Olá!
Com autorização do Carlos, cá estou outra vez para vos dar notícias da nossa estadia em Roma.
Na sexta –feira à tarde o Carlos foi para mais uma daquelas reuniões com jornalistas, (que é uma coisa que ele adora), e combinámos encontrar-nos na Piazza del Popolo ao fim do dia. Fui passear de mapa na mão e máquina fotográfica ao ombro mas às tantas, já cansada, sentei-me numa esplanada da Piazza Navona para comer um gelado.Estava uma tarde de sol lindíssima e acabei por comer um semi-frio de frutos silvestres e um Tartufo acompanhados de dois “bicchieri” ( não traduzo porque assim quem não souber o que é um “bicchieri” não vai ficar a pensar que sou uma bêbada). A verdade é que aquilo caiu-me na fraqueza e fiquei um bocado atordoada. Queria ir ter com ele, mas o meu cérebro recusava-se a decifrar o mapa. Ainda lavei a cara numa das fontes, mas não resultou. Felizmente ainda tive clarividência suficiente para perceber que uma gaja com ar finaço e penteado “rasta” se tentou afivelar com a minha carteira. Dei-lhe uma murraça com tanta força, que a gaja saiu dali a 300 à hora.
Como já era noite, estava em cima da hora de nos encontrarmos e o Carlos é extremamente pontual, tentei sair daquele emaranhado de ruelas e desaguar na Via del Corso. Sabia que, lá chegada, caminhando sempre em frente, iria dar à Piazza del Popolo. Ao empreender a caminhada, um polícia que se apercebera da cena veio ter comigo a perguntar o que se passara. Expliquei-lhe e ele disse que a gaja já era conhecida, mas para a prenderem eu teria que ir com ele apresentar queixa à esquadra. Disse-lhe que não podia, porque tinha uma amiga à minha espera e já estava atrasada, mas não sabia como chegar ao local do encontro. O polícia, que até era bem engraçadinho, ofereceu-se logo para me indicar o caminho até à Via del Corso e eu aproveitei a boleia, claro!
Entretanto o Carlos ligou-me, preocupado, a perguntar se me perdera. Disse-lhe que sim, mas que já tinha encontrado o caminho e não me ia demorar. Ele disse-me que então iria pela Via del Corso e nos encontraríamos. Quando finalmente desaguei com o polícia na Via del Corso ( estou convencida que ele andou ali às voltinhas para estender a conversa e tentar combinar um encontro para mais tarde…) agradeci e comecei a despedir-me, mas o giraço não desgrudava e continuou a caminhar ao meu lado, fazendo imensas perguntas sobre mim e a minha amiga, o que estávamos a fazer, enfim, vocês sabem como é quando um gajo está querer preparar o terreno…). Às tantas vejo o Carlos a vir em sentido contrário e fiz um último esforço para me desenvencilhar do bófia, mas o gajo agarrou-me pelo braço, insistindo que me ia levar até à minha amiga. Agora, imaginem a cara do Carlos quando me vê agarrada por um polícia e a cara do polícia quando viu que a minha amiga afinal era um homem! Foi-se logo a simpatia toda e começou a dizer ao Carlos que tínhamos de ir à esquadra apresentar queixa da "rasta".
Temi o pior, mas desta vez o Carlos controlou-se, exibiu o seu charme e desarmou o polícia dizendo que tínhamos um ministro à nossa espera no Hotel Excelsior para ser entrevistado. O polícia lá se convenceu e apenas disse com ar severo:
“Já devia saber que não se deixa uma jovem bonita assim à toa em Roma depois do sol se pôr!”
Aparentemente satisfeito com a reprimenda, afastou-se em passo de galope. Durante o jantar, pensei imensas vezes no desapontamento que deve ter sido para o homem, que já se devia estar a imaginar a fazer um figuraço com duas garinas numa noite de Roma, encarar com um homem de barba rija, em vez de uma giraça que lhe deve ter posto os neurónios a salivar.


13 comentários:
Martinha,
Fico só imaginando a cara do policial! E a decepção.....rsrsrs
Pelo jeito vai ter muito mais história a contar, se é certo o que o policial disse sobre mulheres bonitas depois do por do sol... Aproveite! :)
Martinha,
Aqui para nós que ninguém nos ouve, devia ter aceite o convite do 'carabinieri', porque daquilo que eu (pouco) conheço de Itália, são todos escolhidos a dedo!!!
- omni soit qui mal y pense...rsrsrsr
Tadinho do bófia, ele só queria ajudar...
Ah, la dolce Vita romana:))
(Excelente "retrato" do ambiente...)
Gostei muito das crónicas da Martinha!
Como também estou recem chegada de Roma... é também reavivar memórias frescas!
Mas Martinha as minhas fotos desses mesmos locais estão a abarrotar de gente!
Então a Piazza del Popolo era um dos pontos de abastecimento da Maratona...
Boa viagem!
Hummmmmmmm Italiano, catita... Não sei onde anda com a cabeça Martinha... Vai deixar assim o moçoilo desapontado? ehehehe
:))))
Mas que mania com mentir! Então custava muito dizer que ia ter com o Carlos Barbosa de Oliveira, ó Marinha? Ou é que ele foi a Roma de incógnito?
(Ma che c'era nel bicchiere? Grappa?)
~grandes aventuras, portanto...
Que embrulhada... Parece a história dos filmes de umas gémeas que vão as duas para sa grandes cidades e se metem em... embrulhadas!
Bom, mas como nos filmes, já estão a salvo, cá no nosso cxantinho,
Home sweet home, né?
LUZ: Ainda agora me rio quando lembro a cara dele, sabe?
A SENHORA: Foi pena, mas já acabou!
SI: Gosto mais dos portugueses. Os italianos são muito atrevidos para o meu gosto. Exijo respeitinho.
SALVOCONDUTO: Acha mesmo que ele queria só ajudar? É ingénuo ou está a brincar comigo?
JUSTINE: Doce Vita, mesmo!
ALCINDA LEAL: Esqueci-me de relembrar que as fotografias não são minhas´e que as fanei da Internet. Só amanhã é que vou mandar revelar as minhas, porque eu não uso digital.Também gostou de Roma? Mas essa da Maratona não me apercebi, não. Quando foi?
O comentário anterior é meu e não do Carlos. Ainda não estou muito familiarizada com isto dos comentários e agra saiu asneira. Tenho de pedir ao Carls que emende, que eu não sei.
MDSOL:Ai, foi tão dvertdo, que nem imagina!
SUN IOU MIOU: Eu já disse que às vezes sou estúpida, mas pensei que se dissese que ia ter com um amigo ele continuasse a insistir em evar-me para a esquadra para apresentar queixa.Bicchieri não é GRAPPA, não, é ...um copo de vinho. Já está a pensar que sou maluca por beber vnho com gelado, não é? Nunca faço isso, foi a euforia de estar em ROma que me deu volta á cabeça.
VIOLETA: Foram pelo menos boas. Para mim foi uma festa. Já estou a ver as minhas amigas a rirem-se de mim e das minhas parvoices
O polícia estava era feito com a 'rasta' para depois conhecer meninas desprotegidas, isto é, meninas sem Rochedo!
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