Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Il faut savoir*

“…Il faut savoir quitter la table
Lorsque l'amour est desservi
Sans s'accrocher, l'air pitoyable,
Mais partir sans faire de bruit
Il faut savoir cacher sa peine

Sous le masque de tous les jours
Et retenir les cris de haine
Qui sont les derniers mots d'amour
Il faut savoir rester de glace

Et taire un coeur qui meurt déja
Il faut savoir garder la face
(…………………………)
Il faut savoir
Mais moi, je ne sais pas!”

( Charles Aznavour)
Depois de lerem os títulos dos meus dois últimos posts, já terão percebido que uma das minhas loucuras para este Verão vai ser tentar escrever posts com títulos de canções que marcaram as minhas férias ( e outros momentos importantes) ao longo da vida. Há muitas canções de Charles Aznavour que adoro, mas escolhi esta por duas razões. Em primeiro lugar, porque (ou)vi Charles Aznavour cantá-la em 1968 no Olympia e fiquei imediatamente apaixonado pela letra. Em segundo lugar porque, apesar dos denodados esforços, nunca consegui seguir estes conselhos sábios.
Custa-me dizer isto, mas regressar a Portugal é cada vez mais difícil para mim. Adoro o meu país, mas sinto-o cada vez mais distante. Nos últimos dez anos, Portugal mergulhou numa sarjeta, fruto das ambições desmedidas de políticos sem escrúpulos que apenas defendem os seus interesses, em vez de lutarem pelo desenvolvimento do país. É certo que as culpas não podem ser todas assacadas aos políticos, pois os portugueses também são muito culpados pelo estado a que o país chegou. Desde empresários gananciosos, a trabalhadores desmotivados, passando por classes sócio-profissionais eivadas de corporativismo e uma comunicação social que se demitiu do seu papel, todos contribuem para o retrocesso do país.
Custa-me regressar a um país onde há muitos lamentos, muitas acusações mútuas, mas não há uma tentativa para unir esforços, o que nos deixa sem uma centelha de esperança. Gostava que o meu país fosse diferente, mas quanto mais viajo, mais me desiludo. Eu já sabia, mas depois das duas semanas pela Escandinávia, fiquei sem qualquer dúvida: nunca seremos um país (nem um povo) europeu. Faltam-nos as bases para construir algo de novo, falta-nos mundo, falta-nos coragem para arregaçar as mangas e mudar tudo. De cima abaixo. Portugal precisa de ser virado do avesso. A nível da política e a nível das mentalidades.
Hoje, finalmente, li jornais portugueses durante meia hora. Fiquei vazio.Perdi a alegria das últimas semanas e entrei em transe. Eu precisava de saber viver em Portugal, de aceitar o meu país e comprender o meu povo mas, infelizmente, não sei. Acreditem que fico triste quando me apercebo desta minha incapacidade. Porque revela ( alguma) intolerância e muita impaciência da minha parte…mas a verdade é que já não tenho idade para ser paciente.
Conforto-me a pensar que conheci, por esse mundo fora, muitas pessoas que também trocaram os seus países por outros onde agora se sentem felizes. Talvez, afinal, o mundo não seja assim tão perfeito quanto julgamos. Se há tanta gente a procurar ser feliz fora do lugar onde nasceu, é porque alguma coisa falhou. Há que colocar correctamente as peças do xadrez, para ver se tudo volta à normalidade. Pelo menos, até ao momento do xeque-mate…

* Canção de Charles Aznavour.
Era arménio e tornou-se famoso quando foi viver para França. Engelbert Humpedrinck- que deu título ao post de ontem- nasceu na Índia e conheceu êxito em Inglaterra, depois de ter mudado de nome. Isto está tudo ligado mas, acreditem ou não, só reparei nisso depois de ter acabado de escrever este post.

8 comentários:

  1. (Da letra da música)

    Olhe, eu também não sei fazer como o d'Aznavour diz. E não posso dizer que seja por falta de vontade: deve ser o ser egocêntrico que em cada português habita que me impede de assim agir.

    Já para não dizer que nós portugueses temos muito jeitinho para "s'accrocher l'air pitoyable".

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  2. Carlos

    Parece-me que esse seu sentir com respeito à sua pátria anda por muitos povos, de muito paises. Pelo menos por aqui esse descontentamento anda grassando.
    Será que foi sempre assim? Nos meus tempos de menina, adolescente, jovem, parecia-me ser tão diferente! Ou seria eu a diferente?

    Que suas férias continuem lindas.

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  3. Eu continuo a gostar muito de Portugal e sabe quando é que vejo e sinto isso? Quando vejo estrangeiros a dizerem mal de Portugal. Atiro-me a eles com gato a bofe ... e o Carlos já me vai conhecendo um bocadito.
    Olhe que gosto bem mais de ser portuguesa do que inglesa, americana ou italiana. Pronto(s)! :)
    E venha lá mazé embora, que eu já não aguento de saudades, sim?

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  4. Quanto ao estado do nosso país prefiro não falar; prefiro, neste momento, focar-me nas canções e nos artistas e a forma que os enquadra com os seus textos, para mim, é de grande maestria, estou a adorar a "silly season"!
    Assisti em Portugal a um espetáculo, no Coliseu dos Recreios, com o título "Cantores do charme" eram três os "cantores" - Gilbert Becaud, Serge Reggiani e talvez Aznavour , não estou bem certa, nos finais de 70 início de 80.Lembro-me que, na altura não seria esta a minha 1ª.escolha mas,arrisquei e até gostei imenso!
    (Já os tinha como referência do cinema Françês, tão próximo de mim na altura)

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  5. Formiguita: temos mesmo... gostamos de tirar dividendos dessa postura.

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  6. Dulce: sim, há muitos paíse onde a Besta governa, mas o problema é que vai a essses países apenas de férias e o resto do tempo passa-o aqui.

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  7. Gi: Também não gosto de ouvir dizer mal dos portugueses e quando ouço, salto logo. Sabe porquê? Porque esses povos que cita ainda são piores que nós!

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  8. Maria: Ao ler o seu post senti um arrepiozinho! Não estav em Portugal de certza, caso contrário nao teria perdido. Fico àepera da sua particiação nos passatempos.

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