
Já aqui escrevi, diversas vezes, que os "Dias de..." valem o que valem, mas não poderia deixar de vos lembrar, neste Dia Mundial do Ambiente, que anda por aí à solta um inimigo invisível , que é responsável por muitas das doenças que afectam a sociedade moderna: o monóxido de carbono.
Todos sabemos que os automóveis são os principais culpados pelo mau ar que respiramos nas cidades e por muitas mortes e doenças respiratórias e cardiovasculares que afectam quem nelas habita. Ao libertarem para a atmosfera grandes quantidades de óxido de azoto, monóxidos de chumbo e carbono, os automóveis assumem na hodierna vida urbana o papel de “assassinos de luxo”. Todos os admiramos, dificilmente prescindimos dele nas nossas deslocações, pagamos elevados preços pela sua companhia, mas desconhecemos que temos por companhia diária e imprescindível um assassino encapotado. Diga-se desde já, no entanto, que ao automóvel não podem ser assacadas todas as responsabilidades pela conspurcação do ar que respiramos.
O monóxido de carbono que os automóveis libertam, por exemplo, está presente em muitos outros aparelhos que nos ajudam a tornar o lar mais agradável e com mais conforto, especialmente no inverno. Para além dos automóveis, os esquentadores, caldeiras a carvão, chaminés, braseiras, salamandras ( e o inevitável cigarro) são fontes de produção de monóxido de carbono, resultado de uma combustão incompleta de substâncias orgânicas e seus derivados ( petróleo, carvão, gás e querosene).
A razão porque a maioria das pessoas não dá grande importância aos problemas que provoca, talvez se deva ao facto de se tratar de um gás silencioso, inodoro, incolor e insípido que actua como uma espécie de “assassino invisível e silencioso”.Como a sua densidade é semelhante à do ar, mistura-se com facilidade na atmosfera ambiente, seja a nível do solo, seja em camadas de ar mais elevadas. Penetrando no organismo através da respiração, o monóxido de carbono entra com facilidade nos pulmões e no sangue, substituindo o oxigénio na hemoglobina. A princípio os seus sintomas são dificilmente detectáveis: dores de cabeça e náuseas (que com facilidade atribuímos à ingestão de produtos alimentares). Só mais tardiamente, quando a mobilidade dos membros é afectada e surgem problemas neurológicos é que é possível identificar as causas, mas não são raras as vezes em que já não há nada a fazer.
Assim, é sempre bom mandar verificar os aparelhos a que fizemos referência, para ver se estão em bom estado. Por outro lado, sempre que estes estejam em funcionamento, tomem a precaução de manter os compartimentos arejados e os aparelhos e equipamentos bem conservados. Poderão, também, adquirir um detector de monóxido de carbono, mas alerto-vos desde já que estes aparelhos são pouco fiáveis e não devem ser colocados em locais húmidos, como é o caso das casas de banho.
Assim, é sempre bom mandar verificar os aparelhos a que fizemos referência, para ver se estão em bom estado. Por outro lado, sempre que estes estejam em funcionamento, tomem a precaução de manter os compartimentos arejados e os aparelhos e equipamentos bem conservados. Poderão, também, adquirir um detector de monóxido de carbono, mas alerto-vos desde já que estes aparelhos são pouco fiáveis e não devem ser colocados em locais húmidos, como é o caso das casas de banho.
Outro aspecto que merece a pena realçar, prende-se com a potência dos aparelhos. Um aquecedor a gás muito potente num compartimento de dimensões reduzidas cria condições favoráveis à produção de monóxido de carbono e no caso de casas com chaminé, um abaixamento brusco da temperatura exterior pode provocar perturbações de tiragem, e favorecer a concentração dos gases de combustão.
Portanto, já sabem. Tenham em atenção alguns cuidados, a fim de evitar dissabores com esse indesejado intruso que se chama monóxido de carbono, que entra em sua casa sem se fazer anunciar.
Espero que tenhamos do que comemorar.
ResponderEliminarBeijos
Carlos, mais uma vez, não deixou passar em branco um assunto tão pertinente e hoje na ordem do dia!
ResponderEliminarObrigada pelo seu empenho e esclarecimento!
A imagem é muito sugestiva...
(Serviço público de "excelência")
Um abraço e um óptimo fim-de-semana!
Carlos
ResponderEliminarUm excelente texto, este, tanto que tomei a liberdade de colocar um link lá no "Em prosa e verso" para que quem por la passasse pudesse vir até ao Rochedo para lê-lo.
Carlos
ResponderEliminarem dia Mundial do Ambiente, obrigada por nos lembrar.
Bem lembrado. Tenho cá a minha cara metade que, vivendo em Ovar e trabalho no Porto, decidiu, às tantas ir sempre de comboio. Para além de todas as vantagens, houve uma que se destacou: essas viagens - 2 por dia - permitiram-lhe ler, ler, ler, coisa que não andava a conseguir fazer à emdida que queria! A desvantagem? Levantar um pouco mais cedo de manhã. Mas tudo o resto eram ganhos. A chatice é que ainda não há um sistema de transportes viável em muitas e muitas cidades. Mas isso dava outra conversa.
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