Lembram-se da Sílvia? A maioria dos leitores do Rochedo não a conhecerá, pelo que sugiro uma leitura aqui
Ontem, à hora do almoço, disse-me que ia regressar à Moldávia no final do mês. Fiquei surpreendido, pois ela sempre manifestara vontade de regressar, mas apenas quando o Igor fizesse 5 anos, altura em que deverá entrar para a escola. Explicou-me que decidira regressar mais cedo porque o marido está sem trabalho desde Outubro e, asssim, já não compensa viver em Portugal."Para estar mal, prefiro voltar para a minha terra"- disse num sorriso amargo.
Quando paguei a conta, entregou-me um envelope e disse: "gostávamos muito que aceitasse".
Abri. Dentro estava uma fotografia da família e um convite para almoçar no domingo em casa deles.
Senti aquele nozinho na garganta e a visão ficar mais turva. Confirmei de imediato a minha presença. Depois, quando regressava ao meu gabinete de trabalho, fiquei a pensar como às vezes um pequeno gesto ultrapassa largamente o significado que lhe pretendemos dar.
Vou eleger os carapins como embaixadores da amizade Portugal-Moldávia
Lembro-me bem da história dos carapins.
ResponderEliminarE que simpático o convite da Sílvia, é para com certeza ficar com mais memórias do bom que lhe aconteceu em Lisboa.
E com sorte, o Carlos ainda vai comer algum prato típico da Moldávia.
Muitas felicidades para ela.
Carlos,
ResponderEliminarUm gesto de carinho e amizade ao presentea-la com os carapins, recompensado agora com uma foto, um convite, que encerram a gratidão e a amizade, que hão de ter sempre, pela acolhida que receberam quando nada esperavam...
Lindos gestos. O seu e o deles, cada qual em seu momento especial...
Sabe o que estava a pensar, Carlos? Afinal as grandes cidades não devem ser assim tão des-humanizadas como dizem. Depois de ler o texto dos carapins (nós dizemos "patucos") quase acabei com uma lagriminha no canto do olho...
ResponderEliminar(Tudo o anterior é verdade, menos o "quase".)
Patti: E não é que vou mesmo? A ementa será exclusivamente moldava!
ResponderEliminarOh Carlos, e que tal se fizesse aqui um intercâmbio culinário?
ResponderEliminarPedia à Sílvia uma das receitas dela – mais simples- um doce típico, por exemplo e depois postava.
Eu ia adorar experimentar!
Carlos,
ResponderEliminarObrigada pela emoção do post.
Obrigada por me apresentar a Silvia e sua família.
Generosidade. Grandiosidade e elegância na simplicidade.
Lindo! Emocionante.
Meu carinho para sua mamãe, para Silvia e família e meus desejos de que eles tenham muita sorte na Moldávia.
Beijinho pra vc.
Dulce: O facto de ter sido andarilho, vagueando pelo mundo,talvez tenha contribuído para perceber melhor o que um pequeno gesto pode fazer para nos sentirmos mais confortáveis num país que nos é estranho.
ResponderEliminarForam esses pequenos gestos que me tornaram apaixonado pela Argentina, ou me fizeram detestar a Suíça.
Sou um acérrimo defensor de programas como Erasmus, por exemplo( se não souber o que é, diga que eu explico) porque permitem aos jovens ter uma visão do mundo que a minha que era vedada à minha geração. Viajar ( não confundir com fazer turismo...) torna-nos melhores pessoas. Pelo menos eu acho...
Sun Iou Miou: essa questão é interessante, sabe? É que aprendi, ao longo da vida, que a ideia de que o campo é humanizado e a cidade não, é uma mentira. Conheci, no campo, pessoas com comportamentos perfeitamente irracionais e na cidade pessoas com grande espirito de solidariedade. O que eu tenho pena ( aqui em Lisboa, ou no Porto) é que os bairros tenham vindo a perder as suas características, mas ainda existem bons exemplos de gente sã. Como este blogobairro, por exemplo...
ResponderEliminarPatti: Tanto quanto julgo saber, a cozinha moldava é muito parecida com a romena, o que significa que quanto a doces estamos muito mal.
ResponderEliminarMas aceito o desafio e vou pedir a receita do que mais me agradar em salgados, pode ser?
Combinado.
ResponderEliminarMas veja lá os ingredientes; tem de haver nos nossos supermercados, ou então a Sílvia, que indique um local onde se possam comprar.
Luz: Espero que tenham sorte no seu país, porque sendo desejo deles regressar, depois de 12 anos a viverem em Portugal, bem merecem.
ResponderEliminarBeijo para vc
Patti: Pelo que já me apercebi, de outras conversas, a maioria dos ingrediente que não existam em Portugal, são facilmente substituíveis por produtos nossos. Só alguns temperos são diferentes.
ResponderEliminarCarlos,
ResponderEliminarTambém acho que viajar nos faz melhores, porque conhecendo outras realidades vamos melhorando a nossa. E pequenos gestos, geralmente, são próprios de gente de alma grande.
Não, não sei nada sobre o programa Erasmus. Se quiser fazer o favor de mo explicar, agradeço.
A minha mulher-a-dias é uma linda, simpática, educadíssima e paciente Moldava chamada Valentina.
ResponderEliminarEstá comigo há 6 anos, fui aúnica capz de lhe fazer um contrato de trabalho para ela renovar a estadia em Portugal; os outros "patrões" têm medo não sei de quê!
As dificuldade que ela teve em mandar a filha (da idade dos meus filhos) para Portugal foi uma verdadeira prova de fogo. Nunca lhe vi um queixume, nunca perdeu o sorriso, nunca faltou ao emprego.
Adora os meus filhos e eles também a adoram.
Lembra-se sempre de mim nas pequenas coisas e eu lembro-me sempre dela.
E a comida moldava, Carlos, é excelente!
Olá!
ResponderEliminarQuando praticamos o bem, seguindo o nosso coração, sem esperar nada em troca, por vezes ficamos surpreendidos...
Ainda há pessoas que nos surprendem pela positiva
Beijocas
Um verdadeiro gesto de amizade e reconhecimento que sabe tão bem não é?
ResponderEliminarE depois não há longe nem distâncias com as amizades do coração. Um abraço e muito boa sorte aos amigos moldavos :-)
gosto de saber destes gestos; acho que já não se fazem tanto... é difícil mostrar-se/dar-se ... (eu continuo a tentar não perder o jeito)
ResponderEliminarConcordo consigo , viajar torna-nos
ResponderEliminarmelhores pessoas .
Hoje ganhou uma familia mais:) coisa preciosa nos tempos que correm. Já agora tb desejo boa sorte para a Sílvia .
Dulce: Resumindo, o Erasmus é um programa que permite aos jovens europeus estudar durante um período num país estrangeiro ( dentro do espaço da UE). Assim valorizam a sua formação e conhecem novas culturas.
ResponderEliminarGi:Conheço bem os problemas dos imigrantes no nosso país e não me admiro com nada do que aqui relata.
ResponderEliminarEntretanto, vejo que está em excelentes condições para dar à Patti as receitas que ela deseja!
Ainda bem que me diz que a comida é boa. Pensava que fosse como a romena que, sinceramente, não aprecio.
MJF: É iso que nos vai valendo.
ResponderEliminarMocho:É verdade, sabe mesmo bem.
ResponderEliminarAlex: Eu também.
Anniehall: Principalmente, torna-nos mais tolerantes.
Lembro-me muito bem da Sílvia e dos carapins, deve ter sido um dos primeiros posts que li aqui no Rochedo e foi por causa dele que fiquei assídua, provavelmente rivalizou com as "memórias".
ResponderEliminarComo calcula, tenho muito contacto com imigrantes do leste (pais e filhos) por causa da minha profissão. Regra geral as raparigas são excelentes alunas, os rapazes nem tanto, as mães trabalham imenso e são uma presença constante e positiva na escola.
Do que conheço da comida moldava vai gostar de certeza, mas acho que esse aspecto será secudário, não é verdade?
Carlos,
ResponderEliminar(Estava a ver que não conseguia comentar este post hoje, ufa!)
Não conhecia a Sílvia, porque não conhecia o seu blog na altura em que postou.
Foi o seu gesto que provocou outro gesto como reacção.
O que os torna especiais, é que hoje em dia seja muito pouco usual essa troca de afectividades entre quem mal se conhece.
As pessoas têm medo de mostrar o seu lado humano, receando expô-lo para aproveitamento ilícito de outrém.
Reservam-se, afastam-se, desconfiam e na maioria das vezes até têm razão.
Valham-nos exemplos destes para confirmar que não há regra sem excepção.
Carlos,
ResponderEliminarSem dúvida um programa excelente, que concorre para a melhor formação dos jovens europeus.
Obrigad pela explicação.
Só hoje li a história dos carapins do bébé da Sílvia feitos pela mãe do Carlos. Uma história terna em muitos aspectos.
ResponderEliminarAcho linda a ideia de escolher os carapins como embaixadores dessa amizade!
Felicidades para a Sílvia, Igor e toda a família!
:))
Lindíssimo.
ResponderEliminarCoisas destas que me (nos) fazem acreditar nas pessoas.
São esta pequenas coisas que nos fazem sorrir e achar que a vida e a amizade nos devolvem coisas muito boas!
ResponderEliminarBeijoca!
Fada: Concordo com o que diz em relação aos imigrantes de Leste. Também trabalhei ( e ainda trabalho) com muitos. Um dia destes publico alguns posts com trabalhos que fiz com alguns.
ResponderEliminarFico satisfeito por saber que a comida moldava é boa ( a Gi diz o mesmo). Pensava que fosse como a romena... Segunda-feira divulgo o menu.
PS: quando acabar o RM sobre a censura, vou escrever sobre a moda.
Si: Também estou com imensa dificuldade em comentar e mesmo em aceder aos blogs. Não sei o que se passa esta noite...
ResponderEliminarQuanto ao gesto da Sílvia enterneceu-me, confesso, porque já foi há muito tempo que lhe ofereci os carapins e, apesar de falar com ela muitas vezes, nunca tive qualquer contacto com a família. No eentanto, pouco tempo depois de o Igor ter nascido, levou-o ao restaurante para o apresentar aos clientes. Achei uma atitude muito bonita
mdsol: ssão coisas destas que nos fazem sentir que vale apena certas opções de vida.
ResponderEliminarNiagara e Pepita: É mesmo!
ResponderEliminarSão estes pequenos grandes gestos que valem os melhores momentos.
ResponderEliminarCada vez gosto mais de ti, homem lindo.
ResponderEliminarDepois quando partirem ficarão as saudades e os bons momentos que passaram em convívio. O que a vida tira pode voltar a dar.
ResponderEliminarApesar de andar arredada deste bairro, e de outros bairros da vida, é sempre bom quando regresso e aprendo um pouco mais com as tuas histórias, nem que seja aprender a convencer-me de que ainda há gente boa neste mundo... bjo
ResponderEliminarÉ um pouco como a história do arrumador a oferecer-me o almoço. Sentirmos que pertencemos ao lugar que habitamos, que as pessaos nos conhecem e que sentem por nós mais do que julgávamos.
ResponderEliminarSó é pena que quem vem por bem não possa ficar para sempre.
Que lindo!
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