atenção ? Um convite para um encontro por e-mail, ou por SMS?
As opiniões dividiram-se. A maioria manifestou preferência pelo SMS. Uma miúda de 16 anos respondeu:
"Preferia receber por carta"
Todos viraram os olhos na sua direcção. Um, mais atrevidote, avançou:
"Deves ser muito romântica... já ninguém escreve cartas."
O monitor perguntou:
"Por que razão preferias a carta?"
A miúda, envergonhada, mas convicta, respondeu:
" Porque uma carta dá mais trabalho a escrever e ainda é preciso metê-la no correio. E depois, se for verdadeiramente meu amigo, ainda me vai mandar qualquer coisa a acompanhar. Uma flor seca, uma ilustração, ou uma fotografia. E ainda há mais uma coisa. A carta pode ser perfumada e quando toco no papel, sei que ele também teve que o tocar para escrever a carta."
Os jovens entreolharam-se. Uns sorriram de escárnio.Outros reflectiram sobre as palavras da colega.
À noite, o monitor encontrou alguns rapazes a escrever cartas.
(História verídica e ainda muito fresca)
* "The Letter" era uma canção dos "The Box Tops" (1967). Vai bem com a leitura deste post

Táquetinho ou lebas no fucinho ( com perfume Patchouly)


O mundo viveu, durante oito anos, às ordens de um psicopata, acolitado por um vampiro de guerra. Bush e Dick Cheney incendiaram o mundo, foram responsáveis por milhares de mortes, inventaram guerras com pretextos falsos. Num mundo justo , Bush estaria a esta hora a ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional, por crimes de guerra. Não estaria sozinho, certamente. A acompanhá-lo estariam Dick Cheney e os restantes membros do “Bando dos Quatro” que, nos Açores, deram o seu aval à invasão do Iraque: Blair, Aznar e o português Barroso, um maoísta convertido às delícias do neo-liberalismo, alcandorado pela direita reaccionária a líder da união europeia, pelos bons serviços prestados a Bush.
Mas - todos o sabemos- a justiça dos homens é vesga. Célere a condenar Ahmadinezhad, faz vista grossa a Karzai, cujas virtudes democráticas já aqui foram salientadas pela Brites.
Célere a condenar Chavez ou Morales, cega perante Uribe ou os militares hondurenhos que afastaram Zelaya do poder nas Honduras, apesar de ter sido eleito democraticamente.
Obama tem vindo a denunciar algumas das violações dos Direitos Humanos perpetradas por Bush. A imprensa portuguesa - deliciada a olhar para o umbigo - não dá qualquer destaque ao assunto. Por vezes tenho a impressão que os jornalistas portugueses da área internacional são recrutados ( com algumas excepções) de uma qualquer seita religiosa cujo único propósito é atacar o Partido Comunista e ver ditadores em quem defende os interesses do seu povo.
Não me espanta, por isso, que depois de atacar Chavez, acusando-o de se querer perpetuar no poder, se remeta ao silêncio quando Uribe prepara um referendo que lhe permita renovar o seu mandato. Felizmente, no país vizinho, temos jornais, jornalistas e imprensa em vez de pasquins idiotas. Foi ao ler a imprensa espanhola que fiquei a saber que a CIA contratou, durante o reinado de Bush, dois “psicólogos” que tinham por missão preparar os interrogatórios dos suspeitos de terrorismo e delinear as sevícias e torturas a aplicar aos presos. Recebiam, por essa nobre tarefa, 1500 euros diários! Não sei quem fica mais desfocado nesta fotografia de horrores... se os algozes, ou quem os contratou.
Obama resolveu mandá-los para o desemprego. Vão certamente ser julgados, mas nem precisamos de esperar pela sentença para saber que serão absolvidos. Depois do julgamento, Jim e Bruce talvez criem uma empresa de torturas para operar na Coreia do Norte ou em Myanmar., quicá se alistem na Ku-Klux- Klan. Ou então, usufruindo dos conhecimentos obtidos durante o período em que trabalharam na CIA, ao serviço de Bush, talvez prefiram ingressar nas fileiras do crime internacional organizado.
Nos jornais portugueses, alguns jornalistas indiferentes à realidade fazem notícias tecendo loas à democracia americana e escrevendo artigos contra Estaline e os novos ditadores sul-americanos. Naquelas redacções cheira a perfume Patchouly (lembram-se do Grupo de Baile?) e ouvem-se na aparelhagem sonora, os Trabalhadores do Comércio a cantar “Ta quetinho ou lebas no fucinho”

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Memories- a canção do dia (28)

"...Oh ja, das wäre schön, bei dir zu sein,
Mit dir zu gehen.
Doch, ich bin einsam, bin immer einsam
Und ich frag mich : Warum ? Sag, warum ?"
(Camillo)

Tenho quase a certeza que ninguém conhece esta canção, mas escolhi-a para canção do dia por duas razões muito especiais. Em primeiro lugar, porque a minha amiga Petra W. faz hoje anos e depois, porque esta foi uma das canções da minha vida. Passo a explicar:
Comecei a falar francês, inglês e espanhol muito miúdo. Aos 10 anos já me fazia entender, traduzia as letras de algumas canções para os meus amigos e fazia uns brilharetes.
Um dia, a minha irmã trouxe-me de presente, de uma viagem à Alemanha, esta canção que estava nos tops. De imediato percebi que gostava dela, mas não entendia patavina. Apenas sabia que aquela canção tinha alguma coisa a ver comigo, porque mexia com a minha sensibilidade.
Tentei encontrar quem ma traduzisse, mas não encontrei. Em Outubro, quando entrei para o liceu, pedi a um professor de alemão que me traduzisse a canção. Ele não a conhecia, ficou intrigado com a minha curiosidade mas, depois de a ouvir, disse-me que aquelas palavras não tinham interesse nenhum para a minha idade. Fiquei furioso, claro, mas no Verão seguinte conheci a Petra W, que finalmente me traduziu. (Ainda hoje não percebi por que razão o tal profesor não me fez a tradução, mas enfim...)
Ouvi esta canção muitas vezes. Até cansar. Muitos anos depois, dei por mim a fazer a mesma pergunta. Vidella - o abstruso ditador argentino- explicava-me, da forma mais cruel, que aquela canção tinha algo a ver com a minha vida. Por isso não me cansei de a ouvir. Ainda hoje tenho aquele pequeno 45rpm de capa branca e letras azuis na minha discoteca de vinil.
Sag Warum, é a canção do dia. Escutem e digam se sentem alguma coisa especial. Creio bem que não...

Rochedo das Memórias (120)

Faz hoje 21 anos, ardeu o Chiado. Não estava em Portugal mas, quando soube da notícia, não pude conter as lágrimas. Como se estivesse a arder um bocadinho de mim.

Amélia dos olhos doces*

Já se sabia que, com o fim da crise, o preço do barril de petróleo subiria. Poucos admitiriam, porém, que vidas humanas pudessem ser trocadas pelo ouro negro. A Escócia ( ao que consta incitada por esse “grande socialista” Gordon Brown) libertou o autor do atentado de Lockerbie. Oficialmente, o governo escocês justificou a libertação do autor material da morte de 270 pessoas, alegando razões humanitárias. Al-Megrahi sofrerá de um cancro em fase terminal. A razão, porém, parece ser bem mais prosaica. Al- Megrahi terá sido libertado em troca de petróleo.
Ao chegar a Tripoli foi recebido como herói nacional por esse campeão dos direitos humanos que é Muhamar Kadhaffi. A Escócia e o Reino Unido acabam de dar um belíssimo incentivo ao terrorismo. Depois queixem-se…
* "Amélia dos olhos doces" é fruto de uma outra dupla da música portuguesa que funcionava na perfeição: Carlos Mendes/Joaquim Pessoa.
A canção não tem (quase) nada a ver com o post, mas apeteceu-me fazer de conta que sim...

Memories- a canção do dia (27)

Eu sei que já estava a tardar, mas ele não andava esquecido!
Bob Dylan é o cantautor da canção de hoje: Blowing in the wind.
Vem a propósito, porque vou passar o dia num local normalmente muito ventoso...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Noites do Porto

Lá fui espiolhar a(s) noite(s) da baixa minha Invicta e fiquei super agradado. Em primeiro lugar, porque a temperatura estava excelente e estava-se bem nas esplanadas e depois, porque gostei de ver, renascida e animada, uma zona da cidade que estava morta a partir das oito da noite.
Desde a esplanada do velho Piolho, ao ambiente descontraído do Twins, passando pela Casa do Livro para conviver com livros e ouvir jazz, a escolha é variada.
Gostei de jantar na Galeria de Paris, de ver o movimento na Cândido dos Reis e na Praça dos Leões, do ambiente da Rosa Escura, na Rua da Picaria, quase em frente a uma casa de um velho professor onde passei tardes muito agradáveis, de ver a Praça Filipa de Lencastre animadíssima, de ver as pessoas passear de copo na mão pela Cândido dos Reis e ruas adjacentes. Às tantas, cheguei a pensar que estaria na Galiza ( havia muitos espanhóis), mas quando a discussão entre uns jovens aqueceu, por volta das duas da manhã percebi, pelo sotaque, que aquele era mesmo o meu Porto. Ainda bem.
Pena que nem toda a gente saiba beber, mas isso acontece no Porto e em qualquer lugar da noite.

domingo, 23 de agosto de 2009

Memories- a canção do dia (26)

Quando esta noite assistia ao jogo do meu clube, lembrei-me desta canção. Como não trouxe o "laptop", vim procurar um lugar onde vos pudesse comunicar a escolha da canção do dia.
Com a Mary a fazer de Laura Diogo,aqui fica uma recordação dos "velhinhos" Peter Paul and Mary: "Puff, the magic dragon".
Daqui a umas horas regressarei ao Rochedo para responder aos vossos comentários e vos contar as minhas impressões da noite da Invicta.
Até já...

sábado, 22 de agosto de 2009

Momento de Humor (29)

Uma mulher entra numa pequena farmácia de um bairro da cidade e pede ao farmacêutico:
- Por favor, quero comprar arsênico
. - Mas... não posso vender isso ASSIM! Qual é a finalidade?
- Matar meu marido!!
- Pra este fim... piorou... não posso vender!!!
A mulher, então, abre a bolsa e tira uma fotografia do seu marido, na cama, com a mulher do farmacêutico.
- Aaahh bom!.... COM RECEITA É OUTRA COISA!!!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Neste querido mês de agosto ando por aqui (4)

Nas próximas noites vou andar à descoberta da noite, na baixa da minha cidade, onde cresce uma movida que me dizem ser muito interessante e com ofertas alternativas. Há sempre alguma coisa nova a descobrir no Porto. Amanhã, terei uma história bem humorada para contar

Gracias a la vida (que me ha dado tanto)*

No Parque Flamengo, durante a Cimeira da Terra no Rio de Janeiro (1992)*

Não sei se a minha vida é boa ou má. Talvez já tenha vivido outras mas, como não me lembro, vivo esta como se fosse a primeira- a única- sem fazer comparações.Sei que não gostaria de viver certas vidas. Daquelas muito organizadinhas, com empregos das 9 às 5, regresso a casa com passagem obrigatória pela escola para ir buscar os filhos que alguém deixou lá pela manhã, fazer o jantar, tratar dos filhos, pô-los a dormir e depois de uns minutos diante do televisor ir para a cama à espera do dia seguinte. Jantar uma vez por semana em casa dos pais ou dos sogros, almoçar fora no domingo, Natais alternados em casa dos pais ou dos sogros, férias em Agosto, porque as aulas dos filhos, a profissão, ou outra merda qualquer, a isso obrigam. Nem sei se vidas destas são realmente vidas, ou programas de computador delineados com algum cinismo por alguém que decidiu divertir-se. Mas isso é argumento para outra história…
Também não gostaria de ter vida de político. Sempre a tentar satisfazer ou a encontrar pretextos para recusar as cunhas dos amigos. Sempre a fazer concessões para tentar encontrar consensos com os partidos de oposição, com os lobbies que têm mais poder do que os governos, a procurar garantir os direitos das minorias e a arcar com críticas de todas as partes. Em deslocações constantes de carro ou avião, mas sem tempo para saborear os prazeres dos locais por onde se deslocam. Com a sensação, permanente, de que estaria a gastar dinheiro dos impostos dos contribuintes que, com o esforço do seu trabalho, me pagam o salário e as extravagâncias. Está bem, eu sei que o Berlusconni vai às putas com dinheiro dos contribuintes e não se chateia nada com isso, mas comigo não dava…
Também não gostava de ser vedeta. Nem do desporto, nem do espectáculo. Passar a vida a ser assediado por fanáticos a pedirem-me autógrafos, perseguido por “paparazzis” ansiosos por me apanharem a “curtir” com uma fulana numa piscina ou numa praia, fazer anúncios idiotas a produtos que nem consumo, frequentar festas do “jet set” e deixar-me fotografar com um sorriso nos lábios, quando a minha vontade é correr tudo à lambada, não faz o meu género.
Sou demasiado preguiçoso para ser vedeta. Gosto da minha privacidade e do convívio, em paz, com gente que valha a pena. Detesto sorrisos de celofane, beijar mamas de silicone, conversar com idiotas, aturar gente burra que gasta a vida nos convívios do croquete, a beber whiskey marado. Vedeta, para mim, também não dá!
Não me importaria, talvez, de ser muito rico. Sei que eles dizem que ser muito rico é chato, dá muito trabalho e obriga a pagar muitos impostos, mas mesmo assim talvez gostasse de experimentar. Não sendo possível, procuro contentar-me com o que tenho porque , na verdade, olho para o meu lado e penso que não tenho razões de queixa.
Não sei se a minha vida é boa ou má. É a que tenho e não faço comparações com as vidas dos outros. Sei que sempre fiz escolhas de trabalho, com base no prazer. Trabalhar não pode ser uma angústia permanente, um sacrifício que arrastamos, como se estivéssemos agrilhoados a cumprir uma penitência. Tive sorte. Perdi algumas oportunidades, mas ganhei experiências de vida que não trocaria por ordenados milionários. Creio ter razões para considerar que, apesar de todas as agruras com que a vida me presenteou, tenho sido uma pessoa feliz.
Enquanto as minhas células não destrambelharem, os neurónios funcionarem sem percalços, os órgãos não se queixarem que os ando a tratar mal, as pernas me permitirem dar caminhadas à beira mar e os olhos me permitirem ver as belezas do mundo, continuo a achar que tenho uma boa vida.
* Sim, eu estava lá...
"Gracias a la vida" é uma canção de Violeta Parra, a quem presto hoje homenagem no Delito de Opinião.

Memories- a canção do dia (25)


Hoje abro uma excepção e dedico a canção do dia a alguém extraordinário. Chama-se Usain Bolt e cometeu a proeza de bater esta semana, durante os Campeonatos do Mundo de Atletismo, os recordes dos 100 e 200 metros. Eu disse bater? Desculpem…queria dizer pulverizar, pois as marcas fabulosas alcançadas ( 9,58 e 19,19 segundos, respectivamente), ficaram muito abaixo dos anteriores recordes e irão permanecer durante muitos anos. Excepto, claro, se Usain Bolt os bater novamente. Este homem não é terráqueo. É jamaicano, mas veio de outro mundo!
A canção do dia é, por isso de um jamaicano e gravada durante um concerto na Jamaica. Aqui fica Bob Marley, com uma canção que adoro: No woman no cry

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Adeus Tristeza *

"Na minha vida tive palmas e fracassos
Fui amargura feita notas e compassos
Aconteceu-me estar no palco atrás do pano
Tive a promessa de um contrato por um ano
A entrevista que era boa não saiu
E o meu futuro foi aquilo que se viu ..."
(Fernando Tordo)
Comecei cedo a trabalhar em jornais, depois experimentei várias actividades e só há cerca de 20 anos voltei a enveredar por esta nobre actividade, mas nem sempre a tempo inteiro. Nunca fui, pois, jornalista de grandes méritos, apesar de a generosidade dos meus camaradas de profissão -e de algumas entidades - me ter contemplado com alguns prémios ao longo da vida.
A reportagem sempre foi para mim a essência do jornalismo, mas a partir de determinada altura percebi que esse era um género em vias de prescrição, porque os jornais pensam que as pessoas não gostam muito de ler sobre a realidade e investir nesse género sai caro e não traz grande retorno. É mais fácil e rentável encher páginas com mexericos e fofocas, coisas que as pessoas fingem detestar mas na realidade adoram.
Já me perguntaram se era jornalista de causas. Fiquei sem saber o que responder. Interesso-me por assuntos que, acredito, podem contribuir para melhorar a sociedade e o mundo onde vivemos.Se isso é jornalismo de causas, então serei… Desde os anos 70 que escrevo sobre temas ambientais, consumo e direitos humanos, a partir dos anos 90 passei também a dedicar especial atenção às questões laborais e à política internacional. Repugna-me constatar a indiferença com que os políticos dos países poderosos olham para os mais desfavorecidos e enojam-me os jornais que servem de correia de transmissão a interesses económicos embora, convenientemente, finjam que estão preocupados com as trafulhices a que diariamente assistimos. Compreendo… a publicidade é que alimenta os jornais e portanto não convém hostilizar as empresas que a fazem. Há também aquela promiscuidade óbvia entre jornalismo e política, facilmente demonstrada com o número crescente de jornalistas que integram gabinetes ministeriais, ou cargos públicos. Eu próprio cedi a essa tentação no início dos anos 80,numa das minhas estadias em Portugal mas, em menos de um ano, percebi que fizera uma opção errada. O mais normal teria sido voltar ao jornalismo logo que descobri o erro mas, como sou um bocadinho lerdo, decidi não recuperar a carteira de jornalista no dia seguinte a ter abandonado o cargo de assessor de imprensa e andei durante cinco anos arredado dos jornais. Ou melhor: sem trabalhar em jornais, porque lê-los é um vício tão entranhado nos meus hábitos, como tratar da minha higiene pessoal. Nada de confusões… não acredito que os jornais e a maioria dos jornalistas contribuam para higienizar a vida deste país tão estrumado pela falta de pudor, pelo concubinato de interesses ínvios, pela fofoca cimentada em fontes não identificadas...
Sou, pois- e não é novidade para a maioria das pessoas que me lêem- um consumidor compulsivo de jornais e revistas. No entanto, a maioria das vezes, quando os compro, não vou à procura das notícias. O que procuro, de imediato, são as páginas onde alguns dos meus cronistas e colunistas de eleição escrevem. Gosto de me deixar inebriar pelas suas palavras e meditar sobre elas. Não estranhem, pois, se um destes dias, ao passarem por uma esplanada, virem um gajo com um jornal ou revista pendurado numa mão e o olhar, perdido e distante, de quem está a léguas ( normalmente marítimas…) daquele local. Muito provavelmente serei eu.
Todo este arrozoado tinha por única intenção dizer-vos que gosto muito de crónicas. De as escrever e, principalmente, de as ler. Mas também gosto muito de reportagens, razão por que leio cada vez mais revistas estrangeiras.
Já agora, se quiserem informar-me sobre as vossas preferências, a caixa de comentários é vossa…
* "Adeus Tristeza" é uma excelente canção de Fernando Tordo. A dupla que formou com esse fabuloso poeta chamado José Carlos Ary dos Santos produziu algumas das mais belas canções portuguesas de sempre. Só num país de merdosos engravatados, onde a maioria se recusa a pisar o risco do politicamente correcto, Ary está injustamente esquecido. A mediocridade pensante que engoma a cultura deeste país, com o pastéis de nata e bolinhos de bacalhau, nunca lhe perdoou ser simpatizante do Partido Comunista.

Memories- a canção do dia (24)

Os Jefferson Airplane só muito tardiamente foram conhecidos em Portugal. Esta canção, terá sido uma das primeiras a ser trauteada por cá: Somebody to love

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Who wants to be a millionaire?


De vez em quando, como já devem ter reparado,regresso ao tema de férias, numa tentativa de as prolongar.
Hoje vou falar-vos, novamente, da minha estadia em Espanha no já longínquo mês de Julho.
Marbella continua a ser o lugar de luxo de sempre. Os iates em Puerto Bañus, ou as “bombas” relinchando pelas ruas, ostentando o poderio dos seus cavalos, são imagem de marca de uma praia que nos anos 60 e 70 acolhia as grandes figuras do cinema e da canção, em período de férias. Daqueles tempos, recordo ainda os magnates do petróleo que chegavam à porta da mais famosa discoteca da época em enormes “limousines”, acompanhados por mulheres de rara beleza, deslumbrantemente despidas.
Nos anos 60 e 70 ninguém falava da “Al Qaeda” nem do fundamentalismo islâmico, porque felizmente a geração política de Bush ainda estava no desmame, muito longe de se tornar na principal responsável pelo clima de terror que hoje vivemos. Mas adiante…
São já poucas as estrelas do “show bizz” que procuram Marbella para as suas férias, mas continuam a ser muitos os árabes que por ali veraneiam. E há também muitos europeus e cada vez mais espanhóis endinheirados. O “casco histórico” de Marbella, onde se encontra a maioria dos restaurantes de luxo, já não é tão frequentado como outrora e muitos lugares estão “às moscas”. A explicação é simples: os ricos já não saem de casa para pagar 100€ por um jantar. Preferem ficar em suas casas, ou nos barcos. Todos os fins de tarde, antes de partirem para os lugares mais selectivos da noite de Marbella, organizam jantares à compita. Compram garrafas de vinho de 5 mil euros, mas como a água não pode faltar e a canalizada não se recomenda, compram águas engarrafadas de luxo nas várias lojas “gourmet” que existem na cidade.
A proprietária de uma dessas lojas, confidenciou-me, no dia em que a visitei, ter vendido a uma senhora,na véspera,12 mil euros de água engarrafada.

Quantas garrafas dá isso? –perguntei
Quase 60…- respondeu-me com ar cândido
Garrafas de água a 200€? Quais serão as suas propriedades? Não descobri, mas ao sair da porta encontrei um amigo italiano que me falou de um SPA e me aconselhou a visitá-lo, por ser frequentado pelo “jet set” e ali poderia ver coisas interessantes para a reportagem que estava a fazer. Fui ver. A “especialidade” da casa é um banho de imersão em partículas de ouro, seguido de uma massagem com ouro e/ou chocolate. Preço do serviço completo: entre 150 e 250 euros. Comparado com um litro de água por 200€, talvez não seja caro…

Outros posts de férias:



Brites no Afeganistão

Estes afegãos são uns tipos engraçados... aproveitam o período de reflexão pré-eleitoral para andar à batatada.
Segundo ouvi dizer, as coisas vão melhorar se o candidato apoiado pelos Estados Unidos vencer. Foi ele que aprovou a lei permitindo aos maridos recusar alimentos às mulheres que não queiram ter relações sexuais. A democracia está garantida, os ocidentais vão ficar satisfeitos.

Memories- a canção do dia (23)

Ainda no rescaldo de Woodstock, trago-vos hoje uma canção de Joan Baez que faz uma pergunta pertinente: "Where have all the flowers gone?"

terça-feira, 18 de agosto de 2009

As descobertas do Sebastião

Está-se bem de férias aqui na floresta, mas acabei há dias de ler o último livro e, como não tenho dinheiro para ir à cidade comprar mais, tenho andado a fazer pesquisas na Internet. E sabem o que descobri? O Clube de Leitura.
Não sabem o que é isso? Então eu explico. É um site onde se podem alugar livros a um preço razoável, poupando assim bastante dinheiro ao fim do mês.
O Clube de Leitura disponibiliza vários planos de aluguer e ainda e-books ( enquanto estou aqui na floresta, parece-me até a melhor solução…) . Agora, já não há desculpas para dizerem que não lêem, porque os livros estão muito caros. Se querem saber mais, vão até aqui. Está lá tudo explicadinho!
Eu penso que acabo de vos dar uma grande notícia mas já sei que, mais uma vez, os elogios vão todos para a Brites. De qualquer modo, se não for pedir muito, depois de irem lá ver, digam-me se a ideia vos parece boa, ou nem por isso. Fico à espera das vossas opiniões.

Pirómanos

Estamos no Verão, está calor, é preciso ter cuidado com os incêndios. Neste momento precisamos de tranquilidade e não de pirómanos que andem a atear fogos. Estou convencido que o PR agradecia algum recato nas palavras dos seus assessores. Ou estarei enganado?

Memories- a canção do dia (22)

Ainda estou a ressacar de Woodstock. Por isso, hoje, a escolha do dia vai para Carlos Santana e o "supercalifragiliespiralidoso" Samba Pa Ti

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Woodstock Revisited* ( de Christiania a El Bolsón)

Christiania foi fundada em 1971, quando o movimento hippie começava a dar fortes indícios de extinção. O espírito de Woodstock ainda permanecia vivo em muitos dos que acreditaram que seria possível mudar o mundo, tornando-o mais pacífico, mas nessa altura já muitos hippies tinham iniciado a tarefa de procriação cujo fruto, ironicamente, foi a geração yuppie.
O slogan “Make Love Not War” seria substituído pelo “Make Money even if you must kill your best friend” ( bem, os yuppies nunca usaram este slogan, mas o seu estilo de vida e a forma de pensar bem o justificaria…); às camisas floridas, flores na cabeça e trajes ligeiros, dos hippies, os yuppies responderam com a gravata, o gel no cabelo, o vestuário rígido a lembrar uma farda; debaixo do braço em vez do Salut Les Copains” ou da “Rolling Stone”, traziam a “Financial Times”. O resultado está à vista…
Mas voltemos a Christania. Nunca lá tinha estado mas conheci, no início dos anos 80, uma portuguesa que ajudou a construir os seus alicerces e lá viveu durante os primeiros anos. Os seus relatos entusiasmavam-me, cheguei a acreditar que aquele foco de resistência hippie, situado num antigo quartel militar, ainda pudesse vir a florescer noutros pontos da Europa. Em Christiania não se pagavam impostos, vivia-se de forma comunitária, com regras próprias e… drogas livres. Uma das várias entradas de Christiania
Quando em Junho decidi ir lá, sabia que não iria encontrar nada de parecido com os relatos dessa amiga. Desde 1994, (quase) tudo mudou. As relações com as autoridades dinamarquesas foram sempre tensas, houve diversos tumultos e a polícia entrou diversas vezes no “bunker” de resistência hippie. Os habitantes passaram a pagar impostos e as bancas de droga da rua Pusher foram encerradas. ( Em contrapartida, passaram a ter fornecimento de água canalizada e de luz eléctrica).
Não esperava, porém, encontrar este “enclave” de Copenhague tão degradado. Nem pensava ser surpreendido pela proibição de tirar fotografias, nomeadamente na Rua Pusher, onde as bancas de droga desapareceram, mas as drogas- leves e duras- se vendem às claras.
O ambiente de Christiania é algo estranho. A envolvência é magnífica, nas habitações (rudimentares e quase todas de madeira) apenas encontramos o essencial - num desapego consumista que nada tem a ver com pobreza- ,não circulam automóveis, as ruas não são asfaltadas, as pessoas reúnem-se nas esplanadas da praça central bebericando e fumando, depreende-se um estilo de vida comunitário, mas tudo parece em degradação, apesar de se continuarem a construir habitações.
Christiania já não é um “enclave libertador” dentro da capital dinamarquesa. As pessoas que lá vivem já não conseguem auto sustentar-se( o encerramento das bancas de droga da Rua Pusher foi uma perda significativa nas receitas )e, muitas delas, têm de sair de manhã cedo para trabalhar nas empresas do “capitalismo”.Conheci duas dinamarquesas que trabalham num organismo de Estado. De manhã saem pedalando as suas bicicletas, afiveladas para ir para o trabalho mas, quando regressam, libertam-se do vestuário opressor e recuperam a sua identidade. Como se vivessem em mundos paralelos, que nunca se hão-de encontrar, mas tendo a noção de que tudo será uma questão de tempo, até que a confluência se concretize. O estatuto de Christiania está em discussão e não restam muitas dúvidas que as negociações com as autoridades dinamarquesas vão redundar numa perda de autonomia. A sociedade auto gestionária sonhada pelos seus fundadores terá, muito provavelmente, os dias contados. Muito por culpa própria.
Embora já não seja tão intensa, a vida cultural e artística é, ainda, uma das riquezas deste refúgio hippie.
Durante a minha estadia em Copenhague, estava a decorrer o “Festival de Música de Christiania”, uma espécie de reedição anual de Woodstock em miniatura. Durante três dias e três noites, algumas das melhores bandas e artistas devolvem a Christiania resquícios do seu passado. Muitos jovens, provenientes de várias cidades dinamarquesas e suecas, deslocam-se nesses dias até lá. Uns vão apenas pela música, outros pensam ir encontrar o ambiente em que os seus pais se divertiram quando eram jovens. Pura ilusão. Como uma mulher ( ou homem) de 60 anos que pensa que, através de uma plástica, pode recuperar a juventude e viçosidade dos 20, também em Christiania há um enorme artificialismo. Há momentos que não se repetem. A única forma de os perpetuar, é saber envelhecer com eles.




Rua/bairo de Christiania
Quando deixei Christiania, não pude deixar de fazer a comparação com El Bolsón. Esta pequena vila está situada na Patagónia, entre os Andes e velhos glaciares, a cerca de 200 quilómetros de Bariloche ( a norte) e outros tantos de Esquel (a sul) . Região de lagos e bosques, desfruta de um microclima soberbo. Foi aí que se instalou uma enorme comunidade hippie nos anos 60. Provenientes de vários países europeus e dos EUA, começaram por organizar visitas turísticas na região, agora dedicam-se essencialmente à agricultura e artesanato.
Estive lá em 2005. Pelas ruas ainda circulam algumas das velhas carrinhas Volkswagen ( mais ou menso floridas como as da foto) que foram imagem de marca dos anos 60. El Bolsón continua a ser um forte pólo de atracção turística mas, ao contrário de Christiania, embelezou-se e tornou-se atractiva; ainda se vêem hippies pelas ruas, mas são todos lavradores que descem das suas quintas nas encostas - onde fazem agricultura biológica- para vender os seus produtos no mercado. Vêm nas suas carrinhas de caixa aberta ou nos seus tractores, fazem o negócio e regressam às suas quintas onde vivem em plena liberdade. Convivem de forma amistosa com os indígenas mapuche e com eles partilham a o prazer da vida ao ar livre. Dedicam-se ao artesanato e, como têm todos uma elevada consciência ambiental, procuram adaptar tradições ancestrais a um modo de vida ecológico.
Um “asado de tira” ou “ rodízio dechurrasco” têm ali um sabor diferente. E não são acompanhados de batata frita, mas de uma salada feita com produtos biológicos ou batata assada. A carne é proveniente de animais tratados em pastos respeitando as regras da agricultura biológica.
É possível comprar drogas leves nas ruas de El Bolsón, mas não é vendida pelos hippies agricultores, nem ofercida à descarada a quem passa, como acontece em Christiania. Apenas por alguns que arribaram tardiamente à região, atraídos pela paisagem e por um modo de vida a que não conseguiram adaptar-se.
Entrada de El Bolsón ( quem chega de Bariloche)
Para além da envolvência ( a vila fica a meio caminho entre o nada e lado nenhum)os habitantes de El Bolsón conseguiram adaptar o seu estilo de vida aos tempos modernos. Não serão os hippies dos anos 60, propagandeando a sua ideologia romântica, mas são gente que vive em comunhão com a Natureza , usufruindo de uma liberdade que conquistaram na renúncia aos valores dominantes.
Para mim são, acima de tudo, a demonstração de que é possível resistir!
El Bolsón ( paisagem envolvente)
*Faz hoje 40 anos que terminou o Festival de Woodstock. Esfumaram-se os sinais de esperança, perdeu-se aquele espírito de harmonia que animou os 500 mil participantes, não foi possível fazer uma reedição por falta de patrocínio, mas permaneceu a música.
Para quem nunca ouviu falar de Woodstock, nem faz uma mínima ideia do que por lá se tará passado, deixo aqui 2 minutos e meio de puro deleite






Memories- a canção do dia (21)

"You may say that I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will live as one "

Hoje, enquanto passeava pela praia antes de ser invadida pelas hordas de banhistas, lembrei-me que o mundo poderia ser fabuloso se não houvesse gente apostada em estragá-lo. Foi nesse momento que os meus neurónios começaram a trautear "Imagine" e logo decidi que seria a canção do dia.
Desejo a todos uma boa semana e, se tiverem tempo, pensem um bocadinho no que cada um pode fazer para deixar aos seus descendentes um mundo melhor.
Até já...

Momento de humor (28)

Parece que não, mas há uma grande diferença entre o tratamento por tu, ou por você. Ora vejam lá se não tenho razão...

O Director Geral de um Banco estava preocupado com um jovem e brilhante director, que depois de ter trabalhado durante algum tempo com ele, sem parar nem para almoçar, começou a ausentar-se ao meio-dia. Então o Director Geral do Banco chamou um detective e disse-lhe:
- Siga o Dr. Mendes durante uma semana, durante a hora do almoço.
O detective, após cumprir o que lhe havia sido pedido, voltou e informou:
- O Dr. Mendes sai normalmente ao meio-dia, pega no seu carro, vai a sua casa almoçar, faz amor com a sua mulher, fuma um dos seus excelentes cubanos e regressa ao trabalho.
Responde o Director Geral:
- Ah, bom, antes assim. Não há nada de mal nisso.
O detective pergunta-lhe:
- Desculpe. Posso tratá-lo por tu?
- 'Sim, claro' respondeu o Director surpreendido!
- Então vou repetir :
-o Dr. Mendes sai normalmente ao meio-dia, pega no teu carro, vai a tua casa almoçar, faz amor com a tua mulher, fuma um dos teus excelentes cubanos e regressa ao trabalho.

domingo, 16 de agosto de 2009

Ó p'ra mim, tão solidária...

Compreendo a reacção do Sebastião. Se estivesse no lugar dele, também não gostava e era capaz de não reagir muito bem. Mas como sei que ele lê o Rochedo mesmo em férias ( não lhe gabo o gosto, mas isso é lá com ele…) quero enviar-lhe uma mensagem.
Não faças fitas, nem te armes em vítima. Volta lá para o Rochedo e bem depressa, porque estou ansiosa por te conhecer. Vais ver que ainda nos vamos tornar bons amigos e já esqueci que me chamaste galdéria.
Entretanto, envio-te esta lembrançazinha, com que fui contemplada.
Não fiques invejoso, amigo, cada um é para o que nasce e eu nasci para ser talentosa.

sábado, 15 de agosto de 2009

Sebastião manda notícias

Ontem recebi uma carta do Sebastião. Como vêem pela foto, está com new-look, mas muito mal humorado. Vou transcrever um excerto da carta para vocês lerem:
“Com que então, pensavas que eu não lia o CR enquanto estou de férias, não é? És um ingrato… apanhas-me pelas costas e metes logo aí duas madames para te fazerem companhia. Podes dizer-me quem são essas galdérias? Ainda por cima, já percebi que quando regressar vou ter de aturar uma delas. Chamaste-lhe Brites? Por acaso até gosto do nome, mas espero que seja uma cotovia de ficção como a padeira!Já percebi que a galdéria está armada em vedeta, com toda a gente a dar-lhe mimos. A começar por ti… Há tanto tempo a fazer-te companhia e nunca me deste um elogio. És um ingrato! Tenho de pensar duas vezes, antes de decidir se volto para aí no final das férias.E que ideia é aquela de usar chapéu? Fica ridícula à brava. Mas está parecida contigo quando usas chapéu, lá isso é verdade. Não sabia é que suportavas a ideia de ter concorrência… a mim nunca me deste oportunidade de brilhar, porque tinhas medo que eu te ofuscasse com a minha cultura. Não podes ver umas penas sedosas, ficas logo todo embeiçadinho e deixas que te façam tudo.Olha, eu estou aqui muito bem na floresta. Se quiseres que volte, tens de me vir buscar. Mas não venhas antes do fim do mês, ouviste? E não tragas a galdéria, porque temos de ter uma conversa muito séria no caminho.
Adeus
Sebastião”
Estou tramado! Agora que é que eu faço? Deixo o Sebastião a apodrecer na floresta ou vou buscá-lo em reconhecimento dos serviços prestados e habituo-me à ideia de ter de suportar as discussões entre os dois, até se familiarizarem? Estou tentado a ir buscá-lo. E vocês, que sugerem?

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Memories- a canção do dia (20)

Para este fim de semana escolhi um tema dos Beach Boys. Estou a precisar de Good Vibrations"!


IMPORTANTE: Para além da música, este fim de semana dou-vos outra sugestão. Vão aqui e , para além de um passatempo com direito a surpresa, ainda vão conhecer um magnífico grupo de teatro que vos recomendo. Já saí de Lisboa propositadamente, só para ter o prazer de desfrutar da sua companhia. Digam lá quem é amigo, quem é?

A Valsinha*

Há dias, um jovem jogador de futebol morreu num quarto de hotel, em Itália, poucas horas antes de um jogo da sua equipa. Dizem as notícias que tinha acabado de falar ao telefone com a namorada. Chamava-se Jarque, era espanhol e tinha um futuro risonho à sua frente. A sua morte foi uma surpresa, pois nada fazia suspeitar de qualquer problema de saúde. O coração, porém, traiu-o.
Estas notícias impressionam-me particularmente. Tive dois irmãos que desapareceram de forma súbita e inesperada, ainda jovens, ambos com actividades profissionais que amavam e onde já eram mais do que promessas. Um deles parecia ter saúde para dar e vender , o outro amava a vida acima de todas as coisas. As mulheres sentiam uma enorme atracção por ele. Pela sua alegria contagiante, pela bela voz com que acompanhava a sua guitarra, pelo seu gosto - e talento - para a pintura, pela sua bonomia, pela forma desprendida como encarava a vida. Quando morreu o mais velho, era eu ainda um adolescente e a sua morte mudou radicalmente a minha maneira de ser. Não foi só a perda de um irmão quase dez anos mais velho do que eu. Foi a perda de um amigo e conselheiro. A surpresa da sua morte mudou radicalmente a minha maneira de ser. Passei a encarar a vida como algo de passageiro. Nunca mais fiz planos para o futuro. Passei a usufruir o momento presente e a tomar cada decisão como se fosse a última da minha vida. A única decisão que tomei ( mas haveria de quebrar aos 50 anos) foi tornar-me celibatário. Não conseguia suportar a ideia de deixar viúva e filhos. Nenhuma mulher, ou criança, merecem essa pena.
Ao longo da minha vida apaixonei-me , como é óbvio. Vi desaparecer duas namoradas em idades tão tenras e circunstâncias tão inverosímeis, que comecei a pensar se não seria eu a atrair a morte. Sofri. Desesperei, até. Encontrei nas viagens um refúgio. Encontrei na precariedade da vida, um conforto. Habituei-me a viver com essas regras.
Faz hoje muitos anos (era também uma sexta-feira e lembro-me como se fosse hoje) que vi desaparecer o meu segundo irmão. Com menos de quatro anos de diferença, foi com ele que partilhei dos melhores momentos da vida. Fomos sócios em negócios. Na vida. No prazer de a viver. Nunca falámos sobre o desapego que ambos sentíamos por projectos. Éramos ambos boémios, sem medo de correr riscos, amantes de viagens, solteiros, sem qualquer intenção de casar e isso dizia tudo. Para quê falar ?
Hoje, tantos anos depois da tua morte, tenho pena de nunca ter trocado contigo umas palavras sobre o assunto. Estejas onde estiveres, talvez tenhas concluído que esta não é a maneira ideal de viver. Mas é a minha. Como foi a tua. E estou convencido que a sociedade poderia ser bem melhor, se muitos políticos, gestores de empresas, banqueiros e as pessoas em geral, pensassem na precariedade da Vida, antes de tomarem as suas decisões.
Ontem, decidi abandonar um projecto pelo qual lutei nos dois últimos anos e concretizei há pouco tempo. Não quero ficar demasiado agarrado a nada. Já perdi o que de melhor se pode ter na vida- os afectos daqueles com quem partilhámos os melhores momentos da nossa infância- para me preocupar com projectos materiais que apenas contribuiriam para alimentar a minha vaidade e tirar desforço de quem me chamou lunático. Pouco me interessa. O projecto tem o meu ADN e isso basta-me. Não preciso de ficar ligado a ele para o resto da vida.Talvez seja uma decisão errada. Mas é a minha...
*"A Valsinha” era (quase) sempre a canção com que o meu irmão iniciava os “concertos” onde deslumbra as meninas. Espero que a oiça, esteja onde estiver.

Enigma na A8

Alguém sabe qual era a discoteca onde elas iam àquela hora da noite?

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Brites vai às compras

-Olá Brites, onde vais?

-Vou comprar um Código da Estrada
-Para quê se tu não sabes guiar?
-Para ver se compreendo a política portuguesa.
-Não estou a perceber nada...
-É que hoje li nos jornais que o governo afirmou estar no caminho certo, mas toda a gente diz que está no caminho errado. Depois vi outra notícia de um professor de Braga a dizer que, com MFL, a esperança morreu numa curva. Preciso de andar avisada sobre os perigos que corro quando saio do Rochedo, não achas?

Climbing up the walls*

Já alguém experimentou subir a Rua de S. Bento, a pé, desde a Fundação Mário Soares até ao Rato, às três horas da tarde, com o termómetro a marcar 35º?
E já alguém experimentou fazer isso transportando, num saco, máquina fotográfica, gravador, micros e outro material "didáctico" necessário a um jornalista quando vai fazer uma entrevista?
Eu experimentei hoje e não recomendo... Ufff!
* Radiohead ( é só clicar para ouvir)

Conversas com o Papalagui (41)

-Sócrates é um tipo muito inteligente!
-Porque dizes isso, Papalagui?
-Porque acaba de comprar vários carros novos para o Estado.
-Não me venhas dizer que foi uma medida para apoiar a indústria automóvel, como fez a TAP...
-Nada disso! Ele comprou os carros, porque tem visão de futuro...
-Explicas -me onde está a visão de futuro de um PM que compra carros novos a um mês das eleições?
- Mas por isso mesmo é que ele tem visão de futuro. Se perder as eleições, o novo governo vai comprar carros novos, como todos fazem, não é verdade?
- Sim , muito provavelmente...
-Ora aí está! Quando a MFL começar a comprar carros novos para os seus ministros, ele vem logo dizer: Estão a ver? Comprei carros novos há um mês e a PM já está a trocá-los por carros novos! É assim que ela cumpre a promessa de cuidar da despesa pública?
- Não vejo que isso lhe possa trazer algum proveito...
-Enganas-te mais uma vez! Como um governo com a MFL não dura muito, ele começa logo a fazer campanha eleitoral para as próximas legislativas.

Memories- a canção do dia (19)

Com este calor, não me lembrei de nada mais apropriado, do que esta belísssima interpretação de Summertime, na voz de Ella Fitzgerald

Em tempo: acabo de reparar que este post tem prémio. É o nº 1500!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Neste querido mês de Agosto (3)

Se o tempo ao fim da tarde o permitir, também vou andar por aqui algumas vezes. Gosto de passear nas imediações do Rochedo, parar a bicicleta onde me apetecer e ficar a olhar o mar.
O problema da ciclovia do Guincho - para além do vento- é estar frequentemente "entupida" com gente a fazer "jogging"ou a passear os bebés. Também há uns motociclistas que gostam de a utilizar, não sei com que propósito...
Por vezes, andar por ali é como fazer uma gincana, desporto de que não sou nada apreciador. Por isso ando tão pouco de bicicleta...

O banqueiro do Povo

Muhammad Yunus vai receber, hoje, a mais alta condecoração civil outorgada pelos Estados Unidos: a medalha presidencial pela Liberdade.
A altíssima distinção com que Barack Obama o vai distinguir, é o reconhecimento pela obra de um homem que fez mais pelo combate à pobreza, do que qualquer político mundial.

Como salientou Obama, Muhamad Yunus "foi um agente de mudança, que viu um mundo imperfeito e agiu no sentido da sua melhoria, superando grandes obstáculos pelo caminho".
Ao criar o Banco Grameen e o microcrédito, este economista banqueiro tirou da miséria milhares de cidadãos condenados à pobreza e à fome. Deu à sua vida um outro rumo, onde a palavra empreendedorismo cintila como uma mensagem de esperança. O microcrédito foi adoptado em muitos países do mundo, transportando consigo essa mensagem de esperança para muitos que já a tinham perdido, na voragem deste mundo de liberalismo selvagem. Recebeu, por isso, o PrémioNobel da Paz.
Há uns meses, tive a oportunidade de o entrevistar. Fiquei impressionado com a sua simplicidade. Em nenhum momento vislumbrei no seu rosto uma réstea de vaidade. Apenas a reacção natural de quem tem a sensação de que o mundo poderia ser bem melhor, se a volúpia e ambição dos homens, não o tornassem tão injusto. Se não houvesse tanta promiscuiade entre política e finança. Da rasca, não da alta...
Um exemplo para um mundo onde os banqueiros são olhados como seres superiores, pelo simples facto de praticarem a usura e olharem para os mais desfavorecidos como “indignos de aceder ao crédito”.
Um exemplo para os políticos que transportam ao colo usurpadores, vigaristas de chinela que gastam numa hora de charutadas, o vencimento de um trabalhador médio, que investem o dinheiro dos outros com a displicência de quem joga na roleta e nos atiraram para esta situação miserável, culpando agora os políticos de serem os responsáveis pela bancarrota.
Não sou lírico, ao ponto de acreditar que os problemas do mundo se resolveriam com o microcrédito, mas não tenho dúvida que seria melhor se os bancos funcionassem a favor da sociedade e não apenas para proveito de meia dúzia de gananciosos.

Por um dia, deixem-me acreditar que Obama está a dar ao mundo um sinal de que é imperiosa a mudança do sistema financeiro mundial. Por um dia, apenas, quero acreditar nisso, porque amanhã, as notícias que vão chegar da América Latina me vão despertar do sonho e mostrar que os desígnios de Obama são bem diferentes daqueles que esta homenagem a Muhammad Yunus pretende transmitir. Mas amanhã é outro dia…

(Também no Delito de Opinião)

Memories- a canção do dia (18)

Para mim, esta é uma das melhores canções dos Beatles. Incluída no pequeno álbum de 45rpm, "The Magical Mystery Tour", "The fool on the hill" foi a canção que escolhi para hoje. Aposto que muitos dos leitores do CR já não se lembravam dela. Quanto àqueles que nem sequer a conheciam, penso que vão gostar...
Bora lá clicar no link ali acima e dizer de vossa justiça.
Tenham um bom dia!

Pequeno guia de férias (5)

Check-in – Se vai viajar de avião , saiba que tem de estar no aeroporto entre uma a três horas antes do voo. Uma maneira de evitar esse incómodo, é fazer o check-in electrónico. Ao optar por esta modalidade, só lhe é exigida a comparência no aeroporto meia-hora antes do voo e tem a vantagem de poder escolher o lugar. Esta modalidade, porém, só é possível, no caso de viajar apenas com bagagem de mão ( Ver também: Bagagens; anexoViajar de avião)



Check-out- Um acordo internacional estabelece que deverá deixar vago o hotel ( ou apartamento) até às 12 horas do dia da partida. Em alguns países, porém, essa hora limite pode ser antecipada de uma hora. Se o seu voo de regresso for nocturno e gostaria de poder utilizar o seu quarto até mais tarde, consulte a recepção do estabelecimento onde está instalado. Muitas unidades hoteleiras permitem a ocupação do quarto até às 18 horas, mediante o pagamento de uma pequena taxa adicional.Churrasco- Agora todos lhe chamam barbecue, mas em português continua a ser churrasco. Sabe bem comer ao ar livre, mas é preciso ter cuidado quando se faz um churrasco. Na prai, por favor, NUNCA!. Quando o fizer no campo, não se esqueça de tomar as precauções necessárias para evitar incêndios, como limpar bem o local no fim da patuscada ( Ver: Natureza; anexo Um dia na vida de um consumidor ecológico)


CIAC- Teve problemas no restaurante, no hotel, ou na compra de uma recordação? Os direitos dos consumidores são para ser defendidos, mesmo em período de férias. Algumas autarquias em Portugal dispõem de um serviço de informação e apoio ao consumidor. Na maioria dos casos utilizam a sigla CIAC, mas pode encontrar outras designações, como GIAC ou PMIC, por exemplo.Alguns países europeus disponibilizam, nos aeropportose postos de turismo, cartas do consumidor turista ( Ver Direitos)



Clima- Quando escolher um destino no estrangeiro, nomeadamente praias fora da Europa, não se esqueça de perguntar na agência de viagens, ou consultar a Internet, qual o clima que irá encontrar. Evitará assim algumas surpresas desagradáveis que poderão, inclusive, transformar as suas férias de Verão,no prolongamento do Inverno.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Neste querido mês de agosto, ando por aqui (2)

É um dos sítios mais agradáveis das noites estivais de Lisboa. Música dos 60's, 70's e 80's em volume moderado, evitando rebentamento de tímpanos.
Durante o jantar- se for essa a sua opção- há música ambiente.
A clientela mais noctívaga - chegadas depois das 23.30- é a condizer com a música, ou seja, desde os U-35 até aos cotas como eu. Nem só de "betinhos" se faz a frequência do "Skones"( pelo menos no Verão). Há gente bem "afivelada", mas que se distingue do tradicional "betinho". Caras bonitas- como convém - corpos bronzeados e olhares sorridentes.
"Last, but not the least", aqui o Bushmills é servido em copo de vidro e doses generosas. Na idade madura, já ninguém se diverte a partir copos. Só se for a loiça toda...

Brites quer ser deputada!

Hoje, quando acordei, tinha uma bandeira com a fotografia da Maria José Nogueira Pinto , hasteada no Rochedo.
Percebi logo que tinha sido coisa da danadinha da Brites. Abeirei-me dela e perguntei:
- Podes explicar-me a razão de teres hasteado esta bandeira?
- Sou fã dela.
-És fã dela? Desde quando?
- Desde que ontem à noite a vi na SIC.
- Ah sim! E então que disse ela para te entusiasmar tanto?
- Disse que o facto de António Preto ser candidato a deputado em nada belisca a imagem de uma nova ética que Manuela Ferreira Leite quer para o governo, se for eleita…
- Essa é boa! Então esse tipo não está acusado de crimes de evasão fiscal e não sei que mais? Até vai ser julgado em Outubro…
- Pois, mas deputado não é ministro. Pode ser corrupto, criminoso, se calhar até pedófilo, que isso não interessa nada.
- E isso entusiasmou-te?
- Entusiasmou, pois. Vou já falar com ela para ver se me arranja um lugar nas listas do PSD.
- E que méritos tens tu para ser deputada, Brites?
- Sou fêmea, dá para equilibrar as quotas; fiz um desfalque na conta bancária do Sebastião, por isso quando ele vier de férias vai apresentar queixa na PJ e eu vou ser constituída arguida; não percebo nada de política, mas posso transportar umas massas debaixo das minhas asas, em vez de andar com malas carregadas de dinheiro, como o Preto.
- E quando tiveres de votar como vais fazer?
- Pio! Se a maioria dos deputados faz "mé-mé" como os carneiros, porque é que eu não posso piar como uma cotovia?

Conversas com o Papalagui (40)

- Olá, tuga! Então a Câmara de Lisboa vai apresentar queixa à Polícia, por causa daquela acção do 31 da Armada?
-É natural, não achas?
-Não, não acho nada...
- Então porquê?
-Olha lá, tuga... não há uma esquadra da polícia mesmo ao pé da Câmara?
-Parece que sim...
-Então, o que a Câmara devia fazer era apresentar queixa DA polícia e não À polícia, percebes?
- Vieste de férias muito perspicaz, Papalagui...

Ainda não conhece o Papalagui? Então, clique aqui

Memories- a canção do dia (17)

Um regresso à música francesa, com uma canção marcada por uma voz ( a letra é mexeruca...)

"Ma Vie", de Alain Barrière é a minha canção do dia. Com a caixa de comentários aberta para contarem as vossas histórias, como sempre...

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Neste querido mês de Agosto, ando por aqui (1)




Eu sei que as noites têm estado desagradáveis e ventosas, mas ficar em casa em Agosto, não faz o meu género. Nas noites de Lisboa há, felizmente, muito por onde escolher. Tenho andado a conhecer alguns espaços novos , para miúdos e cotas. Comecei pelo Urban K Beach.
Para um copo ao fim da tarde, um jantar, ou à noite para dar um pé de dança ( a música não é muito aconselhável para os cotas, mas o ambiente compensa...) o UK Beach é uma das mais recentes criações do grupo K que recomendo.
Claro que beber Bushmills num copo de plástico não é das experiências mais agradáveis, mas aquela vista sobre o rio...
Amanhã há outra sugestão,com a chancela do CR. Para dizer bem, ou mal. Mas a de amanhã é "superb", vos garanto.

TAP apoia indústria automóvel

Não percebo as críticas que têm sido feitas à TAP, pelo facto de ter comprado 42 automóveis, para os seus 42 directores. A transportadora aérea está a apoiar a indústria automóvel e isso é louvável. A propósito... que fazem 42 directores na TAP? será um para cada avião?

nota: eu não vos avisara que esta Brites não é de confiança? Ainda agora aqui chegou e já começa a fazer perguntas incómodas

Pequeno guia de férias (4)

Campismo (Parque de…)- Ramalho Ortigão foi um dos pioneiros do campismo em Portugal, com a colaboração de Eça de Queiroz, que lhe remeteu de Newcastle, em 1875, uma encomenda de material e vestuário campista que Ramalho lhe encomendara. Tal como os hotéis, os parques de campismo também estão classificados em categorias, de acordo com o equipamento e os serviços que oferecem. O leque de opções é variadíssimo , mas alguns são apenas reservados a membros e associados.Todos devem obedecer a um conjunto de regras ( nomeadamente localização, infra-estruturas e equipamentos) estabelecidas no D.L 39/2008 de 7 de Março, cuja consulta aconselhamos.
Aqui ficam alguns dos equipamentos obrigatórios em todos os parques de campismo e caravanismo:
• Recepção, situada junto à entrada principal do parque; • Café/bar; • Sala de convívio; • Instalações sanitárias; • Espaços destinados à lavagem e ao tratamento de louça e de roupa; • Parque infantil; • Loja de conveniência/minimercado/supermercado e área para a prática de desportos ao ar livre (para parques com capacidade superior a 90 campistas).
Todos os parques devem ainda dispor de recipientes para o lixo, com tampa, colocados em locais de fácil acesso e devidamente sinalizados, na proporção de um para cada 30 campistas.Todas as instalações comuns dos parques, bem como os recipientes do lixo, devem ser limpos e desinfectados diariamente.
Os parques de campismo e de caravanismo devem ter disponível, vinte e quatro horas por dia, equipamento de primeiros socorros ou um posto médico para a prestação de assistência, devidamente sinalizado, bem como um serviço permanente de vigilância ou de videovigilância.

Campismo (selvagem)- Muito apreciado por quem gosta de desfrutar plenamente da Natureza, mas cada vez mais desaconselhável, por implicar riscos desnecessários, nomeadmente em matéria de segurança. Se, no entanto, for essa a sua opção, confira algumas indicações noutro local deste guia ( Ver: Natureza)





Cartão de crédito( débito) – Uma forma de pagamento cómoda, principalmente para quem se desloque ao estrangeiro. Tenha no entanto em consideração as taxas que o seu banco cobra sobre levantamentos no estrangeiro. Normalmente, sai mais barato utilizar o cartão de débito ( Ver: anexo sobre cartões de crédito/débito)

Memories- a canção do dia (16)

Antes de a Europa se deixar colonizar pela música anglo-saxónica ( quer dizer, se fosse só a música não estaríamos mal de todo...) as rádios passavam muita música europeia. Especialmente francesa, italiana e espanhola. Hoje, lembrei-me desta sardenta italiana que fez derreter muitos corações. "Cuore" é o título da canção do dia, mas não foi por causa dela que me lembrei de Rita Pavone. Foi por um outro sucesso hiper romântico intitulado "Come te non c' é nessuno".
A propósito, alguém se lembra qual foi o primeiro grande êxito desta italiana de estatura meã? Não era lá muito romântico e falava de tardes de domingo...
E já agora, por acaso lembram-se com quem é que ela protagonizou um escândalo amoroso? Vamos lá a puxar pelas cabecinhas. É Verão, mas os neurónios não têm férias...

domingo, 9 de agosto de 2009

Os leitores decidiram...


Terminou o "suspense". Já está decidido quem fica por cá a fazer companhia ao Sebastião, que regressará de férias pelo final do mês. Se a vossa escolha foi clara quanto à preferida, já quanto ao nome a decisão foi muito mais difícil e tive de recorrer ao apoio da Martinha e da Baixinha, mais o Frederico e a Matilde, que estão de malas aviadas para ir de férias, mas prometem dar notícias em breve.
Os vossos argumentos na defesa dos nomes propostos foi, por vezes, brilhante, mas já lá vamos... Quando ao princípio da tarde comuniquei a decisão às minhas hóspedes, houve amuos, beijiinhos e votos de parabéns e felicidades, tão falsos como os trocados pelas concorrentes a Miss Universo. Houve até algumas lágrimas.
A eleita- não sei se com sinceridade, ou apenas para se armar- ainda chegou a propôr que ficassem as duas e eu despedisse o Sebastião. Ao ver a minha cara disfarçou e disse que só estava a brincar. Bem, creio que se avizinham dias difíceis aqui no Rochedo. Não me parece que vá ser fácil a convivência entre o Sebastião e a cotovia ( pelo menos nos primeiros tempos), mas tudo se há-de compor, pois saberei impor a minha autoridade.

Bem, a cotovia que vai ficar a fazer companhia( ou guerra, sei lá..) ao Sebastião será a nº 2,- aqui na foto de cima- que foi a mais votada. Não sei se ficou muito satisfeita com o nome... disse-me que preferia que lhe chamassem apenas Cotovia ou, como sugeriu alguém (cujo nome revelarei na altura própria) em férias na estranja, e me enviou a sugestão por mail...Coto de Vie. Mas o que ela não gostou é que houvesse alguns leitores que tivessem posto em causa a sua feminilidade. Eriçou-se toda, mas eu registei o alerta dos leitores e em breve vou tirar tudo a limpo, com a ajuda do Sebastião. Se me enganou está feita!
Bem, mas depois de ponderar as vantagens e inconvenientes de todos o nomes apresentados, lá consegui reduzir o lote a 3: Clarisse, Brites e Cotonete( podem ver os nomes dos padrinhos aqui). O júri acabou por optar por Brites, tendo em consideração o papel que lhe estará reservado a breve prazo no Rochedo e o seu mau feitio. Parece de muito fino trato, como adiantam alguns leitores, mas quando se começa a discutir com ela estala-lhe o verniz por completo. Parece-me que ela teria preferido Cotonete ou Clarisse, precisamente pelas razões invocadas pelo Paulo e pela Si, mas vai ter de se acostumar a ser Brites. E se não gostar, que mude de ares.

Mais prémios

Na semana passada fui contemplado com mais dois prémios. Este foi-me simpaticamente atribuído pela Lisa.
Para o poder exibir aqui tenho de indicar o nome de 10 blogs a quem o ofereço e ir lá anunciar o prémio.
Já sabem como me custa fazer estas atribuições, porque gosto de todos os blogs ( não políticos) que estão na coluna da direita do CR. No entanto, como estamos no Verão e a Lisa é uma excelente pessoa, aqui vão ( sem links, porque podem encontrá-los todos na coluna da direita) os 10 escolhidos:

- A curva da estrada
- A gata Christie
- A senhora Sócrates
- Cantinho de Luzcia
-Em prosa e verso
-Grande Jóia
- Miepeee Koud
- Os livros que ninguém quis dar a ler
- Rosmaninho da serra
-Vekiki



O outro "selo-prémio" foi-me atribuído pela Ana Vision, visita de longa data do CR, mas que raramente se manifesta na caixa de comentários.
O que escrevi acima, aplica-se igualmente a este simpático presente da Ana.
Segundo as indicações dadas, devo seleccionar quatro blogs que considere primarem pelo "Companheirismo, Solidariedade, Direitos Humanos, Unidade entre os povos, pluralidade e Democracia."
Reunir todas estas características num blog não é tarefa fácil, mas decidi escolher quatro "velhos blogs amigos" que diariamente me visitam e, com grande bonomia, comentam os meus posts. Pelo tempo há que me aturam bem merecem mais esta distinção:
- Ares da Minha Graça
- De Si para Si
- No gabinete
- Salvoconduto
- Só falta um 31 na minha vida

Muito e muito obrigado à Lisa e à Ana

Entretanto, comunico a todos que, a partir de Setembro, a coluna da direita vai ser remodelada e vão entrar novos blogs. A partir de Setembro recuperarei a rubrica "Pelo país dos Blogs" e citarei, diariamente, o nome de um blog ( começando, naturalmente, pelos que vão entrar de novo).
Assim, a partir de agora, continuarei a aceitar com muito gosto os presentes que me ofereçam e a divulgar os ofertantes, mas não alimentarei cadeias. Espero que compreendam, mas são coisas que obrigam a gastar muito tempo e vou entrar novamente em período de grande actividade a nível profissional.
Bem haja a todos os que se têm lembrado deste Rochedo e, de forma tão amável, o têm distinguido com estes simpáticos selos-prémio.

sábado, 8 de agosto de 2009

Jalousie?*

Estas meninas estão num alvoroço. Olham desconfiadas uma para a outra, à espera dos resultados, com aquele ar de indiferença mal disfarçada e uma enorme vontade de se esgadanharem. Não sei como vai ser amanhã... Até à meia noite de hoje, espero a vossa ajuda.

*Por estes dias, o que mais se tem ouvido aqui no Rochedo é este tango...

Obrigado, Raul!

RAUL SOLNADO

(1929-2009)

Foi o último dos grandes humoristas portugueses. Depois dele, houve a promessa Herman José que se transformou numa desilusão, Ricardo Araújo Pereira que ameaça transformar-se numa desilusão e Bruno Nogueira que ainda é cedo para saber no que se irá trasnsformar.
Raul Solnado não foi só um grande humorista, foi também um grande homem, de uma grande sensiblidade. Muitos se lembrarão de alguns dos seus grandes monólogos de sucesso. Eu recordo, particularmente, as suas rábulas nesse progama da RTP que é um ícone da luta contra o Estado Novo: "Zip-Zip".
A última vez que o encontrei foi há poucos meses, "naquela mesa" do Procópio. Conversámos. Com a abetura de sempre. A pensar num reencontro para breve. Que, afinal, nunca veio a acontecer.