
Terminada a guerra, o vestuário torna-se, novamente, mais ligeiro e prático. A moda "new look", criada por Christian Dior, realça as linhas femininas. Saias de pregas, casacos justos realçando o busto e o fim dos enchumaços nos ombros, caracterizam as linhas do estilista francês. As meias de nylon, com costura atrás realçando o contorno das pernas, são a grande sensação da década que no entanto não terminaria, sem que as praias ficassem mais movimentadas, com os homens embasbacados a olhar para as mulheres que apenas cobriam o corpo com o biquini. Curiosamente, a moda do biquini não é lançada por nenhum costutreiro ou estilista, mas sim por um designer de automóveis francês: Louis Réard.
Nos anos 50,quando as mulheres começam a usar saltos altos, a roupa desportiva faz sucesso e uma ida à praia obriga a revolucionar o vestuário, são criadores como Christian Dior, Givenchy e Pierre Cardin a ditar as regras, mas é na década de 60 que se vai dar a grande transformação. A moda democratiza-se com a perda de influência dos costureiros- e das suas passagens de modelos reservadas a élites - agora destronados pela emergência dos estilistas que, diante do televisor e perante milhões de consumidores, exibem as suas criações nos corpos de "top-models" de cortar a respiração. Comprendendo a evolução da vida moderna, a moda adapta-se ao seu ritmo, criando modelos que facilitam a liberdade de movimentos e adoptam um estilo juvenil. A saia começa por ser mini, para depois virar maxi, aparecem as calças e são abolidos os saltos altos. "En blues jeans et blouson de cuir" se faz a moda jovem masculina, que Adamo pede de empréstimo para título de uma canção.
A moda deixa de ser luxo, perde a sua identidade como arte perene e passa a cultivar o efémero. O nome de Mary Quant(criadora da mini-saia) junta-se aos de Rabane, Courrèges e Yves Saint Laurent, sempre que se fala de moda. No mundo das top-models, Twiggy é o nome que anda nas bocas do mundo.
Mas a moda gosta de contrastes e decide brincar ao yo-yo. Depois do êxito obtido com a mini -saia, desafia-se a si própria com a maxi. E para as mulhers indecisas, cria a midi, que esconde os joelhos menos fotogénicos.
6 comentários:
Mas você está o máximo com os seus conhecimentos de moda e já agora acrescento: a Coco dizia «magreza nunca é demais»
Será?
Um abraço
Anad
Carlos
Um maravilhoso apanhado das transformações por que passou a moda no pós-guerra. Em poucos parágrafos, toda a revolução que se operou no campo das tesouras, agulhas e linhas e que, de certo modo, acabou dando mais liberdade de escolha à mulher moderna, já não tão prisioneira dos ditadores da moda.
Diz-se que hoje seguem-se mais às tendências, que a mulher tem mais liberdade de usar o que lhe caia melhor, sem se ater tanto aos ditadores da dita moda. Será? Ve-se cada coisa por ai!...
Mas a moda dos anos 40/50 era uma coisa formidavél.
Na minha cabeça ficou a Lauren Baccal eternamente bela e travessa...
beijos
Os jovens sempre viveram, vestiram, se enfeitaram baseados em seus mitos.
Twiggy foi a primiera top model globalizada no meu ponto de vista. E até hoje, a sua magreza dita a moda e faz reféns.
Fico com a mulher real. Nem Botero,nem Twiggy.
Em tempo, ontem vi uma programa sobre moda. Lá vários estilistas diziam que tiveram que optar pelas botas de cano altérrimo só para as de pernas finas!!!
As de pernas torneadas, ficam com o desejo.
Será uma opção estética?
Joelhos menos fotogénicos... Hoje é o bistúri que adapta o corpo à roupa ;)
Estes seus textos são muito bons. Uma deliciosa forma de revisitar a moda e a alteração de conceitos sociais.
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