
“…E é sempre a primeira vez
em cada regresso a casa
rever-te nessa altivez
de milhafre ferido na asa”
(Carlos Tê/Rui Veloso)
Era suposto ter retomado esta semana a actividade normal, começando ontem a preparar alguns trabalhos que tenho em agenda para entregar em breve. Era suposto… mas como diz o povo, na sua infinita sabedoria, “O Homem põe e Deus dispõe”. E Deus- ou alguém por Ele mandatado- decidiu que assim não havia de ser. Colocou entre mim e o trabalho uma casca de banana de encontro fortuito e obrigou-me a alterar os planos.
Sinto-me bem aqui pelo Porto, sem a mínima vontade de regressar a Lisboa para fazer entrevistas, pesquisas e escrever sobre assuntos sérios. Apetece-me continuar a sonhar que é possível fazer “rewind” nas nossas vidas e voltar a viver momentos que já lá vão há décadas. E, no entanto, foi possível. Pelo menos por umas horas.
Aqui, nesta esplanada, não tenho o mar do Guincho à minha frente, mas tenho um rio a correr para o mar da Foz, espreguiçando-se entre o casario da Ribeira e o Cais de Gaia. ( Obrigado, Luís Filipe Meneses, por ter feito com que Gaia se tivesse tornado o melhor ponto de observação para apreciar a beleza do Porto. Quem ainda não percebeu que esta é a mais bela cidade do País, deve andar muito distraído).
Apetecia-me ficar por aqui até me cansar da paisagem, da cidade, da… mas não vai ser possível. Regresso dentro de minutos a Lisboa, prenhe de sentimentos contraditórios. Entre a vontade de ficar por aqui e a consciência que devo fugir quanto antes, para evitar males maiores, opto pelo dever. Porque, bem feitas as contas, a vida não é um prazer, é um somatório de deveres quotidianos que temos de cumprir, para desfrutar de alguns momentos de prazer. Mas se não fosse assim, a vida não tinha tanta piada…
* Porto Sentido -uma criação de 1986 da dupla Carlos Tê/ Rui Veloso- é talvez a maior homeagem que a música alguma vez prestou à cidade. Não deve haver nenhum português que não a conheça e não tenha entoado alguns dos seus acordes quando se viu perante a deslumbrante paisagem que a fotografia mostra.
Aproveite bem Carlos e desfrute esses escassos momentos a apreciar o velho casario que se estende até ao mar. Sinto-me um privilegiado de poder ver o encanto que a minha cidade empresta a quem a visita. Vou agora ali ao Piolho aquecer o estômago.
ResponderEliminarAbraço
Prontossss!
ResponderEliminarLá veio este Senhor apelar ao sentimento, para se ver livre de multas e repreensões....
Sabe que eu sou compreensiva e benemérita e dá uma no cravo outra na ferradura, emudecendo-me com provas de quotas cumpridas e um post de encher o olho pelo meu Porto....
Olhó raça de Escorpião este, que esse feitio manipulador deveria ser proibido também!! ;) ;)
YOU'ER KILLING ME HERE!....
ResponderEliminar:)))
Anda por perto, amigo:))
ResponderEliminarComo percebo esses doces olhares por cima do ombro a outras estórias em outros tempos...
Ainda por cima a olhar o Douro - tanto que encerra esse Douro.
Também é sinal de vida olhar pelo retrovisor!
Como vida é seguir, mesmo a contragosto ;)
Boa viagem, Carlos
Carlos
ResponderEliminaré sua terra, seu lugar primeiro, compreende-se esse sentimento. Além do que o Porto é uma cidade realmente linda e trago ainda na memória a semana que ai passamos, meu marido e eu. E olhe que já lá se vão dez anos!
E parece-me ler nas entrelinhas que há ainda algum outro fator a prende-lo mais um pouco a cidade... Ou talvez eu eteja enganada. Quem sabe? São coisas de cada um...
Gosto muito desse Porto sentido; desse que vai até à Ribeira.
ResponderEliminarNão gosto do Porto quando vai no sentido do Estádio do Dragão. Já percorri muito Porto a pé e acho que essa parte do Porto que vai até ao Estádio do Dragão é bem feia e decadente. Até mesmo as pessoas.
Não conheço um portuense que consiga ficar muito tempo fora do seu Porto. Esta cidade tem um apego que Lisboa mesmo com a luz que a ilumina não consegue ter. E mais nada há a dizer. Venham por aí cobras e lagartos, que não saio desta. Concordo com os parabéns a quem devolveu a beleza ao outro lado do cais.
ResponderEliminarE eu que fiz o percurso inverso, mas igual ao do Carlos com idade idêntica, sei do que falo.:))
É tão lindo o nosso cais, e a vista então nem se fala...
ResponderEliminarMas já que tem de ser...faça uma boa viajem, aposto que leva a alma mais aconchegadita, verdade!?
Ai Porto!
ResponderEliminarÉ mesmo melhor ir já, pois quanto mais tempo aí estiver mais vai custar sair...
Paulo: O Piolho é um ex-libris. Passei lá algumas tardes a fingir que estudava, quando ainda estava no Liceu.
ResponderEliminarSi: Não é a primeira vez que revelo o meu fraquinho pela cidade onde nasci, como sabe... Etambém não foi a primeira vez que escolhi, para mote de um post, ou canção do dia, uma música portuguesa.
ResponderEliminarNão se iluda, porque não cedo a pressões (ihihih!)
E quando vir acanção do dia de hoje até vai dar pulos na cadeira. Também é portuguesa, adianto desde já...
Margarida: Oh!(((:::
ResponderEliminarLúcia: Obrigado, já cá estou. Mas é bom não perder demasiado tempo a olhar pelo retrovisor, nãovamos embater num obstáculo à nossa frente...
ResponderEliminarDulce: Na mouche, minha amiga. Não há brasileiro que eu conheça que não se perca de amores pelo Porto.
ResponderEliminarGi: respeito a sua opinião, mas não concordo. É certo que o Rui Rio destruiu a Av dos Aliados e se esuqeceu do centro histórico do Porto. Ele gosta mais da(o) Boavista e de corridas de automóveis. Daí a dizer que a zona até ao estádio do Drgão é feia e as pessoas também, vai uma grande distância.
ResponderEliminarNasci nas Antas e por ali andei até aos 17 anos, ainda lá tenho a casa e não digo que seja amais bela zona da cidade, mas gosto muito dae lá continuara ir pelo menos uma vez por mês.
( Se a maloud não estivesse de férias, respondia-lhe já com meia dúzia de exemplos que tornam as Antas bonita).
GJ:Já vivi muitos anos fora de Portugal, sem ir ao Porto. Confesso que não tinha saudades. Nos últimos anos, porém o Porto tornou-se uma cidade bonita. Em parte graças a LFM, mas principalmente devido a Fernando Gomes, o único presidente da Cãmara das últimas décadas que, em minha opinião, sabia o que devia fazer pela cidade. E olhe que até a minha mãe, votante à direita, votava nele.
ResponderEliminarInfelizmente, acabou por trair os portuenses. E isso, ninguém lhe perdoa.
De dentro para fora: a alma e não só...
ResponderEliminarreflexos: Já vim...
ResponderEliminarMas vocês querem acabar comigo? Digam logo! Assim não há coração que resista nem malas fiquem sobre o armário, pa!
ResponderEliminarOlha de todas as músicas que vens comentando "puaíabaixo" esta é a melhor de todas.
"Quem vem e atravessa o rio"...
Isto aqui até provoca milagres! Não conseguia comentar nem no meu blog e olhem só... hehehehee
ResponderEliminarCarlos
ResponderEliminartenho sonho de conhecer a cidade do 'Porto', de beber os seus vinhos e encher-me os olhos com tão belas imagens por ti captadas em sua câmera. Por hora, me contento em viver em minha 'Porto' Alegre. Um grande abraço e bom retorno a sua terrinha
Carlos,
ResponderEliminarFui investigar....
Há 3 dias, fez precisamente 1 ano que fiz o meu 1º comentário neste blog, o 1º em que me aventurei, pertencente a alguém completamente desconhecido....
E não é que eu afinal sempre tenho razões para andar uma sentimentalona??????
Concordo com você, Carlos. Esta foi a minha homenagem mínima depois dum dia na cidade onde todo o mundo me sorri, lembrando uns momentos na ribeira baixo a ponte.
ResponderEliminarE as fotos.
Porto da minha alma!
ResponderEliminarNão deve haver muitas alfacinhas tão afeiçoadas à Invicta como eu.
Passava quase todas as férias no Porto, desdee os cinco anos e enquanto fui apenas estudante.Costumava até dizer que ia a casa ;-) (afectos herdaddos por via paterna).
Agora vou menos vezes, bastante menos. Mas o coração está lá, com a família, bem numerosa. Cada vez mais numerosa...
Beijinhos.
Sem dúvida de que esta é a mais bela cidade do País, e não serei assim tão supeito, porque fui por ela adoptado aos 17 anos e mesmo depois dessa idade vivi em algumas outras, incluída a capital, até aqui regressar e lhe jutar fidelidade eterna. Claro que esta canção ainda ajunda mais.
ResponderEliminarÉ relamente sentido,o Porto. Vou lá muitas vezes,porque sou de perto, e aquela beleza encanta-me.
ResponderEliminarAi eu estava quase morto no deserto
ResponderEliminarE o Porto aqui tão perto!
:))))
Carlos, eu também vivi fora de Portugal sem ter saudades de nada, excepto dos pastéis de nata, do café, do sol, do mar, dos amigos e da família. Uma vez regressada, passei a amar de forma diferente a cidade que me agarrou, beijou e não mais me largou. Por isso, eu conheço-lhe os recantos, as alterações que foram feitas, as desgraças que lhe encomendaram uns e rejeitaram outros e partilho consigo essa agradável paisagem que o outro lado da margem nos permite registar na canção:)
ResponderEliminarNem acredito! Estiveste no Porto e nem um convite para um cafezinho!!!!... e logo numa das minhas esplanadas predilectas!!... imperdoável! Avisa quando voltares... beijocas
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