Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Pequenos gestos, grandes lições!


Lembram-se da Sílvia? A maioria dos leitores do Rochedo não a conhecerá, pelo que sugiro uma leitura aqui
Ontem, à hora do almoço, disse-me que ia regressar à Moldávia no final do mês. Fiquei surpreendido, pois ela sempre manifestara vontade de regressar, mas apenas quando o Igor fizesse 5 anos, altura em que deverá entrar para a escola. Explicou-me que decidira regressar mais cedo porque o marido está sem trabalho desde Outubro e, asssim, já não compensa viver em Portugal."Para estar mal, prefiro voltar para a minha terra"- disse num sorriso amargo.
Quando paguei a conta, entregou-me um envelope e disse: "gostávamos muito que aceitasse".
Abri. Dentro estava uma fotografia da família e um convite para almoçar no domingo em casa deles.
Senti aquele nozinho na garganta e a visão ficar mais turva. Confirmei de imediato a minha presença. Depois, quando regressava ao meu gabinete de trabalho, fiquei a pensar como às vezes um pequeno gesto ultrapassa largamente o significado que lhe pretendemos dar.
Vou eleger os carapins como embaixadores da amizade Portugal-Moldávia

38 comentários:

  1. Lembro-me bem da história dos carapins.

    E que simpático o convite da Sílvia, é para com certeza ficar com mais memórias do bom que lhe aconteceu em Lisboa.
    E com sorte, o Carlos ainda vai comer algum prato típico da Moldávia.

    Muitas felicidades para ela.

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  2. Carlos,

    Um gesto de carinho e amizade ao presentea-la com os carapins, recompensado agora com uma foto, um convite, que encerram a gratidão e a amizade, que hão de ter sempre, pela acolhida que receberam quando nada esperavam...
    Lindos gestos. O seu e o deles, cada qual em seu momento especial...

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  3. Sabe o que estava a pensar, Carlos? Afinal as grandes cidades não devem ser assim tão des-humanizadas como dizem. Depois de ler o texto dos carapins (nós dizemos "patucos") quase acabei com uma lagriminha no canto do olho...
    (Tudo o anterior é verdade, menos o "quase".)

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  4. Patti: E não é que vou mesmo? A ementa será exclusivamente moldava!

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  5. Oh Carlos, e que tal se fizesse aqui um intercâmbio culinário?

    Pedia à Sílvia uma das receitas dela – mais simples- um doce típico, por exemplo e depois postava.
    Eu ia adorar experimentar!

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  6. Carlos,
    Obrigada pela emoção do post.
    Obrigada por me apresentar a Silvia e sua família.
    Generosidade. Grandiosidade e elegância na simplicidade.
    Lindo! Emocionante.
    Meu carinho para sua mamãe, para Silvia e família e meus desejos de que eles tenham muita sorte na Moldávia.
    Beijinho pra vc.

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  7. Dulce: O facto de ter sido andarilho, vagueando pelo mundo,talvez tenha contribuído para perceber melhor o que um pequeno gesto pode fazer para nos sentirmos mais confortáveis num país que nos é estranho.
    Foram esses pequenos gestos que me tornaram apaixonado pela Argentina, ou me fizeram detestar a Suíça.
    Sou um acérrimo defensor de programas como Erasmus, por exemplo( se não souber o que é, diga que eu explico) porque permitem aos jovens ter uma visão do mundo que a minha que era vedada à minha geração. Viajar ( não confundir com fazer turismo...) torna-nos melhores pessoas. Pelo menos eu acho...

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  8. Sun Iou Miou: essa questão é interessante, sabe? É que aprendi, ao longo da vida, que a ideia de que o campo é humanizado e a cidade não, é uma mentira. Conheci, no campo, pessoas com comportamentos perfeitamente irracionais e na cidade pessoas com grande espirito de solidariedade. O que eu tenho pena ( aqui em Lisboa, ou no Porto) é que os bairros tenham vindo a perder as suas características, mas ainda existem bons exemplos de gente sã. Como este blogobairro, por exemplo...

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  9. Patti: Tanto quanto julgo saber, a cozinha moldava é muito parecida com a romena, o que significa que quanto a doces estamos muito mal.
    Mas aceito o desafio e vou pedir a receita do que mais me agradar em salgados, pode ser?

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  10. Combinado.
    Mas veja lá os ingredientes; tem de haver nos nossos supermercados, ou então a Sílvia, que indique um local onde se possam comprar.

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  11. Luz: Espero que tenham sorte no seu país, porque sendo desejo deles regressar, depois de 12 anos a viverem em Portugal, bem merecem.
    Beijo para vc

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  12. Patti: Pelo que já me apercebi, de outras conversas, a maioria dos ingrediente que não existam em Portugal, são facilmente substituíveis por produtos nossos. Só alguns temperos são diferentes.

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  13. Carlos,

    Também acho que viajar nos faz melhores, porque conhecendo outras realidades vamos melhorando a nossa. E pequenos gestos, geralmente, são próprios de gente de alma grande.
    Não, não sei nada sobre o programa Erasmus. Se quiser fazer o favor de mo explicar, agradeço.

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  14. A minha mulher-a-dias é uma linda, simpática, educadíssima e paciente Moldava chamada Valentina.
    Está comigo há 6 anos, fui aúnica capz de lhe fazer um contrato de trabalho para ela renovar a estadia em Portugal; os outros "patrões" têm medo não sei de quê!
    As dificuldade que ela teve em mandar a filha (da idade dos meus filhos) para Portugal foi uma verdadeira prova de fogo. Nunca lhe vi um queixume, nunca perdeu o sorriso, nunca faltou ao emprego.
    Adora os meus filhos e eles também a adoram.
    Lembra-se sempre de mim nas pequenas coisas e eu lembro-me sempre dela.
    E a comida moldava, Carlos, é excelente!

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  15. Olá!
    Quando praticamos o bem, seguindo o nosso coração, sem esperar nada em troca, por vezes ficamos surpreendidos...
    Ainda há pessoas que nos surprendem pela positiva

    Beijocas

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  16. Um verdadeiro gesto de amizade e reconhecimento que sabe tão bem não é?

    E depois não há longe nem distâncias com as amizades do coração. Um abraço e muito boa sorte aos amigos moldavos :-)

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  17. gosto de saber destes gestos; acho que já não se fazem tanto... é difícil mostrar-se/dar-se ... (eu continuo a tentar não perder o jeito)

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  18. Concordo consigo , viajar torna-nos
    melhores pessoas .
    Hoje ganhou uma familia mais:) coisa preciosa nos tempos que correm. Já agora tb desejo boa sorte para a Sílvia .

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  19. Dulce: Resumindo, o Erasmus é um programa que permite aos jovens europeus estudar durante um período num país estrangeiro ( dentro do espaço da UE). Assim valorizam a sua formação e conhecem novas culturas.

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  20. Gi:Conheço bem os problemas dos imigrantes no nosso país e não me admiro com nada do que aqui relata.
    Entretanto, vejo que está em excelentes condições para dar à Patti as receitas que ela deseja!
    Ainda bem que me diz que a comida é boa. Pensava que fosse como a romena que, sinceramente, não aprecio.

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  21. Mocho:É verdade, sabe mesmo bem.

    Alex: Eu também.

    Anniehall: Principalmente, torna-nos mais tolerantes.

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  22. Lembro-me muito bem da Sílvia e dos carapins, deve ter sido um dos primeiros posts que li aqui no Rochedo e foi por causa dele que fiquei assídua, provavelmente rivalizou com as "memórias".
    Como calcula, tenho muito contacto com imigrantes do leste (pais e filhos) por causa da minha profissão. Regra geral as raparigas são excelentes alunas, os rapazes nem tanto, as mães trabalham imenso e são uma presença constante e positiva na escola.
    Do que conheço da comida moldava vai gostar de certeza, mas acho que esse aspecto será secudário, não é verdade?

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  23. Carlos,
    (Estava a ver que não conseguia comentar este post hoje, ufa!)
    Não conhecia a Sílvia, porque não conhecia o seu blog na altura em que postou.
    Foi o seu gesto que provocou outro gesto como reacção.
    O que os torna especiais, é que hoje em dia seja muito pouco usual essa troca de afectividades entre quem mal se conhece.
    As pessoas têm medo de mostrar o seu lado humano, receando expô-lo para aproveitamento ilícito de outrém.
    Reservam-se, afastam-se, desconfiam e na maioria das vezes até têm razão.
    Valham-nos exemplos destes para confirmar que não há regra sem excepção.

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  24. Carlos,

    Sem dúvida um programa excelente, que concorre para a melhor formação dos jovens europeus.
    Obrigad pela explicação.

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  25. Só hoje li a história dos carapins do bébé da Sílvia feitos pela mãe do Carlos. Uma história terna em muitos aspectos.
    Acho linda a ideia de escolher os carapins como embaixadores dessa amizade!
    Felicidades para a Sílvia, Igor e toda a família!

    :))

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  26. Lindíssimo.

    Coisas destas que me (nos) fazem acreditar nas pessoas.

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  27. São esta pequenas coisas que nos fazem sorrir e achar que a vida e a amizade nos devolvem coisas muito boas!

    Beijoca!

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  28. Fada: Concordo com o que diz em relação aos imigrantes de Leste. Também trabalhei ( e ainda trabalho) com muitos. Um dia destes publico alguns posts com trabalhos que fiz com alguns.
    Fico satisfeito por saber que a comida moldava é boa ( a Gi diz o mesmo). Pensava que fosse como a romena... Segunda-feira divulgo o menu.
    PS: quando acabar o RM sobre a censura, vou escrever sobre a moda.

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  29. Si: Também estou com imensa dificuldade em comentar e mesmo em aceder aos blogs. Não sei o que se passa esta noite...
    Quanto ao gesto da Sílvia enterneceu-me, confesso, porque já foi há muito tempo que lhe ofereci os carapins e, apesar de falar com ela muitas vezes, nunca tive qualquer contacto com a família. No eentanto, pouco tempo depois de o Igor ter nascido, levou-o ao restaurante para o apresentar aos clientes. Achei uma atitude muito bonita

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  30. mdsol: ssão coisas destas que nos fazem sentir que vale apena certas opções de vida.

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  31. São estes pequenos grandes gestos que valem os melhores momentos.

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  32. Cada vez gosto mais de ti, homem lindo.

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  33. Depois quando partirem ficarão as saudades e os bons momentos que passaram em convívio. O que a vida tira pode voltar a dar.

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  34. Apesar de andar arredada deste bairro, e de outros bairros da vida, é sempre bom quando regresso e aprendo um pouco mais com as tuas histórias, nem que seja aprender a convencer-me de que ainda há gente boa neste mundo... bjo

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  35. É um pouco como a história do arrumador a oferecer-me o almoço. Sentirmos que pertencemos ao lugar que habitamos, que as pessaos nos conhecem e que sentem por nós mais do que julgávamos.
    Só é pena que quem vem por bem não possa ficar para sempre.

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