segunda-feira, 16 de março de 2009

Novas Oportunidades

Critica-se muito o investimento público em tempo de crise. Eu não percebo nada de economia ( o que é uma vantagem sobre os economistas, pois assim ninguém me acusa de estar sempre a errar as previsões), mas sempre me pareceu uma boa ideia o Estado investir para dinamizar a economia. Vou tentar explicar porquê.
Depois de ter escrito sobre a tendência dos portugueses para a lamechice- uma questão transversal à sociedade portuguesa- dei comigo a matutar no comportamento dos empresários portugueses.
Quando as coisas correm mal, a economia estagna, ou o país entra em recessão, os empresários culpam o governo e desatam a pedir subsídios para salvar a sua área de actividade. Em tempo de vacas gordas, os mesmos empresários acusam o Estado de ingerência, de impedir o funcionamento livre do mercado, de não o deixar auto-regular-se e chamam a si os louros pelos êxitos alcançados.
Embora esta postura não seja exclusiva do empresário português, tem uma forma peculiar de se expressar em terras lusas, porque é maioritária.
Em tempo de crise, Portugal precisava de empresários ousados, capazes de aproveitar as oportunidades que uma crise económica sempre traz acopladas. A verdade, porém, é que se em tempo de vacas gordas, a maioria dos empresários portugueses é avessa ao risco, não podemos esperar que seja em tempo de crise que apareça gente a arriscar grandes investimentos.
É óbvio que sendo o empresário português iletrado ( é bom não esquecer que cerca de 90% tem como habilitações literárias a antiga 4ª classe), não há razões para grandes expectativas na inversão da tendência para o risco ZERO.
Ora se os empresários não investem, parece-me natural que o Estado o faça…
Aliás, penso mesmo que o governo deveria aproveitar para lançar uma nova versão do programa “Novas Oportunidades”, destinada aos empresários portugueses.

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