Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Rochedo das Memórias (117) - Dos hipermercados da moda ao efeito "fastfood"


Acessível a todos, o pronto a vestir faz a fusão entre a indústria e a moda e torna-se um dos responsáveis pelo aparecimento dos hipermercados da moda.
As lojas da Printemps e Prisunic, as Galerias Lafayete ,os Mark and Spencer e C&A,ou a Zara e a Nastra, são alguns exemplos dos hipermercados da moda onde tudo se compra relacionado com o vestuário e seus correlativos, mas os novos estilistas e criativos a elas associados já nada têm a ver com a Alta Costura. Os nomes sonantes da moda são à época, Babette e Cacharel ,Emannuelle Kalin e Elie Jacobson, Gualtier e Coureges ou Issey Miyaké e Ted Lapidus.
Compreendendo a evolução da vida moderna , a moda adapta-se ao seu ritmo, criando modelos que facilitam a liberdade de movimentos e adoptam um estilo juvenil.
Homens da Alta Costura como Pierre Cardin e Yves Saint Laurent são dos primeiros a correr atrás das novas tendências que o pronto a vestir criou e, utilizando o seu prestígio e o da sua marca, lançam colecções personalizadas. Estava em pleno extertor a moda “feita à medida”; acompanhando a evolução social, a moda democratizava-se, em versão “fastfood”.
Assiste-se então a um fenómeno curioso: a moda sai dos recatados ateliers dos costureiros e salta para as ruas,invadindo-a com cartazes publicitários; os desfiles passam a ser mais abertos e das entradas feitas apenas por convite, passa-se ao sistema de entradas pagas; deixa de ter como principal escopo a classificação de um determinado estrato social, a grande preocupação passa a ser “look young!”;os estilos, os materiais, as formas e as cores deixam de ser imperativas e, nomeadamente na moda masculina, assiste-se ao fim do domínio das cores escuras e austeras. O vestuário passa a identificar mais a forma de pensar, do que a forma de viver, podendo mesmo dizer-se que, durante algum tempo, cada um veste de acordo com a sua ideologia ( nem sempre respeitando o mimetismo grupal) prenunciando desta forma a noção moderna de moda:o individualismo, ou estilo pessoal.
Nova tendência que reflecte também a ideologia do final de século XX e acentua a ideia de que existe uma relação importante entre a moda e a ideologia reinante.
Vivemos, actualmente, na época da moda a la carte ,embora permaneçam resquícios do menu do dia (leia-se: estações do ano).A criação é livre, embora condicionada pelo efeito sazonal, os consumidores são igualmente livres de fazer as combinações que mais lhes apraz...
Hoje em dia, já ninguém está fora de moda. Compra-se roupa mais em função do prazer de mudar do que por ostentação.O importante é o “look”, que se pretende dê uma ideia de juventude e realce inconformismo e desejo de emancipação face a valores tradicionais ,onde se esbate o mimetismo em relação ao superior e se procura uma identificação com o que está à nossa volta, mas sem abdicar de um toque individualista que marque a diferença .
As modas punk,new wave ou rasta são exemplos do que se acaba de dizer. Será que a moda no seu conceito classista e colectivista terminou? Em virtude das características cíclicas da moda é muito provável que reapareça em breve. Já há ,aliás, alguns sinais nesse sentido.
(Continua)

3 comentários:

  1. Somos todos iguais em todo o lado.Antigamente ir a Londres ou aParis, era sinal de trazer novidades, agora as Zaras estão em todas as esquinas.
    Faz-me lembrar esta frase:
    vocês gozam comigo por que sou diferente eu gozo convosco porque são todos iguais.

    ResponderEliminar
  2. A propósito do seu artigo, lembrei-me das e uma frase do "escrito na pedra", no Público, polémica, mas que deixa ????..."As mulheres vestem-se da mesma maneira em todo o mundo - vestem-se para incomodar as outras mulhers."de E Schiaparelli, designer de moda francesa.
    Tenho gostado imenso da história do vestuário, a moda!!!
    :))

    ResponderEliminar
  3. O clássico é eterno.

    Beijinhos

    Luz

    ResponderEliminar