" Ontem apenas fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero.
Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.
(...)"
( Ermelinda Duarte)
Nunca gostei de fazer turismo. Ir fazer praia à Riviera Maya, ao Brasil, ou à República Dominicana, não faz parte do meu roteiro de férias, porque aqui ou na vizinha Espanha temos praias belíssimas. Apenas quando vivi em Macau procurava a praia como destino de férias, porque lá a praia não prestava. Foi assim que conheci as belíssimas praias da Malásia e da Tailândia.
Nunca gostei de fazer turismo. Ir fazer praia à Riviera Maya, ao Brasil, ou à República Dominicana, não faz parte do meu roteiro de férias, porque aqui ou na vizinha Espanha temos praias belíssimas. Apenas quando vivi em Macau procurava a praia como destino de férias, porque lá a praia não prestava. Foi assim que conheci as belíssimas praias da Malásia e da Tailândia.
Mas o que gosto mesmo é de viajar. De andar de olhos bem abertos à descoberta de realidades diferentes das do meu país - sejam elas boas ou más - de contactar com as pessoas, perceber como elas vivem, de trocar opiniões sobre o seu modo de estar, a sua relação com o Estado, os modelos sociais do país, como funciona a justiça, a saúde ou a educação. Numa frase apenas: gosto de sentir o pulsar do país que escolhi como destino de férias.
Sempre fui assim. Desde muito novo que me habituei a viajar com espírito de descoberta. Tinha apenas 12 anos quando fui pela primeira vez à Escandinávia. Fui de carro com a minha irmã mais velha e o meu cunhado, numa viagem que durou um mês. Era a primeira vez que saía da Península Ibérica por via terrestre e colhi dessa viagem um precioso ensinamento.
Estava habituado a ir frequentes vezes com os meus pais à Galiza, em gozo de fim de semana, ou para Benidorm, durante o Verão e, uma das coisas que me martirizava era o tempo que se perdia na fronteira. Chagava-se a perder três ou quatro horas para atravessar a fronteira de Valença - principalmente quando regressávamos a Portugal - o que para um miúdo , ainda por cima com “bichos carpinteiros”, era um sofrimento inaudito. Nesta viagem, depois de atravessarmos a fronteira de Vilar Formoso, apercebi-me que os procedimentos alfandegários eram muito mais facilitados. Foi no entanto, ao atravessar a fronteira entre a Suécia e a Noruega que a minha boca se abriu de espanto. O único aviso de que mudávamos de país, estava naquele sinal que podem ver na imagem. (Na altura circulava-se pela esquerda na Suécia, portanto era necessário mudar de faixa de rodagem). Não nos pediram passaportes, a polícia apenas nos acenou alertando para a necessidade de mudar de faixa e lá continuámos como se nada fosse.
Quando voltámos a entrar na Suécia, a situação repetiu-se ( apenas a seta estava em sentido contrário).
Talvez achem esta história um bocado ridícula, mas acreditem que para um miúdo de 12 anos teve um enorme significado. Foi a primeira vez que percebi, de forma bem explícita, o significado da palavra LIBERDADE!
*“Somos livres” foi uma canção que marcou as minhas férias de uma forma diferente. Não me recorda uma paixoneta de Verão, que se esvai como folhas desprendendo-se dos ramos, impelidas pelos ventos outonais. Esta lembra-me mesmo uma história de amor por uma donzela que sempre persegui: A LIBERDADE!Eu admito que quem nunca viveu no Estado Novo, nunca esteve preso, nem foi sujeito a interrogatórios da PIDE, nunca sentiu a casa vigiada, sempre pôde falar à vontade dos temas que lhe apeteceu, não compreenda que uma pessoa se possa apaixonar pela LIBERDADE, da forma como eu me apaixonei. Mas alguns dos meus leitores conhecem, tão bem ou melhor do que eu, o valor dessa palavra. Por isso escolhi esta canção para ilustrar este post. Ninguém é obrigado a ouvir, mas o link lá está como habitualmente. Em homenagem àqueles que ainda amam a LIBERDADE. Como o Manuel Alegre, por exemplo…
Sabe que conheci a Ermelinda Duarte em pleno Verão quente de 1975? Ela é irmã de uma amiga da minha mãe. :)
ResponderEliminarTambém me pus a cantar para ela como o Carlos cantou para a Françoise Hardy.
Olhe lá, ó Sr. CBO, e lá por dar muito valor a essa tal de donzela, isso dá-lhe alguma liberdade de andar a chamar preguiçosos aos outros, dá, dá???
ResponderEliminarNão se estique, não se estique, que lhe solto a bronca, olhe que os meus humores andam tão instáveis como o tempo, óviu????
Não querem lá ver isto?? Pffffffff!
Gostei muito do post viu...
ResponderEliminarabraços
Hugo de Oliveira
Carlos,
ResponderEliminarTem uma frase que diz assim:
"Liberdade é como uma calça jeans, velha e desbotada".
Gostei de saber das suas viagens e principalmente do que você disse:
"gosto de sentir o pulsar do país que escolhi como destino de férias." Eu também penso assim quando adentro num pais estranho. É uma forma de estar aberto e receptivo pra o novo e para tudo que vier acontecer durante esse tempo de férias.
Um Grande abraço
... ou como o S. Zenha, que Alegre tão oportunamente recordou.
ResponderEliminarExcelente texto, Carlos!
Que essa história de amor nunca tenha fim!
Carlos, eu sei que foi um lapso do teclado, mas acertou no que estava a pensar "...Chagava-se...". Chegavamos a perder horas nas alfândegas com o que nos chagavam a revistar a mala do carro, a inspeccionar as rodas, a levantar assentos, a fazer perguntas. E tudo isto por uns perfumes, uns cigarros, umas bebidas, uns chocolates, uns livros e umas roupas.
ResponderEliminarTodos sabiamos que deviamos estar calados e só o condutor é que falava. Cedo nos ensinavam a palavra medo e sabiamos o significado de suborno.
Carlos,
ResponderEliminarMúsicas quando lembram paixonite são sempre mais sentidas.
Que seu final de semana seja abençoado.
=]
Rebeca
-
Boas memórias traz esta música...
ResponderEliminarGostei de ler este texto, Carlos. E identifiquei-me com algumas limitações à liberdade de que fala. Não directamente, mas por via dos meus pais. Um abraço.
ResponderEliminarQualquer coisa nesta canção me deixa de lágrimas nos olhos e sorrisos no coração, ainda que a ouça muitas vezes.
ResponderEliminarCarlos
ResponderEliminarTem uma música que no verão de 2000 me marcou muito numa viagem ao Rio para os ensaios da escola de samba que iria desfilar.
Era só entrar no carro , colocar o CD com essa música e me sentir completamente LIVRE.
A música é de Leila Pinheiro e a letra é essa:
Serra Do Luar
Leila Pinheiro
Composição: Walter Franco
Amor, vim te buscar
Em pensamento
Cheguei agora no vento
Amor, não chora de sofrimento
Cheguei agora no vento
Eu só voltei prá te contar
Viajei...Fui prá Serra do Luar
Eu mergulhei...Ah!!!Eu quis voar
Agora vem, vem prá terra descansar
Viver é afinar o instrumento
De dentro prá fora
De fora prá dentro
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro
Amor, vim te buscar
Em pensamento
Cheguei agora no vento
Amor, não chora de sofrimento
Cheguei agora no vento
Eu só voltei prá te contar
Viajei...Fui prá Serra do Luar
Eu mergulhei...Ah!!!Eu quis voar
Agora vem, vem prá terra descançar
Viver é afinar o instrumento (de dentro)
De dentro prá fora
De fora prá dentro
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro
Tudo é uma questão de manter
A mente quieta
A espinha ereta
E o coração tranquilo
Tudo é uma questão de manter
A mente quieta
A espinha ereta
E o coração tranquilo
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro
A toda hora, todo momento
De dentro prá fora
De fora prá dentro
Por esse mundo fora ainda há muita gente que continua privado dela e outros que de repente ficaram sem ela...
ResponderEliminarComo não publicou o meu último comentário, venho avisar V. Exa. que, por tempo indeterminado, se encontra em situação de coima agravada, por abuso de liberdades, sendo que a pena poderá ir desde a suspensão imediata desta rubrica indecente, até ao encerramento compulsivo da porta do Rochedo.
ResponderEliminarEncontra-se ainda, e também, acusado de crime de difamação da pessoa de alto funcionário deste Blogobairro, a quem dirigiu ofensa, insinuando 'preguiça'.
Qualquer infracção acrescida, resultará na aplicação imediata da pena mais pesada.
Registe-se e informe-se que o seu cúmplice 'Paulofski' também já se encontra detido no seu gabinete.
Assinado:
Directora Geral de Coimas e Cobranças Coercivas do Blogobairro, em 25 e Julho de 2009
Carlos
ResponderEliminarera uma coisa pestilenta, lembro-me de estar horas na fronteira de Vilar Formoso para passar parao outro lado, uma coisa ridicula, passaportes, etc...
era um país muito pequeninito este nosso Portugal...
beijos
Muito justa a homenagem ao Manuel Alegre!A "LIBERDADE- donzela" do Carlos - terá sempre o meu respeito e amor!
ResponderEliminarGi:Mas que grande surpresa que me acaba de dar... E qual foi a reacção dela?
ResponderEliminarLisa e Cerejinha: É bom vê-las de volta...
ResponderEliminarGJ: Já me fartei de rir com o seu comentário! Não tinha dado pela gralha, mas ainda bem que ela aconteceu. Valeu a pena para ler o seu comentário.
ResponderEliminarDulce:Não sabia que esta canção tinha chegado aí... Folgo em saber!
ResponderEliminarLuz: Não pode enviar um link para ouvir a música? Gostei da letra, vou ver se enconto no You tube.
ResponderEliminarObrigado
Salvo:Infelizmente assim é e continuará a ser,enquanto os senhores que mandam no mundo, continuarem a apoiar os ditadores que lhes fazem jeito...
ResponderEliminarSi: Está V. Exª a insinuar que censuro comentários? Olhae, o melhor é nem me pronunciar... Só lhe digo que nos dois últimos dias nem abri o laptop. Se aparecer aqui nos próximos dias, vai perceber porquê, mas por agora só lhe digo que estou aqui no Norte e fiquei ofuscado por uma paisagem que vi ontem. Mais não digo...
ResponderEliminarLúcia: Não vai ter não, é genética...
ResponderEliminarAna: Acreditas que já não é? Pelo menos a nível de mentalidades ainda tem que crescer muito. A Europa só trouxe dinheiro, não trouxe aos portugueses um modo de pensar europeu.
ResponderEliminarMaria:Lembrei-me dele, porque ontem se despediu da AR, mas outros estão abrangidos nesta homenagem.Cito apenas Palma Inácio, recentemente desaparecido, mas há muitos mais.
ResponderEliminarMike: então sabes bem do que falo...
ResponderEliminarCarlos, a Dulce que aparece aí em cima sou eu, Alecrim. Eu sem pseudónimo. ;) Não reparei que estava com esse perfil...
ResponderEliminarCarlos aqui tem o que procura.
ResponderEliminarhttp://oprivilegiodoscaminhos.blogspot.com/2009/07/serra-do-luar.html
Alecrim( ou Dserá Duce?): registado. Pensei que estav a falar com a Dulce do em pros e verso. De futuro, então, passa a ser Alecrim, ok?
ResponderEliminarGrande Jóia: Obrigado pela dica. Vou lá ver
ResponderEliminarVá lá, vá lá, como estamos em tempo de silly season, vou relevar esta.
ResponderEliminarA sua sorte é que andou aqui pelo Norte... Bem, está perdoado, mas não volte a infringir, que eu ando atenta!!
Pronto, já venho tarde, eu sei! (Afazeres, é o que é)Mas, como se trata da Liberdade, não vou sem o felicitar por esta paixão. Partilhada. No mais profundo do meu ser. Que me impede de pertencer a tribos, a grupos fechados e sei lá...
ResponderEliminarAbraço muito livre, Carlos
:))))