Segunda-feira, 20 de Julho de 2009

Memories- a canção do dia (1)



"Tous les garçons et les filles" foi a primeira canção a dar-me a volta à cabeça. Ouvia este disco até à exaustão, num roufenho gira-discos que uns tios me tinham oferecido no Natal anterior. Enquanto a minha mãe exasperava, eu procurava mostrar-lhe a beleza da canção e da letra.

Não explico a minha paixão por esta canção, mas já depois de me ter apaixonado por ela, ficou ligada a um episódio da minha vida. Lembro bem a surpresa de Françoise Hardy quando, em 1962, ouviu um miúdo português a cantar-lha, embevecido, na sala de jantar de um hotel em Benidorm. Era eu!

Era muito miúdo, mas os meus irmãos tinham idades próximas da dela e foram eles que me incentivaram a ir cantar ( espertalhões, estão a ver...). Envergonhado, aproximei-me da mesa onde ela estava a jantar com Sylvie Vartan e Johny Haliday, - que nessa noite actuavam em Benidorm. Ela fez-me uma festinha e perguntou-me em francês a nacionalidade. Felizmente aprendi a falar francês aos 8 anos e respondi-lhe:


" Je suis portugais e j'ai une chose pour te montrer". E, para gáudio dos meus irmãos, comecei a cantar. Estão a imaginar a cena, não é?
Não posso dizer que me tenha tornado amigo dela, pois era muito miúdo. Os meus irmãos é que a conheceram melhor e com ela partilharam , durante alguns anos, algumas aventuras de férias.
Tenho todos os discos de Françoise Hardy, desde este até ao último, lançado em 2006 ( Parenthèses). Nunca tive ídolos, mas assim que saía um disco de Françoise Hardy, eu rebentava com as minhas economias e corria a comprá-lo.
Quem duvide da sua beleza, veja aqui....
Pronto, está aberto o segundo passatempo. Espero pelas vossas histórias.

14 comentários:

  1. Esta canção conheço apesar de, em 1962, ter mesitos.

    ResponderEliminar
  2. A minha é da década de 70 e eu tinha os meus 10 anos. E hoje, como antes, eu fico no "nananananana" e não presto atenção na letra. Portanto, tive que correr atrás para achar o nome da música. Era uma época em que moramos em Blumenau - Santa Catarina, no sul do Brasil. E, coincidentemente, todas as vezes que íamos para a praia, Camboriu, tocava essa música no rádio. Eu cantava errado, ao final... "Camburiu, nanananana"....
    A música é de Elton John - Skyline Pigeon.
    Eu ainda a amo! :)

    ResponderEliminar
  3. Carlos

    Por acaso também sabia a letra toda que a minha mãe era fã.
    È uma canção bonita!

    beijos

    ResponderEliminar
  4. Bom então vou ao meu comentário musical.
    Lá pelos anos 60 eu era bem pequenina e Roberto Carlos foi fazer um show numa cidade do interior aonde passavamos uns dias. Ele se hospedou no mesmo hotel que estavámos. Porém o seu quarto era de fundos e o nosso de frente.
    A porta do hotel estava lotada de fãs e era início da noite.
    Cada vez que uma das minhas irmãs, que tinha os cabelos curtos como o Rei, passava perto da janela as fãs iam ao delírio lá embaixo. Percebemos então que elas viam a sombra e achavam se tratar do Rei Roberto.
    Muito brincalhonas, colocamos uma calça de boca larga no braço dela. E ela fazia os gestos como o rei.
    As fãs que só viam as sombras, gritavam histéricas a cada gesto.
    Eu não fui ao show pois era muito pequena ( tinha cerca de 4 anos).
    Mas ganhei meu primeiro LP. Jovem Guarda - Roberto Carlos. E minhas irmãs tiveram a oportunidade de estar com o Rei e contar a nossa farra com as fãs.


    Beijinhos farristas

    ResponderEliminar
  5. E eu, de 72, adoro esta canção que em lembra longos e saborosos verões.
    Afinal, nestas coisas da música, os conflitos de gerações esbatem-se!:)
    E agora vou continuar a ler o CR: Poça, Carlos, a gentxi fallia 2 ó 3 dias e você vai de dar ao dedo!:)

    ResponderEliminar
  6. "et les yeux dans les yeux, et la main dans la main"...

    Oh, mon Dieu!

    ResponderEliminar
  7. O meu gira discos e as minhas canções também punham os cabelos da minha mãe em pé.
    Depois era eu que tentava que os meus cabelos ondulados por natureza, ficassem iguais ao da Françoise Hardy. E aquela franja que ainda hoje me faz uma inveja...
    Ainda hoje ela mantém um estilo fantástico e actual.

    ResponderEliminar
  8. Esta também é das minhas canções de adolescência, ainda sou capaz de saber a letra de cor, como tantas outras francesas desse tempo, embora não tenha aderido na data exacta que saiu, por ser ainda muito pequena e vivendo nos açores, na altura, chegava tudo um pouco mais tarde, não tudo porque os americanos na Base das lajes vendiam e faziam muitos concertos de música americana, claro.
    Mas, por volta de 1967, já era fã e eu e as minhas amigas íamos a uma geladaria, muito particular para a época, de nome "Paris" onde havia uma "Juke box" (penso que na altura, embora tenha sido criada nos anos 50, só na ilha terceira havia e talvez no "Clube Asas do Atlântico" em santa Maria, por ser um aeroporto internacional de grande importância, era a nossa porta para o mundo, por lá passaram várias figuras míticas do espectáculo, cinema e desporto) ouvíamos vezes sem conta a mesma canção, normalmente com o fito de ser ouvido pelos rapazes escolhidos por nós e às vezes resultava como, "isco", factor de sedução - foram tantas as paixonetas de verão ehehh!

    Françoise Hardy foi e é uma senhora de Grande elegância, beleza, e altamente sedutora é impossível resistir ao seu charme e tem sabido gerir muito bem a sua carreira. O Carlos é um privilegiado em usufruir do seu convívio!
    Eu teria uma história, de aproximação a uma artista (Maria Cynthia cantora e candidata a actriz, penso que teve uma carreira curta e sem história) para contar mas, este comentário já está longo e, não vos quero maçar, talvez numa próxima conte só pela graça e contraste com a sua...Lol:))

    ResponderEliminar
  9. UPS, fique claro, neste caso, "aproximação", não teve a ver com as "paixonetas" de que falei! Sou etéreo sem preconceito pelas diferentes orientações.
    Já agora conto a minha história:
    Em 1970, ainda a viver nos Açores, ilha de S.Miguel, eu fazia parte de um grupo de teatro académico mais o meu namorado; ele também actor como eu e ainda com a vantagem de ser músico/compositor e cantor - o que encantava as adolescentes e me colocava, muitas vezes em situações um tanto ou quanto embaraçosas. Por essa altura foi ao Teatro Micaelense actuar uma jovenzinha espanhola de nome Maria Cynthia quase desconhecida do grande público, o que para eles não tinha grande importância - era preciso que viesse de fora e fosse gira.
    Para além do espectáculo, não poderíamos chamar "aquilo" um concerto - era mesmo pindérico - até para o nosso olhar, ainda, "imberbe, a agente dela veio fazer um "casting" para um filme.
    Escusado será dizer que toda a minha gente quis concorrer (na altura, faziam-se concursos, não sabíamos muito sobre "castings").
    Aos rapazes foi-lhes sempre dada mais atenção e eles também tinham mis liberdade para as acompanharem
    (artista e agente no feminino e jovens). A nós "Gineceu" foi-nos dado a observar uma representação masculina um pouco decrépita).
    Bom, encurtando, fizemos o casting e ficamos a aguardar resposta, entretanto alguns estragos foram feitos: namoros que acabaram, desentendimentos no grupo de teatro, eu e o meu namorado, não fugimos à regra, acabamos por ficar só bons amigos e companheiros
    nas outras artes!

    Nota: À, eventual, participação no hipotético filme fez-se um silêncio maior que a distância do mar que nos separava. No entanto, ficou uma história para vanglória de alguns mancebos!!!
    Está a ver o quanto gostamos de si, pela parte que me cabe, que me
    levou ao atrevimento de escrever no seu "blog" e êxpor-me a um escritor de excelência!

    ResponderEliminar
  10. Gi: Quase aposto que foi embalada algumas vezes pela sa mãe, acantar esta música.

    ResponderEliminar
  11. Senhora: Curioso... Estive em Blemenau no princípio dos anos 80, na primeira vez que fui ao Brasil. Gosto muito do Estado de Santa Catarina, talvez seja mesmo a região do Brasil que mais gosto.

    ResponderEliminar
  12. GJ: E um enorme charme, para uma mulher de 65 anos!

    ResponderEliminar
  13. Carlos, é uma canção inesquecível para mim. E de todas as situações que já vivi por causa dos meus livros, talvez a mais comovente tenha sido uma relacionada com esta canção. Conto aqui: http://floresta-do-sul.blogspot.com/2009/04/recordacoes.html

    Abraço,

    António

    ResponderEliminar
  14. António: Por acaso já tinha lido e achei deliciosa...
    Abraço

    ResponderEliminar