terça-feira, 30 de junho de 2009

Eh pá, tive uma ideia!

Bem, como ninguém respondeu ao meu pedido, vou ter mesmo de ser eu a ir procurar o calor que me fugiu quando cheguei a Copenhague. Onde estão so 26 graus de Estocolmo? Os dias continuam lindos, como na Suécia,mas as noites estão frias e ventosas Hoje de manhã passei por uma agência de viagens e vi um programa para aqui? Estive lá há uns anitos e adorei...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Querem que vos leve um Lego?

Olá, amigas e amigos! Hoje cheguei aqui e por cá vou ficar durante o fim de semana. Estou com saudades do calor que estava em Lisboa quando saí. Podem enviar-me um bocadinho?

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Até breve!

Depois do episódio que vos contei no post anterior, pensei que esta era a melhor solução.


Se tudo correr bem, amanhã estarei num barco por aqui
Vou dando as minhas coordenadas em alguns posts.Espero que não haja imprevistos...
Uma vez que a Martinha desta vez se recusou a colaborar, vou também tentar escrever uns posts com boa disposição ( que é o estado em que- apesar de tudo- penso estar nas próximas semanas) .

Pelos labirintos da saúde

- Está, é do Instituto Ricardo Jorge?
- Sim, faça o favor de dizer…
- Queria marcar um exame de (…)
- Não precisa marcar. Apareça entre as 8 e 30 e as 10 da manhã
-Pode informar-me se tenho de ir em jejum?
-Isso não sei, o seu médico é que tem de lhe dizer
-Como? Mas costumam ser os laboratórios a dar essa informação…
- Mas eu não lhe sei dizer. Pergunte ao seu médico ou venha em jejum.……………………………………………………………………………
No dia seguinte, respeitando jejum e abstinência, na recepção do Instituto Ricardo Jorge
-Venho fazer este exame...
- Muito bem. Entre neste corredor, siga até ao fundo e aguarde um pouco.
Ao fundo do corredor, o espaço alarga-se numa sala ampla. Alguém entrega um formulário para preencher. Minutos depois chamam pelo número. A funcionária olha para a receita com ar de espanto e diz:
- Nós não fazemos esse exame aqui…
- Mas o médico disse-me que só aqui é que fazem esse exame.
- O médico deve estar enganado… aqui não fazemos isso.
Aproxima-se outra funcionária. Pega no papel, lê e diz:
- Vou perguntar lá para baixo. Talvez façam.
Minutos depois volta e informa:
-Sim, fazemos esse exame, mas tem de ir ao serviço de…
- E onde é?
- Não lhe sei explicar. Vou pedir a uma contínua para ver se vai lá consigo…
Aparece uma contínua que conduz a “vítima”. Ao chegar a umas escadas pára e dá o azimute:
- Desça as escadas, entre na porta à esquerda e quando vir um contínuo peça-lhe para abrir a porta.
O percurso inclui a passagem por um bar onde funcionárias tomam o pequeno almoço e discutem a telenovela da véspera. Finalmente o contínuo. Abre a porta, indica outro corredor externo e manda tocar a uma campainha numa porta a meio do corredor. Abrem a porta, uma funcionária simpática que já estava avisada da chegada preenche outro formulário, porque o preenchido no andar de cima não servia.
- Este exame não é comparticipado..
- Ai não? E quanto custa?
- Este é barato. Só custa 43 euros. Mas se não for conclusivo, pode acontecer que lhe mandem fazer outro que custa mais de 500 euros…
- O Serviço Nacional de Saúde está cada vez melhor, pelo que vejo.
- Pois, tem razão. Mas não vamos pensar no pior…
- Bem, para já, o pior é que estou em jejum…
- Mas podia ter comido...
- Quando telefonei para cá não me souberam dar essa informação. Pode dizer-me porquê?
- Porque não sabiam...
- E porque não sabiam?
-Às vezes acontece que as pessoas que atendem não sabem.
- Desculpe, mas isto aqui é o Instituto Ricardo Jorge, ou o Júlio de Matos?
- Pode ir com a minha colega ( sorriso condescendente…)
E lá se foi mais meio litro de sangue, que saiu das veias em esguicho, tal era a fúria!
(Alguém por aí encontrou o dinheiro dos meus impostos?)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Negócios da noite


O comportamento dos adolescentes em relação ao álcool e ao sexo tem sido um tema recorrente para boas reportagens na televisão. Também eu já as fiz há uma década na imprensa escrita e, de quando em vez, escrevo sobre o assunto.
Os comportamentos sexuais irresponsáveis de miúdas de 13- 14 anos, os comas alcoólicos de crianças a partir dos 12 anos, as zonas sanitárias das discotecas transformadas em salas de chuto e palco de práticas sexuais, os pais que se demitem de o ser, porque pretendem “ser modernos” e tratar os filhos como amigos, sublimando a falta de saber e coragem para os educar, não são novidade para mim.
Uma noite destas, porém, ao ver mais uma reportagem sobre o assunto, fiquei a saber algo de novo. Muitos miúdos sem idade para entrar em discotecas ( com menos de 16 anos, portanto) compram bilhetes de identidade falsos por 50 euros, que exibem à entrada, ludibriando assim os seguranças.
Fiquei curioso e fui fazer uma investigação nocturna sobre o assunto. O resultado foi surpreendente mas, quando comecei a investigar, já tinha um palpite onde iria desaguar.Alguns segurançassabem que esses bilhetes de identidade são falsos, mas "fecham os olhos"alimentando assim o negócio. E mais não digo porque, para bom entendedor...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Adeus Zé!

Já esperávamos há muito o teu Adeus. Mas custa sempre saber que chegou o momento. Obrigado Zé, pelos momentos que me proporcionaste. Com as tuas músicas e com a tua amizade.
Costumo guardar para mim estes momentos, mas hoje não consegui.

Ah, fadista!

Estou já cansado de ouvir a comunicação social anunciar uma nova Amália, sempre que uma voz bem timbrada desponta no cada vez mais circunscrito círculo fadista. A sociedade actual precisa de ídolos como de pão para a boca e o marketing cumpre o seu papel, criando ídolos à cadência das suas necessidades. A maioria é tão falsa como uma peça de contrafacção. Outros, tão fugazes que desaparecem no firmamento do estrelato com a velocidade de um meteorito, sem deixar rasto visível.
Foi por isso com indiferença que ouvi anunciar, em grandes parangonas e efeitos mediáticos, a chegada da nova diva do fado: Carminho. Não fui a correr comprar o disco, até porque continuo a gostar do fado apenas no seu habitat natural, onde efectivamente despontam as grandes vozes e onde vivo, com emoção, noites de alguma boémia perdida.
Um dia destes, porém, tive uma surpresa. Por mero acaso vi a entrevista que Carminho deu, na RTP 2, a Fialho Gouveia( filho). Rendi-me de imediato. É certo que Carminho não cantou, mas as suas palavras foram melodia para os meus ouvidos. Uma miúda que aos 20 anos recusou gravar um disco por reconhecer que se sentia imatura para o fazer, deixa-me logo de orelhas eriçadas e olhos bem abertos. Depois, perceber que essa miúda quis amadurecer trabalhando como voluntária em países como a Índia ( começou por trabalhar numa obra de Madre Teresa de Calcutá) e andou um ano a ajudar pessoas do outro lado do mundo (onde os pobres não têm acesso à milésima parte das mordomias do mundo ocidental) aliviando-lhes a morte e minorando o sofrimento das suas vidas, foi a confirmação de que estava na presença de alguém cuja vertente humana é merecedora da nossa atenção.
Amália foi a nossa diva do fado porque tinha um percurso de vida que conseguia expressar através da voz, deixando fluir os sentimentos que, tendo a matriz de um Portugal amordaçado, reflectiam as desigualdades sociais onde o conceito da família, do amor e das relações pessoais tinham a matriz do Estado Novo. O que lhe valeu, como é sabido, acusações torpes após o 25 de Abril.
Numa época de glória tão fácil quanto efémera, Carminho não se deixou deslumbrar. Filha de uma fadista, nascida e criada no meio do fado, conhecendo os meandros da tertúlia fadista, percebeu que se queria ser fadista, teria primeiro que conhecer melhor o mundo.
Agora com 24 anos, ( a mesma idade de CR 7) Carminho fala com uma leveza e uma sabedoria da vida que deve envergonhar muitos adultos. Enquanto via a entrevista comovi-me com o seu lado humano- de que não fez qualquer alarde, porque as palavras saíam-lhe com naturalidade e desenvoltura- e percebi que realmente estava na presença de uma mulher que poderá vir a ser um fenómeno no mundo do fado.
Não fui a correr comprar um disco. Arrebanhei uns amigos e combinámos uma ida ao Mesa de Frades, para a ouvir cantar. Gosto de sentir as coisas no seu habitat natural. É assim com o fado, com o tango, com o jazz, ou com os blues. Não me deixo influenciar pelos decibéis mediáticos e continuo a pensar que, ouvir cantar o fado num palco asséptico de uma qualquer cidade do mundo, pode ser muito bom para o nosso ego lusitano, mas ALI não há fado. Há apenas uma voz, que o fenómeno da globalização transportou para os diversos cantos do mundo. Como a pizza ou o hambúrguer.
Desenraizados do seu habitat, os fenómenos culturais perdem grande parte das suas características. Como buganvílias florescendo numa estufa, no meio de um deserto.
Para aqueles que ficaram com vontade de conhecer melhor esta jovem, recomendo uma visita a este blog que ela escreveu durante a sua viagem de um ano.
Desde a Índia à Patagónia, passando pelo Chile, Bolívia, e muito mais...












De quem era o BMW?


O BMW descapotável, último modelo, estava estacionado à porta do Atrium Saldanha. Sem ninguém lá dentro. Até aqui, nada de especial. O que me deixou a magicar, foi ver a chegada de um carro da polícia transportando dois agentes que se apearam, rondaram o carro durante uns bons 10 minutos e começaram a falar ao telemóvel. Ali estiveram durante mais de meia hora. Depois, voltaram a meter-se na viatura e seguiram o seu caminho. O BMW continuou estacionado em transgressão. Aparentemente, sem multa…

terça-feira, 16 de junho de 2009

Toma lá chupeta!



Ao ler este post da Gi tive uma ideia! Como ando farto de ouvir no Metro, toques de telemóveis com criancinhas aos berros, vou passar a trazer comigo uma chupeta e quando o telemóvel tocar , meto-a na boca do (a) proprietário(a) . Pensando bem, é melhor ser mais comedido e limitar-me a oferecer a chupeta.

Terreiro do Paço embargado

Sou favorável à remodelação do Terreiro do Paço, porque aquela praça merece mais do que ser um estaleiro constante. O problema é que quando se fala de obras em Lisboa temos logo imbróglio. Concursos pouco claros pelo lado da autarquia e gente a avançar com providências cautelares, por se sentir incomodada. Quando é que em Lisboa se fará uma obra que não levante polémica? Assim de repente, só me lembro do Casino... mas mesmo asim a polémica veio a posteriori

Rochedo das Memórias ( 119)- A moda no masculino

Há tempos, uma revista católica publicou uma imagem de Cristo vestindo roupas modernas e usando gravata.A Igreja Católica reagiu mal e acusou os responsáveis da revista de profanação.
Jacques Lang, antigo ministro francês da cultura, provocou uma onda de espanto quando apareceu na Assembleia da República francesa sem gravata.
Estes dois exemplos são ilustrativos do forte poder comunicativo do vestuário e dos códigos que lhe estão inerentes, mas servem também como um bom ponto de partida para compreender a moda masculina.
Na opinião de Fernando Dogana, “a moda é reflexo de alguns imperativos sociais que se vão alterando ao longo do tempo”. Se nas sociedades primitivas os homens tinham mais tendência para utilizar adornos e a mulher se vestia de uma forma mais sóbria, hoje em dia é a mulher que acentua, através do seu vestuário, um certo exibicionismo que durante um longo período esteve vedado aos homens ,mas que parece estar a querer ressurgir.
Na opinião de Dogana,a crescente austeridade e inflexibilidade na moda masculina que só nas últimas décadas se esbateu, “está relacionada com as alterações impostas pela sociedade industrial e pelos diferentes papéis nela reservados a homens e mulheres”, sendo com a introdução do “código jovem” que se volta a verificar uma maior preocupação por parte do homem em relação à moda e se começa a assistir ao investimento da Alta Costura na moda masculina.

















Nomeadamente no vestuário dos “tempos livres”, surgem as cores vivas e linhas mais leves, aparecem inscrições humoristicas,o vestuário masculino de lazer aligeira-se mas, apesar das tentativas de Gaultier de introdução da saia calça para homem, a verdade é que a utilização de símbolos do vestuário feminino por parte dos homens continua a ser considerada transgressora. Ao contrário, as mulheres é que se vão apropriando de certos códigos da moda masculina, desde as calças ao sportswear , utilizando-os no entanto de forma mais variegada e referenciando partes do corpo que procuram realçar, ao contrário do homem, cujo vestuário continua a considerar o corpo como uma unidade, onde o mais importante é esconder algumas deficiências como a “barriguinha” volumosa .
Enquanto a mulher continua a preocupar-se em realçar a sua beleza e a procurar seduzir, o homem ainda tem que se preocupar em esconder algumas “fealdades”procurando, através de um ou outro pormenor, realçar a sua virilidade.
Eu sei que as fotos acima ( modelos para 2009) não abonam muito em favor das teorias de Dogana, mas em frente…
Verdade irrefutável, é o crescimento das indústrias afins à moda no sector masculino. Produtos de beleza ocupam as preocupações de um crescente número de homens, que cada vez dedicam mais tempo aos cuidados com o corpo. De acordo com um estudo realizado por Caroline Roy,o tempo dedicado aos cuidados com o corpo e com a aparência são cada vez mais próximos,dedicando mesmo os homens idosos mais tempo a cuidados pessoais do que as mulheres do mesmo escalão etário.
O culto da juventude, expresso através do vestuário, terá tendência a preocupar mais os homens do que as mulheres? Psicólogos, antropólogos e estilistas hesitam em dar uma resposta...


O Jacarandá


No dia 10 de Junho, um grupo de jornalistas proveniente de vários países europeus foi jantar ao Clube de Jornalistas, a convite da direcção.
Estava um fim de tarde esplendoroso e o jantar fez-se na magnífica esplanada do restaurante, onde habita um imponente jacarandá multicentenário.
Quando os jornalistas começaram a descer as escadas para a esplanada, o jacarandá saudou-os deixando cair as suas flores, que atapetaram o chão da esplanada. Foi bonito e ninguém ficou indiferente a este singular gesto de boas vindas protagonizado pelo nosso jacarandá.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Baixo nível

Pelo que se tem visto na AR, Vítor Constâncio até é capaz de ter alguma razão. Não tem é o direito de descer ainda mais o nível, recorrendo a estes argumentos

À conversa com Saramago


Tive o privilégio de fazer parte do grupo de 12 jornalistas europeus que, na última sexta-feira, se encontrou com José Saramago para uma conversa informal, pela hora do almoço, na sede da Fundação com o seu nome.
Falámos de muita coisa. De Berlusconi, claro, de cultura, política, jornalismo, literatura, relações humanas e globalização.
Sobre política remeto os interessados para um post que escrevo no Delito de Opinião.
Aqui, quero escrever sobre um momento que me marcou, porque foi uma conversa que ultrapassou todas as minhas expectativas.
Como sabem os que me seguem há mais tempo, sou admirador de Lobo Antunes e de Saramago em proporções idênticas. Faço facilmente a destrinça entre o que leio e a opção ideológica de quem escreve, não colocando ninguém no Índex, por questões dessa natureza ( Para isso já tivemos o exemplo de um desfibrado secretário de estado da cultura, Sousa Lara de seu nome, que cobriu o país de ridículo além fronteiras, ao vetar “O Evangelho Segundo Jesus Cristo).
Embora torcesse por Lobo Antunes quando Saramago recebeu o Prémio Nobel, não estarei a desvendar nenhum segredo, se disser que hoje em dia reconheço a justeza da atribuição do prémio a Saramago.
A escrita de Lobo Antunes tornou-se de tal modo hermética, que hoje tenho dificuldade em ler os seus livros. As palavras perderam, em grande parte, a carga emocional dos tempos do “Fado Alexandrino”, dos “ Cús de Judas”, “Memória de Elefante” ou “Auto dos Danados”. Dá-me a sensação que Lobo Antunes escreve para o Nobel e deixou de escrever para os leitores. A excepção são as fabulosas crónicas quinzenais da “Visão”, momentos mágicos de escrita que hão-de figurar em qualquer compêndio sobre este género literário.
A escrita de Saramago, pese embora toda a sua carga imagética, é mais real. Direi mesmo que é mais humana, porque apesar de toda a carga ficcional as suas personagens são seres normais, embora vivendo situações ficcionadas.
Lobo Antunes e Saramago vivem em dois mundos paralelos que nunca se vão encontrar. Hoje em dia, vivo mas próximo do mundo de Saramago. Talvez por isso, a conversa da passada sexta-feira foi tão empolgante e, surpreendentemente, dei por mim a concordar com quase tudo o que disse.
Já no final da conversa, Saramago abordou a crise de valores da sociedade actual e, para surpresa minha, fê-lo numa perspectiva coincidente com a que eu expressei aqui e aqui.
Na verdade, a geração de 60 - agora no poder-traiu os seus próprios valores e o Maio de 68 foi um momento épico, mas irresponsável- porque imaturo- cujas consequências estamos hoje a viver.

Cristiano Ronaldo


Cristiano Ronaldo festejou a transferência para o Real Madrid na companhia de Paris Hilton. Penso que foi a escolha ideal, pois formam um casal perfeito. Devem entender-se às mil maravilhas. CR continua a afirmar que antes de ser português é madeirense e Paris Hilton normalmente não sabe de que terra é. Presumo, por isso, que a conversa tenha sido sobre geografia. Na parte teórica terão falado sobre as origens de ambos e na prática passaram a noite à procura dos pontos mais sensíveis dos seus corpos. Os dirigentes do Real Madrid é que já manifestaram o seus desagrado face a tanto mediatismo. Em minha opinião, é apenas o primeiro sinal de que CR não vai ter vida fácil em Madrid. Será curioso ver como é que o português vai conviver com tantos ídolos a seu lado, disputando-lhe a primazia.
Os 15 mil euros que CR gastou nessa noite, embora sejam uma ninharia ( recupera-os em meio dia de trabalho), dizem muito sobre o tipo de pessoa que é. Nesse mesmo dia, o brasileiro Kaká, também de malas aviadas para Madrid, estudava o perfil e os métodos de trabalho do seu futuro treinador e, dias depois, Luís Figo- que acaba de abandonar o futebol de alta competição- organizava um jogo de solidariedade com outras vedetas do futebol. São estes pormenores que distinguem um profissional de uma vedeta, mas não se pode criticar Ronaldo. O seu passado é muito diferente do de Kaká ou Figo e os exemplos que vêm de cima também não abonam nada em favor da indústria do futebol onde se move.
Platini, presidente da UEFA, apressou-se a criticar o valor da transferência, mas esqueceu-se que o organismo que dirige também deveria ter em consideração, quando elege o melhor jogador europeu ou do mundo, o carácter e personalidade do eleito, escolhendo jogadores que sirvam de exemplo a seguir no mundo do futebol. Mas seria demasiado, exigir a Platini alguma coerência nos seus juízos. Como ficou demonstrado no último defeso, aliás.
Entretanto, Cavaco Silva também decidiu comentar a transferência. Consta-me que o próximo passo será reunir o Conselho de Estado, agora livre de loureiros e outras plantas. Um dia ainda havemos todos de levar a sério o PR. E CR ainda há-de descobrir que antes de ser madeirense, é português. Mas isso só acontecerá, provavelmente, depois de se ter arrependido da transferência para Madrid.

domingo, 14 de junho de 2009

Momento de humor (27)

Um paciente está na capital, para um exame periódico desaúde.
- Você bebe?
- Dois copos de vinho por dia...
- Fuma?
-Dez cigarros por dia.
- E sexo?
- Duas ou três vezes... por mês.
- Sóó? Com a sua idade e a sua saúde, era para ser duas ou três vezes por semana.
- Sabe como é, doutor? Se eu fosse bispo na capital...até que dava...., mas sendo padre numa diocese pequena, no interior, fica difícil.

Nota: Dentro de momentos, o Rochedo voltará a ser uma casa sem sombra de pecado

Hora de Verão

O Rochedo recupera a sua imagem inicial, assinalando assim a chegada do Verão e o regresso ao Guincho.
A partir de amanhã, mais aliviado do stress das últimas semanas, tentarei responder aos vossos comentários, retomarei as visitas aos condóminos e voltarei a postar com mais regularidade.
Tenham um bom domingo e uma óptima semana.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O destino marca a hora

São conhecidas as histórias de pessoas que que estavam para embarcar no fatídico voo 447 da Air France mas, por razões várias, acabaram por não seguir viagem, salvando-se assim da morte.
A história desta italiana, no entanto, tem contornos diferentes. Teria o destino marcado, ou foi mera coincidência? Depois de ler a notícia fiquei a pensar no assunto. E vocês, que pensam?

quarta-feira, 10 de junho de 2009

10 de Junho

No dia de Portugal ( que ainda no ano passado Cavaco Silva confundia com o dia da Raça!) , o PR condecorou figuras tão importantes para a nossa vida comum, como Moita Flores ( o que é que ele fez por Portugal, além de seriados por vezes mal amanhados?) e Paulo Carvalho ( pronto, está bem, este é responsável pela canção senha do 25 de Abril " E depois do Adeus" e deu uma mãozinha ao hino do PSD).
Quando é que teremos um presidente com coragem para condecorar o Zé Povinho, homenageando o povo anónimo que diariamente sofre com as diatribes de um Centrão vendido aos interesses do grande capital?

terça-feira, 9 de junho de 2009

Momento de humor (26)

Um tipo está numa entrevista para emprego. Pergunta-lhe o director:
-o senhor como se chama?
- " Pppaaauuullllloooo DdddiiiiiiaaaaasssssSsssaaaaannnnntttoooossssss"- responde o candidato
- Ah, diz o director, o senhor é gago
- Não, diz o candidato. Gago era o meu pai e o gajo do registo civil era um filho da mãe…

Rochedo das Memórias (118)-Narciso triunfa sobre Édipo

Como dizia Yves Saint Laurent, "outrora, uma rapariga queria parecer-se com a mãe. Actualmente é o contrário que se verifica”. Já não é a filha que veste como a mãe, mas exactamente o oposto. A sociedade de consumo alcançou assim vários triunfos: democratizou a moda ao criar o pronto a vestir, liberalizou os gostos, fugindo às imposições estilíticas, inverteu a pirâmide mimética que sempre caracterizou as suas regras, e promoveu a moda a elixir da juventude.
Se os jeans atestam a clarividência desta afirmação, é imperioso que se diga que não são os únicos responsáveis por esta inversão. A conotação da moda com “aparência jovem” remonta à expansão de uma cultura jovem quando, fruto das esperanças neles depositadas pelos adultos, começam a ser o centro das atenções e a ter uma palavra a dizer quanto ao seu futuro e à sua formação. O inconformismo das gerações de 50 e 60 leva-as a rever-se nos seus ídolos da música rock, nas jovens estrelas de cinema e em figuras do desporto. Ao mesmo tempo que o “conflito de gerações” se agudiza, o jovem desafia o luxo, vestindo de forma prática e descontraída, deixando transparecer o seu desejo de liberdade. Como salientei noutro post ,o descuidado, o gasto, o largueirão e até o sujo, passam a fazer parte integrante da moda jovem, que pretende também desvincular a conotação do vestuário com a classe social e impor um estilo cada vez mais personalizado que desafia os cânones tradicionais da moda.
Primeiro timidamente, os adultos começam a usar, também, cores garridas, roupas mais leves e descontraídas,em busca de uma aparência jovem,dando-se então a inversão referida por Yves Saint Laurent. Paralelamente ao que acontece com a publicidade que procura explorar o narcisismo dos consumidores para promover um produto, na moda assiste-se ao assassinato de Édipo por Narciso. O importante é parecer jovem e belo, pelo que os adultos incorporam no seu vestuário os códigos usados pela juventude.
Dando sequência a uma tendência que já se vinha verificando desde o início do século XX, o cinema e o desporto entram na moda, enquanto a moda se alia ao mundo do espectáculo num perfeito sistema de vasos comunicantes que vai alimentando a sociedade de consumo. E se noutros tempos o corte de cabelo à Greta Garbo ou Brigitte Bardot,o louro platinado de Jean Harlow ou as sobrancelhas depiladas de Marlene Dietrich, logo arranjavam imediatos seguidores; se bastava a um actor como Clark Gable ridicularizar num filme o uso da camisola interior, para que o mercado se ressentisse; se James Dean e Marlon Brando seduziam com as suas indumentárias desportivas e descontraídas e Lacoste ou Fred Perry criavam estilos de moda no sportswear ,hoje em dia é a moda a lançar as suas principais actrizes no mundo do espectáculo(as top models) .
Movimentando milhões, a corte da moda deambula com os seus actores (criadores, estilistas, agentes, fotógrafos, publicitários, jornalistas e modelos) entre Roma e Milão, Paris, Nova Iorque ou Tóquio, montando espectáculos sazonais, vistos por milhões de espectadores em todo o mundo, com o objectivo de venderem as suas criações,mas também uma ideia de juventude. Veículo promocional do conceito jovem, à top model não é permitido envelhecer e por isso, quando aparece a primeira ruga ou a pele ameaça desvendar um pouco de celulite, logo é lançada para o álbum de recordações . Pura e simplesmente, porque ... passou de moda

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Mudanças

A vitória do PSD nas eleições europeias pode prenunciar uma mudança nas opções dos portugueses em Outubro. No entanto, tal como acontece com as moscas, só os vampiros é que mudam...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

"De pequenino, se traça o destino..."


Aos cinco anos, Laura conheceu pela primeira vez o significado da palavra "desemprego".
Com apenas dois anos, os pais alugavam-na diariamente a uma vizinha que a utilizava como chamariz para pedir esmola junto de pessoas condoídas."Beliscava-me para eu chorar e às vezes batia-me até ficar negra, para que as pessoas sentissem pena"- explica sem grande ressentimento.
Um dia, três anos mais tarde, Laura foi devolvida aos seus progenitores por alegadamente estar excessivamente pesada e já não despertar "sentimentos de caridade".No dia em que deixou de ser "menina de aluguer", Laura foi sovada com chicote pelo pai que a acusava de comer demasiados doces que os clientes de uma pastelaria das Avenidas Novas frequentemente lhe ofereciam.Meses mais tarde, carregando com a culpa de "não servir para nada e ter sido despedida", Laura entrou para uma escola primária na zona do Lumiar. Desses tempos, recorda uma professora bondosa e de olhar sereno que constantemente a acarinhava e incitava a estudar "para ser uma grande mulher", mas o sentimento de culpa não a largava e Laura, mal terminadas as aulas, ia expiar as suas culpas vendendo "pensos rápidos" aos automobilistas que passavam na zona do Campo Grande.
Laura repartia o seu tempo entre as filas de trânsito e a escola. E assim foi crescendo, alheia ao mundo que a rodeava, emoldurado de crianças iguais a ela, brincando com "Barbies", sem direito ao sonho de um dia casar de grinalda e flor de laranjeira com o "Ken" do conto de fadas da sua imaginação.
"Menina de aluguer" nasceu... também assim cresceu!A Laura que hoje está diante de mim, sentada à mesa de um "bar americano", tem 19 anos e uma filha de apenas dois, para quem reserva os melhores momentos. No ecrã de uma televisão distante, desfilam figuras de telenovela às quais não se pode equiparar, mas que nela despertam as recordações dos tempos em que o pai e um tio a perseguiam à compita, atraídos pelo despertar de um corpo "de cobiça".
Por trás de um verde olhar mesclado de tristeza, esconde-se ainda uma esperança no futuro com que sonhou no dia em que, incapaz de suportar as disputas familiares e já apaixonada pelo Marco, a ele se entregou , em troca de promessas de "Liberdade". Foi esse o dia da partida (tinha então apenas16 anos) para um destino incerto que "quis o acaso" a conduziu ao mesmo bar onde hoje, em troca de uma garrafa de espumante, me conta a sua ainda curta vida. Vida povoada de sonhos, onde cabe ainda a força para terminar o 11º ano e arrostar com as dificuldades de uma licenciatura como assistente social "porque não quero mais ver crianças a sofrer como eu sofri".
Dos tempos repartidos entre o Campo Grande e a escola, passou a tempos divididos entre o aconchego a clientes da noite e o prazer de "viajar" na companhia dos livros que a acompanham até ao local de trabalho. "Sabe, a vida da noite não está fácil e muitas vezes, como não há clientes, aproveito o tempo para estudar ou para ler".
O patrão, caso raro, também se mostra compreensivo . Perante a força indómita de Laura e a sua "fúria de aprender", quando a noite "está mais fraca" lá a manda para casa, para os braços do seu Marco,onde desfruta de alguns momentos de ternura partilhados com Daniela, a filha de um momento de liberdade.
(Crónica publicada em 1998)

O assassino invisível


Já aqui escrevi, diversas vezes, que os "Dias de..." valem o que valem, mas não poderia deixar de vos lembrar, neste Dia Mundial do Ambiente, que anda por aí à solta um inimigo invisível , que é responsável por muitas das doenças que afectam a sociedade moderna: o monóxido de carbono.
Todos sabemos que os automóveis são os principais culpados pelo mau ar que respiramos nas cidades e por muitas mortes e doenças respiratórias e cardiovasculares que afectam quem nelas habita. Ao libertarem para a atmosfera grandes quantidades de óxido de azoto, monóxidos de chumbo e carbono, os automóveis assumem na hodierna vida urbana o papel de “assassinos de luxo”. Todos os admiramos, dificilmente prescindimos dele nas nossas deslocações, pagamos elevados preços pela sua companhia, mas desconhecemos que temos por companhia diária e imprescindível um assassino encapotado. Diga-se desde já, no entanto, que ao automóvel não podem ser assacadas todas as responsabilidades pela conspurcação do ar que respiramos.
O monóxido de carbono que os automóveis libertam, por exemplo, está presente em muitos outros aparelhos que nos ajudam a tornar o lar mais agradável e com mais conforto, especialmente no inverno. Para além dos automóveis, os esquentadores, caldeiras a carvão, chaminés, braseiras, salamandras ( e o inevitável cigarro) são fontes de produção de monóxido de carbono, resultado de uma combustão incompleta de substâncias orgânicas e seus derivados ( petróleo, carvão, gás e querosene).
A razão porque a maioria das pessoas não dá grande importância aos problemas que provoca, talvez se deva ao facto de se tratar de um gás silencioso, inodoro, incolor e insípido que actua como uma espécie de “assassino invisível e silencioso”.Como a sua densidade é semelhante à do ar, mistura-se com facilidade na atmosfera ambiente, seja a nível do solo, seja em camadas de ar mais elevadas. Penetrando no organismo através da respiração, o monóxido de carbono entra com facilidade nos pulmões e no sangue, substituindo o oxigénio na hemoglobina. A princípio os seus sintomas são dificilmente detectáveis: dores de cabeça e náuseas (que com facilidade atribuímos à ingestão de produtos alimentares). Só mais tardiamente, quando a mobilidade dos membros é afectada e surgem problemas neurológicos é que é possível identificar as causas, mas não são raras as vezes em que já não há nada a fazer.
Assim, é sempre bom mandar verificar os aparelhos a que fizemos referência, para ver se estão em bom estado. Por outro lado, sempre que estes estejam em funcionamento, tomem a precaução de manter os compartimentos arejados e os aparelhos e equipamentos bem conservados. Poderão, também, adquirir um detector de monóxido de carbono, mas alerto-vos desde já que estes aparelhos são pouco fiáveis e não devem ser colocados em locais húmidos, como é o caso das casas de banho.
Outro aspecto que merece a pena realçar, prende-se com a potência dos aparelhos. Um aquecedor a gás muito potente num compartimento de dimensões reduzidas cria condições favoráveis à produção de monóxido de carbono e no caso de casas com chaminé, um abaixamento brusco da temperatura exterior pode provocar perturbações de tiragem, e favorecer a concentração dos gases de combustão.
Portanto, já sabem. Tenham em atenção alguns cuidados, a fim de evitar dissabores com esse indesejado intruso que se chama monóxido de carbono, que entra em sua casa sem se fazer anunciar.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Porreiro, pá!

Nascimento Rodrigues, cansado de ser bola de ping-pong no jogo de interesses pérfidos do Centrão, demitiu-se do cargo de Provedor de Justiça. Entre as hipócritas trocas de acusações mútuas, ouvi uns suspiros de alívio de uns idiotas. Poderão continuar, durante mais alguns meses, a torpedear os mais elementares direitos dos cidadãos, sentados nos seus poderzinhos de acompanhantes de aluguer.Pela minha parte, fica o aviso. As queixas seguirão, directamente, para o Tribunal Administrativo. Custa dinheiro, mas não deixo que se riam de mim.
Entretanto, Jaime Gama, com a ironia que lhe é reconhecida afirmou:"Se com tanta facilidade se entenderam sobre, por exemplo, a lei do financiamento dos partidos, porventura convalidando soluções que nem sempre serão as mais adequadas, pois têm toda a oportunidadede se entenderem sobre a elição do novo provedor de justiça".
Ah, pois ter têm, o problema é que não querem!

Rochedo das Memórias (117) - Dos hipermercados da moda ao efeito "fastfood"


Acessível a todos, o pronto a vestir faz a fusão entre a indústria e a moda e torna-se um dos responsáveis pelo aparecimento dos hipermercados da moda.
As lojas da Printemps e Prisunic, as Galerias Lafayete ,os Mark and Spencer e C&A,ou a Zara e a Nastra, são alguns exemplos dos hipermercados da moda onde tudo se compra relacionado com o vestuário e seus correlativos, mas os novos estilistas e criativos a elas associados já nada têm a ver com a Alta Costura. Os nomes sonantes da moda são à época, Babette e Cacharel ,Emannuelle Kalin e Elie Jacobson, Gualtier e Coureges ou Issey Miyaké e Ted Lapidus.
Compreendendo a evolução da vida moderna , a moda adapta-se ao seu ritmo, criando modelos que facilitam a liberdade de movimentos e adoptam um estilo juvenil.
Homens da Alta Costura como Pierre Cardin e Yves Saint Laurent são dos primeiros a correr atrás das novas tendências que o pronto a vestir criou e, utilizando o seu prestígio e o da sua marca, lançam colecções personalizadas. Estava em pleno extertor a moda “feita à medida”; acompanhando a evolução social, a moda democratizava-se, em versão “fastfood”.
Assiste-se então a um fenómeno curioso: a moda sai dos recatados ateliers dos costureiros e salta para as ruas,invadindo-a com cartazes publicitários; os desfiles passam a ser mais abertos e das entradas feitas apenas por convite, passa-se ao sistema de entradas pagas; deixa de ter como principal escopo a classificação de um determinado estrato social, a grande preocupação passa a ser “look young!”;os estilos, os materiais, as formas e as cores deixam de ser imperativas e, nomeadamente na moda masculina, assiste-se ao fim do domínio das cores escuras e austeras. O vestuário passa a identificar mais a forma de pensar, do que a forma de viver, podendo mesmo dizer-se que, durante algum tempo, cada um veste de acordo com a sua ideologia ( nem sempre respeitando o mimetismo grupal) prenunciando desta forma a noção moderna de moda:o individualismo, ou estilo pessoal.
Nova tendência que reflecte também a ideologia do final de século XX e acentua a ideia de que existe uma relação importante entre a moda e a ideologia reinante.
Vivemos, actualmente, na época da moda a la carte ,embora permaneçam resquícios do menu do dia (leia-se: estações do ano).A criação é livre, embora condicionada pelo efeito sazonal, os consumidores são igualmente livres de fazer as combinações que mais lhes apraz...
Hoje em dia, já ninguém está fora de moda. Compra-se roupa mais em função do prazer de mudar do que por ostentação.O importante é o “look”, que se pretende dê uma ideia de juventude e realce inconformismo e desejo de emancipação face a valores tradicionais ,onde se esbate o mimetismo em relação ao superior e se procura uma identificação com o que está à nossa volta, mas sem abdicar de um toque individualista que marque a diferença .
As modas punk,new wave ou rasta são exemplos do que se acaba de dizer. Será que a moda no seu conceito classista e colectivista terminou? Em virtude das características cíclicas da moda é muito provável que reapareça em breve. Já há ,aliás, alguns sinais nesse sentido.
(Continua)

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Mulheres do meu blogobairro, escutai!

Compreendo perfeitamente a vossa dor. Eu sei que devem andar por aí a correr muitas lágrimas, mas não percam a esperança! ( sniff, sniff, sniff!)

A Porta


Não sei as condições em que vive, porque cada vez que lhe bato à porta, apenas uma frincha se entreabre. Sei que vive há 15 anos, com os três filhos, numa exígua casa de porteira com duas assoalhadas. Ao marido, trabalhador da construção civil, expulsou-o de casa há mais de cinco, numa madrugada em que chegou a casa bêbado e lhe deu (mais) uma tareia.
Sei que pelo seu corpo ainda jovem, evidenciando as marcas de maus tratos do homem e da vida que lhe foi madrasta, corre sangue fervente e na ponta da língua tem sempre resposta a um piropo atrevido. Tem um fraco por trabalhadores da construção civil. Daqueles que passam os dias empoleirados em andaimes, fixos ou móveis, balouçando ao sabor do vento. Depois de expulsar o marido de casa, apaixonou-se por um que, ao fim de um mês, desapertou o cinto para lhe cravar as marcas na pele. Disse-me, um dia :“este foi como uma rabanada de vento. Bateu forte, mas pôs-se logo a andar”.
Há dois meses começaram obras lá no prédio. Poucos dias depois, tornou-se perceptível que ela andava de namorico com um dos artistas do andaime. Consta que um fim de tarde ouviram o arfar de ambos na cave, junto aos contentores do lixo. A administração do prédio avisou-a que não toleraria a repetição da cena. Para lá da porta de sua casa, poderia fazer o que entendesse, mas nas partes comuns do prédio, se voltasse a ser apanhada, seria despedida.
O sangue fervia-lhe no corpo, pronto a explodir numa lava de desejo contido mas, com três filhos em casa, ela não arriscava franquear-lhe a porta.
No último sábado, surgiu a oportunidade. O pai dos filhos fazia anos e ela iria ficar sozinha em casa. Comunicou-lhe o facto e traçaram o plano. Ela cozinharia o seu prato preferido, ele apareceria por volta do almoço e, depois, entregar-se-iam um ao outro ao longo da tarde. Havia, porém, um pormenor. Ela não queria que ele tocasse à campainha. Quando chegasse perto do prédio, devia telefonar-lhe e ela deixaria a porta entreaberta para ele entrar. Se a porta estivesse fechada, não tocaria à campainha..
Na manhã de sábado ela aperaltou-se e cozinhou com esmero a feijoada, carregando no piri-piri, comprado pela manhã na mercearia do bairro, para ter a certeza que gozava de todas as suas propriedades.
Faltavam 15 minutos para a uma quando o telefone tocou. Nervosa, atendeu. Pôs mais duas gotas de perfume. Abriu a porta. Ele lembrou-se que se esquecera de lhe levar uma flor. Sem lhe dizer nada correu para a florista da esquina e comprou atabalhoadamente uma rosa encarnada. Voltou ao prédio. Quando chegou, a porta estava fechada. Uma rabanada de vento boicotara o encontro.
Aditamento: História publicada há tempos no Porta do Vento, a convite da Ana Vidal.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Rochedo das Memórias (116)- En Blues jeans et blouson de cuir

Os anos 60 viram aparecer os Beatles e os “hippies”,Cohn Bendit e o Maio de 68,os movimentos de emancipação dos negros, as preocupações ecológicas e a defesa dos direitos humanos ,a sociedade de consumo e a economia de mercado. Todos estes factores contribuiram, de alguma forma, para que a moda enveredasse por novos caminhos.
As pessoas passam a obedecer cada vez menos às imposições da Alta Costura, pois para se “estar na moda” já não é necessário vestir a cor que os costureiros procuram impôr, ou os modelos que sazonalmente apresentam. Numa época em que os valores da solidariedade se impõem, assiste-se ao aparecimento de um conceito de moda baseado no individualismo e ao triunfo do “estilo pessoal”, em que cada um procura vestir-se mais de acordo com o seu gosto do que com os padrões da moda.
As casas de Alta Costura, que desde os anos 20 se tinham lançado na exploração de perfumes e cosméticos, intensificam a sua actividade nesta área, que passa a representar para casas como Channel, Nina Ricci ou Yves Saint Laurent a grande fatia dos seus negócios. Já no final da década lançam mão de um outro expediente que se vem a revelar durante alguns anos, muito lucrativo: artefactos e adereços. Relógios,cintos,isqueiros,canetas,óculos,marroquineria,sportswear e roupa interior alimentam a indústria da Alta Costura. Estava dado o primeiro passo para o triunfo da marca, novo código do vestuário devidamente assinado que viria a conhecer o seu apogeu e posterior declínio com a contrafacção. Entrando no caminho promocional da marca, a favor do pronto a vestir de alta qualidade e da exploração da marca que pretende perpetuar ,a Alta Costura passa a confundir-se com a marca de prestígio que o marketing irá ajudar a promover.Com o aparecimento da contrafacção, a situação vai alterar-se... Vendida ao desbarato em feiras e por vendedores ambulantes, a assinatura de marca vai perdendo o seu fulgor e o seu prestígio, arrastando consigo a moda que deixa de ser luxo ,perde a sua identidade como arte perene e passa a cultivar o efémero.


Nos anos 70, os modelos únicos dão lugar ao pronto a vestir, a moda salta dos recatados ateliers dos costureiros para as ruas, invade cartazes publicitários e, combinando o "show bizz" com os efeitos mediáticos, põe os seus actores a desfilar na Piazza Navona ou no mar de Portofino, na Torre Eiffel ou em Central Park e penetra em terrenos outrora proibidos como a Muralha da China. O arrojo confere-lhe o direito de integrar o mundo das Belas Artes, outrora reservado a pintores, escultores, músicos e artistas. As mulheres vestem hotpants e calçam botas de cano alto e os homens embeiçam-se pelos sapatos de tacão alto e calças boca de sino. Nos anos 80 a moda torna-se acessível a todos, o pronto a vestir faz a fusão com a indústria e a moda e cria os seus hipermercados. Inspirando-se em modelos antigos recupera a tatuagem, fura narizes, orelhas e lábios, cria os adornos e adereços. Lança-se no mercado das vendas por catálogo e cria as suas próprias revistas. Os nomes sonantes doa década são Emannuele Kalin , Gualtier , Issey Miyaké e Armani. Mas um outro nome haverá de ficar ligado à moda: Lindbergh. Não aquele que em 1927 atravessou sozinho o Atlântico num voo sem escalas, mas um fotógrafo que, com as suas fotografias, contribuiu de forma decisiva para o aparecimento das “top-models”. No final do século, vive-se na época da moda à la carte, embora permaneçam resquícios do menú do dia (leia-se estação). A criação é livre, combinam-se as cores a belprazer e já ninguém está fora de moda. O importante é o look e a ideia de juventude que o vestuário possa transmitir, aliada a códigos que revelem inconformismo e emancipação. É o que sucede com as modas punk, rastra ou new wave. Como dizia Yves Saint Laurent, já não é a filha que veste como a mãe, mas exactamente o oposto. A sociedade de consumo alcançou assim vários triunfos: democratizou a moda ao criar o pronto a vestir, liberalizou os gostos, fugindo às imposições estilíticas, inverteu a pirâmide mimética que sempre caracterizou as suas regras, e promoveu a moda a elixir da juventude.
Veja também- Anos 6o: en blue jeans et blouson de cuir

Aviso aos vizinhos

Ando por aí, dependente da Internet sem fios, e tenho dificuldade em deixar os meus comentários nos vossos condomínios. Tenho também dificuldade em responder aos vossos comentários ( a falta de empo também não ajuda...)
Espero que comprendam e me desculpem.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Filho és....

O filho de Leonor Cipriano, a mulher acusada de ter matado a filha Joana, aterroriza Porches (DN).
O pai diz que já não aguenta o filho- que tem apenas 10 anos- e quer é vê-lo longe.
Três dos cinco filhos de Berlusconni, acusado pela mulher de manter relações com uma menor, saíram em defesa do pai. “Estamos muito orgulhosos do nosso pai e dos valores que nos transmitiu” (JN)
Os outros filhos não se pronunciaram.
Pareceu-me pertinente recordar estas notícias, da passada semana, no Dia da Criança.

Uma criança de Abril


Américo é um "sem abrigo" que, ainda há pouco tempo, gastava as suas noites para os lados da Almirante Reis.Aos oito anos, os pais privaram-no de ir à escola e arranjaram-lhe um trabalho na fábrica têxtil onde trabalhavam "para ajudar o sustento da família". Sempre que podia, fugia da fábrica para a escola, porque "aprender com o que se passa no mundo era tão importante para mim como beber um copo de água ". Perdeu a conta às vezes em que dormiu afogado na dor de uma tareia "por não cumprir os seus deveres com os irmãos mais novos".
Carregado por sentimentos de culpa, lá se foi habituando à ideia de que os livros "eram uma coisa de ricos " a que não podia aspirar e confortou-se com a ideia que o seu destino era ficar naquela aldeia beirã a cuidar dos irmãos mais novos.
Um dia, o Pai disse-lhe que não iam trabalhar porque tinha havido uma revolução em Lisboa e estavam em liberdade. Não sabia bem o que era isso de Liberdade, por isso correu para a escola para perguntar à professora. Encontrou a escola fechada, mas a professora estava à porta avisando os meninos que não havia aulas porque chegara essa tal de Liberdade, uma coisa que devia ser fantástica porque toda a gente falava dela. À sua pergunta, a professora respondeu com uma frase mágica:"Américo, agora ninguém te pode impedir de estudar!".
Tão iludido como a professora, Américo voltou à escola dias depois,ignorando as ameaças do Pai. Às habituais sovas paternas somaram-se outras do patrão e Américo começou a planear a fuga.Arranjou uma boleia, alegando que ia ver o pai" que estava a fazer a revolução em Lisboa". "Quando cheguei a Lisboa, havia tanta gente na rua, que me assustei.Não sabia para onde ir, mas sentia-me feliz porque toda a gente se ria para mim. Durante noites não dormi, mas comi até fartar porque todos me davam de comer e cheguei mesmo acomer em restaurantes".
Américo tinha então apenas 13 anos, não percebia o que se passava à sua volta, até que começou a ver que cada vez menos gente se oferecia para lhe comprar um copo de leite,ou apenas uma sandes.Não sabia o que se passava, mas começou a sentir fome e , como não tinha dinheiro, começou a entrar em cafés e restaurantes oferecendo-se para trabalhar. "Um dia alguém teve pena de mim e deixou-me ficar por um café onde, em troca de comida, levantava as mesas e lavava a louça. Mas durou pouco tempo... Uma manhã o patrão apanhou-me a dar um beijo à mulher- que não me largava- disse-me que me desenrascasse porque a vida estava má e ele ia fechar a loja. Sabia que era tudo "tanga", mas não tive outro remédio que não fosse voltar ao meu poiso no Rossio, até ser expulso para aqui. Trabalho arranjo de vez em quando, mas é tudo trabalho sujo e gostava de voltar à terra. Nunca mais vi ninguém de lá, não sei se os meus pais morreram ou estão vivos, mas tenho medo de voltar. Ninguém mais quis saber de mim, acho que as pessoas nunca me deram trabalho porque tiveram inveja de mim. Era bonito, as "garinas" encantavam-se e quem me podia dar emprego cortava-se. Agora sou um trapo."Américo tem agora 48 anos, poucas razões para sorrir e muitas para desesperar.
Aditamento: A foto é de Viana do Castelo e foi tirada daqui. Recomendo uma ida até lá, para conhecerem a sua história

Dia da Criança

Hoje assinala-se o Dia da Criança. Há 50 anos que os Direitos da Criança foram transcritos para o papel. Quantos anos mais levaremos a respeitá-los?

Presente do Norte

Esta semana recebi este presente. Vem de Viana do Castelo- uma das cidades de que mais gosto e a que me ligam belas recordações de juventude.
Obrigado bacouca, pela sua simpatia. Espero continuar a ser consciente e justificar a atribuição deste selinho