- Está, é do Instituto Ricardo Jorge?- Sim, faça o favor de dizer…
- Queria marcar um exame de (…)
- Não precisa marcar. Apareça entre as 8 e 30 e as 10 da manhã
-Pode informar-me se tenho de ir em jejum?
-Isso não sei, o seu médico é que tem de lhe dizer
-Como? Mas costumam ser os laboratórios a dar essa informação…
- Mas eu não lhe sei dizer. Pergunte ao seu médico ou venha em jejum.……………………………………………………………………………
No dia seguinte, respeitando jejum e abstinência, na recepção do Instituto Ricardo Jorge
-Venho fazer este exame...
- Muito bem. Entre neste corredor, siga até ao fundo e aguarde um pouco.
Ao fundo do corredor, o espaço alarga-se numa sala ampla. Alguém entrega um formulário para preencher. Minutos depois chamam pelo número. A funcionária olha para a receita com ar de espanto e diz:
- Nós não fazemos esse exame aqui…
- Mas o médico disse-me que só aqui é que fazem esse exame.
- O médico deve estar enganado… aqui não fazemos isso.
Aproxima-se outra funcionária. Pega no papel, lê e diz:
- Vou perguntar lá para baixo. Talvez façam.
Minutos depois volta e informa:
-Sim, fazemos esse exame, mas tem de ir ao serviço de…
- E onde é?
- Não lhe sei explicar. Vou pedir a uma contínua para ver se vai lá consigo…
Aparece uma contínua que conduz a “vítima”. Ao chegar a umas escadas pára e dá o azimute:
- Desça as escadas, entre na porta à esquerda e quando vir um contínuo peça-lhe para abrir a porta.
O percurso inclui a passagem por um bar onde funcionárias tomam o pequeno almoço e discutem a telenovela da véspera. Finalmente o contínuo. Abre a porta, indica outro corredor externo e manda tocar a uma campainha numa porta a meio do corredor. Abrem a porta, uma funcionária simpática que já estava avisada da chegada preenche outro formulário, porque o preenchido no andar de cima não servia.
- Este exame não é comparticipado..
- Ai não? E quanto custa?
- Este é barato. Só custa 43 euros. Mas se não for conclusivo, pode acontecer que lhe mandem fazer outro que custa mais de 500 euros…
- O Serviço Nacional de Saúde está cada vez melhor, pelo que vejo.
- Pois, tem razão. Mas não vamos pensar no pior…
- Bem, para já, o pior é que estou em jejum…
- Mas podia ter comido...
- Quando telefonei para cá não me souberam dar essa informação. Pode dizer-me porquê?
- Porque não sabiam...
- E porque não sabiam?
-Às vezes acontece que as pessoas que atendem não sabem.
- Desculpe, mas isto aqui é o Instituto Ricardo Jorge, ou o Júlio de Matos?
- Pode ir com a minha colega ( sorriso condescendente…)
E lá se foi mais meio litro de sangue, que saiu das veias em esguicho, tal era a fúria!
(Alguém por aí encontrou o dinheiro dos meus impostos?)
Eu juro que não o tenho!
ResponderEliminarNossa!!! mas que "odisséia" só para fazer um exame que certamente vai dar errado e terá que ser refeito ao módico preço de 500 euros... Ou não?
ResponderEliminarBendito país este no que moro! Cada vez que ouço estas histórias, indigno-me contra os que se queixam do nosso (repara-se, para quem não sabe, que falo do espanhol) sistema de Saúde.
ResponderEliminarQue odisseia nos meadros da saúde!
ResponderEliminarParece que nos estão a fazer um frete. E ainda parece que têm um prazer especial em mostrarem má vontade e nos tratarem como grandes ignorantes.
Beijoca!
Dinheiro de impostos?
ResponderEliminarAh isso não sei, o seu Ministro das Finanças é que lhe pode dizer...
Ah sim, e onde é que eu o posso encontrar?
Também não lhe sei dizer. É que de manhã ele nunca está cá e há tarde também não vem.
É mesmo de tirar a "pachorra" a um santo, também tenho visto umas coisitas aqui e ali, sempre em casas do estado porque nos particulares as coisas são diferentes e até funcionam(quase sempre,eu sei...)
ResponderEliminarPelo menos é um labirinto onde lhe abriram portas. ;)
ResponderEliminarESte seu testemunho é mais uma confirmação do que há muito tempo tenho como válido. Impera por este país fora uma falta de profissionalismo tremenda. E não me venham falar que é culpa dos políticos. Enquanto estes servirem de único bombo da festa, as organizações, os grupos profissionais, cada profissional em si, sentem-se quase desresponsabilizado de ser o que todos deviam ser: PROFISSIONAIS.
ResponderEliminar:)))
Credo, mas isto foi memso verdade??
ResponderEliminarEu estava a pensar que era uma anedota. Então espero que termine aqui.
Bolas.
Joka
Terá sido (o dinheiro do Carlos) empregue numa bomba igual à que no outro dia estava mal estacionada?
ResponderEliminarO que revolta é isso: impostos para tudo e mais algumas coisa e não vemos o retorno nos serviços!
ResponderEliminarTudo sempre na mesma?
Eu gostava de contar ao Carlos todas a histórias que sei do SNS e dos seus profissionais. Acho que nunca mais ia acabar de escrever:))) Espero que não precise muito deste tipo de serviços.
ResponderEliminarVergonhoso!
ResponderEliminarFiz a mesma pergunta quando fui ao hospital de Leiria e depois tive que ir a um especialista:
ResponderEliminarhttp://vilaforte.blogs.sapo.pt/201477.html
abraço e boas férias
Vergonhoso mas tão real não é?Realmente podia ser uma grande anedota mas sabemos bem que é assim e por vezes bem pior.
ResponderEliminarUm beijo Carlos.
Eu não digo aqui o que penso, porque não devo!
ResponderEliminarQue vergonha estes funcionários, estes serviços, este País!!!!!!
O dinheiro dos impostos? Mal distibuido, certamente.
ResponderEliminarBeijos.
O dinheiro dos impostos! Esse está com os vampiros que nos vão sugando o sangue.
ResponderEliminar