terça-feira, 31 de março de 2009

A "rasta", o polícia e os"bicchieri"

Piazza Navona
Olá!

Com autorização do Carlos, cá estou outra vez para vos dar notícias da nossa estadia em Roma.
Na sexta –feira à tarde o Carlos foi para mais uma daquelas reuniões com jornalistas, (que é uma coisa que ele adora), e combinámos encontrar-nos na Piazza del Popolo ao fim do dia. Fui passear de mapa na mão e máquina fotográfica ao ombro mas às tantas, já cansada, sentei-me numa esplanada da Piazza Navona para comer um gelado.Estava uma tarde de sol lindíssima e acabei por comer um semi-frio de frutos silvestres e um Tartufo acompanhados de dois “bicchieri” ( não traduzo porque assim quem não souber o que é um “bicchieri” não vai ficar a pensar que sou uma bêbada). A verdade é que aquilo caiu-me na fraqueza e fiquei um bocado atordoada. Queria ir ter com ele, mas o meu cérebro recusava-se a decifrar o mapa. Ainda lavei a cara numa das fontes, mas não resultou. Felizmente ainda tive clarividência suficiente para perceber que uma gaja com ar finaço e penteado “rasta” se tentou afivelar com a minha carteira. Dei-lhe uma murraça com tanta força, que a gaja saiu dali a 300 à hora.

Como já era noite, estava em cima da hora de nos encontrarmos e o Carlos é extremamente pontual, tentei sair daquele emaranhado de ruelas e desaguar na Via del Corso. Sabia que, lá chegada, caminhando sempre em frente, iria dar à Piazza del Popolo. Ao empreender a caminhada, um polícia que se apercebera da cena veio ter comigo a perguntar o que se passara. Expliquei-lhe e ele disse que a gaja já era conhecida, mas para a prenderem eu teria que ir com ele apresentar queixa à esquadra. Disse-lhe que não podia, porque tinha uma amiga à minha espera e já estava atrasada, mas não sabia como chegar ao local do encontro. O polícia, que até era bem engraçadinho, ofereceu-se logo para me indicar o caminho até à Via del Corso e eu aproveitei a boleia, claro!

Piazza del Popolo

Entretanto o Carlos ligou-me, preocupado, a perguntar se me perdera. Disse-lhe que sim, mas que já tinha encontrado o caminho e não me ia demorar. Ele disse-me que então iria pela Via del Corso e nos encontraríamos. Quando finalmente desaguei com o polícia na Via del Corso ( estou convencida que ele andou ali às voltinhas para estender a conversa e tentar combinar um encontro para mais tarde…) agradeci e comecei a despedir-me, mas o giraço não desgrudava e continuou a caminhar ao meu lado, fazendo imensas perguntas sobre mim e a minha amiga, o que estávamos a fazer, enfim, vocês sabem como é quando um gajo está querer preparar o terreno…). Às tantas vejo o Carlos a vir em sentido contrário e fiz um último esforço para me desenvencilhar do bófia, mas o gajo agarrou-me pelo braço, insistindo que me ia levar até à minha amiga. Agora, imaginem a cara do Carlos quando me vê agarrada por um polícia e a cara do polícia quando viu que a minha amiga afinal era um homem! Foi-se logo a simpatia toda e começou a dizer ao Carlos que tínhamos de ir à esquadra apresentar queixa da "rasta".

Temi o pior, mas desta vez o Carlos controlou-se, exibiu o seu charme e desarmou o polícia dizendo que tínhamos um ministro à nossa espera no Hotel Excelsior para ser entrevistado. O polícia lá se convenceu e apenas disse com ar severo:

“Já devia saber que não se deixa uma jovem bonita assim à toa em Roma depois do sol se pôr!”

Aparentemente satisfeito com a reprimenda, afastou-se em passo de galope. Durante o jantar, pensei imensas vezes no desapontamento que deve ter sido para o homem, que já se devia estar a imaginar a fazer um figuraço com duas garinas numa noite de Roma, encarar com um homem de barba rija, em vez de uma giraça que lhe deve ter posto os neurónios a salivar.




Em jeito de despedida

Aproveito hora do almoço para vos dar notícias e agradecer a forma simpática como acolheram a Martinha. Ela é um bocadinho irreverente e contou coisas que não devia, mas é boa mocinha. Pedi-lhe para fazer o relato da estadia em Roma e espero que ela se saia bem desta tarefa. (Em tempo oportuno farei o meu relato). No entanto, intimei-a a esclarecer algumas coisas acerca dela, para que fiquem a conhecê-la um bocadinho melhor. Desculpem-na se ela der alguns erros de vez em quando,porque ela não é portuguesa e por vezes tem falhas. Hoje ao fim do dia regressamos a Lisboa e a partir de amanhã voltarei a visitar-vos e a postar com regularidade. Desculpem a ausência, mas desta vez não deu mesmo para mais.

segunda-feira, 30 de março de 2009

A Martinha em Roma. Uau!!!

Olá!
Eu sou a Martinha e estou em Roma com o Carlos. Peço desculpa pela intromissão aqui no Rochedo, mas senti-me no dever de escrever um post, para compensar os problemas que criei ao Carlos nestes últimos dias. Ele anda um bocado triste e também preocupado por não ter tempo para escrever e eu sinto-me um bocado culpada disso, daí que esteja a escrever este post, aproveitando o facto de a internet aqui no hotel ser à borla e estar à espera que ele venha buscar-me para irmos jantar.Vou tentar explicar, em breves palavras, o que se passou.
Há tempos o Carlos prometeu-me que um dia me traria a Roma. Desde esse dia ele já veio cá pelo menos três vezes, mas nunca cumpriu a promessa. Quando soube que ele vinha cá passar uns dias lembrei-lhe a promessa que me fizera há uns anos e exigi ( é esse mesmo o termo) que a cumprisse.
Começou por alegar que vinha em trabalho e não podia por isso fazer-me companhia, mas eu sei bem que a desculpa não era totalmente verdade, pois sei o que ele veio cá fazer e, além disso, metia-se um fim de semana pelo meio, em que ele me podia fazer companhia. A minha mãe disse-me que o Carlos gosta de viajar sozinho, sempre foi assim, e o melhor era eu arranjar uma amiga que viesse comigo e pedir ao Carlos que me pagasse a viagem. Expliquei-lhe que não seria fácil arranjar uma amiga da minha idade que viesse comigo para Roma, porque as minhas amigas são todas umas tesas como eu, porque também estão desempregadas. É verdade que já tive dois namorados que me quiseram trazer com eles, mas o que eu menos desejava era vir para Roma atrelada a um gajo, porque isso é coisa que não falta por aqui. Eu queria era mesmo vir com o Carlos e, desta vez, consegui!Ao fim de cinco dias percebo que fui estúpida, porque as coisas não estão a correr como desejava. As coisas começaram a correr mal logo no aeroporto em Lisboa. Havia de ser logo num aeroporto, um sítio que o Carlos detesta, desde aquele episódio na Argentina, quando a namorada foi levada pela polícia no aeroporto de Buenos Aires…
O Carlos avisou-me que iria fazer o check-in electrónico, por isso devia trazer pouca bagagem. Com algum esforço cumpri o que me pediu, mas esqueci-me que era proibido trazer embalagens de líquidos com mais de 100ml. Ficaram-me com o perfume e o desodorizante, mas nem me ralei muito, porque já estavam quase vazios e tencionava comprar embalagens novas na “freeshop”. O problema foi quando me apreenderam uma embalagem de Betadine e umas gotas para os olhos de que tenho absoluta necessidade. O Carlos tentou explicar que aqueles medicamentos me eram imprescindíveis, que nenhuma das embalagens continha já mais de 15 ml, mas a jovem foi inflexível e disse que se quisesse trazê-los teria de ir fazer o check in. Como já não dava tempo, tive mesmo que os deixar no aeroporto. Tentei acalmá-lo, mas como ele quando vê uma farda fica possesso ( está também relacionado com o episódio da Argentina, como é bom de ver) perdeu completamente o controlo e pediu o Livro de Reclamações. A jovem, carinha laroca de 1,80m respondeu com ar cínico:
- Quer fazer queixa de mim por estar a cumprir os regulamentos?
Quando o Carlos respondeu, fiquei verde. Sabem o que é que ele lhe disse?
“ Não, não quero apresentar queixa. Quero só dizer aos seus superiores hierárquicos que já a deviam ter nomeado secretária-geral da companhia. É suficientemente estúpida para não pensar e apenas cumprir os regulamentos, por isso está na altura de ser promovida”.
Depois agarrou-me por um braço e rebocou-me para o avião. Fez toda a viagem quase em silêncio, que eu respeitei, porque percebi logo que a cena de Buenos Aires se lhe tinha instalado na cabeça para não mais sair. Por um lado até foi bom, porque assim ele nem se apercebeu que a única coisa pior do que viajar num avião só com portugueses, é viajar numa mistura de portugueses e italianos saídos de um filme do Ettore Scola.
À minha frente sentou-se uma italiana com metro e meio de diâmetro, com ar de vendedora de fruta no Campo dei Fiori, que falava mais alto do que a claque inteira da Juve Leo. A determinada altura reclinou a cadeira e eu tive que me encolher tanto, tanto, tanto, que cheguei a temer não poder andar quando chegássemos a Roma. Felizmente consegui. Fomos para o hotel, mas como o Carlos ia trabalhar, aconselhou-me a visitar o Coliseo, que ficava a poucos metros.

Lá fui ver aquelas ruínas todas, tirei umas fotografias ( não são as que estão aver, porque estas fanei-as na Internet) e depois continuei a passear pelo Palatino e pelo Foro Romano. Ao pé da casa de um tal Augusto sentei-me num banquinho para fumar um cigarro. Já tinha recusado comprar tudo quanto me ofereciam (desde t-shirts pirosas a réplicas em miniatura de tudo quanto é ruína), quando se abeiraram de mim dois italianos. Perguntaram-me de onde era e passaram logo à acção, oferecendo os seus préstimos para me mostrar a cidade. Mandei-os dar “uma curva” e regressei ao hotel.
À hora do jantar consegui arrancar um sorriso ao Carlos, quando ele me perguntou o que achara do Coliseo. Apesar de ser benfiquista -desde que há 10 anos vim viver para Portugal- respondi-lhe:
“ Fez-me lembrar o velho estádio da Luz. Aquele Terceiro Anel do Coliseo devia ser quase tão imponente como o que o Luís Filipe Viera mandou deitar abaixo. Estes ao menos guardaram as ruínas.”.
Nem imaginam o que me custou dizer isto, mas queria ver o Carlos bem diposto, poque quando está com a neura é insuportável. ( Bem, estou a exagerar um bocadinho, mas prontos...)
E foi assim o meu primeiro dia em Roma. Apesar de tudo a estadia tem sido bastante agradável e o Carlos já está um bocadinho mais bem disposto. Se ele me deixar, antes de irmos embora ainda vou escrever sobre alguns episódios muito giros que por aqui se passaram.
Agora digam-me uma coisa: acham que fiz mal em exigir ao Carlos que me trouxesse com ele? Afinal ele prometeu-me que me trazia a Roma quando eu fiz 21 anos e em Abril já vou fazer 26… Vocês aguentavam tanto tempo?


sábado, 28 de março de 2009

Não se esqueçam que esta noite devem adiantar os relógios uma hora!
Bom fds
( Se tudo tiver corrido dentro da normalidade, por esta hora talvez esteja a comer um "risotto al fromagio" algures no Trastevere)

quarta-feira, 25 de março de 2009

Let's fall in love?



Os portugueses andam tristes, cabisbaixos, vergados sob o efeito da crise. Nem estes belos dias de sol com temperaturas amenas parecem capazes de libertá-los do pesado fardo que carregam. Se pertence a esse grupo que pensa que já nada o diverte, anda com medo de ser despedido(a) e que não lhe renovem o contrato, ou está chateado (a) porque o emprego seu de cada dia é uma apagada e vil tristeza, dou-lhe um conselho: apaixone-se!


É bom estar apaixonado, sabem? A gente perde aquele ar sisudo de quem saiu da Repartição de Finanças, depois de volatilizar o subsídio de férias num imposto e fica com aquele olhar dengoso e quebrado, mirando-se ao espelho, enquanto sonha com a felicidade eterna.

Quando estamos apaixonados tudo é diferente. Ser “atropelado” por dois chineses, mais meia dúzia de putos mal educados na fila do autocarro, e ter de esperar pelo seguinte sob chuva torrencial, torna-se subitamente um pretexto para um arrolhar amoroso, de fazer inveja às gastas histórias de amor dos anos 30.

Encontrar a casa invadida pelo fumo emanado do andar do vizinho que decidiu assar sardinhas na varanda, é um óptimo pretexto para convidar o(a) parceiro(a) para um jantar romântico.

Tropeçar num monte de sacos de lixo descuidadamente deixados na rua, por preguiça de alguém em os colocar no contentor, ou apanhar um banho provocado pelo descuido de um condutor que não evitou a poça de água, são histórias que se arquivam no sótão das nossas memórias para mais tarde recordar.

Um monstruoso engarrafamento que enfurece qualquer mortal, transforma-se em algo insignificante, pretexto sublime para trocar promessas de amor eterno, se estivermos irremediavelmente apaixonados.

Para quê protestar contra o trânsito caótico, a indisciplina nas filas do autocarro, o lixo acumulado nas ruas, o ruído das obras que nos acordam às sete da manhã, o chefe que é grunho, o salário que é escasso, a televisão que não presta, o governo que não consegue debelar a crise, a Manuela Ferreira Leite que tem solução para todos os problemas mas faz caixinha, se a solução é tão fácil? Apaixonem-se e verão que nada disto tem importância.

O amor é o remédio mais barato contra a crise e nem precisa de ser aviado na farmácia. Tomem uma embalagem inteira. Ficarão com os vossos problemas resolvidos e acabarão a dizer: Que bom é viver em Portugal!.

Se por acaso não quiserem seguir este conselho, então façam como eu: pirem-se durante uns dias e recarreguem baterias.




Está-se tão bem a tomar uma bebida ao fim da tarde na Piazza Navona…

Ai que saudades!

É maravilhoso ter esta vizinhança. A Alex enviou-me este fabuloso presente para a viagem. Como não sou invejoso, decidi partilhá-lo com vocês, porque é imperdível! Vejam tudo e deixem os vossos comentários.

terça-feira, 24 de março de 2009

Até ao meu regresso

Nos próximos dias não vou poder visitar-vos, porque estarei longe daqui. Tentarei dar notícias e, para tentar quebrar a nostalgia que a Primavera trouxe este ano ao blogobairro, deixo agendado um post com uns conselhos para quem anda mais cabisbaixo.
Até breve

Não precisa explicar...

...Eu só queria entender!
A AR aprovou, na semana passada, uma lei que permite a uma criança de 16 anos ter uma arma. Aos 16 anos, qualquer um pode comprar bebidas alcoólicas nos supermrecados e embebedar-se nas discotecas ( embora muitos o façam aos 13 e 14, com a complacência dos seguranças, que os deixam entrar).
As máquinas de flippers estão por tudo quanto é lado... mas em Portugal, no ano de 2009, é recusada uma licença para relançar as "caixas de furos" de chocolates, com a alegação de que se trata de um jogo de fortuna e azar!
Sou eu que sou parvo, ou este país está a ensandecer?

Post com dedicatória

Na sequência do post anteriort, a Luz pediu-me que publicasse um poema de Manuel António Pina.
Aqui ficam então dois, com uma informação adicional. Em 2005 foi-lhe atribuído o prémio de poesia da APE ( Associação Portuguesa de Escritores)

O Livro
É então isto um livro,
este, como dizer?, murmúrio,
este rosto virado para dentro
de alguma coisa escura que ainda não existe
que, se uma mão subitamente
inocente a toca,
se abre desamparadamente
como uma boca
que fala com a nossa voz?
É então a isto que chamam "livro",
a este coração (o nosso coração)
dizendo "eu" entre nós e nós?
In “Uma Luz de Papel”

Esplanada

Naquele tempo falavas muito de perfeição,
da prosa dos versos irregulares
onde cantam os sentimentos irregulares.
Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,
agora lês saramagos & coisas assim
e eu já não fico a ouvir-te como antigamente
olhando as tuas pernas que subiam lentamente
até um sítio escuro dentro de mim.
O café agora é um banco, tu professora de liceu;
Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.
Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,
e não caminhos por andar como dantes.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Manuel António Pina: a homenagem merecida

Tenho especial apreço por este senhor, um grande jornalista, escritor e poeta dotado de uma sensibilidade e sentido de humor invejáveis.
É por isso, com muito gosto, que vos anuncio que o Sabugal- terra onde nasceu- o vai homenagear no próximo dia 4 de Abril.
A notícia chegou-me através do Capeia Arraina e poderão ler mais pormenores aqui

Façam-lhe uma estátua!

Manhã de domingo numa esplanada do Porto.
-Eh pá, viste como o Lucílio roubou o Sporting?
- Já não me espanto. Nos jogos do Sporting com o Porto também nos prejudica sempre.
- E nos jogos com o Benfas também. Lembras-te da final da Taça de 2004 em que tivemos de jogar mais de metade do tempo com 10 e o Benfas ganhou no prolongamento com um golo em off side?
- Lembro, lembro…
- O melhor era os gajos fazerem uma estátua ao Lucílio Baptista, porque nos últimos anos, as únicas finais que ganharam foram apitadas por ele…
- Pois, mas a essas coincidências ninguém dá importância
( Apeteceu-me meter conversa, mas preferi escrever este post)

domingo, 22 de março de 2009

É só mimos!

Cheguei há pouco do Porto, onde estive a passar o fim de semana e reparei que tenho várias tarefas para cumprir. Começo pelos miminhos que as vizinhas me ofereceram.
Da Bluevelvet que tem agora o seu blog com um "look" primaveril, mas que anda muito preguiçosa,recebi estes dois selinhos


E da Teddy Lover este aqui em baixo,que devo atribuir a mais 10 bloggers. Não vou ter tempo para fazer links, mas todos os que a seguir menciono estão na coluna da direita. E são 12, em vez de 10,mas já sabem como sou useiro e vezeiro em perverter as regras:
Branco no Branco
Caldeirão da Bruxa
Cantinho de Luzcia
Conversa Afiada
Em prosa e verso
Formiguita Bipolar
Grande Joia
Isto non e un cabare
Mieppee Koud
Sem tom nem som
Twice, three times a...
Wake up little Susie

Obrigado pela vossa simpatia, amigas. Por agora, os mimos ficam por aqui, mas dentro de dias passam à sala de exposições permanente.
As outras tarefas ficam para mais tarde.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Pronúncia do Norte (12)

MAGNÓRIOS=



= NÊSPERAS

Agradeço às vizinhas que me recordaram esta bela palavra que, imperdoavelmente, faltava neste Dicionário. Como pude esquecer os belos magnórios?
Um bom fds para todos na companhia desta bela frutinha.

Eureka!

Estátuas de pedra monumentais pesando entre duas e 20 toneladas, plantadas numa ilha perdida no meio do Pacífico; uma maçã que cai na cabeça de um homem, sentado à sombra de uma árvore; um homem que aprisiona a luz dentro de um receptáculo de vidro; um laboratório onde, num emaranhado de fios, alguém tenta aperfeiçoar um sistema de comunicação e, ao ouvir a voz de um colaborador descobre o telefone; um cavalo de madeira entregue como presente, de cujo bojo sai um exército que toma uma cidade e vence uma guerra; um garimpeiro que pede a um imigrante que lhe faça umas calças de uma tela fina usada para as velas dos barcos, revolucionando a moda; um homem que relaxa numa banheira e grita: “EUREKA!”
A História está cheia de Eurekas, de cliques criativos, que revolucionaram o mundo. Todos nós precisamos de Eurekas e cliques para que nos revolucionemos e não deixemos a nossa vida enredar-se na teia dos comportamentos politica e socialmente correctos que a destroem.
Qual foi o clique que mudou a sua vida? Já alguma vez gritou Eureka?

quinta-feira, 19 de março de 2009

Cenas de Táxis (7)


A noite estava quente. Quando entrei no táxi reparei que, tapando-me a visão, havia um ecrã a passar imagens de uma “Táxi TV”. Poderia ser uma iniciativa interessante, especialmente para viagens longas - como era o caso.
Começo por assistir a umas imagens de Lisboa, depois publicidade, seguiu-se um Quizz para pessoas com a 4ª classe, publicidade, uns senhores a falar sobre qualquer coisa que presumo fosse uma peça de teatro mas, como o único som que se ouvia no táxi era o da rádio e não estava interessado àquela hora da noite em tentar decifrar a linguagem labial, fiquei sem saber do que se tratava. Apenas consegui ver que se riam todos muito…Depois de mais uma pausa para publicidade, seguiu-se o anúncio da previsão meteorológica. Bem, isto interessa-me –pensei.
Endireito-me no banco de trás e vejo o anúncio de “ Previsão para a semana de 4 a 10 de Março”. Mau! Mas hoje são 17, para que me interessa isto se nem sequer me lembro já como esteve o tempo nesses dias? Seguiu-se a previsão para a semana de 11 a 17. Fiquei a saber que, apesar do calor que se sentira nesse dia, a previsão da “Táxi TV” informava que a temperatura máxima prevista era de 19 º C ( estiveram 25) e que o céu estaria parcialmente nublado ( esteve um dia de sol maravilhoso e céu límpido, como se devem recordar).
Passei o resto do percurso a pensar para que serve uma Táxi TV com pessoas a falar ( sem que as possamos ouvir) e com informações meteorológicas erradas que se anunciam como previsões, mas que afinal são apenas retrospectiva do tempo que fez nas duas últimas semanas.
Concluí que, para além de dispensável, a Táxi TV fornece informação falseada. No entanto, há quem gaste dinheiro a fazer publicidade ali. Talvez resulte, apesar de não me conseguir recordar de nenhum dos anúncios que vi ao longo da meia hora do percurso. Alguém me explica para que serve a” Táxi TV”?

quarta-feira, 18 de março de 2009

Momento de Humor (21)

Um casal do "jet set" foi de férias para o Amazonas.
Um dia decidem sair do hotel para passar o tempo, alugam uma lancha e vão navegar para o rio...
Às tantas, a embarcação bate num tronco, faz um rombo, começa a meter água e a afundar-se.
Os crocodilos que se ncontravam na margem, ao verem aquele manjar, atiram-se imediatamente à água...
Ela,excitada, exclama para o marido:
"Oh Bernardo... Eu acho o máximo o Amazonas!... Já viu???... Para além do hotel ser super estupendo e a lancha ser imensamente, benzoca... os salva-vidas são da "Lacoste"!

Jornalismo: Works in Progress

Domingo à noite, foi notícia a morte de um menino de 4 anos, na praia de Lavadores.
Na segunda feira soube-se que o menino se chamava Diogo.
Desde ontem, ficámos todos a saber que afinal o menino "se chamava" sobrinho de Simão Sabrosa.
É assim que se faz, hoje em dia, jornalismo em Portugal.
Adenda: O afogamento ocorreu na praia da Quebrada( Matosinhos) e não em Lavadores, como muito oportunamente lembra a Margarida Pereira na caixa de comentários. Obrigado!

O "Bom" Barqueiro


Quando vi o presidente da Junta de Freguesia de Barqueiros denunciar o caso dos meninos ciganos, não me espantei. Quem conhece bem o meio escolar não se espanta com estas coisas. Quando Margarida Moreira – Directora Geral da DREN- veio falar de “discriminação positiva” , revoltei-me. Não devia.
Hoje, leio que são os ciganos a elogiar esta situação- que pretendem seja mantida - e a insurgir-se contra o presidente da Junta de Freguesia. Volto a revoltar-me, mas agora comigo e com a minha precipitação de análise.
Devia saber, por experiência, que se os ciganos não quisessem esta situação, há muito a teriam denunciado. E devia ter desconfiado que o presidente da Junta estava a querer fazer política com toda esta história. Por vezes, continuo a ser ingénuo e a acreditar na bondade de algumas pessoas que chamam as televisões para denunciar injustiças, quando afinal a sua preocupação não vai além de objectivos pessoais. Devia haver jornalistas que não fossem no engodo mas, infelizmente, o sensacionalismo cada vez mais prevalece sobre a objectividade e o rigor da notícia.
É por essas e por outras que me afasto do jornalismo e da política- um casamento que nunca pode dar certo. Se eu vivesse em Barqueiros, aquele presidente da junta não seria de certeza reeleito.

terça-feira, 17 de março de 2009

Bento XVI e a insensibilidade da Igreja Católica


Então combate-se como? Com abstinência? Se assim for, está a contrariar o conselho de Jesus Cristo “crescei e multiplicai-vos”. Talvez o Papa não goste de pretos, sei lá…
Bento XVI começa assim da pior maneira a visita a África. Demonstrando insensibilidade, desconhecimento da realidade africana e escarnecendo de milhares de voluntários que se empenham diariamente no combate à SIDA, não regateando esforços na sensibilização das populações africanas para a necessidade do uso do preservativo.
A insensibilidade da Igreja Católica face ao drama das pessoas começa a ser preocupante e a entrar no campo da paranóia.

Rochedo das Memórias (97)- O último ano do século sob o signo do 9

Em 1999, o mundo aguarda com ansiedade as doze badaladas do dia 31 de Dezembro. Que mistérios insondáveis reservará o século XXI? Será mesmo o fim do mundo?- perguntam alguns.
Com muitas invejas, mas sem ponta de mistério, no último ano do século o FC Porto celebra o “penta”. Mas aconteceram outras coisas importantes...
Inicia-se a fase de transição para a moeda única europeia e o Monopólio dá uma ajuda ao aparecer com a sua versão Euro.
Em Abril, é autorizada a extradição de Pinochet para Espanha, a fim de ser julgado pelos crimes cometidos durante a ditadura chilena. No entanto, graças a uma daquelas manobras em que a justiça é fértil, nunca virá a ser julgado.
Enquanto se volta a discutir o problema curdo, Timor-Leste torna-se país independente e Macau é devolvido à China. A NATO integra vários países do Leste Europeu.

Já pouco se fala das vacas loucas, mas da Bélgica chega a notícia que as rações para animais contêm dioxinas, um produto cancerígeno que pode afectar os humanos. As preocupações, porém, são outras: o “bug” do ano 2000. Traduzido em poucas palavras, significa que se as coisas não correrem bem,no dia 1 de Janeiro do ano 2000, não teremos dinheiro no banco e não poderemos meter gasolina no carro para regressar a casa depois do “reveillon”. Os mais “caretas” ( versão ancestral de “cotas”) dizem que o “bug” é a vingança de Deus contra aqueles que subestimaram o homem em favor do computador. Uma agência de viagens israelita “compra” a ideia e anuncia um programa de “reveillon” apetecível: “Assista ao fim do mundo em directo! Receba o século XXI no Paraíso” A ideia parece bizarra, mas a verdade é que os lugares esgotam em pouco tempo.
Com tantas nuvens negras anunciando-se no horizonte, é natural que o sobreendividamento dispare e comece a ser preocupante. Em Portugal, os moedinhas já andam de telemóvel e um provérbio antigo corre de boca em boca “ Morra Marta, morra farta”.
A sociedade de consumo continua optimista. Cada vez mais longe do consumidor, a sua face torna-se menos visível, graças ao comércio electrónico. Na Net vende-se de tudo um pouco. Drogas e medicamentos ilegais fazem parte do cardápio.
Estudos revelam que Portugal está entre os países mais caros da Europa e os portugueses ficam felizes. “Já somos gente importante” – pensam alguns. E se assim é, nada melhor que o provar ao mundo desatando a comprar carros topo de gama. Não há dinheiro? “No problem” , porque o banco empresta, ou a empresa paga.
A poluição urbana atinge níveis próximos do insuportável. A fome aumenta nos países desenvolvidos e em Timor assiste-se ao genocídio de um povo. Mas tudo bem ... preparemo-nos, de cartão de crédito e telemóvel em riste, para o Bug do ano 2000 e depois logo se vê...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Justiça social

Olga, mãe solteira com um filho para sustentar, começa a trabalhar às 8h30 e “larga” às 17.30. Para arredondar o seu magro salário de 700€ faz uns biscates pela vizinhança.
Vítor não tem horário de trabalho, nem filhos para sustentar, pois já são todos independentes. Tem carro de serviço, cartão de crédito da empresa e outras mordomias. No final do mês, recebe 15 mil €.Vítor é uma pessoa com sentido de justiça por isso, perante a crise, alvitrou que os salários fossem congelados, ou mesmo reduzidos. Não, não se referia ao dele, mas sim ao de Olga.

Relativismo cultural

Sentado na esplanada de um hotel de Rabaul, na Papua Nova Guiné, ouvia o relato de um indígena que me confidenciava, amargurado, num inglês de escola primária, ter sido expulso da sua tribo. Procurei indagar de forma mais circunstanciada as razões do seu desespero e acabei por perceber, com a ajuda de um intérprete, que aquele homem que com lágrimas contidas me relatava a sua história, vivia um duplo drama.
Por um lado, se não conseguisse sair-se airosamente da difícil tarefa de ser acolhido por outra tribo, seria eternamente considerado um pária, sem direito a constituir família, condenado a viver do esmolar dos turistas ou do recurso ao furto. Por outro, se a almejada permissão lhe fosse concedida, sabia de antemão que teria de se sujeitar à "degradante condenação" de ser obrigado a trabalhar. E isso, para um homem das tribos da Papuásia, equivale a ser equiparado a uma mulher- que por tradição nas tribos daquelas paragens é quem tem de trabalhar, enquanto os homens se dedicam às nobres artes da caça e da pesca, entremeadas por orações no fresco remanso dos "tambourans", onde pedem aos deuses que concedam às suas famílias o favor das suas graças. Ser impedido- como as mulheres- de entrar num templo para fazer as suas preces e condenado a trabalhar, eram para aquele indígena punições demasiado fortes a que dificilmente conseguiria sobreviver com dignidade.
Lembrei-me deste episódio, durante o fim de semana, a propósito deste post

Novas Oportunidades

Critica-se muito o investimento público em tempo de crise. Eu não percebo nada de economia ( o que é uma vantagem sobre os economistas, pois assim ninguém me acusa de estar sempre a errar as previsões), mas sempre me pareceu uma boa ideia o Estado investir para dinamizar a economia. Vou tentar explicar porquê.
Depois de ter escrito sobre a tendência dos portugueses para a lamechice- uma questão transversal à sociedade portuguesa- dei comigo a matutar no comportamento dos empresários portugueses.
Quando as coisas correm mal, a economia estagna, ou o país entra em recessão, os empresários culpam o governo e desatam a pedir subsídios para salvar a sua área de actividade. Em tempo de vacas gordas, os mesmos empresários acusam o Estado de ingerência, de impedir o funcionamento livre do mercado, de não o deixar auto-regular-se e chamam a si os louros pelos êxitos alcançados.
Embora esta postura não seja exclusiva do empresário português, tem uma forma peculiar de se expressar em terras lusas, porque é maioritária.
Em tempo de crise, Portugal precisava de empresários ousados, capazes de aproveitar as oportunidades que uma crise económica sempre traz acopladas. A verdade, porém, é que se em tempo de vacas gordas, a maioria dos empresários portugueses é avessa ao risco, não podemos esperar que seja em tempo de crise que apareça gente a arriscar grandes investimentos.
É óbvio que sendo o empresário português iletrado ( é bom não esquecer que cerca de 90% tem como habilitações literárias a antiga 4ª classe), não há razões para grandes expectativas na inversão da tendência para o risco ZERO.
Ora se os empresários não investem, parece-me natural que o Estado o faça…
Aliás, penso mesmo que o governo deveria aproveitar para lançar uma nova versão do programa “Novas Oportunidades”, destinada aos empresários portugueses.

domingo, 15 de março de 2009

Momentos de Humor (20)

Advogado : Qual foi a primeira coisa que o seu marido disse quando acordou naquela manhã?
Testemunha: Ele disse, 'Onde estou, Berta?'
Advogado : E por que é que se aborreceu?
Testemunha: Porque o meu nome é Célia.

Pelo país dos blogs (42)

Um blogue com cinco anos de vida é um caso de longevidade que merece ser condignamente assinalado. Mas quando esse blogue é feito por uma única pessoa o feito merece ainda maior destaque.
Ora hoje, Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, o Outsider faz cinco anos e ninguém que por lá tenha passado terá razões para reclamar. A Ana Abrantes está de parabéns. Já pôs os aperitivos na mesa e está à vossa espera para participarem da festa.
Eu vo já para lá...

sexta-feira, 13 de março de 2009

Que tal parar um pouco para reflectir?

A morte do bebé de 9 meses, abandonado pelo pai dentro do carro, não pode deixar de provocar consternação e repúdio. Baixem-se, porém, os dedos acusadores que pretendem a incriminação do pai. O sofrimento que irá sentir durante toda a vida, já será condenação suficiente.
Este episódio bem poderia servir para reflectirmos sobre a sociedade que construímos, dominada pelos valores do dinheiro e do lucro e onde o trabalho se assume como a prioridade fundamental da existência. Não quero viver numa sociedade que me procura aniquilar enquanto ser humano. Não quero viver numa sociedade onde o primado do trabalho suplanta os deveres da família. Não quero viver numa sociedade onde um tipo vai ao “Prós e Contras” afirmar, com o ar mais natural deste mundo, que os trabalhadores devem encarar a empresa “como a sua família”.
Não quero que me reduzam a um soldadinho de chumbo, às ordens do capital, condenado a trabalhar a vida inteira sem que os governos e as empresas se preocupem com a minha qualidade de vida. Não quero ser uma máquina ou mera peça da engrenagem de criação de riqueza. Quero ser Homem, porque só assim poderei ser livre.
Hoje vai realizar-se uma manifestação gigantesca em Lisboa, promovida pela CGTP. Um protesto contra o governo e a degradação das condições de vida. Que tal se pensassem um pouco sobre o assunto?

quinta-feira, 12 de março de 2009

Pronúncia do Norte (11)

MOLETE=
= CARCAÇA
Uma carcaça é uma coisa velha ( um carro pronto para ir para a sucata, por exemplo). Não se vê logo que isto é um MOLETE?
Apelo: só tenho mais meia dúzia de palavras para este dicionário. Apelo às vossas contribuições.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Crise? Qual crise?

Não sei se já vos disse que sou fã do comércio tradicional e que o meu “centro comercial” preferido é a Guerra Junqueiro/Av.de Roma. Também frequento o centro comercial da Baixa, nomeadamente a Rua Augusta e o Chiado, mas nunca me desloco, propositadamente, para fazer compras pessoais. Só em caso de extrema necessidade ( que deverá ter ocorrido duas ou três vezes durante a minha vida) terei decidido reservar uma pequena parte do meu dia para ir às compras. Quando se trata de comprar roupa sou, pois, um consumidor compulsivo que segue a regra dos CINCO PASSOS:
Olho» Gosto» Entro» Provo» Compro.
Alguns estabelecimentos já conhecem o meu comportamento, outros não. Na última quinta-feira, à hora do almoço, entrei numa loja da Rua Augusta (onde às vezes faço algumas compras), depois de me ter enamorado de um par de calças que me acenavam da montra. O empregado- novo no estabelecimento- procurou o meu número, mas já não havia.
Alvitrei, como faço em circunstâncias idênticas, que talvez o número da montra fosse o que pretendia. O empregado foi ver. Era mesmo. Pedi, então, para as provar. Para meu espanto, recebi uma recusa.
“Peço desculpa, mas não posso desfazer a montra.Se quiser, faz a reserva das calças e passa aqui na segunda-feira a buscá-las..”
Tá bem, abelha! Voltem a falar-me de crise no comércio tradicional que eu explico as razões.

Adenda: Comemora-se, no dia 15 de Março, o Dia Mundial dos Direitos do Consumidor. A partir de hoje escrevo, no Delito de Opinião, alguns posts relacionados com o tema, sob o título "Consumições"

Rochedo das Memórias 96: O ano que mudou o Mundo


1989 foi um ano de grandes mudanças no mundo. Os ventos de Leste sopraram forte e, logo em Janeiro, morre o imperador japonês Hirohito. Será porém, em Junho, que do Oriente surgem sinais preocupantes. Muitos tiveram oportunidade de assistir, em directo, ao esmagamento de um tímido movimento democrático chinês. O ocidente conheceu uma nova Praça: chama-se Tian an Men, fica em Pequim, para ali convergiu a atenção do mundo inteiro e serve de porta de entrada para a Cidade Proibida. As imagens de um tanque a avançar em direcção a um jovem, perduram ainda hoje na memória de muitos.
Já se andava a prever há alguns anos, mas só acontece nos finais de 1989: o Muro de Berlim cai e atrás dele caem os regimes comunistas. Pela televisão assiste-se à morte em directo do ditador romeno Ceausescu e na Checoslováquia um poeta- Vaclav Havel- é eleito Presidente. A queda do Muro ocorreu em Novembro mas, em Maio, abrira-se a primeira brecha, com a Hungria a abrir as suas fronteiras com a Áustria, proporcionando assim a fuga de milhares de húngaros para a Europa Ocidental.
As convulsões chegam também à América Latina. Os ditadores sul-americanos começam a ser derrubados. No Paraguai , Stroessner é destituído por um golpe de estado e foge para o Brasil, onde a eleição do presidente Collor de Melo abria sinais de esperança. O bárbaro Pinochet, que durante 16 anos inundou de sangue o Chile, é finalmente arredado do poder pelo democrata-cristão Patrício Aylwin. Não se pode ainda falar de democracia no Chile, mas a ditadura de Pinochet terminara e o povo chileno respirava de alívio. Também na Argentina, Carlos Menem- presidente que apesar de tudo não deixaria saudades na pátria azul-celeste- coloca fim às sucessivas tentativas golpistas da direita.
Em Inglaterra, “ Os 4 de Guilford” tornam-se protagonistas do maior escândalo judicial na terra de Sua Majestade. Condenados a prisão perpétua, em 1975, quatro irlandeses são finalmente libertados, depois de conseguirem provar a sua inocência. O caso foi rocambolesco, com a justiça inglesa a recusar, durante 12 anos, aceitar o seu erro, apesar de os verdadeiros autores dos atentados terem confessado a autoria. Dava-se início a uma série de casos de erros judiciais que colocam em causa a isenção da justiça nos regimes democráticos.
A eleição de Bush pai, nos EUA, representa o início de uma época de rejeição das questões ambientais. Deixará de ser possível sonhar com o desenvolvimento sustentável.






Os jovens do mundo ocidental (ainda fará sentido a expressão?) vivem empolgados o desenrolar dos acontecimentos de 89. (Alguém, reparou que lido ao contrário é 68?) Mas os ídolos e os ícones são diferentes. Cohn Bendit é preterido em favor de Karl Popper, em vez de flores na cabeça usam cartões de crédito nos bolsos, e trocam a leitura de Salut Les Copains pelo Financial Times. Ao interesse pela evolução dos tops musicais, sucede-se uma crescente atenção às cotações da bolsa. É que os jovens do final dos anos oitenta já não são hippies. São yuppies e em vez dos jeans coçados envergam gravatas de padrões psicadélicos, fatos de marca e circulam em carros topo de gama, de telemóvel em riste.
Khomeiny apela à condenação à morte Salmon Rushdie, autor de "Versículos Satânicos", mas quem morre é o ayatollah.
Mais um desastre ecológico de grandes proporções é protagonizado pelo petroleiro Exon Valdez, ao derramar 42 mil toneladas de petróleo no Alasca. Em Espanha regista-se, em Outubro, um grave acidente na central nuclear de Tarragona. Quem já não assiste ao incidente é Salvador Dali que meses antes ( em Janeiro) morrera em Figueres, a escassas centenas de quilómetros da central nuclear. Entretanto começa a falar-se que em Inglaterra e na Holanda as vacas estão a ficar loucas. Para muitos trata-se de mera ficção, mas em breve vão perceber que estavam enganados.
A costa alentejana é atingida por uma maré negra, enquanto o País dança nas discotecas ao ritmo da Lambada. O telemóvel chega a Portugal e os portugueses lêem a "Crónica do Rei Pasmado". O novo aparelho é muito caro, apenas ao alcance de bolsas mais abonadas, mas não tardará que se transforme numa praga e um restaurante lisboeta afixe à porta: "Proibida a entrada a cães e a telemóveis".
A Revisão Constitucional permite as nacionalizações totais de várias empresas e com três letras apenas se passa a escrever a palavra imposto (IRS).

terça-feira, 10 de março de 2009

Declarado estado de emergência

Como Comandante em Chefe do Estado Maior das Forças Armadas do Blogobairro, cargo que acumulo com o de Presidente do Tribunal Plenário, infomo todos os condóminos do seguinte:
1- Um grupelho insurrecto de feministas vem tentando, nos último dias, criar um clima de terror no blogobairro, perseguindo aqueles que, durante toda a vida, têm lutado ao lado das mulheres deste condomínio.
2- Embora reconhecendo que as referidas feministas estão a ser manipuladas por forças insurrectas, aliadas às Brigadas de Costumes, que procuram subverter os valores da igualdade entre géneros, o Comandante em Chefe das Forças Armadas do Blogobairro e Presidente do Tribunal Plenário, repudia de forma veemente as tentativas que têm sido feitas para o descredibilizar.
3- É inaceitável, em Democracia, o julgamento popular, mesmo quando as pessoas que o praticam estejam a agir de boa -fé, não se apercebendo que estão a ser manipuladas.
Nesta conformidade, decidi:
1.1- Decretar o estado de emergência no blogobairro, acompanhado de recolher obrigatório.
1.2- Na sequência da decisão anterior, ficam proibidas as visitas aos condóminos, entre as 2 e as 7 da manhã, até que a decisão seja revogada por mim.
1.3.-Convocar o Tribunal Plenário do blogobairro para decidir sobre as penas arbitrariamente aplicadas a dois condóminos, o que constitui uma inadmissível ingerência do poder político na esfera judicial.
1.4.-Nesta conformidade, os conselheiros Salvoconduto, Paulofski e Pedro Oliveira decidirão, em plena consciência, a absolvição dos condenados.
1.5- Serão extintas as Brigadas de Costumes, Hansas e Guildas e severaente punidas as admiradoras de Quique Flores.
1.6.- A escritora Carolina Salgado, especialista em literatura de bordel, será excomungada por sugestão do juiz conselheiro Salvoconduto, aprovada por unanimidade e aclamação.
Mais informo que, quem tentar por qualquer via obstaculizar o cumprimento das decisões agora por mim tomadas, com o sábio apoio dos senhores juízes conselheiros,será expatriado para o blogobairro do Seixal, onde deverá , diariamente - e pelo prazo mínimo de 3 anos- penitenciar-se por ser simpatizante da agremiação da Segunda Circular e prestar vassalagem ao Rei do Norte, Pinto da Costa.
Não haverá recurso da decisão do Tribunal Plenário, porque o tempo não está para conversas, mas sim para acção.
Respeitem-se as instituições, sob pena de o poder cair na rua e em mãos erradas.

Tirem o cavalinho da chuva!


Vocês sabem qual é o risco de chegar à Praia del Rey, com o corpo a cheirar a chocolate, depois de um dia de trabalho em Óbidos, e sentar-se numa esplanada? O mais provável é ser atacado por melgas. Mas não foi isso que aconteceu. Foi bem pior!
Enquanto esperava que me trouxessem um pica-pau bem condimentado, para acompanhar um copo de Shyrah, decidi abrir o portátil para postar sobre o evento. Fui primeiro à caixa de comentários do CR e que encontrei ? Uma intimação desta Amarguinha!
Fiquei logo desconfiado, claro, porque dali não podia ser coisa boa. Só que nem o maior prodígio de imaginação seria capaz de adivinhar uma condenação deste jaez e, ainda por cima à revelia!
Eu sempre disse que as práticas de Bush no Iraque haveriam de ter sequelas no blogobairro, mas nunca imaginei ser eu a provar esse veneno.
A maquiavélica PresidentA- que eu próprio nomeei neste dia- e a ajudanta por mim empossada como Directora Geral dos Impostos condenaram-me a 5 anos de reclusão no estádio da Luz., pelo facto de ter exibido estas obras de arte, que fariam inveja a Coubert, pelo esmero da depilação.
Vê-se logo que nunca foram ao Meco!
Eu percebo a escolha do local de reclusãol Querem que eu vá para lá conviver com “drògádos” para ver se me torno dealer e faço desconto nas doses. Tirem o cavalinho da chuva! Para lá, nem morto, porque me constou que alguns machos que lá foram dar com os costados, saíram de lá convertidos ao 3º Anel e a falar fininho, devido ao convívio com o Quique.
Assim, em tempo oportuno, apresentarei recurso da pena que me foi aplicada, ao Tribunal Plenário do Blogobairro, invocando razões humanitárias. Uma vez que Guantanamo vai ser encerrado, por maioria de razão deve ser encerrada a prisão-cemitério da Luz.
Por agora, é tudo quanto se me oferece dizer, pois tenho de regressar a Lisboa e o pica-pau já está a ficar frio.
Vou telefonar ao Vale e Azevedo que ele trata do assunto.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Rochedo das Memórias (95) - A verdadeira história de Barbie


Hoje, muito se irá escrever sobre os 50 anos de Barbie. A verdade, porém, é que Barbie não faz 50, mas sim 57 anos e nasceu na Europa e não nos Estados Unidos, como conta a história e está escrito no seu Bilhete de Identidade.

Passo a explicar:

É verdade que a boneca Barbie, da Mattel, foi criada em 1959, mas a sua figura já existia desde 1952. Chamava-se Lilli e era figura de destaque de uma banda desenhada alemã. Ruth Handler gostou da personagem e decidiu dar-lhe vida, promovendo algumas alterações em relação ao modelo original. Depois crismou-a de Barbie, que era o nome da sua filha.
Esclarecido este ponto prévio, diga-se que a Barbie revolucionou a Casa das Bonecas , pois foi a primeira boneca adulta, criada a pensar nas crianças.


O segredo do seu sucesso e a sua eterna juventude, que faz a alegria de muitas crianças há 50 anos, em 160 países, prende-se essencialmente com a forma como se tem sabido adaptar aos tempos, acompanhando a evolução tecnológica ( em 1996 já tinha um site na Internet) sem se deixar deglutir por ela.
Durante anos, médicos e cientístas acusaram –na de ser responsável pelas dietas de emagrecimento de crianças em Inglaterra, que a todo o custo se queriam parecer com a boneca dos milhões. Psicólogos, sociólogos e jornalistas debruçam-se sobre as razões de tão estrondoso êxito.
Apesar de só ter aprendido a falar aos nove anos de idade,( mas aprendeu logo duas línguas- inglês e espanhol) a revista “Top-Model” não hesitou em compará-la, em 1992,a Claudia Schiffer. É mais conhecida que Madonna e invade as lojas de brinquedos de quase todo o mundo, desaparecendo dos escparates à velocidade de dois exemplares por segundo. Países como o Irão, receosos dos “efeitos catastróficos da cultura Barbie” criaram versões “alternativas” da boneca, adaptadas ao cariz islâmico.,enquanto as Barbie africana e latina se tornam igualmente modelos de sucesso.
Não foi fácil, porém, para Barbie, atingir o estrelato e tornar-se um paradigma do consumismo que a sociedade ocidental desenvolve de forma exacerbada a partir da infância, como se pode constatar pela história que se segue.





Corria o ano de 1959, quando Barbie se tornou boneca, desistindo da banda desenhada e deixando-se inebriar pelas luzes feéricas da cidade que deu a conhecer ao mundo: Los Angeles. Atordoada pelo sucesso estrondoso rapidamente alcançado e instigada pela mãe (Ruth Handler), Barbie decide atravessar o Atlântico em 1961, para experimentar o êxito na Europa. Tinha então 18 anos de idade e apenas dois anos de existência, situação apenas possível em histórias de bonecas, ou em certas mulheres depois dos 40…
Aportou a Inglaterra ainda sem saber falar e sem namorado (só em 1968 surgirá a Barbie falante…) e o seu sucesso foi imediato, apesar de trajar vestuário francês.
Só que os ingleses, nem no mundo dos brinquedos perdoam o sucesso dos americanos e por isso dão à luz, no condado de Kent, uma outra boneca chamada Sindy que, embora tendo apenas 12 anos, começa a pretender discutir com Barbie, a supremacia na “casa das bonecas”.~Mais modesta e prescindindo de carros luxuosos, motoristas e casas com piscina Sindy, apesar da sua tenra idade, mostra desde logo notórios vícios consumistas, atingindo igualmente estrondoso sucesso.
Rapidamente as duas bonecas se vêem rodeadas de inúmeras primas, mas nenhuma consegue atingir o estrelato, limitando-se a ser figuras de segundo plano, cópias por vezes grosseiras das duas altivas figuras que discutiam entre si a supremacia no reino faustoso da “casa das bonecas”. Algumas, acabaram mesmo os seus dias nas feiras, mercados e ruas adjacentes, nos mais variados recantos da Europa ou da Ásia, na bagagem-ferramenta de ciganos, vendidas ao lado de “Lacostes” e “Rolexes” de imitação, a preços tentadores.



Tal como acontece no mundo real, também na “casa das bonecas” há desigualdades gritantes. Barbie e Sindy têm carisma e vendem a sua imagem mas as outras, por mais que se esforcem, não conseguem ascender ao estrelato, apesar dos esforços dos seus criadores. Faltou-lhes o suporte dos grandes grupos económicos, a força de massivas campanhas publicitárias que impusessem a sua imagem.Barbie e Sindy viveram mais de 20 anos sem grandes conflitos. Souberam demarcar os seus terrenos e, embora fosse visível que a inglesa exercia muito menos fascínio que a americana, Sindy aceitou sem rebuço a superioridade da rival. Esta tinha, além do mais, o privilégio de ser mais velha, factor importante no reino das bonecas onde, em flagrante contraste com o mundo real, não se atira para os jovens a responsabilidade de corrigir erros que os adultos laboriosamente constroem ao longo dos anos.
Como disse, as duas bonecas tinham gostos diferentes. Barbie, 18 anos, namorado a tiracolo, tinha especial apetência por uma vida faustosa, onde pontificavam casas com piscina, carros luxuosos, motorista e uma variedade de toilettes, criteriosamente desenhadas por Charlotte Johnson, capazes de fazer inveja a Imelda Marcos. Adorava ir a galas de ópera, frequentar vernissages e outros eventos sociais a que os adultos adoram comparecer de copo de whisky na mão, posando para as fotografias de uma “Caras” qualquer e, no dia em que celebrou os 25 anos, foi vestida por costureiros famosos como Yves Saint Laurent, Piere Cardin , Christian Dior ou Jean-Paul Gaultier.Sindy, pelo contrário, era uma criança de 12 anos que gostava de ajudar a mãe na cozinha, tratar do seu poney de estimação e dedicar-se a inocentes brincadeiras de crianças.





Tudo mudou, no entanto, no dia em que o progenitor de Sindy decidiu vendê-la a um mercador de passagem , que por ela se apaixonou. Pouco escrupuloso, este pai adoptivo depressa obrigou Sindy a mudar de hábitos, fazendo-lhe ver que se dispensara tão grossa maquia na sua compra, ela estava obrigada a tudo fazer para disputar a supremacia da rival. Em reforço dos seus argumentos, apresentou-lhe os seguintes números: enquanto Barbie rendia 75 milhões de contos anuais à sua criadora, Sindy apenas depositava na conta do seu pai adoptivo a “irrisória” quantia de 5 milhões de contos em igual período.( Estávamos em 1992)
Foi vergada a este argumento que, para tristeza de muitas crianças que a preferiam à Barbie, Sindy se foi transformando numa imitação da rival, crescendo e adquirindo os hábitos consumistas de Barbie.
Quem não gostou desta mudança foi a Mattel que, ao ver a acumulação de lucros a crescer a um ritmo mais lento, decidiu pôr um processo em tribunal, exigindo que Sindy refreasse os seus instintos expansionistas. A peleja judicial arrastou-se alguns anos, tendo por palco tribunais europeus. Sindy acumulou derrotas sucessivas, vendo-se apeada dos escaparates das lojas de brinquedos das grandes cidades e obrigada a voltar ao estilo inicial, por força das decisões dos magistrados. Em alguns países, Sindy virou mesmo Cindy, acabando como outras em tendas de ruas esconsas, vendida ao lado de relógios Rolex made in Taiwan. Triste fim para uma boneca de sucesso que teve o azar de cair nas mãos de um pai adoptivo pouco escrupuloso e de ambição desmedida.



Entretanto Barbie prossegue na sua imparável onda de sucesso, apesar de a sua criadora – Ruth Handler – ter sido despedida da Mattel e processada por violação de leis Federais sobre bancos, correios e valores, mediante a apresentação de declarações falsas. Não apresentou defesa e foi condenada a realizar 2500 horas de serviço comunitário e ao pagamento de 57 mil dólares para financiar um centro de reabilitação para criminosos.
Ruth Handler afirmou um dia, que quando criou a Barbie considerou importante que uma criança brincasse com uma boneca que tivesse seios. Depois de ser submetida a duas mastectomias e despedida pela Mattel, fundou a sua própria empresa de próteses mamárias… Acabaria por morrer, vítima de cancro da mama. Um caso de revolta da criação contra a sua criadora?



Adenda: desde 1984, que o dia 9 de Março é assinalado, em Nova Iorque, como “Dia da Barbie”. Já neste século, torna-se estrela de cinema.

Texto reeditado e actualizado, a partir de um artigo que escrevi para o jornal “Tribuna de Macau” em 16 de Março de 1992





domingo, 8 de março de 2009

E a terminar, uma flor


Não podia deixar terminar o dia, sem oferecer flores a todas as mulheres portuguesas que passam por este Rochedo e me incentivam com os seus comentários.
Queria também agradecer, a todas as que escrevem na blogoesfera, pelos agradáveis momentos que me proporcionam. Porque trazem mais sensibilidade, nuns casos, ou uma visão diferente sobre um mundo que ainda é dos homens (o da política), manifesto a todas o meu apreço e gratidão.
No entanto, tal como fiz ano passado queria destacar SETE ( sim, continuo a acreditar que este é um número mágico!) blogs femininos, portugueses, nascidos depois de 8 de Março de 2008.
Aqui vão:
Castanha Pilada
De Si para si
Fragmentos de uma vida
Miepee Koud
Os livros que ninguém quis dar a ler
Quarto de Fadas
Rosmaninho da Serra
Para quem ainda não os conheça, estão todos linkados na coluna da direita.
Adenda: Não se admirem se, nas próximas semanas, for mais parco nos comentários nos vossos blogs, mas o trabalho aperta e o tempo escasseia.
Entretanto, amanhã, escreverei aqui sobre os 50 ( e tal) anos da Barbie

Carta à mulher portuguesa


Mulher que estás cansada de te dirigir penosamente ao emprego teu de cada dia e regressar a casa, ao fim da tarde, transportando fardos de desespero e frustração e, no banco de trás do Fiat Uno, ou pela mão, os frutos de noites de amor.
Mulher que estás cansada dos intervalos rotineiros em que te alinhas , como falcão batendo as asas, em balcões que compartilhas com cegonhas de fato de macaco e enforcados vestidos a rigor, debicando bicas, engolindo projectos frustrados de galináceos, ou sonhando com o camarão que devia estar dentro do rissol, mas que a carestia da vida transformou numa pasta espessa e cor de rosa.
Mulher que estás cansada das noites em que o teu marido sobe os lençóis pingando noite, depois de o elevador o depositar à porta de casa, junto aos sapatos da véspera.
Mulher que estás cansada de fazer amor sem ouvir o estralejar dos foguetes , porque já não há noites de S. João no teu coração.
Mulher que uma noite acordaste e sentiste ao teu lado alguém que procurava os teus seios e as tuas coxas na tentativa de decifrar o enigma que uma noite de fuga depositara a seu lado.
Mulher que uma manhã descobriste que o teu corpo cheirava a desespero e sentiste saudade de chorar abraçada ao homem que ama(va)s.
Mulher que te cansaste de fazer amor com amigos de Alex que fazem amor por empreitada, vício ou necessidade orgânica, esse amor que se esfuma em cinco minutos de prazer e se esquece na própria véspera do orgasmo.
HOJE É O TEU DIA!
Estranha gentileza te concederam, Mulher! Marcaram-te com o estigma da subalternidade, com que é costume assinalar os desprotegidos. Compararam-te ao analfabeto, ao deficiente, ao Lince da Malcata, ou outra qualquer espécie em vias de extinção.Mas Tu estás bem viva, Mulher!

Por isso te desejo que este dia sirva para um pouco mais do que receber uma rosa , ou um jantar a dois à luz da vela. Que sirva também para pensares nas mulheres que pelo mundo inteiro continuam a ser vítimas de sevícias, por parte dos homens. Que te lembres das mulheres de Darfur, das mulheres sem quaisquer direitos, das africanas que morrem com SIDA, das asiáticas a quem a maternidade só é permitida uma vez na vida, das americanas, europeias e portuguesas que continuam a ser espancadas até à morte por homens civilizados que vivem nos países que traçam o destino do mundo.
Mulher portuguesa que sofreste no momento em que pariste e, pouco a pouco,foste perdendo o riso – e muitas vezes o ciso.
Hoje, no dia que a gentileza dos homens te consagrou, talvez recordes as noites em que suportaste entre lágrimas contidas em silêncio, as ejaculações precoces de quem te envolvia o corpo, pensando na amante por quem estava prestes a trocar-te.
Hoje, talvez critiques a moral sexual deste país onde habitas, por ser um caldo Knorr cheio de mitos.
Hoje, talvez te revoltes contra aqueles que continuam a rejeitar uma mulher que queira usufruir o prazer sexual. Mas será que hoje te interrogarás sobre a diferença entre ti e mim? Compreenderás que o que nos separa é apenas uma diferença genética cimentada por uma cultura que te deu a ti as Barbies e os trens de cozinha, e a mim o automóvel e a bola de futebol?Admitirás, mulher, que embora a igualdade seja apenas uma folha de papel, o que nos separa é o tempo que se esvaiu entre a pintura de murais e um despacho de última hora que te deixou retida no gabinete até mais tarde?
Tenho saudades de ti, mulher portuguesa!
Tenho saudades de pintar contigo murais expressivos, cheirando a Revolução, por onde espreitavam Marxes e Guevaras, que nos olhavam em cada esquina.
Tenho saudades de verter no teu ombro lágrimas de desespero e sentir o afago doce e quente dos teus lábios, consolando-me da revolta que me invade pela vitória de projectos de mentira.
Tenho saudades de te enlaçar nos meus braços e ambos ouvirmos o repicar de sinos e o estralejar de foguetes.
Tenho saudades dos sábados à tarde em que íamos ao cinema de mão dada e trocávamos promessas de amor eterno.
Tenho saudades de desfilar contigo em caravanas de vitória, empunhando bandeiras coloridas.
Tenho saudades de sermos Bonnies e Clydes fugindo, de mão dada, da polícia de choque.
Tenho saudades de te ver verter uma lágrima , ao leres o último poema que te fiz.
Tenho saudades de ver estampado no teu rosto um laivozinho de amargura, quando te dizia “vou partir” e depois regressar , trazendo-te uma caixa de bombons comprada numa qualquer freeshop ancorada no aeroporto da minha imaginação.
Sinto que te estou a perder, mulher portuguesa, como perdi a esperança que em mim nasceu numa manhã de um já longínquo Abril.
Por isso, hoje quis telefonar-te mas, quando cheguei à cabine telefónica, estava lá uma velha gorda e farfalhuda, com ar de elefante triste do jardim Zoológico e… desisti. Sabes o que eu queria?Desejar-te um feliz dia da Mulher e ouvir-te responder:
"Raios partam os homens que convenceram outros homens que era bom haver um Dia da Mulher! Serve para aliviarem as consciências, para aumentar o consumo de flores e animar alguns restaurantes, mas queria que servisse para os homens acabarem com o tratamento aviltante das mulheres sem quaisquer direitos. Não quero hipocrisias, nem homens como tu, a quem o machismo não permite ter outro tipo de saudade."
Encabulado, desligaria…



sábado, 7 de março de 2009

Às jovens mulheres portuguesas (2)

( Continuação do post anterior)
As mulheres que conseguiam ingressar nas Universidades, nomeadamente em áreas onde a presença masculina era preponderante, também não tinham vida fácil.
Nos anos 60, Marcelo Caetano, então professor da Faculdade de Direito de Lisboa exortava, durante os exames, as jovens estudantes a irem para casa aprender a cozinhar, bordar e pontear as meias dos futuros maridos!
Às mulheres, estava vedado o acesso a uma conta bancária ou ao passaporte, se para tal não obtivessem a necessária autorização do marido.
No mundo do trabalho, as enfermeiras, por exemplo,não podiam casar e uma professora era criticada se ousasse vestir de forma menos convencional. Bastava o uso de um vestido de seda, para que logo vozes se levantassem pondo em causa a sua conduta moral. Significativo, também, era o caso de as professoras só poderem casar com autorização do Ministro, sendo o candidato a cônjuge obrigado a demonstrar "bom comportamnto moral e civil e meios de subsistência consentâneos com o vencimento de uma professora.".
Salazar, aliás, não hesitava afirmar que "o recurso à mão de obra feminina representa um crime" e que quando a mulher casada concorre com um homem por um posto de trabalho, "a instituição da família ameaça ruína".
Esta forma de pensar explica porque razão as mulheres não podiam montar um negócio sem autorização do marido, ou o Código Civil proibia a mulher de exercer uma profissão sem a anuência do cônjuge, situação que apenas se alteraria na segunda metade da década de 70, com a abolição da figura do “chefe de família”. E explica, também, porque razão as criadas de servir constituíam, nos anos 40, um exército de 200000 postos de trabalho (sem direito a quaisquer regalias e podendo ser despedidas a qualquer momento, bastando que os patrões assim o entendessem).

sexta-feira, 6 de março de 2009

Às jovens mulheres portuguesas (1)

( Porque vale a pena lembrar, às mais jovens, que as mulheres portuguesas eram propriedade dos "machos" antes do 25 de Abril)
Há poucos anos, em Portugal, raras eram as mulheres na redacção de um jornal, os homens recusavam-se a ser consultados por mulheres médicas e consideravam-se previamente condenados, quando uma advogada aparecia em tribunal como defensora oficiosa.
Como aconteceu em quase todo o mundo, também em Portugal à mulher esitveram reservados, durante anos, os postos de trabalho que os homens recusavam. Nos anos 40, as suas profissões variavam entre o serviço doméstico, o trabalho rural, a enfermagem,( mas as enfermeiras não podiam casar...) o professorado (a esmagadora maioria no ensino primário) e o operariado, especialmente a indústria têxtil.
Vinte anos depois, o panorama não apresentava tão grandes diferenças, a não ser quanto ao escalão etário, já que crianças de 13 e 14 anos engrossaram o exército das empregadas domésticas, cuja contratação , porém, continuava a depender de "rigorosas informações".
Passavam-se situações bizarras antes do 25 de Abril, que punham em causa os direitos das mulheres. Apontemos alguns casos à guisa de exmplo.
No início dos anos 60, na secção "Questões de etiqueta" da revista “Flama”, uma leitora perguntava se uma mulher podia usar cartões de visita individuais. Como resposta, recebeu a seguinte pérola: "Não, a mulher casada tem de usar os cartões em conjunto com o marido". No entanto, os responsáveis da rubrica abriam uma excepção para o caso das mulheres solteiras ou órfãs "que vivam em casa própria". Essas, poderiam ter direito a usar cartão de visita, mas com duas importantes salvaguardas: NUNCA deveriam ter a morada, e as suas dimensões deveriam ser menores do que as dos cartões habitualmente utilizadas pelos homens.

nota: excerto do artigo " É uma mulher portuguesa, concerteza, que escrevi para a revista "Consumidores"

Rochedo das Memórias Especial: Dia Internacional da Mulher ( 3)

Pode afirmar-se que há ainda um longo caminho a percorrer, para que essa igualdade se torne efectiva. Para além de, diariamente, ter de travar lutas desiguais com o homem para alcançar lugares de topo nas empresas, a mulher continua a desempenhar, em casa, um papel muito mais preponderante que o homem, seja na lida doméstica, seja nos cuidados a prestar aos filhos.
Curioso, a este propósito, é um estudo recentemente divulgado que conclui que as mulheres que trabalham no mesmo local do marido ocupam, em média, mais uma hora diária nas tarefas domésticas, do que as que têm emprego em local diferente do do cônjuge. Por outro lado, se a emancipação da mulher é uma realidade nos países desenvolvidos, o mesmo não acontece na maioria dos países em desenvolvimento.
As taxas de analfabetismo entre as mulheres, nesses países, agravam a situação de subalternidade em que vivem em relação ao homem e dificultam a sua consciencialização. Muitas são também as que, ansiando melhores condições de vida, respondem entusiasmadas a ofertas de trabalho bem remunerado vindas de angariadores do mundo desenvolvido. Invariavelmente, o que as espera, quando chegam a esse El Dorado ocidental, é a escravatura sexual. Países asiáticos e latino-americanos são os preferenciais mercados de prospecção das cadeias internacionais de prostituição, mas os países do leste europeu tornaram-se também, nos anos 90, um mercado apetecível para estes angariadores de escravatura sexual.
Seja como for, em alguns países do terceiro mundo a situação das mulheres tende a melhorar. É o caso das Filipinas onde o movimento GABRIELA vem lançando sucessivas campanhas para defesa dos direitos das mulheres. Apesar de alguns reveses, como aconteceu com a ocupação por grupos de mulheres, de terras desocupadas há mais de 20 anos, que acabaram por ser devolvidas aos seus proprietários, graças à intervenção de militares, espera-se que o exemplo das 50 mil mulheres que integram o GABRIELA possa servir de estímulo a muitas outras que emigraram para países em desenvolvimento. É que muitas filipinas que emigram para esses países onde exercem, nomeadamente, tarefas domésticas, são jovens licenciadas que já têm alguma consciencialização que lhes permite comunicar a mulheres de outros países a sua situação.
Nota: extracto do artigo "Feminino, Plural", que escrevi para a revista DIRIGIR

Rochedo das Memória Especial: Dia Internacional da Mulher (2)


É depois da Segunda Guerra Mundial que as mulheres conseguem colher os melhores frutos da sua longa luta. O conflito contribuiu de forma significativa para que isso acontecesse pois, enquanto durou, as mulheres começaram a trabalhar na indústria e na agricultura, ocupando postos de trabalho deixados vagos pelos homens.
A década de 50, porém, não foi pródiga em muitos avanços na luta das mulheres. É já na década de 60 (1963) que a escritora americana Betty Friedan publica o livro " A mística feminina", no qual faz uma análise devastadora da subordinação da mulher na sociedade americana. Três anos mais tarde, funda a NOW - Organização Americana para a Defesa dos Direitos da Mulher - e a partir de então a luta pela libertação ganha novo fôlego e novos contornos. Da luta pelos direitos políticos, passa à luta por igualdade de oportunidades no acesso à educação e ao mercado de trabalho, tendo o primeiro passo sido dado com a entrada nas Universidades.
Em 1968, decorria em Atlantic City a eleição de Miss América, quando um grupo de mulheres activistas se manifestou lançando para os caixotes do lixo os seus "soutiens". Na época, os meios de comunicação eram apenas dirigidos por homens, por isso, a comunicação social aproveitou este acontecimento para denegrir os movimentos feministas, reduzindo-os a uma luta contra a opressão que aquela peça de vestuário exercia sobre os seios.Os homens exultaram de contentamento com esta "gaffe", mas o movimento de libertação da mulher não estancou a sua luta e em 1970 Germaine Greene publica um livro explosivo. Em "O Eunuco Feminino", a investigadora defende que o casamento é uma forma legalizada de escravatura das mulheres e alerta para a necessidade de se dar início a uma "segunda vaga" do feminismo. Segundo Germaine Green, a luta das mulheres pela igualdade de oportunidades, na educação e no emprego, tinha que evoluir através de um combate que garantisse igualmente a igualdade sexual e económica.Recebido sobre um coro de protestos e gerando grande polémica, o livro teve o condão de agitar as hostes femininas.
No ano seguinte, durante as celebrações do Dia Internacional da Mulher, em Londres, algumas mulheres empunhavam cruzes onde se viam pregados os símbolos da escravidão doméstica: o cesto das compras e o avental. Durante a manifestação, fizeram chegar ao primeiro Ministro uma carta em que exigiam igualdade em matéria educativa, laboral e salarial.
Ainda hoje, a "manifestação" de Atlantic City é associada por muitos à celebração do Dia Internacional da Mulher , mas a verdade é que foram os trágicos acontecimentos ocorridos um século antes em Nova Iorque que determinaram a celebração desta data.
Nota: excerto do artigo "Feminino, Plural", que publiquei na revista "DIRIGIR"

Rochedo das Memórias Especial:Dia Internacional da Mulher (1)

No dia 8 de Março de 1857, três dezenas de mulheres americanas desencadearam, em Nova Iorque, uma greve de braços caídos, reivindicando o direito à redução para 10 horas da sua jornada de trabalho. Ameaçadas pela polícia, refugiaram-se dentro da Fábrica de tecidos Cotton,onde trabalhavam.
Acabariam por morrer carbonizadas, depois de patrões e polícia terem trancado as portas e ateado fogo no interior do edifício. A data, hoje comemorada em todo o mundo como Dia Internacional da Mulher, embora assinale um acontecimento esporádico na luta das mulheres pela defesa dos seus direitos, ao longo do século XIX, constitui um marco histórico no combate que continuam a travar, para estarem no mercado de trabalho em condições de igualdade com os homens.
Ainda em 1897, a Nova Zelândia é o primeiro país do mundo a conceder às mulheres o direito de voto, mas a luta pela igualdade de direitos e acesso ao mercado de trabalho, só se iniciará, na Europa,no alvorecer do século XX. Da luta dos movimentos sufragistas ressalta o nome de Emmeline Pankhurst, uma britânica que, com o apoio da filha Christabel, comandou a luta em Inglaterra, país onde esse direito veio a ser consagrado em 1911, oito anos antes de Lady Astor se tornar a primeira mulher a ser eleita para o Parlamento. Curiosamente, Lady Astor, eleita nas listas do Partido Conservador, era de origm americana, país onde esse direito só vem a ser reconhecido em1920.
Nos anos 30, durante a Guerra Civil de Espanha, emerge a figura de Dolores Gomez, a destacada dirigente do partido comunista que o mundo ficou a conhecer como La Pasionaria. A sua frase "Mais vale morrer de pé do que viver de joelhos" ficou célebre, mas não evitou o seu exílio na URSS de onde regressou apenas em 1977 para tomar assento no Congresso. Tinha então 82 anos!
Como única vitória para as mulheres espanholas, durante este período, o reconhecimento pelo governo espanhol, em 1962, da equiparação dos direitos laborais entre homens e mulheres. Essa igualdade, porém, não contemplava os direitos civis.
Nota: excerto do artigo "Feminino, Plural", que publiquei na Revista "Dirigir"
Este post, como os que se seguirão hoje, foi publicado aqui no CR em 2008, mas nessa altura o número de leitoras era ainda tão reduzido, que decidi fazer a sua republicação, pois a maioria não os terá lido.

Rochedo no feminino

Nos próximos dias, o Rochedo será dedicado às mulheres.
Hoje, publicarei três textos sobre o Dia da Mulher , que se assinala no próximo domingo.
Amanhã, sábado, publicarei dois textos essencialmente destinados às jovens portuguesas.
Domingo escreverei uma carta às mulheres portuguesas e elegerei os melhores blogs femininos.
Segunda-feira falar-vos-ei de uma boneca que encantou muitas raparigas e, supostamente, faz 50 anos no próximo dia 9 de Março. É mentira! Vou revelar-vos a data de nascimento de Barbie -que, como algumas mulheres da vida real, também anda a roubar na idade- e falar de uma rivalidade na casa das bonecas.
Espero que gostem e se divirtam.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Pronúncia do Norte (10)

CEPRIEGA=

= REINETA
Isto sim, é uma maçã decente, não é como aquelas vermelhinhas que Eva obrigou Adão a comer, marcando-nos com o pecado original.
Dizem que uma maçã cepriega faz bem à saúde e lava o estômago. "An apple a day, keeps doctor away", dizem os ingleses.
Eu há anos que como uma , todos os dias, em jejum.
Nota: a maçã não vai descascada, por causa das coimas!

Num supermercado perto de si...

Aos leitores mais sensíveis, recomendo que antes de lerem este post, vão aqui para perceber a razão porque o escrevi.
Ano de 2029, num supermercado perto de si.
Paula e Teresa casaram no último fim de semana. Ontem, decidiram ir ao supermercado fazer compras. No balcão do talho deixaram-se seduzir pelos embriões. Paula sugeriu de imediato que comprassem uma embalagem com um menino loiro de olhos azuis e 1,90m. Teresa olhou para o preço e sugeriu:
- Estamos no início de vida, Paula. Não achas que este é muito caro? Que tal se optássemos por aquele que está em promoção? Só mede 1,75, mas tem uns cabelos azeviche e uns olhos castanhos que são uma beleza!
-Estás a ver mal a coisa, Teresa! Não vês que o loiro de olhos azuis vem com um kit incorporado que o isenta de pagamento de propinas até entrar na Universidade?
- Isso não é vantagem nenhuma, Paula. Podemos ensiná-lo a ler e quando chegar aos 18 anos vai frequentar um curso de “Novas Oportunidades”. Num ano sai de lá com um curso superior.
- Vês sempre as coisas pelo lado económico, Teresa! Não devia ter casado contigo…
- Estou apenas a ser prática, Paula! Mas se o teu problema é o miúdo ser moreno e preferes um loiro de olhos azuis, que tal comprarmos aquele que é mais baixito e não tem kit incorporado?Paula pensou durante uns instantes. Deixou escapar um suspiro profundo e disse:
- Pronto, se é assim que queres…
- Já vi que não estás convencida. Pronto, levamos então o que tu queres. Talvez seja um bom investimento…
Paula sorriu e deu um repenicado beijo a Teresa. Preparavam-se para pegar na embalagem, quando foram surpreendidas pela chegada de Pedro e Tomás
- Tomás, já viste este loirinho de olho azul com 1,90m? É tão querido...vamos levá-lo?
- É p’ra já, Pedro!
Pegaram na embalagem e dirigiram-se apressadamente para a caixa registadora.
Paula e Teresa entreolharam-se desconsoladas.
- Paula não fiques triste, vais ver que arranjamos um nos saldos.

quarta-feira, 4 de março de 2009

A mim ninguém me cala!

O Rochedo está com os cofres exauridos e não tenho outro remédio que não seja encerrá-lo. Já não tenho dinheiro para pagar as coimas que me estão a ser aplicadas pela polícia de costumes do blogobairro. Nada que me surpreenda. Quando este saco azul se esvazia, para pagar umas férias da sua proprietária nas Maldivas, e regressa para fazer nova colecta, já sei que vai sobrar para mim.
Cheira-me que os planos de férias deste Verão devem ser muito ambiciosos, porque agora desatou a passar coimas a tudo quanto mexe e arranjou uma secretária , adjunta, ou lá que é, ainda mais gulosa. Deve ser uma graxista, porque para se insinuar, aplica o dobro das coimas decididas pela chefA. É para isto que um tipo cria uma Afilhada?
Se pensam que me dobram, estão muito enganadas. A mim ninguém me cala! E quem me quiser privar do meu Citroen 2 cv , das prendas de Natal ou desta adepta, tem de se haver comigo. Nem que para isso, tenha que me autoproclamar o Alegre do blogobairro e criar um movimento cívico que ponha termo à censura e à tirania desta espúria aliança Norte/ Sul.O que vale é que se aproxima o Dia Internacional da Mulher. Vão ver a carta que vou escrever às vizinhas do blogobairro! Se pensam ganhar as eleições sem luta, estão muito enganadas. A mim ninguém me cala!

Rochedo das Memórias 94: em 1979 o mundo começa a ficar perigoso

Em 1979, a "Dama de Ferro" torna-se chefe do governo britânico. A sociedade de consumo aplaude e apressa-se a endereçar telegramas de felicitações. Como presente envia à inquilina de Downing Street a sua última criação: o telecomando.
Não foi, porém, necessário recorrer à sua utilização, para depor os ditadores Idi Amin ( Uganda), Anastasio Somoza ( Nicarágua) e Park Chung Hee ( Coreia do Sul). De formas diversas, os ditadores foram afastados pelos seus compatriotas. Felizmente, o mundo ainda não conhecia o polícia do mundo George Bush, que anos mais tarde viria a tornar-se o mensageiro sangrento da democracia.
Quem não estava muito pelos ajustes, com estes sinais de mudança era o Irão. O Xá Reza Pahlevi é deposto e Khomeini inicia o regime dos ayattollahs. O fundamentalismo islâmico dá os primeiros passos.
Cá pela terrinha, "com o Código Postal é meio caminho andado," afirma a campanha publicitária dos CTT. Quem não precisou de Código Postal foi o FC. Porto que, neste ano, ganha o campeonato nacional de futebol , iniciando uma era de conquistas que muita inveja e despeito criarão nos clubes da Segunda Circular lisboeta.
Conduzir com um walkmann (a grande oferta musical para a juventude neste final de década)nos ouvidos, pode ser meio caminho para a morte. Glória Gaynor, porém, sossega os espíritos cantando "I Will Survive".
Na política portuguesa, Eanes entra em conflito com Mário Soares e cria um governo de iniciativa presidencial.
Os ecologistas tinham razão. A energia nuclear encerra perigos que podem ser incontroláveis . A tragédia esteve a um passo de acontecer na Pensilvânia. Não houve desastres pessoais, mas dez mil pessoas foram obrigadas a abandonar a região.
Entretanto, Francis Ford Coppola apresenta em Cannes Apocalypse Now. Os mais distraídos, poderão pensar que se trata de um aviso sobre as calamidades ambientais… mas o filme revela apenas os horrores da guerra do Vietname.
Finalmente, enquanto um foguetão francês ( Ariane) leva os europeus para o espaço, os EEUU e a URSS assinam os Tratados SALT que visam regular a utilização e fabrico de armas estratégicas. A Guerra Fria continuava mas, a todo o custo, as duas grandes potências procuravam evitar a eclosão de uma nova Guerra Mundial.