Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

O assassino invisível


Já aqui escrevi, diversas vezes, que os "Dias de..." valem o que valem, mas não poderia deixar de vos lembrar, neste Dia Mundial do Ambiente, que anda por aí à solta um inimigo invisível , que é responsável por muitas das doenças que afectam a sociedade moderna: o monóxido de carbono.
Todos sabemos que os automóveis são os principais culpados pelo mau ar que respiramos nas cidades e por muitas mortes e doenças respiratórias e cardiovasculares que afectam quem nelas habita. Ao libertarem para a atmosfera grandes quantidades de óxido de azoto, monóxidos de chumbo e carbono, os automóveis assumem na hodierna vida urbana o papel de “assassinos de luxo”. Todos os admiramos, dificilmente prescindimos dele nas nossas deslocações, pagamos elevados preços pela sua companhia, mas desconhecemos que temos por companhia diária e imprescindível um assassino encapotado. Diga-se desde já, no entanto, que ao automóvel não podem ser assacadas todas as responsabilidades pela conspurcação do ar que respiramos.
O monóxido de carbono que os automóveis libertam, por exemplo, está presente em muitos outros aparelhos que nos ajudam a tornar o lar mais agradável e com mais conforto, especialmente no inverno. Para além dos automóveis, os esquentadores, caldeiras a carvão, chaminés, braseiras, salamandras ( e o inevitável cigarro) são fontes de produção de monóxido de carbono, resultado de uma combustão incompleta de substâncias orgânicas e seus derivados ( petróleo, carvão, gás e querosene).
A razão porque a maioria das pessoas não dá grande importância aos problemas que provoca, talvez se deva ao facto de se tratar de um gás silencioso, inodoro, incolor e insípido que actua como uma espécie de “assassino invisível e silencioso”.Como a sua densidade é semelhante à do ar, mistura-se com facilidade na atmosfera ambiente, seja a nível do solo, seja em camadas de ar mais elevadas. Penetrando no organismo através da respiração, o monóxido de carbono entra com facilidade nos pulmões e no sangue, substituindo o oxigénio na hemoglobina. A princípio os seus sintomas são dificilmente detectáveis: dores de cabeça e náuseas (que com facilidade atribuímos à ingestão de produtos alimentares). Só mais tardiamente, quando a mobilidade dos membros é afectada e surgem problemas neurológicos é que é possível identificar as causas, mas não são raras as vezes em que já não há nada a fazer.
Assim, é sempre bom mandar verificar os aparelhos a que fizemos referência, para ver se estão em bom estado. Por outro lado, sempre que estes estejam em funcionamento, tomem a precaução de manter os compartimentos arejados e os aparelhos e equipamentos bem conservados. Poderão, também, adquirir um detector de monóxido de carbono, mas alerto-vos desde já que estes aparelhos são pouco fiáveis e não devem ser colocados em locais húmidos, como é o caso das casas de banho.
Outro aspecto que merece a pena realçar, prende-se com a potência dos aparelhos. Um aquecedor a gás muito potente num compartimento de dimensões reduzidas cria condições favoráveis à produção de monóxido de carbono e no caso de casas com chaminé, um abaixamento brusco da temperatura exterior pode provocar perturbações de tiragem, e favorecer a concentração dos gases de combustão.
Portanto, já sabem. Tenham em atenção alguns cuidados, a fim de evitar dissabores com esse indesejado intruso que se chama monóxido de carbono, que entra em sua casa sem se fazer anunciar.

5 comentários:

  1. Espero que tenhamos do que comemorar.
    Beijos

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  2. Carlos, mais uma vez, não deixou passar em branco um assunto tão pertinente e hoje na ordem do dia!
    Obrigada pelo seu empenho e esclarecimento!
    A imagem é muito sugestiva...
    (Serviço público de "excelência")

    Um abraço e um óptimo fim-de-semana!

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  3. Carlos

    Um excelente texto, este, tanto que tomei a liberdade de colocar um link lá no "Em prosa e verso" para que quem por la passasse pudesse vir até ao Rochedo para lê-lo.

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  4. Carlos
    em dia Mundial do Ambiente, obrigada por nos lembrar.

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  5. Bem lembrado. Tenho cá a minha cara metade que, vivendo em Ovar e trabalho no Porto, decidiu, às tantas ir sempre de comboio. Para além de todas as vantagens, houve uma que se destacou: essas viagens - 2 por dia - permitiram-lhe ler, ler, ler, coisa que não andava a conseguir fazer à emdida que queria! A desvantagem? Levantar um pouco mais cedo de manhã. Mas tudo o resto eram ganhos. A chatice é que ainda não há um sistema de transportes viável em muitas e muitas cidades. Mas isso dava outra conversa.

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