sexta-feira, 31 de julho de 2009

Memories- a canção do dia (10)

Aos 74 anos, com uma vida repleta de sucessos, tinha direito a gozar uma reforma dourada, mas a sua agente enganou-o e teve de voltar a dar espectáculos.
.Ontem esteve ( mais uma vez) em Lisboa e, perante uma assistência extasiada que enchia quase por completo o Pavilhão Atlântico, desfilou o seu extenso reportório durante quase três horas .
AMO todas as canções de Leonard Cohen e a escolha para canção do dia foi difícil, mas decidi-me por “Everybody knows” que aqui ficará a acompanhar-vos durante todo o fim de semana ( à distância de um clique).
Desfrutem e bom fim de semana!

We've got tonight*

Sabem que dia é hoje? Não? Então vão ver aqui

* A versão original de "We've got tonight" é do Kenny Rogers (a solo), mas gosto mais disto a duas vozes

Summertime (6)

Até pareceria mal se este passatempo chegasse ao fim sem uma música dos Beatles. Entre o vastíssimo leque de possibilidades, escolhi Michelle ( ma belle)
Esta canção dos Beatles conheceu um grande sucesso em todo o mundo. Nos círculos universitários de um determinado país do hemisfério sul ( vá lá dou uma ajuda) ela era cantada em coro à filha de um general, que se havia de tornar presidente desse país.
Perguntas:
16- Qual o país a que me refiro?
17-Qual o nome da presidente? ( só serão consideradas certas as respostas que indiquem dois nomes)
Este passatempo fica por aqui. Segunda-feira iniciarei outro.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Do you want to know a secret? *

"... Listen, do you want to know a secret?
Do you promise not to tell?
Closer, let me whisper in your ear?..."
(The Beatles)
Querem mesmo saber a razão de ontem à noite não vos ter visitado? Então vão ver aqui.

* "Do you want to know a secret?" Claro que sim, quem diz não a uma pergunta dessas?

Donne moi ma chance*

"Donne-moi ma chance, donne-moi ma chance encore
Quoi que tu penses, je n'ai pas tous les torts
Ne me dis pas, que c'est trop tard ,
Que tu n'as plus, pour moi un seul regard
Donne-moi ma chance, donne-moi ma chance encore (...)"
(Richard Anthony)



Esta é uma notícia bombástica!Hoje descobri que o sr. engº lê o Rochedo. Sim, esse mesmo, o engº Sócrates, PM de Portugal. Mais...fiquei a saber que ele ouve os meus conselhos! Como soube? Ao ler o programa de governo ontem apresentado pelo PS. Então não é que se fala lá no alargamento do programa "Novas Oportunidades" aos empresários portugueses, tal como eu propusera aqui, em Março?
Se no dia 27 de Setembro o PS ganhar as eleições,já sabem... vão poder dizer: "Nós conhecemos este ministro, escreve no Crónicas do Rochedo". Confessem lá que não esperavam por esta...Bem, pensando melhor, não quero ser ministro. Basta-me um lugar na embaixada portuguesa em Buenos Aires...
* "Donne moi ma chance" foi um dos sucessos de Richard Anthony. Uma canção tipica dos Verões do ié-ié, no início dos anos 60. Richard Anthony mostraria depois saber fazer melhor, com "J'entends siffler le train".

Killing me softly*


A PSP apreende, todos os anos, centenas de armas ilegais. Sempre pensei (ingénuo!) que essas armas fossem destruídas, mas enganei-me.
A PSP acaba de vender, em leilão, 217 armas apreendidas. Já nem ponho a hipótese de algumas terem sido adquiridas, por interposto comprador, pelas mesmas pessoas a quem foram apreendidas. Faço de conta que isso é apenas fruto da minha maquiavélica imaginação. Não posso é deixar de colocar a hipótese de elas terem sido adquiridas por pessoas que, um dia mais tarde, as vão usar para fazer um assalto ou, eventualmente, matar alguém.
A PSP diz ter agido em conformidade com a Lei, que a obriga a vender essas armas e eu não duvido. Penso é que quem fez a Lei e a aprovou no Parlamento deve ser totó!

*"Killing me softly" foi escrita em 1971 por Charles Fox para ser interpretada por alguém cujo nome não me ocorre. Foi Roberta Flack, em 1973, que fez desta canção um êxito estrondoso no mundo inteiro.

Memories- a canção do dia (9)


Tal como aconteceu com os Pink Floyd, também tive imensa dificuldade em escolher uma canção dos Doors. Entre LA Woman, Riders on the storm, Love me two times, Alabama song , Light My Fire, People are Strange ou Hello I Love you, pensei várias vezes na melhor escolha para canção do dia.
Acabei por me decidir por esta
Já agora, qual seria a vossa escolha?

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Summertime (5)

“When the girl in your arms is a girl in your heart,

Then you’ve got everything,

When you’re holding the dream,

you can dream when you hold,

You're as rich as a king,

So hold her tight and never let her go

day and night let her know you love her so.
(…)”


( Cliff Richard)

O passatempo Summertime desta segunda ( e última semana) está a ser muito pouco participado. Talvez porque na segunda-feira as perguntas eram difíceis, ou porque uma semana seja a duração ideal para um passatempo blogonáutico- principalmente em tempo de Verão.
Hoje, as perguntas são muito fáceis e quase todos saberão pelo menos duas das respostas. Ora vamos lá então ver:
“When the girl in your arms is the girl in your heart” (1961) é uma das canções de Cliff Richard de que mais gosto, mas não foi um dos seus maiores sucessos

13- Qual foi o maior sucesso comercial de Cliff Richard?
14- Cliff Richard fez parte de um conjunto de grande sucesso. Como se chamava esse conjunto?
15- Para além de “Summer Holidays”, houve outra canção de Cliff Richard que deu origem a um filme. Como se chamava a canção?

Tell me bird*

Pode ser coincidência, mas na última semana aconteceu duas ou três vezes e comecei a desconfiar. Esta manhã, voltou a suceder.
Porque será que ao lado de um(a) gordo(a) no metro, se senta uma pessoa a ler um folheto com publicidade a produtos de emagrecimento? E porque razão é que é sempre o mesmo produto? Não dá para desconfiar? Logo a mim, que não acredito em coincidências…
*Tell me Bird* - Canção dos Sheiks

Memories- a canção do dia (8)


Dentro do mesmo registo de ontem, ao estilo "Ambrósio apetecia-me voltar a viver algo", escolho para canção do dia um tema imortal dos Pink Floyd: "I wish you were here". Os Pink Floyd -e em certa medida também os Doors- eram ( ainda são...) presença obrigatória na minha discoteca, mas sempre gostei de os ouvir num ambiente mais intimista. Não gostava de os ouvir em festas, porque aquela música não é para dançar. É para saborear devagarinho, como um "dulce de leche" numa tarde fria na Patagónia.
As melhores recordações que me trazem os Pink Floyd, ligam-se a noites de tertúlia que duravam até às tantas. Principalmente, as que decorriam numa casa do Porto que muito se animava nos períodos de férias, quando regressavam, de Lisboa, Coimbra, ou de algum país estrangeiro, muitos dos que tinham abandonado a Invicta para estudar. Ali se reuniam, a partir das 11 ou meia noite- e muitas vezes até ao raiar do dia- pessoas com diferentes visões sobre a política,apenas unidas pelo desejo de discutir ideias e conversar sobre as diferentes noções de Liberdade.
Ali nos aprendemos a respeitar mutuamente, discutindo ao som dos Pink Floyd, dos Doors, blues ou jazz. Foi esta aprendizagem que permitiu que,depois do 25 de Abril, praticamente não tivesse havido deserções no seio daquele grupo de amigos ( e amigas) que aprenderam a discutir as questões políticas de forma civilizada.
Muitos deles enveredaram pela política e posso dizer-vos que tenho amigos desse tempo espalhados pelos cinco principais partidos portugueses. Nunca me zanguei com nenhum deles por razões partidárias... embora discorde muitas vezes e me surpreenda com as viragens estratégicas de alguns.
Hoje, nestes conturbados tempos pré -eleitorais, basta passar os olhos por alguns blogs, para ver como se esgrimem argumentos recorrendo à acusação torpe e ao insulto a roçar o ordinário. Confrange-me a falta de argumentação fundamentada e, acima de tudo, a falta de cultura democrática. Por isso me desinteressei quase totalmente do debate político e dexei de participar activamente. Não nos podemos queixar dos políticos que temos, se eles saem de bases tão pouco democráticas e com uma falta de cultura cívica e política deprimentes.

"I wish you were here" foi criada em 1975, pelo magistral Roger Waters e, por isso, só passou a fazer parte das tertúlias depois do 25 de Abril. Atentem bem na letra e gozem aquele som. Sem restrições. E inspirem-se!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Memories- a canção do dia (7)

“ (…)Foi em Novembro que partiste
Levavas nos olhos as chuvas de Março
E nas mãos um mês frio de Janeiro
Lembro-me que me disseste que o meu corpo tremia
E eu que queria ser forte, disse-te que tinha frio
Falei-te do vento norte
Não, não me digas adeus, quem sabe talvez um dia...
Como eu tremia meu Deus, amei como nunca amei
Fui louco? Não sei, talvez! Mas por pouco, muito pouco,
Eu voltaria a ser louco amar-te-ia outra vez !

( Vítor Espadinha)

Não foi por imposição da Si, nem da ERC, que hoje escolhi uma canção portuguesa para canção do dia. Foram as circunstâncias de um fim de semana – que se prolongou até há pouco- que me trouxeram à memória várias canções que estavam arquivadas num qualquer cantinho do cérebro. Canções que me provocaram na altura comentários sarcásticos, mas a que acontecimentos deste fim de semana, por terras do Norte, deram outro significado.
“Recordar é Viver” , de Vítor Espadinha, foi uma dessas canções. Hoje percebo melhor o estrondoso êxito que alcançou na altura, tendo sido traduzida e interpretada em várias línguas. Há coisas que a idade ajuda a perceber e circunstâncias que podem alterar profundamente a nossa relação com uma canção. É esse, aliás, o espírito deste passatempo. Avivar memórias, tentar levar-vos a pensar as razões de terem amado ou odiado determinada canção.
Amanhã, espero voltar às histórias sobre canções que, na altura própria, foram importantes na minha vida. Por hoje, fiquemos com Vítor Espadinha. Num registo péssimo. Como o meu estado de espírito hoje… mas em ambos os casos, não foi possível encontrar melhor.E vocês, já alguma vez mudaram de opinião sobre uma canção, porque algum episódio influenciou a vossa maneira de a ouvir? Vá, pensem bem e sejam sinceros. Ninguém vos vai levar a mal por confessarem que um dia até descobriram que gostavam de uma determinada canção do Marco Paulo… ou da Ágata.

Porto Sentido*


“…E é sempre a primeira vez
em cada regresso a casa
rever-te nessa altivez
de milhafre ferido na asa”
(Carlos Tê/Rui Veloso)
Era suposto ter retomado esta semana a actividade normal, começando ontem a preparar alguns trabalhos que tenho em agenda para entregar em breve. Era suposto… mas como diz o povo, na sua infinita sabedoria, “O Homem põe e Deus dispõe”. E Deus- ou alguém por Ele mandatado- decidiu que assim não havia de ser. Colocou entre mim e o trabalho uma casca de banana de encontro fortuito e obrigou-me a alterar os planos.
Sinto-me bem aqui pelo Porto, sem a mínima vontade de regressar a Lisboa para fazer entrevistas, pesquisas e escrever sobre assuntos sérios. Apetece-me continuar a sonhar que é possível fazer “rewind” nas nossas vidas e voltar a viver momentos que já lá vão há décadas. E, no entanto, foi possível. Pelo menos por umas horas.
Aqui, nesta esplanada, não tenho o mar do Guincho à minha frente, mas tenho um rio a correr para o mar da Foz, espreguiçando-se entre o casario da Ribeira e o Cais de Gaia. ( Obrigado, Luís Filipe Meneses, por ter feito com que Gaia se tivesse tornado o melhor ponto de observação para apreciar a beleza do Porto. Quem ainda não percebeu que esta é a mais bela cidade do País, deve andar muito distraído).
Apetecia-me ficar por aqui até me cansar da paisagem, da cidade, da… mas não vai ser possível. Regresso dentro de minutos a Lisboa, prenhe de sentimentos contraditórios. Entre a vontade de ficar por aqui e a consciência que devo fugir quanto antes, para evitar males maiores, opto pelo dever. Porque, bem feitas as contas, a vida não é um prazer, é um somatório de deveres quotidianos que temos de cumprir, para desfrutar de alguns momentos de prazer. Mas se não fosse assim, a vida não tinha tanta piada…


* Porto Sentido -uma criação de 1986 da dupla Carlos Tê/ Rui Veloso- é talvez a maior homeagem que a música alguma vez prestou à cidade. Não deve haver nenhum português que não a conheça e não tenha entoado alguns dos seus acordes quando se viu perante a deslumbrante paisagem que a fotografia mostra.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Summertime (4)

“Demain je pars
Tout l'été il va falloir
Nous séparer
Pendant les vacances
Essaie de ne pas m'oublier(...)"
(Sheila)
"Pendant les vacances" foi uma canção que fez grande sucesso em França e também em Portugal, no Verão de 1963. Era interpretada por Sheila, mas a versão original era inglesa e teve ainda maior sucesso. Perguntas:
10-Qual o título da canção original (inglesa)
11-Quem a interpretava?
12-Qual foi o primeiro sucesso de Sheila?

Memories- a canção do dia (6)


A canção que escolhi para hoje era interpretada por uma miúda de 14 anos (Giggliola Cinquetti) e fazia muita gente ir às lágrimas. Trauteei-a muitas vezes em miúdo mas, sinceramente, raras vezes me recordo dela. Por razões que “nem às paredes confesso”, esta canção veio-me à memória no sábado e nunca mais me deixou em paz, pelo que a escolhi hoje, como uma espécie de catarse.
Aqui fica então o link de "Non ho l'etá"
Vá, venham daí as vossas histórias musicais de Verão.

Congratulations*

Bancando o Rei Roberto
Lá pelos anos 60 eu era bem pequenina e Roberto Carlos foi fazer um show numa cidade do interior aonde passavamos uns dias. Ele se hospedou no mesmo hotel que estávamos. Porém o seu quarto era de fundos e o nosso de frente.A porta do hotel estava lotada de fãs e era início da noite.Cada vez que uma das minhas irmãs, que tinha os cabelos curtos como o Rei, passava perto da janela, as fãs iam ao delírio lá embaixo. Percebemos então que elas viam a sombra e achavam se tratar do Rei Roberto. Muito brincalhonas, colocamos uma calça de boca larga no braço dela. E ela fazia os gestos como o rei. As fãs, que só viam as sombras, gritavam histéricas a cada gesto.
Eu não fui ao show pois era muito pequena ( tinha cerca de 4 anos).Mas ganhei meu primeiro LP. Jovem Guarda - Roberto Carlos. E minhas irmãs tiveram a oportunidade de estar com o Rei e contar a nossa farra com as fãs.
( Luz- Cantinho de Luzcia)

O maninho impertinente
Os bailes de garagem e as festas de jardim ou ainda as festas de improviso com tudo escuro só umas luzes vermelhas que na altura faziamos com papel, eram perfeitas para criar o clima da música. Lembro-me dum ano em que consegui ficar com a casa para mim e organizei uma festa. Tudo arranjado, as listas feitas,os rapazes mais giros e as raparigas que havia, os pares determinados e as músicas a rigor. Só que me esqueci dum pormenor: o meu irmão pequeno que os pais deixaram para me "guardar". No meio da maior escuridão e dos apertos fogosos da música, ele aparecia e acendia as luzes. Acho que não o matei por um triz. Ainda hoje nos rimos dessa história.
( Grande Jóia)

O maninho impertinente II ( ou Festa Estragada)
Na altura, eu e um grande amigo de infância namorava-mos duas irmãs. Num sábado à tarde e estando os meus pais fora durante todo o fim-de-semana, convidei-as para a minha casa com o pretexto de ouvir umas musicas "e tal". Entre conversas, olhares malandros e brincadeiras inocentes, passamos da sala aos quartos do piso superior num ápice, eu e uma irmã num, o meu amigo e a outra irmã noutro. A certa altura do "e tal" ouve-se o forte ranger da porta da garagem e num impulso de pânico sinto a casa a abater-se sobre mim. O quê, os meus pais já cá estão! Todos já lá para baixo, rápido. Para grande alívio fui cometido de um ataque de raiva quando descubro que afinal tinha sido o espertinho do meu irmão que com o seu característico ar de troça quis que pregar uma grande partida. Então "e que tal"? Escusado será dizer que acabou logo ali.
( Paulofski- No Gabinete)
Agradeço mais uma vez a todos os que participaram e espero que continuem a enviar as vossas histórias durante a semana.
* "Congratulations" é outra canção de Cliff Richard que não gosto ( ainda um dia destes vos vou divulgar as minhas favoritas deste cantautor). Participou num Festival da Eurovisão, mas não me lembro se ganhou... creio que sim. Como poderão ver no video, o Cliff não usava spatos de salto alto, nem meias de vidro.
Escolho-a, em homenagem aos vencedores dos dois passatempos, mas também a todos aqueles que participaram.

domingo, 26 de julho de 2009

Memories - Vencedores

Finalmente, já há fumo branco. O júri decidiu escolher, por ordem de entrada em cena, os seguintes textos:
Luz (Cantinho de Luzcia)- Tous les garçons et les filles
Grande Jóia (Grande Jóia)- A Whiter Shade of Pale
Paulofski ( No gabinete) - Je t'aime, moi non plus
Os três textos serão publicados aqui amanhã .
Mais uma vez, obrigado a todos os que participaram. Parece-me que há por aí muita gente inibida. Desinibam-se, que isto está a ficar giro...

Summertime- Os vencedores

Antes de mais, quero agradecer a todos que decidiram participar nos passatempos, abrilhantando assim este Verão do Rochedo. E os três primeiros classificados foram:
1ºMaria- 7 pontos( não tem blog, mas parece-me que devia começar a pensar nisso.Quando é que anuncia a sua entrada na vida activa da blogosfera ?)
2º Mike ( Desconversa)- 6 pontos
3º Lúcia (Rosmaninho da Serra)- 5 pontos
Parabéns aos vencedores e espero que continuem a participar. No final de Agosto,quando os passatempos chegarem ao fim, ( vai haver outros diferentes a partir do final de Julho) talvez haja uma surpresa, mas por agora não posso prometer nada...
Ainda não vou anunciar hoje os vencedores do passatempo Memories. Estou no Norte e embora já tenha feito as minhas escolhas, a Martinha e a Baixinha ainda não me fizeram chegar as suas opiniões. Espero poder anunciar ainda esta noite ou amanhã de manhã. Continuação de bom domingo.

sábado, 25 de julho de 2009

Summertime ( Soluções da semana)

1- Paola
2- Italo-belga ( nasceu em Itália, é hoje rainha da Bélgica)
3- Italiano
4- Butch Cassidy and Sundance Kid ( Dois homens e um destino)
5- George Roy Hill
6- Paul Newman ou Robert Redford ( Só pretendia saber para que lado pendiam os corações das senhoras…)
7- In other words
8- Wall Street
9- Oliver Stone
Aviso: Os vencedores serão anunciados amanhã

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Memories- a canção do dia (5)


“Are you lonesome tonight?” é a minha escolha para canção do dia. Melhor, para canção de fim de semana, porque até segunda-feira apenas publicarei os resultados dos passatempos. De entre as muitas canções de Elvis Presley que adoro, esta é talvez a minha preferida.
Histórias sobre ela, não tenho. Apenas vos digo que quando fui para Macau, nos anos 80, o karaoke apareceu como novidade absoluta , era esta canção que abria o meu reportório . Para ser sincero, era a única porque ia toda a gente embora antes de eu terminar, completamente siderada com os meus dons canoros. ( Apesar de ter destruído alguns tímpanos, nunca ninguém me pediu uma indemnização).
Deixo-vos aqui o link de um dos últimos espectáculos onde ele a terá interpretado, recomendando no entanto ( se para aí estiverem virados) que ouçam também a interpretação de Norah Jones

Somos Livres*

" Ontem apenas
fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero.
Ontem apenas

fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.
(...)"
( Ermelinda Duarte)

Nunca gostei de fazer turismo. Ir fazer praia à Riviera Maya, ao Brasil, ou à República Dominicana, não faz parte do meu roteiro de férias, porque aqui ou na vizinha Espanha temos praias belíssimas. Apenas quando vivi em Macau procurava a praia como destino de férias, porque lá a praia não prestava. Foi assim que conheci as belíssimas praias da Malásia e da Tailândia.
Mas o que gosto mesmo é de viajar. De andar de olhos bem abertos à descoberta de realidades diferentes das do meu país - sejam elas boas ou más - de contactar com as pessoas, perceber como elas vivem, de trocar opiniões sobre o seu modo de estar, a sua relação com o Estado, os modelos sociais do país, como funciona a justiça, a saúde ou a educação. Numa frase apenas: gosto de sentir o pulsar do país que escolhi como destino de férias.
Sempre fui assim. Desde muito novo que me habituei a viajar com espírito de descoberta. Tinha apenas 12 anos quando fui pela primeira vez à Escandinávia. Fui de carro com a minha irmã mais velha e o meu cunhado, numa viagem que durou um mês. Era a primeira vez que saía da Península Ibérica por via terrestre e colhi dessa viagem um precioso ensinamento.
Estava habituado a ir frequentes vezes com os meus pais à Galiza, em gozo de fim de semana, ou para Benidorm, durante o Verão e, uma das coisas que me martirizava era o tempo que se perdia na fronteira. Chagava-se a perder três ou quatro horas para atravessar a fronteira de Valença - principalmente quando regressávamos a Portugal - o que para um miúdo , ainda por cima com “bichos carpinteiros”, era um sofrimento inaudito. Nesta viagem, depois de atravessarmos a fronteira de Vilar Formoso, apercebi-me que os procedimentos alfandegários eram muito mais facilitados. Foi no entanto, ao atravessar a fronteira entre a Suécia e a Noruega que a minha boca se abriu de espanto. O único aviso de que mudávamos de país, estava naquele sinal que podem ver na imagem. (Na altura circulava-se pela esquerda na Suécia, portanto era necessário mudar de faixa de rodagem). Não nos pediram passaportes, a polícia apenas nos acenou alertando para a necessidade de mudar de faixa e lá continuámos como se nada fosse.
Quando voltámos a entrar na Suécia, a situação repetiu-se ( apenas a seta estava em sentido contrário).
Talvez achem esta história um bocado ridícula, mas acreditem que para um miúdo de 12 anos teve um enorme significado. Foi a primeira vez que percebi, de forma bem explícita, o significado da palavra LIBERDADE!

*“Somos livres” foi uma canção que marcou as minhas férias de uma forma diferente. Não me recorda uma paixoneta de Verão, que se esvai como folhas desprendendo-se dos ramos, impelidas pelos ventos outonais. Esta lembra-me mesmo uma história de amor por uma donzela que sempre persegui: A LIBERDADE!Eu admito que quem nunca viveu no Estado Novo, nunca esteve preso, nem foi sujeito a interrogatórios da PIDE, nunca sentiu a casa vigiada, sempre pôde falar à vontade dos temas que lhe apeteceu, não compreenda que uma pessoa se possa apaixonar pela LIBERDADE, da forma como eu me apaixonei. Mas alguns dos meus leitores conhecem, tão bem ou melhor do que eu, o valor dessa palavra. Por isso escolhi esta canção para ilustrar este post. Ninguém é obrigado a ouvir, mas o link lá está como habitualmente. Em homenagem àqueles que ainda amam a LIBERDADE. Como o Manuel Alegre, por exemplo…

Summertime (3)

"Fly me to the moon" foi escrita e composta em 1954, mas com um título diferente.
7-Qual era o título original desta canção?
8- Qual era o título do filme em que a canção aparecia na abertura?
9- E quem era o realizador desse filme?
Nota: As soluções das perguntas da semana serão publicadas amanhã ( sábado)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Return to Sender*

Agora que já tenho as fotografias que fiz durante as férias, vou postando algumas de vez em quando, mas o postal de hoje foi parar aqui. Vão lá ver...

* "Return to Sender" é uma cançao de Elvis Presley. Agora não tenho tempo para fazer o link

Memories- a canção do dia (4)

Quem nunca dançou ao som de “Je t‘aime moi non plus”?
Este sucesso estratosférico que tinha por condão aumentar rapidamente a temperatura dos recintos, logo que soavam os primeiros acordes, chegou a ser proibido em algumas festas públicas.
No Ateneu do Porto, por exemplo, alguns conjuntos que “abrilhantavam” os bailes receberam “orientações” para não tocar “a música do pecado”.
Nos convívios das tardes de quarta-feira e sábado, nas Faculdades de Direito e Medicina, era presença obrigatória. E agora pasmem… nas festas do Colégio Pio XII, nunca os suspiros de Serge Gainsbourg e Jane Birkin deixaram de ser ouvidos. Pelo menos, enquanto lá estive a viver…
Esta música aviva-me muitas memórias, mas história que tenho para vos contar, foi a que comecei a contar ontem na resposta ao comentário da Si.
Em minha casa, organizava várias festas na cave. Sempre respeitando os parâmetros dos meus pais, que exigiam bastante luz e muita decência. Para comprovar que as regras eram respeitadas, revezavam-se, periodicamente, numa visita de “cortesia”, que mais não era do que um controlo para verificar se a decência era mantida. Sempre aceitamos bem isso, porque acima de tudo queríamos divertir-nos, ouvir música e conviver.
Certo dia, estava eu de férias no Porto ( como não era Verão, só podia ser Natal ou Páscoa) os meus pais anunciaram que iam passar o sábado a Vigo, mas regressariam por volta da meia noite.
Caí na asneira de dar a notícia aos meus amigos, que nunca mais me largaram exigindo que organizasse uma “surprise -party”. Ofereci alguma resistência, mas lá acabei por ceder, desde que todos assumissem o compromisso de saírem antes das 8 da noite.
Na tarde de sábado, por volta das 4 da tarde, uma das salas da cave, profusamente decorada com luzes psicadélicas de cores quentes, estava a abarrotar de “teenagers”. Tínhamos comprado umas bebidas (nada de álcool) e “subornado” algumas empregadas para preparar umas sandochas que entretessem o estômago.
A determinada altura, alguém colocou no gira-discos o “Je t’aime, moi non plus”. Estava a música a meio quando ouço um pigarrear familiar, anunciando tempestade. Levanto a cabeça do ombro onde estava apoiada, e vejo à porta o meu bondoso, mas também implacável, pai!
Não precisou de me dizer uma palavra. “Despeguei-me” de imediato e fui ter com ele. Subimos ao primeiro andar, onde ouvi uma fortíssima reprimenda. Talvez a mais dura e mais justa que alguma vez ouvi do meu saudoso pai. O meu pai não aceitara a ideia de ter sido enganado e tinha toda a razão. Se lhe tivesse dito que pretendia organizar uma festa ele não teria dito que não e era isso que mais o magoava. No final, disse-me em tom firme:
“Agora podes continuar a festa, mas com luz e sem a música aos berros”.
Quando voltei a descer, sentindo-me um traidor, os meus amigos ( e principalmente as amigas) preparavam a debandada encabulados. Disse-lhes que podíamos continuar a festa, desde que baixássemos o volume do som e puséssemos mais luz. Alguns foram mesmo embora., mas a maioria ficou, de forma solidária, talvez temendo que se me deixassem sozinho a ira dos meus pais se abatesse sobre mim. Por outro lado, como todos eles eram frequentadores habituais de minha casa, conheciam bem os meus pais e sabiam que, saindo, estavam a ser desleais com quem sempre os acolhia com grande amizade.
Como forma de mostrar o nosso “arrependimento”, pusemos a tocar meia dúzia de músicas mexidas, mas era bem visível, no rosto de cada um de nós, o incómodo provocado pela situação.
Passada uma boa meia hora, a minha mãe, acompanhada de duas empregadas, entrou na sala. Traziam tabuleiros com sandes, salgados, bebidas e bolos. A minha mãe, sempre mais dura do que o meu pai, nem me dirigiu a palavra. Sorridente, dirigiu-se a alguns daqueles amigos mais próximos e disse:
- Desculpem lá, mas como não estava prevenida é só isto que se pode arranjar.
Depois começou a falar com cada um, perguntando pela família, fazendo conversa, como se nada se tivesse passado. (A minha mãe sempre teve aquele condão especial de saber desanuviar os momentos de tensão, embora por dentro esteja a “ferver”). Minutos depois saiu, dizendo:
- Estejam à vontade, continuem a divertir-se. Até à meia noite, já sabem que não há problema. Desde que não falte a luz… ( Também sabe usar o sarcasmo como ninguém).
O ambiente desanuviou um pouco e lá ficámos a divertir-nos até por volta da meia-noite.
Quando toda a gente se foi embora, a minha mãe explodiu. Valeu a calma do meu pai, que reagira no momento próprio, para serenar a situação.
Este episódio serviu-me de lição. Nunca mais voltei a desrespeitar os meus pais. O remorso de ter traído a sua confiança, acompanhou-me durante anos.
Há dias, conversava com um amigo de infância e recordámos este episódio. Quase 40 anos depois, disse-me uma coisa que me impressionou:
- Aquele dia marcou-me de tal forma, que procurei sempre ter com os meus filhos e os amigos deles, a relação que os teus pais tinham connosco. Em tua casa, todos nos sentíamos como filhos deles e isso foi uma lição para a minha vida.
A ideia foi corroborada pela mulher, também amiga de infância, mas que naquele dia não estivera na “suprise –party”.

Pronto, se tiveram paciência de ler este post até ao fim, chegou o momento de contarem as vossas histórias. Afinal quem não tem uma recordação de “Je t’aime, moi non plus”?
Para vos encorajar e avivar a memória, tentei fazer o link, mas deparei-me com esta surpresa!

Something stupid *

"...The time is right
Your perfume fills my head
The stars get red
And oh the night's so blue
And then I go and spoil it all
By saying something stupid
Like I love you
I love you..."
( Frank e Nancy Sinatra)

Um dia destes liguei a televisão antes de começarem os noticiários das 20 horas. A RTP passava o estafado “Preço Certo”, a TVI exibia a inevitável telenovela ( eles terão outros programas?) e a SIC um programa que desconhecia, chamado “’Tá a gravar”. O programa, como muitos saberão, consiste na exibição de vídeos enviados pelos telespectadores.
Fiquei a ver durante uns minutos. Fiquei elucidado. São o retrato do país. Como é possível que haja gente que não tenha vergonha em montar, propositadamente, cenas tão estúpidas, ( fingindo que são espontâneas) gravá-las e, ainda por cima, enviá-las para um canal de televisão?
Não sei se quem envia os vídeos recebe alguma coisa, mas deu para perceber que as pessoas fazem qualquer coisa, por mais ridículo e estúpido que seja, para se exibirem na televisão.
Quem não é nada estúpida é a SIC. Mesmo pagando qualquer ninharia pelos vídeos o preenchimento daquele horário fica-lhe ao peço da uva mijona…
Ao que me afiançaram, o programa é exibido várias vezes durante a semana e já dura há uns meses. Assim sendo, percebe-se melhor o estado do país.
* "Something stupid" , na sua versão original, foi cantada nos anos 60, por Frank Sinatra e pela filha Nancy. Dizem as más línguas que se tratou de uma forma de lançar a carreira da filha. como não consegui encontrar a versão familiar, deixo-vos uma versão mais foleirota e mais recente, interpretada por Robbie Williams e Nicole Kidman

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Obladi, oblada

"Dizer gugu dadá aos bebés não é, afinal, disparate nenhum, ensina uma acção financiada pelo Alto- Comissário da Saúde"
( Público)
Olha a grande novidade! Os Beatles já sabiam muito bem disso quando criaram esta canção:
"...Obladi oblada life goes on bra
Lala how the life goes on
Obladi Oblada life goes on bra
Lala how the life goes on.(...)"

Memories- a canção do dia (3)

"The House of the Rising Sun" foi o grande sucesso musical dos "The Animals". Era presença obrigatória em qualquer festa, mas não tenho- não recordo- nenhum episódio especial relacionado com ela.
Fica aqui o link, para quem não se lembra ou não conhece, dar a sua opinião.
Agora fico à espera das vossas histórias...

Summertime (2)

As perguntas de hoje são muito fáceis. Espero, por isso, que haja ainda mais gente a participar...
"Raindrops keep fallin 'on my head" foi escrita propositadamente para a banda sonora de um filme.
4-Qual o título do filme?
5-Quem era o realizador?
6-E o actor principal?

Amanhã publicarei as respostas enviadas

terça-feira, 21 de julho de 2009

Try to remeber

"Try to remember the kind of September
when life was slow and oh, so mellow.
Try to remember the kind of September
when grass was green and grain was yellow.
Try to remember the kind of September
when you were a tender and callow fellow,
Try to remember and if you remember the follow (...)"
( Tom Jones)
O comentário da Maria do Sol, no post abaixo, remeteu-me para esta canção- com que sempre embirrei um bocado- e para um dos primeiros posts que escrevi no Rochedo. Foi em Setembro de 2007 e podem lê-lo aqui.
O título diz tudo, não é? Mas a verdade é que a jovem em causa ainda hoje é minha amiga!

*“Try to remember” teve inúmeras versões, todas muito xaroposas para o meu gosto. Escolhi a de Roy Orbison, porque pareceu-me sempre a menos insuportável

Memories- a canção do dia (2)

"A Whiter Shade of Pale", dos Procol Harum, é um daqueles clássicos que, independentemente da idade, toda a gente já ouviu. Animou o meu Verão de 1967 e provavelmente nos anos seguintes, porque naquela época os sucessos não eram para usar e deitar fora uma semana depois. Ficavam meses, ou mesmo anos, nos tops europeus.
Esta canção tem uma particularidade: foi a música mais tocada em lugares públicos, em Inglaterra, nos últimos 75 anos, ultrapassando por larga margem qualquer música dos Beatles. (Apenas por curiosidade: nenhuma canção dos Beatles aparece nas 10 mais tocadas).
Naquele tempo, em qualquer baile, assim que soavam os primeiros acórdãos de "A Whiter Shade of Pale", os meninos ( e algumas meninas) agitavam-se em busca do par ideal. Um dia, numa festa em casa de um amigo, em Vila Nova de Gaia, embeicei-me por uma jovem que era muito requisitada. Como era tímido, chegava sempre em último lugar, na hora de pegar a menina para a dança. Esse meu amigo- que também punha a música -( naquela altura o "dono" da festa tinha o privilégio de ser o disc-jockey, ou nomear alguém para o fazer) condoído da minha má sorte combinou então comigo o seguinte:
-" Quando eu puser a tocar uma música dos Beatles vais buscá-la para dançar. Na música seguinte eu ponho os Procol Harum, sem dar tempo a que os pares se separem".
E assim começou um namorico de Verão, que parecia promissor, mas acabou no Natal, porque em Outubro vim estudar para Lisboa, onde também havia festas e se ouvia "A Whiter Shade of Pale". Foi ao som desta canção, durante uma tarde de sábado, numa festa do Colégio Pio XII, para onde vim viver, que as palpitações do meu coração se dirigiram para uma "moura encantada" vinda das profundezas alentejanas.
Vá lá, não se inibam, contem as vossas histórias! Verão é como Carnaval, ninguém leva a mal...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

If you were a sailboat*

“(...)Sometimes I believe in fate,
But the chances we create,
Always seem to ring more true(…)”
(Katie Melua)


Mesmo não tendo de pagar a viagem- graças às milhas acumuladas na TAP – e ficando a dormir num barco em Riddar Holmen, perto do palácio real- uma ida à Suécia nunca é barata, porque tudo, a começar pelo preço das refeições, é muito elevado (já não estou naquela idade de andar pelos Mc Donalds) e é preciso pensar duas vezes antes de nos sentarmos numa esplanada para tomar qualquer coisa e desfrutar da paisagem.
No primeiro dia, quando se aproximava a hora do jantar, decidi esquadrinhar as ruas, praças e vielas de Gamla Stan- a cidade velha- em busca de um restaurante barato. Quando lá estive, era a zona mais barata da cidade, mas o turismo fez disparar os preços e hoje, os preços aí praticados são tão caros como os da maioria dos restantes locais da cidade. Verifiquei listas- iniciando a leitura sempre pela coluna da direita- e comecei a deitar contas à vida.
Percorria a Västerlangattan- rua principal da cidade velha- quando,junto a um pub irlandês, o meu olhar encontrou um pequeno restaurante, com uma esplanada de apenas três ou quatro mesas. Fui ver a lista e a coluna da direita agradou-me. Passei à coluna da esquerda e as minhas papilas salivares rebentaram em estrépito clamando, libidinosas, pela oferta daquela iguaria: um bife de chorizo ( de carne genuinamente argentina) por 140 coroas ( cerca de 14 €) pareceu-me dádiva irrecusável. Claro que imediatamente me imaginei, desiludido, a olhar para um prato enorme, onde repousaria um bife de 50 gramas emoldurado em duas rodelas de tomate mas, resoluto, decidi entrar. A partir daí, foi um acumular de surpresas.
O restaurante estava cheio, havia apenas uma mesa junto à janela para duas pessoas. A um metro de distância, um velhote tocava tangos no seu bandoléon. O meu olhar deve ter denunciado a minha surpresa e alegria, porque o homem começou a tocar com mais entusiasmo.
O homem que me levara à mesa perguntou- me se queria a lista em inglês, sueco ou espanhol. Resoluto respondi: espanhol.
Foi então que me começou a falar num castelhano com iniludível sotaque argentino. Arrebitei a orelha e perguntei-lhe se era argentino. Confirmou e perguntou-me a minha nacionalidade. Quando lhe disse que era português, mas tinha vivido na Argentina e pensava para lá voltar, percebi os seus olhos humedecerem-se. Engoliu em seco e perguntou-me se estava com pressa. Disse-lhe que não e então propôs-me continuar a conversa depois do jantar, ao que acedi de imediato.
Olhou-me de soslaio quando optei pelo acompanhamento de vegetais grelhados (coisa que um porteño nunca faria) e optei por vinho chileno.
O bife de dimensão avultada , acompanhado de uma generosa variedade de legumes grelhados, chegou perante o aplauso frenético das minhas papilas que, no entanto, torceram o nariz quando degustaram o vinho. Ingratas! De sobremesa um “dulce de leche” ( oferta da casa) e a rematar um “expresso” de boa qualidade. Enquanto comia, confirmei que os restantes comensais que haviam optado pelo bife de chorizo eram servidos de forma igualmente substancial, pelo que foi com alívio que percebi não estar a ser alvo de nenhum tratamento especial.

Foi já ao balcão, tendo como testemunha um “Bushmills” que fiquei a saber a razão de um argentino se instalar em Estocolmo: 1,80m de beleza pura! Mas caramba, com tanta beleza espalhada pelas ruas de Buenos Aires, como é que este homem “licenciado” em tardes “tangueras” da “Confiteria Ideal”, com casa na Av. Santa Fé, a escassos 10 minutos do emblemático Café Tortoni, “bon vivant” e boémio, se deixa embeiçar por uma sueca, ao ponto de trocar as cálidas noites “porteñas” pelo frio glaciar de Estocolmo?
A história, narrada pelo próprio, conta que deixou a Argentina para viajar pelo mundo. Percorreu os Estados Unidos de lés –a lés- durante dois anos, passou pelo Japão, Tailândia, Índia,Singapura e arribou à Europa. Pela Europa vagueou durante oito anos, até que um dia chegou a Estocolmo e se deixou perder de amores por Selma, trinta anos mais nova do que ele. Pensou ficar apenas um ou dois anos, mas foi-se acostumando e já está na Suécia há 15. Ou seja, ancorou aos 50, uma boa idade para ganhar juízo. Ou talvez não, quando nessa idade juntamos a nossa vida a uma mulher de 20…
Conheces Espanha? Não. Talvez um dia…
Quando saíste da Argentina? Em 1980, ou81 já nem lembro bem
Faço contas. Não quero fazer perguntas incómodas. Se calhar prefiro não saber de que lado estava este homem que tão bem me acolheu no seu restaurante, durante a ditadura. Fico suspenso da resposta. Olho para o restaurante. Já só há uma mesa ocupada. O relógio marca as 11. Despeço-me, com a promessa de voltar.
“Amanhã estamos fechados”- diz Selma com um sorriso.
Saio para a rua. Ainda está dia claro. Caminho em direcção ao barco. Volto a fazer contas. Saiu da Argentina com 37 anos, quando a ditadura estava próxima do extertor. Pode ser um escroque, mas também pode ser uma vítima. Será que vou voltar lá para tentar saber? Dois dias depois, decidi que não voltaria. Prefiro ficar na dúvida. Na terrível e eterna dúvida. Parece-me ter percebido que ele preferia assim.
* If you were a sailboat" é uma das muitas canções de Katie Melua que me põe os pêlos todos em pé. Escolhi uma canção dela, porque durante esta semana vai estar em Portugal, para actuar no Cool Jazz Festival. Não vou perder. Escolhi esta, porque vai bem com o tema do post.



Memories- a canção do dia (1)



"Tous les garçons et les filles" foi a primeira canção a dar-me a volta à cabeça. Ouvia este disco até à exaustão, num roufenho gira-discos que uns tios me tinham oferecido no Natal anterior. Enquanto a minha mãe exasperava, eu procurava mostrar-lhe a beleza da canção e da letra.

Não explico a minha paixão por esta canção, mas já depois de me ter apaixonado por ela, ficou ligada a um episódio da minha vida. Lembro bem a surpresa de Françoise Hardy quando, em 1962, ouviu um miúdo português a cantar-lha, embevecido, na sala de jantar de um hotel em Benidorm. Era eu!

Era muito miúdo, mas os meus irmãos tinham idades próximas da dela e foram eles que me incentivaram a ir cantar ( espertalhões, estão a ver...). Envergonhado, aproximei-me da mesa onde ela estava a jantar com Sylvie Vartan e Johny Haliday, - que nessa noite actuavam em Benidorm. Ela fez-me uma festinha e perguntou-me em francês a nacionalidade. Felizmente aprendi a falar francês aos 8 anos e respondi-lhe:


" Je suis portugais e j'ai une chose pour te montrer". E, para gáudio dos meus irmãos, comecei a cantar. Estão a imaginar a cena, não é?
Não posso dizer que me tenha tornado amigo dela, pois era muito miúdo. Os meus irmãos é que a conheceram melhor e com ela partilharam , durante alguns anos, algumas aventuras de férias.
Tenho todos os discos de Françoise Hardy, desde este até ao último, lançado em 2006 ( Parenthèses). Nunca tive ídolos, mas assim que saía um disco de Françoise Hardy, eu rebentava com as minhas economias e corria a comprá-lo.
Quem duvide da sua beleza, veja aqui....
Pronto, está aberto o segundo passatempo. Espero pelas vossas histórias.

Summertime (1)

Salvatore Adamo foi um dos cantores mais populares da música francesa durante a primeira metade da década de 1960. Os seus maiores sucessos foram “ La Nuit” e “Tombe la neige”, mas "Inch'Allah",“ Mes main sur tes anches”, “Vous permettez monsieur” ou “Une mêche de cheveux” foram igualmente êxitos que marcaram os verões dessa década. Já na sua fase descendente- quando a música anglo-saxónica se impunha em todo o mundo- gravou uma canção que teve algum êxito e era dedicada a uma princesa de um país europeu.
1- Qual o título da canção?
2- Qual a nacionalidade da princesa a que me refiro?
3- Qual a nacionalidade de Salvatore Adamo?

Nota: Vá lá participem, mas não façam batota indo ver ao Googgle, está bem?

domingo, 19 de julho de 2009

Fly me to the moon *

“Fly me to the moon
Let me play among the stars
Let me see what spring is like
On a-Jupiter and Mars
(………………………………..)”
( Bart Howard)

Faz esta madrugada 40 anos que os americanos chegaram à Lua mas, curiosamente, são hoje em maior número os americanos que duvidam da façanha. Vá lá saber-se porquê…Lembro-me perfeitamente como passei as horas que antecederam a alunagem ( mas não peçam para eu contar…) e recordo-me de uma empregada dos meus pais que não compreendia as razões de estarmos colados à televisão. Foi para o jardim de lá de casa de nariz no ar e voltou desiludida porque não viu nada. No dia seguinte foi dizer ao padre que era tudo mentira e não compreendia como é que ele não tinha avisado na homilia que as pessoas estavam a ser enganadas. Levou uma penitência pesada – de que ainda hoje fala- mas continua descrente. Para ela foi um filme da televisão e ninguém a convence do contrário. A prova irrefutável que apresenta, para além de não ter visto: o padre era um mentiroso, porque era comunista e até foi preso algum tempo depois. Ora toma!

* Fly me to the Moon foi escrita em 1954 por Bart Howard, mas só se tornaria popular em 1961, pela voz de Nat King Cole. Em 1964 foi a vez de Frank Sinatra gravar um disco com Count Basie, onde incluiu este tema.

sábado, 18 de julho de 2009

Mais um prémio!


A Grande Jóia -uma das minhas Descobertas do Ano- contemplou-me, durante as férias ,com este prémio que muito me sensibilizou.
Transcrevo o texto que define o teor do prémio:
“O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores."
Sobre o significado de LEMNISCATA:LEMNISCATA: “curva geométrica com a forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante.”
Lemniscato: ornado de fitas Do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores (In Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora)Acrescento que o símbolo do infinito é um 8 deitado, em tudo semelhante a esta fita, que não tem interior nem exterior, tal como no anel de Möbius, que se percorre infinitamente. (Texto da editora de “Pérola da cultura)”.
Cabe-me a difícil tarefa de nomear sete blogs. Eu gosto de todos os que estão na encosta direita do Rochedo, mas vou destacar 7 que descobri este ano e neste momento estão em actividade, porque ainda não gozaram as suas merecidas férias :
Abluente ( pensava que só nasceria em Setembro, mas descobri-o hoje. Nasceu durante as minhas férias e promete!)
A todos os (as) amigos(as) que, durante as minhas férias continuaram a visitar-me e a deixar comentários, bem como àqueles que regressaram o convívio do Rochedo logo após a minha chegada, o meu MUITO OBRIGADO! São vocês que me dão ânimo para prosseguir.
Fico a aguardar a vossa participação nos passatempos que se iniciam na segunda-feira. Mas, amanhã, ainda vamos todos à Lua aqui no Rochedo, valeu?
Em tempo: O António Manuel Venda, do Floresta do Sul, a quem atribuí este prémio, enviou-me um amável e-mail, informando-me que também me tinha atribuído o prémio. Como estava de férias e ainda ando com a leitura dos blogs atrasada, não me tinha apercebido da amabilidade do António, um escritor que conheci recentemente e passei a admirar, depois de ter lido o seu último livro: "Uma noite com o fogo" é um relato impressionante, na primeira pessoa, sobre um incêndio. Muito actual para este perído de Verão.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Summer Holidays

“…Everybody has a summer holiday
Doing things they always wanted to.
So were going on a summer holiday
To make our dreams come true
For me and you.”
( Cliff Richard)
Escolhi esta canção para vos anunciar os dois primeiros passatempos de Verão que se iniciam na segunda-feira aqui no Rochedo. É um hábito da “silly season” a que ninguém escapa e, embora este ano tenha sido um “silly year”- que se prolongará pelo menos até Outubro, mês em que prevejo vamos entrar no “anno horribilis”- Verão é Verão e é preciso descontrair. A canção é horrível, mas casa bem com as ideias que tive para os passatempos de Verão que também não são lá grande coisa. Foi o que se pôde arranjar…
O primeiro passatempo irá chamar-se “ Summertime” - essa sim uma bela canção interpretada por Ella Fitzgerald ( gosto mais do que a versão de Louis Amstrong)- durará até final do mês, altura em que será substituído por outro.
Diariamente publicarei o título de uma canção, ou o nome de um(a) intérprete, acompanhado de uma, duas, ou mesmo três perguntas, que vos convido a responder ( Não vale ir ver a resposta ao Google, está bem?).
No final da semana publicarei as respostas e os nomes dos vizinhos ( incluindo os blogs)que acertaram em mais respostas.
Um pormenor: só divulgarei as vossas respostas na caixa de comentários, 24 horas depois de ter colocado as questões. As respostas que chegarem depois de eu publicar as respostas enviadas, não será válidas para efeito do passatempo.
O segundo passatempo,chamar-se-á “Memories”.( Quem não se lembra de “Cats” e/ou de Barbara Streisand?)
Diariamente- até final de Agosto- publicarei o título de uma canção que marcou um Verão da minha vida. O que vos proponho é o seguinte: que me contem uma história das vossas férias ligada a uma canção que, por qualquer razão, tenha sido importante nas vossas vidas. Durante o fim de semana um júri composto pela Martinha, a Baixinha, o Carlos, o Barbosa e o Oliveira escolherá as melhores histórias, que serão aqui publicadas.
Espero que participem em ambos os passatempos e, se possível, se divirtam um bocadinho...

* "Summer Holidays "é, provavelmente, a pior canção de Cliff Richard. Isso não impediu que fosse um grande sucesso de Verão e desse mesmo origem a um filme de indescritível mau gosto ( podem confirmar vendo o vídeo…). Na época também se faziam grande porcarias e execráveis piroseiras, tendo apenas como fito fins comerciais…

Raindrops keep fallin' on my head * ( in Stockholm)


“…Raindrops keep fallin' on my head
But that doesn't mean my eyes will soon be turnin' red
Cryin's not for me
'Cause I'm never gonna stop the rain by complainin'
Because I'm free
Nothin's worryin' me”
( Hal David and Burt Bacharach, 1969)


Deixei Lisboa com 34 graus e um dia esplendoroso de sol mas, quando aterrei em Estocolmo, o céu estava cor de chumbo e, no caminho entre o aeroporto e a cidade, caíram algumas gotas de chuva. No entanto, quando cheguei ao hotel já o sol brilhava e assim haveria de continuar durante toda a minha estadia na Suécia. Hoje, acredito que as gotas de chuva foram apenas um sinal de boas vindas…
Talvez não merecesse tanta simpatia porque, quando em 1980 recusei continuar a viver na Suécia, foi por não suportar o clima e as longas noites de Inverno. Desta vez tive a sorte de apanhar a semana de Verão com que os deuses anualmente contemplam Estocolmo. Sol acolhedor, temperaturas a rondar os 26º (máxima) e os 11º de mínima, dias generosamente longos, noites curtas- apenas 3 horas.
Com a excepção de uma fugaz passagem em 1994, não ia a Estocolmo desde Outubro de 1980. Não tive, porém, grande dificuldade em orientar-me, tendo mesmo a sensação de que apenas estivera ausente durante uns meses. A grande diferença de Estocolmo não reside propriamente na cidade, mas sim nas pessoas. Os suecos já não são aqueles tipos carrancudos, ensimesmados e de poucas palavras. Parece que lhes fizeram uma lavagem ao cérebro… estão mais “open minded” e aprenderam a gozar os favores do sol. Há esplanadas por toda a parte e as pessoas usufruem delas com alegria. Já não existem apenas as esplanadas de Gamla Stan, - a cidade histórica e original- maioritariamente frequentadas por estrangeiros. Os suecos aprenderam a desfrutar a água que os rodeia e diariamente, a partir das 5 da tarde e até altas horas da noite, enchem as esplanadas montadas no meio da água para beber um copo e conviver, enquanto petiscam.
Excluindo o “arquipélago”, constituído por mais de uma centena de ilhas onde se chega facilmente de ferry, a cidade de Estocolmo espraia-se por 14 ilhas todas ligadas por pontes, o que pode dar uma ideia da forma de vida na cidade.
Logo no primeiro dia, tive uma agradável surpresa… que contarei no próximo bilhete- postal.

* "Raindrops keep fallin' on my head" foi escrita em 1969 e atingiu os principais tops europeus em 1970 e o primeiro lugar do Billboard 100 ainda em 1969. Teve várias versões, sendo a mais conhecida interpretada por BJ Thomas, o que lhe valeu um Academy Award. E mais não digo, porque o resto fica para o passatempo de Verão que se inicia na segunda –feira.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

(Sittin' on) The Dock of the Bay


“Sittin' in the mornin' sun
I'll be sittin' when the evenin' come
Watching the ships roll in
And then I watch 'em roll away again…”
(Otis Redding, 1968)


Estou sentado no meu Rochedo, desfrutando desta magnífica paisagem de mar imenso que o Guincho oferece. Já peguei em vários jornais e revistas de leituras atrasadas. As notícias provocam-me um ligeiro frémito. Rejeito –as com um esgar de enfado. Sinto algum desconforto. Olho outra vez o mar à minha frente. Penso no país de maravilhosas paisagens que está nas minhas costas. O sempiterno Gerês. O Douro beijando as margens do meu amado Porto onde nasci , espreguiçando-se em direcção à Foz, depois de um percurso que o trouxe das profundezas de Sória, atravessando a agreste paisagem transmontana. Recordo as paisagens suaves da planície alentejana. Dou um mergulho no Vale do Tejo. Imagino a costa oeste, nublada e ventosa oferecendo-se, luminosa, à câmara de Nick Knight. Hesito entre desfrutar o momento presente e o regresso a dias atrás.
Um chiar de travões desperta a minha atenção. Um táxi acaba de evitar, “in extremis”, um atropelamento em cima de uma passadeira. Esta manhã, quando saí de casa para gastar quase 50 euros em notícias que só me trazem desânimo, desgosto, revolta, quase fui atropelado. Atravessei a passadeira com o sinal verde, depois de dois carros terem desrespeitado o sinal encarnado que os mandava parar. Não sabia, mas ainda havia um terceiro transgressor. Um taxista. Provavelmente daqueles que exibem no vidro traseiro auto-colantes do Correio da Manhã e se alinham em manifestações contra o governo gritando “slogans” de estiva.
Mas neste país não vivem apenas taxistas trogloditas e transgressores. Há também camionistas. E empresários gananciosos, trabalhadores desmotivados, classes sócio - profissionais eivadas de corporativismo, olhando apenas para o seu umbigo, juízes que trocam a sua função pelo calor dos holofotes, políticos que se julgam deuses infalíveis e outros que se apresentam como salvadores, brigadas anti-aborto, gente indignada com as coligações à esquerda e vice-versa, e uma comunicação social que se demitiu do seu papel.
Portugal é um país maravilhoso mas, por algum desígnio sobrenatural, foi escolhido para residência da Besta. É a Besta que nos governa (pelo menos desde o tempo do Estado Novo), que põe e dispõe, adormecendo-nos com uma parafernália de bens de consumo com que nos entretemos, na ilusão de que decidimos os nossos destinos. No fundo, os portugueses gostam da Besta e vivem com ela no coração. Por isso olham com nostalgia para o Estado Novo e lamentam o que perderam com a democracia. Os portugueses gostam de “sol na eira e chuva no nabal”, mas isso não é possível, porque a Besta não faz milagres….
Volto a pegar nos jornais. Leio agora que um jardim qualquer quer a Constituição a proibir o comunismo. Desde quando é que os jardins falam? São certamente jardins de papoilas,mas é preciso ter cuidado com os alucinogéneos...
Rejeito mais uma vez os jornais e pego num livro de Chatwin. Tal como ele, pergunto-me “O que faço aqui”?
A brisa serena leva-me até paragens distantes, no hemisfério sul, onde me aguarda o descanso final, junto ao Parque Nacional de Los Alerces, em convívio com as lendas de Butch Cassidy. Encarno a personagem de José Mauro de Vasconcellos em “Meu Pé de Laranja Lima”. Aí reside a minha esperança . Um dia destes, recebem um post meu a dizer: “Adeus, vou para a Patagónia”. Chatwin fez isso e não se deu mal…
Para já, vou continuar as minhas visitas pelo blogobairro, o melhor bairro do mundo!

* (Sittin’ on) The dock of the bay é uma magistral canção de Otis Redding de 1967 que vale a pena ouvir vezes sem fim e marcou um Verão da minha adolescência.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Le Méthèque*


“Avec ma gueule de métèque,
de juif errant, de pâtre grec
Et mes cheveux aux quatre vents.
Avec mes yeux tout délavés,
qui me donnent l'air de rêver
Moi qui ne rêve plus souvent.

Avec mes mains de maraudeur,
de musicien et de rôdeur
Qui ont pillé tant de jardins
Avec ma bouche qui a bu,
qui a embrassé et mordu
Sans jamais assouvir sa faim

Avec ma gueule de métèque,
de juif errant, de pâtre grec
De voleur et de vagabond
Avec ma peau qui s'est frottée
au soleil de tous les étés
Et tout ce qui portait jupon
(…)
Avec mon coeur qui a su faire
souffrir autant qu'il a souffert
Sans pour cela faire d'histoire
Avec mon âme qui n'a plus
la moindre chance de salut
Pour éviter le purgatoire
(…)”
(Georges Moustaki. 1968)


Se quiserem, depois de lerem este post denunciem-me às autoridades de saúde e peçam para me internarem, mas primeiro leiam tudo até ao fim, se faz favor, tá?
Eu sei que a maioria dos amigos e amigas que visitam o Rochedo são de outra geração, mas a minha é a geração de 60 e continuo a vibrar ( sem nostalgia, mas com muita paixão) com as recordações daquela década que parecia ir transformar o mundo. É verdade que transformou mas, infelizmente, fê-lo seguindo o caminho inverso daquele que prometera.
Ontem, a despedida foi cheia de música dos anos 60, como aliás é hábito no Buddys. Dos presentes, só a Sara, o Pablo e a Yuk ( a chinesa cintilante de que falei aqui e cujo nome significa Lua) estão na casa dos 30- uma geração abaixo da minha .
Surpreendi toda a gente porque, cada vez que a Giselle ensaiava os acordes de uma música francesa, eu sabia grande parte da letra. Hoje, ao levantar-me, estava de ressaca ( apenas musical…) e vai daí, meti-me ao caminho com um disco de Françoise Hardy.
A música francesa dos anos 60 é como as cerejas. Atrás de uma vem outra e por isso fiz toda a viagem ( quase 700 quilómetros) de cabelo ao vento, ouvindo música francesa dos anos 60. No leitor de CD passaram Sylvie Vartan, Adamo, Johnny Hallyday, Richard Anthony, Les Chats Sauvages, Jacques Brel, Charles Aznavour, Sheila, Claude François, Michel Polnareff, Christophe,Mireille Mathieu, Joe Dassin, Alain Barrière, Hervé Villard, Gilbert Bécaud e … George Moustaki.
Vim tão entretido durante a viagem, que nem me custou nada entrar em Portugal, porque continuei a fazer “rewind” e a recordar os momentos da noite de ontem, mas também as férias dos anos 60, enquanto atravessava o Alentejo.
Quando ouvi “Le Metheque”, decidi que esta seria a canção escolhida para o título deste post, que construí durante a viagem. Tem bastante a ver comigo… Ao contrário do que alguns pensam, Metheque não significa vagabundo. Tem origem na palavra grega “Metoikos”, utilizada pelos atenienses para definir aqueles que viviam na cidade, mas não tinham lá nascido.
Moustaki cantava-a com frequência aos emigrantes portugueses que viviam nos arredores de Paris e que eram, na altura, em número superior à população de Lisboa
Sou um “metheque” e sinto-me bem assim. Além deste espírito vagabundo, gostaria de continuar, até ao fim da minha vida, com este espírito inquieto “Et mes cheveux aux quatre vents/Avec mes yeux tout délavés/ qui me donnent l'air de rever…”
E agora, se pensam que preciso de ser internado, por ter vindo a ouvir música francesa durante toda a viagem, já podem apresentar queixa, mas antes leiam o rodapé e oiçam a música.

* Le Méthèque” é uma canção de Georges Moustaki (1968), mais um emigrante que escolho para abrilhantar o Verão do Rochedo. Nascido em Alexandria, de origem grega, GM foi viver para França, onde saboreou o sucesso que o tornou mundialmente conhecido.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Non son degno di te *

“Non son degno di te, non ti merito più,
ma al mondo no, non esiste nessuno
che non ha sbagliato una volta!....”
( Gianni Morandi 1969)
Realmente, não sou digno dos maravilhosos vizinhos que tenho neste blogobairro. Entretido com o meu umbigo, não agradeci a todos que durante este período enviaram comentários desejando-me boas férias. Assim, porque estou em Espanha, recorro à versão espanhola doutra canção deste italiano percursor do Marco Paulo e “De Rodilas ante vos” peço desculpa pela minha falta de educação e renovo os meus votos de boas férias para todos.
Entretanto, comunico-vos que decidi fazer links de todas as canções que aqui vou mencionando e já podem ver as dos posts anteriores. Basta clicar no nome da canção que vai sempre no rodapé.Amanhã, ou quinta-feira, anuncio o primeiro passatempo do Verão do Rochedo que espero venha a ser bastante participado pelos que ainda não estão de férias e pelos que forem regressando.
Beijinhos e abraços para todos

* “Non son degno di te” é uma canção de Gianni Morandi digna de figurar nos anais do nacional cançonetismo. Estrondoso êxito em Itália, em 1969, conheceu uma versão espanhola em 1970 sob o título “No soy digno de ti”. Lembro-me que também houve uma versão portuguesa, mas desconheço quem a cantava e não recordo o título.Não está no rol das minhas canções de Verão, mas era tocada em todas as discotecas da época e traduz na perfeição a vergonha que agora me invadiu.

Il faut savoir*

“…Il faut savoir quitter la table
Lorsque l'amour est desservi
Sans s'accrocher, l'air pitoyable,
Mais partir sans faire de bruit
Il faut savoir cacher sa peine

Sous le masque de tous les jours
Et retenir les cris de haine
Qui sont les derniers mots d'amour
Il faut savoir rester de glace

Et taire un coeur qui meurt déja
Il faut savoir garder la face
(…………………………)
Il faut savoir
Mais moi, je ne sais pas!”

( Charles Aznavour)
Depois de lerem os títulos dos meus dois últimos posts, já terão percebido que uma das minhas loucuras para este Verão vai ser tentar escrever posts com títulos de canções que marcaram as minhas férias ( e outros momentos importantes) ao longo da vida. Há muitas canções de Charles Aznavour que adoro, mas escolhi esta por duas razões. Em primeiro lugar, porque (ou)vi Charles Aznavour cantá-la em 1968 no Olympia e fiquei imediatamente apaixonado pela letra. Em segundo lugar porque, apesar dos denodados esforços, nunca consegui seguir estes conselhos sábios.
Custa-me dizer isto, mas regressar a Portugal é cada vez mais difícil para mim. Adoro o meu país, mas sinto-o cada vez mais distante. Nos últimos dez anos, Portugal mergulhou numa sarjeta, fruto das ambições desmedidas de políticos sem escrúpulos que apenas defendem os seus interesses, em vez de lutarem pelo desenvolvimento do país. É certo que as culpas não podem ser todas assacadas aos políticos, pois os portugueses também são muito culpados pelo estado a que o país chegou. Desde empresários gananciosos, a trabalhadores desmotivados, passando por classes sócio-profissionais eivadas de corporativismo e uma comunicação social que se demitiu do seu papel, todos contribuem para o retrocesso do país.
Custa-me regressar a um país onde há muitos lamentos, muitas acusações mútuas, mas não há uma tentativa para unir esforços, o que nos deixa sem uma centelha de esperança. Gostava que o meu país fosse diferente, mas quanto mais viajo, mais me desiludo. Eu já sabia, mas depois das duas semanas pela Escandinávia, fiquei sem qualquer dúvida: nunca seremos um país (nem um povo) europeu. Faltam-nos as bases para construir algo de novo, falta-nos mundo, falta-nos coragem para arregaçar as mangas e mudar tudo. De cima abaixo. Portugal precisa de ser virado do avesso. A nível da política e a nível das mentalidades.
Hoje, finalmente, li jornais portugueses durante meia hora. Fiquei vazio.Perdi a alegria das últimas semanas e entrei em transe. Eu precisava de saber viver em Portugal, de aceitar o meu país e comprender o meu povo mas, infelizmente, não sei. Acreditem que fico triste quando me apercebo desta minha incapacidade. Porque revela ( alguma) intolerância e muita impaciência da minha parte…mas a verdade é que já não tenho idade para ser paciente.
Conforto-me a pensar que conheci, por esse mundo fora, muitas pessoas que também trocaram os seus países por outros onde agora se sentem felizes. Talvez, afinal, o mundo não seja assim tão perfeito quanto julgamos. Se há tanta gente a procurar ser feliz fora do lugar onde nasceu, é porque alguma coisa falhou. Há que colocar correctamente as peças do xadrez, para ver se tudo volta à normalidade. Pelo menos, até ao momento do xeque-mate…

* Canção de Charles Aznavour.
Era arménio e tornou-se famoso quando foi viver para França. Engelbert Humpedrinck- que deu título ao post de ontem- nasceu na Índia e conheceu êxito em Inglaterra, depois de ter mudado de nome. Isto está tudo ligado mas, acreditem ou não, só reparei nisso depois de ter acabado de escrever este post.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

The Last Waltz*

“I wondered should I go or should I stay,
the band had only one more song to play.
And then I saw you out the corner of my eye,
a little girl, alone and so shy.
I had the last waltz with you,
two lonely people together.
I fell in love with you,
the last waltz should last forever…”
(Engelbert Humperdinck)

Eu sei que o fulano era piroso, mas há dois dias que entrei na minha fase Tony Carreira e deu-me para isto, não há volta a dar-lhe…
Amanhã será o último dia por estas paragens. À noite despedir-me-ei da Beatrice, da Eva, da Sara, do Pablo e de toda a trupe que pára no Buddy’s, conferindo-lhe características únicas. Chegou, então, a altura de vos apresentar os meus amigos. Começo pela Beatrice, proprietária do Buddy’s, que para aqui veio em 2005. Conhecemo-nos acidentalmente, em Junho de 2006, numa noite fresca em que demandei um bar mais recatado na parte velha da cidade. É baixinha e roliça, mas no seu rosto ainda existem traços de uma beleza que a idade apagou. Veste frequentemente vestidos estampados, amarra os longos cabelos com uma pregadeira de Loja dos 300, fala com sotaque de série da BBC e não se cansa de dizer que “Portugal is looooooveeeelyyyyy!!!!”, embora só conheça Lagos, a Praia da Luz e Odeáxere - onde foi assaltada, ficando sem dinheiro nem documentos.
Este episódio ocorreu há quase duas décadas, mas ela conta-mo todos os anos. Em inglês… porque apesar dos esforços de Sara em lhe ensinar a língua de Cervantes, Beatrice mostra-se aluna pouco diligente. Desculpa-se, dizendo que é muito difícil falar espanhol por estas paregens, porque sempre que o tenta fazer, respondem-lhe em inglês. Rimo-nos e ela desvia a conversa, para falar de uma Lagos que já não existe. Em troca, conto-lhe histórias de uma Marbella que ela nunca conheceu.
Nunca me disse o que a trouxe para aqui ao bater dos 50 anos, mas sei que a sua vida tem sido um percurso com várias escalas junto ao mar. Temos em comum o gosto de viajar. Não foi, porém, esse gosto que nos aproximou, mas sim as características do Buddy’s. Não será por acaso que, existindo na mesma praça sete bares, este seja o único que está sempre cheio. Por aqui passa um conjunto de personagens que escreve a história deste local. São eles que me contam as notícias do ano, que me recebem com um sorriso nos lábios e se despedem invariavelmente com um “hasta siempre” ( das raras palavras que se pronunciam em castelhano naquele bar).
Para além de dois grupos de ingleses residentes, que todas as noites ocupam as mesmas mesas, o bar é frequentado por um conjunto de figuras curiosas: um marroquino que engole fogo, um senegalês que vende óculos, malas e carteiras de contrafacção e uma chinesa cintilante. Óculos, bandelete, brincos, pulseira, relógio,tudo pisca em cores psicadélicas à volta do seu corpo, conferindo-lhe um ar picaresco. Estas personagens só chegam depois da meia noite, para uma breve pausa no seu roteiro de vendas pela noite, que inclui uma passagem obrigatória pela marina.Para todos Beatrice tem sempre uma palavra afável e um sorriso aberto. Quando há crianças no bar vai atrás do balcão, tira uma caixa de rebuçados e caramelos e oferece, mas nega olimpicamente a oferta a qualquer adulto. À uma da manhã, pontualmente, encerra o bar que abriu, também pontualmente, às 7 da tarde. Seis horas de trabalho diário e a particularidade curiosa de encerrar aos sábados. “Também tenho direito a divertir-me”- defende-se quando lhe perguntam a razão de fechar no dia de maior negócio. A verdade é que Beatrice não me parece preocupada com o negócio. Ao contrário dos outros bares, apenas vende bebidas. Para comer, nem uma tosta mista. Não veio para aqui ganhar a vida, mas sim gozá-la, e não está para ter muto trabalho.
Bem diferente é Eva. A alemã que há 30 anos- com apenas 22- se perdeu de amores por um espanhol e por aqui ficou, trabalha no duro desde que o marido a trocou e partiu para a Tailândia com uma chinesa. Decidiu ficar. Foi empregada de bares e restaurantes, fez limpezas em apartamentos de Puerto Bañus e trabalhou num hotel, mas aos 50 anos conseguiu juntar dinheiro suficiente para montar o seu próprio negócio. Como já disse num post anterior, faz um delicioso “Wienerschnitzell” e mais duas ou três especialidades alemãs. Abre para os pequenos almoços e fecha por volta das 21.30 Alugou o espaço ano passado por 10 anos, mas lamenta-se por ter escolhido mal a altura. Para combater a crise, decidiu transformar o bar em salão de chá durante o Inverno e fazer uns bolos para vender aos ingleses “que passam a vida a fazer festas em casa uns dos outros”.
Desejo-lhe a maior sorte do mundo. Pelo menos a mesma que tiveram os dois filhos… Há uns anos começaram a cantar, à noite, pelos bares e restaurantes, entre Marbella e Torremolinos. “Aquilo dá dinheiro”- garante Eva. “ Nos meses de Verão chegavam a fazer mais de 500€ por noite mas, pelo menos 300, traziam sempre para casa”. Depois passaram a trabalhar durante o dia. Alugaram um barco a um amigo do pai e davam aulas de sky. Há dois anos abriram o primeiro bar na marina de Benalmádena, ano passado abriram outro em Marbella e este ano, se não fosse a crise, abalançavam-se a abrir outro em Puerto Bañus.
Hoje, fico-me por aqui nas apresentações. Quero apenas dizer-vos que olho à minha volta e aprecio a solidariedade que há entre os estrangeiros residentes nestas paragens. Faz-me lembrar Christiania e El Bolsón. Mas isso fica para os postais da Dinamarca. Por hoje a prosa vai longa e ainda vou dar um mergulho ali à praia.
Beijinhos e abraços para todos
* "The Last Waltz" não foi apenas a canção pirosa de Engelbert Humperdinck- um sucesso extraordinário de vendas que marcou um verão dos anos 70 . Foi também um memorável espectáculo de despedida do grupo canadiano “The Band”, realizado em S. Francisco em 1976, no “Dia de Acção de Graças”. O espectáculo foi filmado por Martin Scorcese e chegou às salas de cinema dois anos depois, com grande sucesso. Para os interessados, informo que foi editado há meia dúzia de anos em DVD.
Escolhi a música, para assinalar a abertura da “silly season” aqui no Rochedo, período para que prometo novidades – a anunciar ainda esta semana. Estejam preparados, porque esta cabecinha parece que enlouqueceu e promete muito disparate para as férias.
PS: Obrigado à Sun Iou Miou do "isto non e un caberé" (com link na coluna da direita) que me ensinou a maneira de contornar a falta do til!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Postais de férias(2)

Houve outras razoes que me levaram a trocar Hvar por Espanha. Por aqui habituo-me ao regresso, pois nao é por acaso que os espanhóis sao "nuestros hermanos". Tal como muitos portugueses, os espanhóis também vao para praia ao meio dia, transportando consigo, de forma inconsciente, crianças de berço. Nos restaurantes, um grupo de mais de três espanhóis deixa de falar. Grita. Comem alarvemente, bebem tintos de verano e sangria como copos de água, arrotam e lançam alegremente uns quantos traques, cospem para o chao ( bem, isso os dinamarqueses também fazem, mas nao vou falar disso agora).
É certo que em Marbella estas cenas nao se vêem, mas basta dar um saltinho de 20 quilómetros- até Fuengirola - e temos logo um retrato de Portugal à beira mar durante a estaçao estival.
A crise por aqui bateu bem mais forte do que no nosso cantinho. Hotéis e restaurantes reduziram os preçoes entre 30 a 50 por cento e em Benalmádena ou Torremolinos, pode comer-se uma refeiçao bem aceitável constituída por entrada, prato, sobremeesa e café apenas por 12 euros. O vinho é oferta da casa...
Em política também sao um pouco diferentes. A oposiçao tem comportamentos bem mais civilizados do que a da D. Manuela e a sua trupe ( talvez porque a última vez que fizeram política suja, acusando a ETA de ser responsável pelos atentados deo 11 de Março, perderam por grande margem umas eleiçoes que tinham no papo).
Bem, na verdade, só somos parecidos enquanto povo. No resto as diferenças sao marcantes. Os espanhóis nao cresceram apenas na medida da conta bancária. Tornaram-se mais conscientes sob o ponto de vista cívico, pese embora, as cenas que já relatei.
Continuo afastado das noticias.Eembora vá espreitando a BBC a CNN e o Canal Sur, resisti a comprar jornais. Ontem aventurei-me pela bloga. Visitei alguns vizinhos e dei uma espreitadela àquela blogada mais política. Que susto!
Hoje já nao caio nessa. Vou fazer mais umas visitas ao blogobairro mas ainda sem comentários, que reservo para o meu regresso.
Até lá vou continuando a pôr lerituras em dia. David Lodge, Luís Sepúlveda,Bruce Chatwin, José Gil e Murakami já cá cantam. Ainda vou ter tempo para(re) ler um pouco de Borges e dar uma espreitadela a uma colectânea de contos japoneses que comprei há tempos e andava esquecido na minha secretária.
O calor continua a apertar, mas a noite de ontem esteve bastante fresca. Era o "levante" a nunciar nova onda de calor. Tásse bem!
Beijinhos e abraços

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Postais de férias(1)

Férias de Verao, para mim, é partir de carro por essa Europa, sem destino marcado, ou comprar um bilhete de aviao para qualquer parte e depois ...logo se vê. No entanto, de há uns anos para cá, as férias só terminam depois de alguns dias passados no sul de Espanha, junto ao mar. Se nao o fizer, fico com aquela sensaçao de quem comeu uma boa refeiçao, a que faltou o café para arrematar. E foi assim que rumei a Lisboa no sábado à noite, troquei de roupa, dormi, e logo pela manha peguei no carro e vim até cá, atravessando Espanha sob um a temperatura de 40 graus!
Como sabem, nao gosto de praia no Verao, por isso nao venho para aqui propriamente para fazer praia. Só lá vou manha cedo, quando ainda está deserta, depois de uma boa caminhada e volto as vezes, ao fim do dia, quando a praia está outra vez quase vazia. Durante o dia deixo-me ficar pela marina, leio, durmo,descanso.
O que me fascina, por aqui, é o bulício da noite, quando se tornam mais vivas as memórias de férias de outros tempos. Gosto de rever a Beatrice e toda a trupe que passa pelo Buddys, comer o "wiener schnitzel" com "kartoffelnsalat" feito primorosamente pela Eva, falar com a Sara e o Pablo que gerem o negócio das cadeiras na praia, de ouvir as histórias do ano. Na verdade, quando aqui venho, sinto-me como o emigrante que todos os anos regressa a casa para passar as férias de Verao. Sao todas personagens que fazem parte da minha história de vida e sobre as quais falarei mais detalhadamente em próximos postais.
Reparo agora que começo o meu relato de férias pelo fim. Ao estilo de Benjamim Button... Nao foi de propósito. Tenho muitos postais para escrever das duas semanas anteriores passadas entre a Suécia e a Dinamarca, mas nao tenho ainda fotografias, por isso só mais tarde falarei desses lugares.
Como sempre, quando venho para Espanha penso ficar apenas uma semana, mas acabo por estender a estadia durante mais alguns dias. Voltarei durante a próxima semana, mas ainda nao sei bem quando. Talvez vá escrevendo mais alguns postais, se conseguir encontrar um computador como dev ser e onde nao falte o til. Irrita-me escrever assim, mas já sinto saudades vossas e apeteceu-me dar notícias.
Curiosamente, notícias de Portugal é coisa que tenho procurado nao saber. Nas minhas incursoes - fugazes- pela BBC e pela CNN as únicas notícias que soube de Portugal foram a agresao de Cristiano Ronaldo a um fotógrafo e a história triste de um ministro que foi demitido por ser ter armado em bandarilheiro na AR. "Pas de nouvelles, bonnes nouvelles", dizem os franceses. Ou seja, no que toca à vida do país deve estar tudo mais ou menso na mesma, o que quer dizer, pouco edificante. Ainda bem, porque vou-me habituando à ideia.
Até breve e boas férias para todos os que as começam por estes dias.