sábado, 28 de fevereiro de 2009

Caça-mentiras

Como prometido, cá estou a desvendar as 3 mentiras e meia deste desafio.
Como sou muito transparente, quase toda a gente teve uma boa percentagem de acertos. Sem mais rodeios aqui ficam as mentiras
1- O meu prato favorito é mioleira- Não posso nem ver mioleira, fico logo com náuseas.
3- Já fui sócio do Sporting- Jamé! Esta era facílima, claro, porque ninguém me confunde com o Luís Filipe Vieira
8- Sou muito ciumento- Em miúdo era, mas com a idade tornei-me uma pessoa normal.
E agora a meia -mentira ( que alguns vão considerar mentira por inteiro)
4- Tenho sete netos ( cinco raparigas e dois rapazes)- Não tendo filhos, não poderia ter netos, como é óbvio. Tenho sete sobrinhos -netos. Mas lá por serem sobrinhos, não deixam de ser netos, pois não?
Eu sei que esta é um bocado rebuscada, mas as outras eram tão fáceis de adivinhar, que tive de clocar esta "rasteirinha".
As restantes são todas verdadeiras.
Obrigado a todos os que participaram com os seus palpites.
Bom fim de semana

Escolha acertada

"Hoje sei como se mede a verdadeira idade: vamos ficando velhos quando não fazemos novos amigos. Estamos morrendo a partir do momento em que não mais nos apaixonamos.", in Mar me Quer, Mia Couto
A Vekiki ofereceu aos seus leitores frases do Mia Couto, como forma de celebrar o aniversário do Vekiki Projects. Escolhi esta para o Rochedo. Vai bem comigo.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Pelo país dos blogs (41)

Para assinalar hoje e continuar a celebrar, durante o fim de semana, aqui fica a informação.
A de dentro para fora e a Vekiki Projects estão de parabéns. Ambas celebram o seu 1º aniversário.
É sempre um prazer visitá-las. Vamos fazer força para que, daqui a um ano, haja festas de arromba por aquelas bandas?

Maravilhoso Mundo Novo

Finalmente, vai ser possível ir a Londres pelo preço de um xixi!

Que raio de cabeça a minha!

Sou mesmo grunho, bronco, completamente acéfalo. Há dias manifestava a minha surpresa e tecia juízos maquiavélicos sobre isto e leio agora que afinal há pais muito mais evoluídos a que não dei o devido valor. Como é que não me lembrei que a melhor maneira de controlar os filhos era mesmo contratar um detective para os vigiar?

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Eu só queria entender...

Se aquelas coisas como o Hi5, o Facebook e o Twitter se chamam "redes sociais", porque razão tornam as pessoas mais egoístas e antipáticas? Há aqui qualquer coisa que não bate certo, não acham?

Rochedo das Memórias ( 92) - Sob o signo do nove: 1959 -de Fidel a Astérix

O facto mais marcante de 1959 vem de Cuba. Estribado no sucesso de François Truffaut – Os 400 Golpes- Fidel Castro consegue finalmente fazer vingar a Revolução Cubana. Derrubado o ditador Fulgêncio Baptista, Fidel irá permanecer à frente dos destinos de Cuba durante 49 anos, perante a crítica de todo o mundo que, no entanto, não perde a oportunidade de se banhar nas suas praias de águas tépidas e límpidas.
Da Europa, a voluptuosa BB, pendurada num cartaz publicitário, bem lhe perguntava "Voulez -vous danser avec-moi?" – mas o rebelde cubano não lhe daria troco. O mesmo faria , aliás, em relação à beat generation que se revia em “Pela estrada Fora” de Kerouac. À estrada, também se vai meter o Dalai Lama, obrigado a fugir para a Índia, após a invasão chinesa do Tibete.
E se Kruschev visitou os EUA, aproveitando para conhecer o recém inaugurado Museu Guggenheim e cumprimentar Lloyd Wright, Fidel permaneceu em Cuba, a ver “Ben Hur” , galardoado com 11 estatuetas de Hollywood.
Quem se deslocou às salas de cinema para ver o filme Serengueti não pode morrer”, ficou a saber que a extinção de numerosas espécies era já uma ameaça, mas que poucos se preocupavam com isso. Afinal, se Billy Wilder proclamava numa comédia que fez furor, que “Quanto Mais Quente Melhor”, não havia razões para as pessoas se preocuparem com as alterações climáticas. Os mais cépticos esgrimiam mesmo o argumento do mais recente filme de Hitchcock: “Intriga Internacional”.


Enquanto as consumidoras mais jovens aprendiam um novo nome de boneca – Barbie- os adultos, deliciavam-se com a última maravilha do mundo automóvel: o Mini da BLMC. O êxito do Mini é assegurado em plena era espacial mas, (pasme-se!) só neste ano é inventado o abre latas.
Com a evolução dos electrodomésticos que facilitam a vida no lar, as mulheres têm mais tempo livre para ir ao cabeleireiro. As tiragens das revistas femininas disparam e em Portugal o êxito chama-se "Crónica Feminina".
Rejeitado pela CEE, Salazar vira-se para EFTA, na companhia da Grã Bretanha, Noruega, Áustria, Suécia e Suíça. Estávamos em plena era espacial mas, à falta de Sputniks, Salazar inaugura o monumento a Cristo-Rei. Os lisboetas têm uma nova razão para atravessar o rio e dinamizar a actividade dos cacilheiros. Dois heróis de banda desenhada acabados de nascer pelas mãos de René Goscinny e Albert Uderzo- Astérix e Obélix- testemunham a inauguração. Originários de uma aldeia que se tornou exemplo de resistência à ocupação romana, os dois novos heróis não precisaram de trazer a poção mágica que lhes conferia forças para resistir ao invasor. Em Portugal, a aliança Salazar/Cerejeira era suficiente para resolver todos os problemas e impedir a entrada de quaisquer ideias subversivas vindas da Europa.

Pelo país dos blogs (40)

Gostei de ver as fotografias da Índia nos "Momentos Perfeitos",
A autora do blog fez uma exposição de fotografias sobre aquele país, na Moita, mas quem não teve oportunidade de visitar, pode ir até lá ver algumas das fotografias que estiveram em exibição.

Desafio mascarado

Recebi da Dulce o seguinte desafio:
1 - agarrar o livro mais próximo;
2 - abrir na página 161;
3 - procurar a 6ª frase;
4 - colocar a frase completa no blog;
5 - produzir um texto com a frase;
6 - repassar a "tarefa" para 5 pessoas.
O livro que tenho neste momento à mão é “Mutiladas e Proibidas” do Cândido de Azevedo. Está a servir-me de apoio para um trabalho que pretendo reeditar sobre a censura durante o Estado Novo
A 6ª frase da página 161 é esta:
“ Num reino imaginário faz nascer um príncipe herdeiro a quem as boas bruxas fadam com as maiores virtudes e qualidades que o Génio das Florestas pretende neutralizar no seu possuidor fazendo-lhe crescer umas autênticas orelhas de burro”.

Esta frase foi escrita pelo Director da Censura do Estado Novo, na análise ao livro “O Príncipe com Orelhas de Burro” do José Régio .
No veredicto final o censor escreve:“….ignoro se há alguma corte estrangeira que possa sentir-se mais ou menos visada no reino do imaginário criado pelo autor, tanto mais que este nem sequer usa a declaração agora em moda « a de ser mera coincidência a semelhança com pessoas ou factos existentes”. Graças a este juízo, o Director da Censura decidiu autorizar a publicação, o que me serve de pretexto para completar o desafio com as frases (a bold):

“ Num reino imaginário faz nascer um príncipe herdeiro a quem as boas bruxas fadam com as maiores virtudes e qualidades que o Génio das Florestas pretende neutralizar no seu possuidor fazendo-lhe crescer umas autênticas orelhas de burro. Por inépcia do Génio das Florestas, as orelhas de burro acabaram por crescer num censor mor desprovido de neurónios, muito aclamado no reino do Botas que o recompensou com uma renda vitalícia, pelos excelentes serviços prestados. Entretanto , para emendar o seu erro, o Génio fê-lo ressuscitar num Carnaval, para passear pelo país e recordar os bons velhos tempos ”.
E assim respondi ao último desafio em carteira ( espero não me ter esquecido de nenhum…) que não vou passar a ninguém em especial.
Quem estiver interessado, sirva-se à vontade e dê notícias cá para o Rochedo, para que seja lavrado o devido assento que, posteriormente, será comunicado a todo o blogobairro e condomínios adjacentes.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Verdade ou consequência...

A Carol, a De dentro para fora e a Mieppeee intimaram-me a revelar 9 particularidades da minha vida, sendo que 3 têm de ser mentira. Embora considere que já ando a divulgar mais coisas sobre mim do que desejaria (risos...), vou responder porque a simpatia das desafiantes a isso me obriga. Então aqui ficam:
1- O meu prato favorito é mioleira
2-Normalmente, só corto o cabelo 4 vezes por ano
3- Já fui sócio do Sporting
4- Tenho sete netos ( cinco raparigas e dois rapazes)
5- Fui operado ao apêndice com 11 anos
6- Meço 1,79m e peso 71 quilos
7- Quando era jovem joguei hóquei
8- Sou muito ciumento
9- Já vivi numa ilha deserta durante uma semana ( mas levei uma Jane comigo….)

Como gosto de perverter os desafios, informo que além das 3 mentirinhas a que fui obrigado, ainda acrescentei mais meia ( embora quando revelar os resultados alguns vão defender que aquela é uma mentira por inteiro. Mas em minha opinião, é só meia, prontoSSSS!). Agora fico à espera dos vossos palpites e, no sábado, dou as soluções.
Informo também a estimada vizinhança que, em virtude de afazeres vários, depois de responder aos desafios que me faltam, só voltarei a aceitar novos desafios lá para Agosto. Não levem a mal, mas tem de ser mesmo assim.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Pimenta na língua

O príncipe Harry vai frequentar um curso anti- xenofobia nas forças armadas britânicas, para ver se aprende a ter tento na língua.
Já nem a realeza escapa à falta de educação generalizada, à crise de valores que grassa por todo o mundo, bem expressa na insensibilidade de um jovem candidato à sucessão de Isabel II, cujas declarações xenófobas têm corrido mundo.
O tempo dos príncipes encantados parece estar definitivamente submerso na poeira civilizacional, erigida em modelos de libertinagem e individualismo a que a imprensa cor de rosa serve de “Manual de Comportamento”.
Se um príncipe precisa de ir para uma escola militar aprender boas maneiras e regras para se exprimir em público, quem pode criticar a geração plebeia, sem raízes familiares, que se revê em seriados ao estilo do “ Morangos com ( ou sem) Açúcar”?
Bons tempos em que bastava um pouco de pimenta na língua para educar as criancinhas...

Pelo país dos Blogues (39)

A Pipoca Mais Doce faz uma curiosa análise à forma como os homens comemoram o Carnaval:
"É engraçado que os homens, numa constante disputa para ver quem é mais viril (ou só mais parvo), passam a vida a pôr em causa a masculinidade uns dos outros, brindando-se com epítetos tão inteligentes como paneleiro, maricas, bichona, menina. Ele é tudo e mais alguma coisa. E assim que chega o Carnaval qual é a primeira coisa que fazem? Vestem-se de mulheres".

Estamos "fritos" com os grelhados!

Um estudo da Universidade do Porto revela que “assar no carvão produz composto cancerígeno no salmão e sardinha”. Felizmente, o DN teve o cuidado de esclarecer o assunto com um nutricionista que me tranquilizou, ao afirmar que os grelhados fazem bem à saúde. Concluí que, afinal, as vítimas dos produtos cancerígenos são o salmão e a sardinha o que não constitui qualquer problema para os pobres animais, uma vez que já estando mortos, no momento de ir para o grelhador, não devem ser muito afectados. Parto do princípio que ninguém faz com o salmão e a sardinha o que a IKEA faz com os patos...
Foi oportuno este esclarecimento, porque já estava a pensar mal dos médicos que me receitam dietas de grelhados quando a vesícula preguiçosa que me caiu em sorte se lembra de entrar em greve.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

And the winners are...

Terminada agoa mesmo a cerimónia ds Óscares, aqui ficam as principais atribuições ( Podem ver a lista completa no Delito de Opinião)

Melhor Actriz Secundária - Penelope Cruz

Melhor Actor Secundário-Heath Ledger

Melhor Actriz- Kate Winslet

Melhor Actor- Sean Penn

Melhor Filme Estrangeiro- Departure ( Japão)

Melhor Realizador- Danny Boyle

Melhor Filme- Slumdog Millionaire

O grande vencedor de uma noite de Óscares renovada foi "Slumdog Millionaire", ao arrecadar 8 das 10 nomeações, entre as quais a de melhor realizador e melhor filme. Notável e merecido.


Momento de Humor (19)

É Carnaval, ninguém vai levar a mal!....

Advogado : Doutor, antes de fazer a autópsia, o senhor verificou o pulso davítima?
Testemunha: Não.
Advogado : O senhor verificou a pressão arterial?
Testemunha: Não.
Advogado : O senhor verificou a respiração?
Testemunha: Não.
Advogado : Então, é possível que a vítima estivesse viva quando a autópsiacomeçou?Testemunha: Não.
Advogado : Como é que o senhor pode ter a certeza?
Testemunha: Porque o cérebro do paciente estava num jarro sobre a mesa.
Advogado : Mas ele poderia estar vivo mesmo assim?
Testemunha: Sim, é possível que ele estivesse vivo e tirando o curso deDireito em algum lugar!!!

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Noite dos Óscares

Esta noite, a prtir das 22h30m, grande debate no Delito de Opinião sobre a noite dos Óscares. À atenção dos cinéfilos.

I Have Good Friends



Este presente veio da Holanda, juntamente com um desafio. Antes de o passar para a encosta direita do Rochedo, aqui fica para apreciarem. As regras mandam que o reenvie para 8 blogs amigos, mas como todos os que estão na coluna da direita são blogs amigos, sintam-se todos escolhidos.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Eu só queria entender...

" A verdade da vida humana assenta na complementaridade do homem e da mulher....a base antropológica da família... só assim esta pode desempenhar a relevantíssima função de célula da base da sociedade, que assegura a sua renovação harmoniosa..."
Não posso discordar desta nota pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa,(CEP) cujo objectivo é a condenação do casamento entre pessoas do mesmo sexo. No entanto, gostava que um dia alguém na CEP me explicasse um fenómeno que sempre me intrigou:
Como é que Eva e Adão, tendo apenas tido dois filhos varões ( Caim e Abel) asseguraram a reprodução da espécie? Salvo qualquer milagre biológico, a que nunca vi qualquer referência,tal só terá sido possível através de práticas incestuosas, igualmente condenadas pela Igreja, não?

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Pronúncia do Norte (8)

PICHELEIRO= =CANALIZADOR
O primeiro picheleiro que conheci chamava-se....António Mafra. Foi lá a casa arranjar umas coisas no dia em que o Conjunto António Mafra actou na RTP pela primeira vez.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Estes ingleses devem estar loucos!


Assusta-me a febre proibicionista que alastra pelo mundo “dito” civilizado.
Criar zonas para beijoqueiros nestes locais, só pode ser ideia de mentes deformadas. O problema é que são essas mentes que nos governam e, provavelmente, o D. Saraiva achará esta medida perfeitamente normal…
Curioso, é que há bem pouco tempo, alguns vizinhos espantavam-se por eu ter dito que fora multado em 500 pesetas, por dar um beijo na praia ( em Espanha). Já foi há muito tempo, era eu uma criança, mas pelos vistos a história repete-se e os loucos reencarnam.

Destruir depois de ler

A Cristina pede-me que indique seis particularidades da minha personalidade. Assim começo a responder à lista de desafios que tenho para cumprir.
- Gosto de viajar sozinho, principalmente fora da Europa. Sinto tudo de outra forma ( alguma coisa muito íntima que não sei explicar, me põe os sentidos em turbilhão quando viajo apenas na minha companhia) torna-se mais fácil entrar em contacto com as populações e conhecer melhor os hábitos locais.
-Não gosto de dormir em quartos sem estores ( ou serão persianas?) porque acordo logo ao raiar do dia.
-Preciso de silêncio absoluto e de estar confortável para ler um livro.
-Aprecio uma boa conversa, com trocas de opiniões civilizadas, mas sou avesso a discussões exaltadas. Quando um interlocutor levanta demasiado a voz, reajo mal. Prefiro a força dos argumentos
- Nasci em Portugal, viajei pelos cinco continentes, vivi em três, mas é na América Latina que me sinto em casa. Só lá consigo ser completamente feliz.
- Detesto fanatismos e fundamentalismos, mas não acredito que a virtude esteja no Centr(ã)o.

Agora, passo este desafio à Dulce, Miepeee, Monique, Senhora e Teddy Lover

Momento de Humor( 18)

Para desanuviar do post anterior...

Duas amigas encontram-se no céu e uma pergunta para a outra:
- Como morreste?
- Congelada.
- Ai que horror!!! Deve ter sido horrível! Como é morrer congelada?
- É péssimo: primeiro são os arrepios, depois as dores nos dedos das mãos e dos pés, tudo a congelar... Mas, depois veio um sono muito forte. E depois perdi a consciência... E tu, como morreste?
- Eu? De ataque cardíaco. Eu estava desconfiada que o meu marido me traía. Um dia cheguei a casa mais cedo. Corri até ao quarto e ele estava na cama, calmamente a ver televisão. Desconfiada, corro até à cave, para ver se encontrava alguma mulher escondida, mas não encontrei ninguém. Corri até ao segundo andar, mas também não vi ninguém. Subi até ao sótão e, ao subir as escadas, esbaforida, tive um ataque cardíaco e caí morta.
- Oh, que pena... Se tivesses procurado na arca congeladora, estaríamos ambas vivas!!!!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Não queira ser MILIONÁRIO!


Como vos dizia ontem, ver “Slumdog Millionaire” foi apanhar um murro no estômago.Não apenas pelas emoções que o filme desperta, mas principalmente porque me senti a vivê-lo por dentro, num cenário que me é muito familiar.
Logo nas primeiras imagens, quando a câmara sobrevoa aquela imensidão de bairros de lata, vi-me num avião, há mais de 20 anos, a descer sobre o aeroporto de Bombaim, ao alvorecer. Depois, a cada cena sentia o mesmo incómodo da primeira vez que lá fui. Não pude evitar as lágrimas, durante o filme, como não as controlo cada vez que tenho de ir a Bombaim. Estive lá mais vezes do que desejaria ter estado. As vezes suficientes para saber que quando Jamal não hesita em mergulhar na fossa cheia de merda , para conseguir o autógrafo do seu ídolo... Danny Boyle não está a fazer ficção.
Já vos expliquei aqui a minha relação com a Índia e com Bombaim ( Mumbai). Percebem , por isso, (quem não leu, aconselho que o faça) a angústia que se apoderou de mim ao longo do filme, muito para além do enredo. Tudo aquilo é real, é o dia a dia de uma cidade de horrores que cresce sobre os seus destroços, atirando milhões de desalojados dos bairros de lata para “valas comuns” que ladeiam a estrada entre Mumbai e o aeroporto, numa luta constante pela sobrevivência.
Quando escolheu Mumbai para cenário do filme, Danny Boyle sabia o que estava a fazer. Ao desviar-nos a atenção para uma cidade ( e um país) cujas misérias são sobejamente conhecidas, procura impressionar, mas aliviar-nos a consciência. Com o cenário de Bombaim por detrás, podemos fingir que aquilo não é nada connosco.
No entanto ele sabe, como eu e muitos de vocês, que muito do que nos mostra, poderia ter sido filmado em bairros periféricos de grandes cidades europeias. Lisboa incluída.
Sim, em Lisboa também há crianças propositadamente mutiladas, para serem exploradas como pedintes; há um mercado de escravos, quase no centro da cidade, onde todas as madrugadas,a mão de obra é comprada ao desbarato e com direito a comissões aos angariadores, pagas pelo contratado; há jovens vítimas de exploração sexual, inseridas(os) em redes criminosas; há redes de crime organizado, que aliciam jovens para a prática de assaltos e outros actos violentos; há jovens a lutar pela sobrevivência, que não têm alternativa e estão dispostos a tudo. Quem não souber que tudo isto existe às portas de nossas casas é um MILIONÁRIO... vive no mundo da ficção.
“Slumdog Millionaire” não é um filme sobre a Índia. É um filme estupidamente real sobre este modelo de sociedade injusta, que nos mostra de forma cruel e violenta , uma realidade que varremos constantemente para debaixo do tapete. Uma sociedade onde tudo é possível. Até ganhar um concurso de cultura geral, apenas com os conhecimentos adquiridos na escola da vida! A ficção também lá está…nos últimos 20 minutos melosos, onde se cumpre o conto de Fadas, à moda de Bollywood. Com um travo de music-hall americano...

Rochedo das Memórias 91 - Sob o signo do Nove ( 1949)


No último ano da década de 40, o mundo altera-se profundamente. Enquanto a Índia e o Paquistão anunciavam o fim da guerra de Caxemira, aceitando a realização de um referendo sob a supervisão da ONU, a Alemanha dividia-se em dois e a Irlanda abandonava a Commonwealth. Neste mesmo ano, Mao derrota Chang Kai-Check e proclama a República Popular da China, recebendo de imediato o apoio de Moscovo.
Por todo o mundo há jovens seguidores de Mao e Portugal não é excepção, mas na idade adulta os jovens portugueses que desfilaram com a bandeira numa mão e o livro vermelho na outra, acabarão por se render, anos depois do 25 de Abril de 1974, ao canto delicodoce do capitalismo liberal e trocam o Livro Vermelho pela leitura do Financial Times. Entrementes, vão engrossar as fileiras dos partidos do Centrão. Um deles tornou-se célebre por vir a ser escolhido para comandar os destinos da União Europeia e estampa um sorriso nos lábios quando lhe falam dos seus devaneios maoistas. Nada disto foi previsto por Georges Orwell no seu livro “1984” cuja actualidade se mantém intacta.
Mas voltemos a 1949, para assinalar que a URSS faz explodir a sua primeira bomba atómica, mas não é isso que provoca "A Morte de Um Caixeiro Viajante" num teatro em Nova Iorque.
Em França, a Citroen lança o inimitável 2 cv, viatura em que muitos se deslocam a Paris com o pretexto de aplaudir a vitória de um italiano ( Fausto Coppi) no Tour de France. as razões, porém, são outras... aquele embalar do 2 CV só quem não experimentou...
Por cá, a farsa continua, com a atribuição do título de Doutor Honoris Causa a Franco, pela Universidade de Coimbra. Nada melhor para encerrar uma década em que Portugal se afasta definitivamente da Europa, vê vetada a sua entrada na ONU, mas é admitido na Nato, porque quando toca à “traulitada” não se olha aos regimes políticos e todos se tornam amigos.
As alimárias do Estado Novo saltam de contentamento com a desistência de Norton de Matos para as eleições presidenciais. Desta vez, não tiveram que fazer batota nas urnas, limitaram-se a assistir às contradições internas que minaram o candidato da oposição democrática.
A Alemanha de Leste, controlada pela União Soviética, torna-se comunista. Durante 40 anos ouvirá falar-se da Cortina de Ferro e a ameaça de uma nova Guerra paira sobre o Mundo inteiro. Bons e maus organizam-se em blocos. De um lado a Nato, do outro o Pacto de Varsóvia, duas concepções do mundo em permanente confronto surdo que só irá terminar, 40 anos mais tarde, com a queda do muro de Berlim, muito saudada a Ocidente. Cantou-se vitória, mas como o tempo viria a demonstrar, foi cedo demais para o fazer....

A não perder...

Não tenho por hábito comentar filmes, nem postar sobre livros, mas vou abrir uma excepção.
Acabo de ver "Slumdog Millionaire".

Revoltante. Deprimente. Apaixonante. Angustiante.Irónico. Irreverente. Chocante. Fascinante. Não tenho mais adjectivos. Ainda estou em estado de choque, mas amanhã voltarei a falar deste filme. Porque, embora se passe na Índia, é um retrato da sociedade em que vivemos. Por mim, atribuía-lhe já o Óscar.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A minha "Primeira Vez"

Era uma soalheira manhã de Primavera, que apelava aos sentidos. Estava trajado a rigor e a custo disfarçava o nervosismo provocado pela ansiedade da minha primeira vez . Na sala havia uma fila de homens à minha frente, aguardando. Muitos eram jovens como eu e não tinha dúvidas que para eles também seria a primeira vez. Tal como eu, disfarçavam o nervosismo contando anedotas e algumas histórias de uma vida ainda com muito para desfiar. Alguns, mais velhos, tranquilizavam-nos.:
"É natural que estejam nervosos, mas vão ver que vale a pena." -avançou um "Tomara eu que a minha primeira vez tivesse sido assim"- disse um velhote ao passar por nós. Outro, emigrante, afiançava:" Em França é que é bom!"
Todos olhavam para o meio da sala onde ela se expunha, apelativa, aos nossos olhares gulosos. Era linda e deixava-nos em devaneio cada vez que repousávamos olhar sobre ela.
À medida que me aproximava e lhe percebia melhor os contornos, imaginava o momento emocionante. Assim que depositasse naquela fenda todo o vigor da minha vontade, iria finalmente aprender a ser homem!
Finalmente chegou o momento. Aproximei-me, trémulo. Uma senhora aparentando 40 anos olhou-me com um sorriso. Estendeu-me um papel e disse-me:
- "Vá até àquela cabine, preencha o papel e volte cá".
Assim fiz. Quando saí, as pernas tremiam-me. Abeirei-me dela. Olhei-a com enlevo e, num gesto súbito, penetrei-a com vigor, manifestando-lhe o meu desejo e pedindo-lhe para não me desiludir .
Tinha acabado de votar pela primeira vez na minha vida!

Efeitos da crise

Sarkozy ficou muito agastado pelo facto de haver fábricas francesas instaladas em países estrangeiros, a produzir automóveis que são vendidos no mercado francês.
Não percebo a razão do espanto… “Os esquerdalhos” ( palavras do presidente francês) já se tinham insurgido contra essa prática há mais de uma década…
Entretanto, o Comissário Europeu para o Emprego propôs que se estabelecesse um “salário máximo”, deixando muita gente a torcer o nariz. Cavaco fora o primeiro a fazer uma proposta semelhante, perante o mutismo ( embora algumas vozes indignadas tenham saído a terreiros.
A verdade é que, graças à crise, se começam a perceber duas coisas:
1- Os activistas que pediam uma globalização mais humanizada, começam a ter seguidores na esfera política.
2- Nas instâncias europeias, surgem vozes reclamando que os ricos também sejam obrigados a pagar a crise. Para não serem sempre os mesmos.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Canções da minha vida (1)


No final dos anos 60, Jane Birkin e Serge Gainsbourg incendiavam os corações dos jovens com uma canção inolvidável: "Je t'aime, moi non plus..." Festinha de garagem, ou tarde dançante de sábado nas faculdades, onde não se ouvissem as palavras mágicas " Je vais et je viens, entre tes reins et je me retiens", não era festa. Hoje, ao ler que Jane Birkin vai lançar um disco evocativo dos 40 anos daquela canção, lembrei-me disto


Adenda: O Paulofski teve a amabilidade de enviar um link da canção. Está na caixa de comentários.

Pronúncia do Norte (7)

TESTO=
=TAMPA?
Pronuncia-se "têsto" e aplica-se às tampas deste(s) recipiente(s) que se pode(m )ver na imagem. Digam lá se não é uma palavra gira!

Eu gosto de ser pontual, mas...

Tenho vários desafios para responder, mas ainda não arranjei tempo. Pensava fazê-lo este fim de semana, mas com este solinho fiquei pelo meu rochedo e não estive um único minuto diante do computador.
Peço as minhas desculpas à Borboleta, Carol, Cristina Ribeiro, Dulce e Monique ( que me ofereceu o presentinho ali de cima).
Até final da semana, espero responder a todas,ok?

As penas da IKEA

Quem já se deu ao trabalho de ler o meu perfil, percebeu que nunca entrei numa loja IKEA. Embirro solenemente com a marca desde o tempo em que vivi na Suécia, por razões várias. Agora tenho mais uma: não gosto de empresas que não assumam os seus erros. Como acaba de acontecer com as almofadas e edredões de penas que, veio a saber-se, são confeccionados com penas de aves depenadas VIVAS!
A IKEA - que está a devolver o dinheiro aos consumidores que se sentem enganados- argumenta que não sabia e que a culpa é dos chineses. Claro que é sempre mais fácil acusar os chineses, que já têm as costas largas, do que assumir as responsabilidades.
A mim não me convencem, porque uma empresa que desconhece todo o trilho produtivo dos produtos que vende, não me merece confiança. Qualquer dia ainda vêm dizer que pensavam que as mobílias eram fabricadas com árvores de plástico!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Geração S. Valentim, ou Al Capone?

Hoje* encontrei no metropolitano um par de namorados sub-25 com QI abaixo dos 30.
Não conhecem o género? Então eu explico…Ele veste jeans coçados e usa o cabelo em pontas, empastelado de gel. Quando se senta no metro, põe os ténis ( ou as botas da tropa do irmão mais velho) sujos de lama, no banco da frente, para desmotivar alguém que pretenda ocupar o lugar.
Ela usa collants de cor garrida e uma pequena tira de pano em volta da cintura a fingir de saia, coloca os pés em cima do colo dele e envolve-lhe o pescoço com os braços, para não o deixar fugir.
Ambos mascam chiclets enquanto falam. Ela começa as frases sempre com “Ó Môreeeee!” em tom de barítono e ele responde-lhe em contralto: “Fala mais baixo C……”
Agora que já identifiquei o género, passo ao relato.
Sentei-me em frente dela, desejando que não tivessem trocado de lugar antes de eu entrar e comecei a ler o Metro, sem prestar atenção à conversa deles. Pouco tempo depois , a voz dela eleva-se e pergunta:
Ó Môreeee! Quantos SMS envias por dia?”
Percebi logo que estava a ler o meu jornal ( a noticia de capa era “ Cada jovem envia 235 SMS por dia” )e decidira comentá-lo em voz alta. Ele não parecia interessado na réplica, por isso respondeu com ar de enfado:
“Sei lá C……. Não faço contas a essas m….”
Ela mudou de assunto:“Ó Môreeee!” os Xutos fizeram anos ónte…”
Percebi que tinham acabado de ler a primeira página e suspirei de alívio. Na estação seguinte, ele saiu. Trocaram um Chuak sonoro e ela disse-lhe em tom de despedida:
“ Môreee, telefona-me quando chegares ao Cól Centre”
Ecoaram-me, sibilinas, as palavras de Sócrates na inauguração de um “call center “ em Santo Tirso: “Trabalhar num call center é um emprego de futuro”.
Pensei para os meus botões:
“Atão num é, Môreee!”

* Na verdade foi já há umas semanas e escrevi este post ( com outro título) no Delito de Opinião. Quero partilhá-lo hoje, também aqui, aproveitando para recordar que apesar de amanhã todos estarmos a pensar no Dia de S. valentim, faz também 80 anos que Al Capone matou um grupo de membros do seu rival ( para relembrar o episódio, vejam "O Rochedo das Memórias" nº 89

Histórias de S. Valentim

Para não me acusarem de fazer "suspense", fica desde já a informação: podem ler aqui a história do dia em que S. Valentim estragou um conto de Fadas.

Sem palavras


Tá-se tão bem aqui!!! Volto mais logo, para falar de amor e namorados, porque amanhã é dia de S. Valentim.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A Química do amor ( conclusão)


Como ontem aqui vos disse, foi com os olhos cravados no chão que Maria começou a contar as razões que a levaram a despedir-se da casa de Vítor e Alexandra. (Omito os soluços e as pausas, para abreviar).
“ Ontem, quando cheguei lá casa, o doutor Vítor já tinha saído, a doutora disse-me que tinha passado mal a noite e, como não tinha julgamentos, ia trabalhar mais tarde. Ainda estava de robe e realmente com mau aspecto. Perguntei-lhe se queria que fizesse um chazinho de hipericão, mas ela respondeu que já tinha tomado. Passado um bocado chamou-me, para perguntar se queria umas roupas dela que já não usava. Eu vi as roupas, algumas eram mesmo bonitas e até estavam boas, porque como sabe a doutora veste-se sempre muito bem. Fiquei muito contente e agradeci, mas ela quis que eu experimentasse um vestido, para ver se me ficava bem.
Pedi licença para ir experimentar à casa de banho, mas ela disse-me “que é isso Maria? Experimenta mesmo aqui…”. Expliquei-lhe que não me sentia à vontade e fui vestir-me à casa de banho das visitas. Quando estava pronta fui ao quarto e perguntei “Então doutora, o que é que acha?”, ela olhou para mim e respondeu “Fica-te mesmo bem Maria, só talvez aqui no peito precise de um arranjo, porque tens o peito mais pequeno do que o meu”. Começou a mexer no vestido, junto aos meus peitos e eu comecei a ficar nervosa. Afastei-me, mas ela agarrou-me o pescoço e deu-me um beijo na boca enquanto dizia umas coisas que nem lhe conto.
Fiquei tão nervosa que fugi de casa com o vestido no corpo e só quando cheguei à rua é que dei por isso. Fui até ao café beber uma água e passei por uma grande vergonha, porque julgavam que eu tinha roubado o vestido à doutora para me armar. Não queria voltar àquela casa nunca mais, mas lá arranjei coragem para ir lá deixar o vestido e dizer que não voltava a trabalhar lá. Logo que meti a chave à porta, ouvi a doutora a chorar e fiquei sem saber o que fazer. Fui tirar o vestido e preparava-me para me vir embora e telefonar à noite a dizer que não contassem mais comigo, mas quando já vinha a caminho da porta ela apareceu e disse-me que não me queria voltar a ver lá aemcasa.
Fui despedida, já viu? Bem, mas é melhor assim, porque se evitam escândalos e vergonhas. Sabe o que lhe digo ? Coitado do doutor Vítor, que é uma jóia de pessoa. Não percebo como é que se foi encantar com aquilo. Ainda se ela fizesse aquilo com um homem, agora comigo?”
Olha, Maria, desculpa que te diga, mas estou muito grato à Alexandra. Assim, ela nunca me vai acusar de te ter roubado para minha casa e vou continuar a comer as tuas hortaliças e o teu arroz de cabidela de consciência tranquila- disse só para mim. Depois perguntei-lhe:
"Fazes-me um arroz de cabidela com esse coelho bravo, para logo à noite?"
"Não tenho o sangue do coelho para lhe fazer o arrozinho. Deixo-lho preparado para fazer um arroz malandrinho, quer? Quando chegar é só botar o arroz. Convide a doutora Ângela para vir cá comê-lo consigo, que hoje é sexta-feira".
Segui o conselho da Maria. Durante o jantar contei à Ângela a história. Sabem o que ela me respondeu?
“ Lá no escritório toda a gente sabe das vidas da Alexandra. Só o parvo do Vítor é que anda a dormir, coitado. Ou então…”
-Então o quê?
"Olha, se eles tocarem à porta o melhor é não abrires...."
-Tá bem, acho que já percebi...

Nota: As datas ( tal como so nomes)desta história estão propositadamente alteradas. A história passou-se há mais tempo, mas a Maria continua a fazer-me arroz de cabidela.
Alexandra e Vítor continuam a viver juntos, mas nunca mais voltaram lá a casa. Aparentemente são felizes. Ela nunca mais me olhou de frente e ele, quando nos encontramos num café, perto do Rochedo, desafia-me para umas partidas de ténis que nunca se chegam a concretizar.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A Gi desmascarou-me!

Caros vizinhos, tenho uma triste notícia a dar-vos. Eu já sabia, o que se ia passar, mas tenho andado a adiar a notícia. Hoje, porém, a Gi antecipou-se e eu não tive outro remédio senão confessar-vos.
Acabou-se o Rochedo. Já blogger não sou. A Mc Donald’s transformou-me em hamburguer e estou condenado a passar o resto dos meus dias em restaurantes daquela cadeia, abocanhado por criancinhas obesas, ranhosas e impertinentes Pelo menos é o que anuncia a publicidade!
Dizem que o CBO é a combinação perfeita. Feito à base de Cebola estaladiça, Bacon crocante e Frango, é a nova descoberta da Mc Donald’s! Eu. Moi- même. Myself!
Oh sorte malvada… eu a pensar que ia acabar nas labaredas do inferno e vou terminar os meus dias a percorrer intestinos grossos e delgados, à espera de ser defecado numa qualquer sanita pública.
Bem me dizia há tempos um ex-namorado de uma amiga, inconformado com o facto de ela o ter trocado por mim: “ Um dia vou fazer-te em m….”
Não avisou é que primeiro me iria transformar em hamburguer, o sacana!



A Química do amor (1)

Alexandra e Vítor ( nomes fictícios) formavam um par que tinha tudo para não ser feliz. No entanto, o amor tem destas coisas inexplicáveis. Conheceram-se em Janeiro de 1987 e em Julho estavam a casar-se. Foram viver para casa de Vítor.
Ela era uma jovem advogada, pouco ambiciosa, que optara por se licenciar em Direito com o objectivo de defender as causas dos mais desfavorecidos.
Ele era licenciado em Economia, ambicioso, e rapidamente se tornou um quadro superior de elevado mérito, na empresa onde começara a trabalhar nos tempos de estudante.
Em1989, Alexandra contratou uma empregada doméstica ( Maria) que tinha sido despedida de um restaurante onde era cozinheira. Alexandra prontificou-se de imediato a ser sua advogada sem lhe cobrar honorários.
Por essa altura o casamento já tinha estourado e o divórcio acabou por acontecer, pouco depois de Alexandra ter entrado com o processo de Maria em Tribunal. Um dia, Alexandra disse a Maria que, tendo ela continuado a trabalhar em casa de Vítor, não continuaria a suportar as despesas do processo. Aconselhou-a, por isso, a pedir o pagamento das custas do processo e dos seus honorários ao ex-marido.
Maria assim fez. Vítor prometeu pagar-lhe, com a condição de ela não dizer a Alexandra. Maria terá cumprido a promessa, Vítor pagou uma choruda maquia para a ex-mulher continuar com o processo que viria a perder, Maria ficou sem direito a indemnização.
Nos finais da década de 90, Vítor foi convidado para ocupar um lugar de destaque na empresa, na Alemanha. Independente, sem filhos, nem qualquer ligação afectiva estável, aceitou imediatamente. Semanas antes de partir, perguntou-me se não queria ficar com Maria como empregada. Como acabara de despedir a minha, por manifesta falta de zelo nos cuidados do lar, aceitei. (Afianço-vos que Maria é uma empregada espectacular, como aliás já aqui vos confidenciei e tornou-se indispensável para garantir o meu bem estar e qualidade de vida).
Vítor regressou a Portugal no Verão passado. De comum acordo, passámos a partilhar os cuidados domésticos de Maria.

Em Outubro, Vítor e Alexandra encontraram-se numa festa de aniversário de um amigo comum. Ela é agora uma advogada de relativo sucesso, com escritório montado numa das zonas nobres da cidade. Ele ocupa lugar destacadíssimo na empresa. Ambos estavam “livres”, o reencontro avivou-lhes memórias do passado e começaram a sair. Jantar atrás de copo, acabaram por voltar a acordar na mesma cama, em casa de Vítor, numa bela manhã de sábado. Em vésperas de Natal, Vítor bateu-me à porta depois do jantar.
Com os dedos fazendo contorcionismo em volta do copo de whisky e as palavras hesitantes, bailando-lhe nos lábios, disse-me:
Tenho uma notícia para te dar… eu e a Alexandra …é… pensámos… decidimos…vamos fazer uma nova tentativa…”
"Porreiro, pá!” – respondi com pouco entusiasmo, como se estivesse a ver um filme policial , cujo fim já sei de cor e salteado, pela enésima vez.
“Pois.. mas há um problema… é que a Alexandra quer que a Maria fique lá em casa a tempo inteiro…”
Mau, mau, tinha de sobrar p’ra mim? Quem me vai trazer aquelas couves fresquinhas da e fazer-me aquele arroz de cabidela com galo “pica no chão”? – pensei enquanto reforçava as doses de whisky. Enfadado, acabei por responder:
“Tudo bem, a Maria era tua empregada, partilhámo-la durante estes meses, mas se a Alexandra quer e a Maria estiver de acordo, eu cá hei-de arranjar-me”.
“Bem, a Alexandra diz para não te preocupares… como vais sair agora, quando vieres…ou até final de Janeiro… podes continuar a contar com a Maria. Se tiveres dificuldade em arranjar uma empregada, a Alexandra diz que te arranja uma óptima…”
Ela que não se preocupe , eu arranjo” – respondi enquanto pensava ( a Alexandra que vá para o raio que a parta, grande cabra!)…………………………………………………………………………………………… ......................................................

Em Janeiro falei com Maria, disse-lhe para tomar a decisão que quisesse, que eu não levaria a mal. Perguntei-lhe se conhecia alguém que a pudesse substituir, mas ela de imediato me respondeu:
“Esteja descansado, que eu não o vou deixar. Se os doutores quiserem que continue tudo como está, continuo ( por causa do doutor Vítor, porque não gosto nada da doutora Alexandra) se não quiserem, não faltam casas onde vá trabalhar.”
Na última sexta-feira, chegou com um coelho bravo caçado pelo marido e uma novidade.
“Sabe, deixei a casa do doutor Vítor…”
“Então porquê? Eles não aceitaram a sua proposta?”
Vi o rosto da Maria ruborescer, mas apenas respondeu:
“ Não, não, foi cá por coisas minhas. Achei que era melhor assim…”
Conheço a Maria há tempo suficiente para perceber que estava a esconder qualquer coisa.
“Vá lá, Maria, não minta! Desembuche e diga lá o que se passou”.
De olhos cravados no chão, contou-me uma história de encantar.
Amanhã eu conto, porque hoje ainda estou “alapardado” com o que ouvi!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Salazar, o Galã

A SIC exibiu, nas noites de domingo e segunda –feira, uma série de ficção sobre a vida amorosa de Salazar. Eu só vi 15 minutos do primeiro episódio e 10 do segundo. Não sou apreciador de filmes de ficção científica, mas ver Salazar transformado em galã, despertou-me a curiosidade.
Admito que se trate de uma série de grande envergadura , com um registo histórico provavelmente do maior interesse, mas como nos minutos que lhe dediquei a única aproximação do ditador que descortinei, foi um pezinho a roçar no sapato de uma miúda que tocava piano, fiquei com a sensação que, como em tudo na vida, Salazar também tratava as coisas do amor com os pés.
Pior ainda, fiquei a pensar que o homem tinha mais jeito para mandar tipos inocentes para a cadeia, a fim de serem massacrados pela PIDE, do que para enviar cartas de amor. Além disso, durante o tempo que dediquei ao seriado, vi mais diálogos entre Salazar e Cerejeira, do que entre o homem de Santa Comba e uma mulher, o que me levou logo a tirar conclusões precipitadas sobre os objectivos da série, exibida no momento em que uma lésbica chegou ao poder na Islândia…
Bem, mas isto é a minha mente perversa que, com uma pontinha de sol, começa logo a disparatar.Pronto, se alguém viu e me quiser dar a sua opinião, fico muito grato, mas por favor não infiram deste post que sou homofóbico.

Mea culpa...

Todos os vizinhos sabem que, por vezes, faço juízos precipitados e maquiavélicos. Foi o que aconteceu recentemente, quando me insurgi com as associações de pais que pretendem as escolas a funcionar 12 horas por dia. Erradamente, atribuí essa pretensão ao egoísmo de alguns pais que, não tendo tempo para conviver com os filhos, nem para os educar, optam por entregar essas tarefas aos professores, certamente pensando nas virtudes das escolas de Esparta.
Enganei-me redondamente e peço desculpa. Aliás, se não fosse precipitado nos meus julgamentos, essa ideia nunca me teria ocorrido, porque sei bem que a maioria dos pais nunca poderia desejar aos seus filhos jornadas de trabalho de 12 horas, quando exigem para eles próprios uma jornada que não ultrapasse as oito.
Afinal, o que os pais pretendem é que a escola ministre quatro horas diárias de aulas e, durante as restantes oito, providencie instalações adequadas para as crianças dormirem. As escolas passariam a funcionar em tempo lectivo das 12 às 16 e depois, até às 24, os alunos seriam convidados a dormir. A essa hora seria o despertar, porque a partir da 1 da manhã os miúdos têm de ir para as discotecas, pelo menos até ao nascer do sol.
Alguns pais aceitam a hipótese de tomar o pequeno almoço com os filhos, desde que eles cheguem a casa antes das 10 da manhã. Os outros garantem estar com os filhos, pelo menos no dia do casamento.

Última hora: Entretanto, pais mais evoluídos preferem que sejam os juízes a decidir a educação dos seus filhos. Alegadamente, noticia o DN, com o propósito de salvarem os casamentos.

Encontro de blogs

Realiza-se, no próximo dia 21 de Fevereiro, o I Encontro de Blogs Portomosense, iniciativa que vai ser transmitida em directo pela Net. Para mais informações, vá aqui

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Eu tinha avisado...

Scolari foi despedido do Chelsea, como tinha previsto aqui.
Dei-lhe o benefício da dúvida até final da época, mas Abramovitch não quis arriscar. Scolari é um homem de sorte. Em tempo de crise vai embolsar umas massas valentes. Agora já pode comprar todos os discos do Roberto Leal!
( Também escrevo sobre isto no Delito de Opinião)

Terapia anti stress

Nada melhor do que ver três bons filmes num fim de semana prolongado, tirar um volume da resma de livros que aguardavam leitura, jantar num ambiente recatado em boa companhia e dormir tranquilamente, sem a ânsia de ter trabalhos à espera de serem concluídos, para esquecer que há quase dois meses o sol aparece apenas em visitas fugazes .
Pronto, eu sei que tudo isto seria melhor se a Primavera se anunciasse, mas é o que se pode arranjar …

Rochedo das Memórias (90)- A II Guerra Mundia


Continuando a retrospectiva dos anos terminados em 9, do século passado, vejamos como foi 1939

Em Março, Hitler desmantela a Checoslováquia, nascida em Outubro do ano transacto, e o exército alemão desfila triunfante pelas ruas de Praga.
Poucos meses depois ( 23 de agoto) assina com Estaline um pacto de não agressão e uma semana mais tarde invade a Polónia, dando início à II Guerra Mundial.
Em Setembro, Japão e Rússia põem fim à guerrra da manchúria, mas Estaline faz avançar o Exército Vermelho para a Polónia Oriental.
Invadida por Hitler e Estaline, a Polónia é repartida entre os dois estados. Começava a perceber-se o que valem e para que servem os acordos e Tratados assinados entre políticos.
Nada melhor para assinalar o facto, do que ir a uma sala de cinema ver Clark Gable e Scarlet O' Hara em “E tudo o vento levou”.
Bem, mas já que estamos a falar de Pactos, vale a pena lembrar que foi neste ano que Salazar e Franco asinaram o famigerado Pacto Ibérico. Salazar manifesta neutralidade portuguesa durante a II Guerra Mundial e , para comemorar, organiza o primeiro congresso da Mocidade Portuguesa. A neutralidade também é isto…
As grandes obras do Estado Novo ficam marcadas, este ano, com a conclusão da remodelação da Avenida Almirante Reis em Lisboa
Enquanto os americanos se deliciam com o início das transmissões televisivas, Einstein propõe a Roosevelt o fabrico de uma bomba atómica, para que os EEUU entrem na festança bélica bem apetrechados.
No western nasce um novo herói. Chama-se John Wayne e faz a sua estreia no filme Ringo
Berlim assiste à ante- estreia de Fahrenheit 141, com a destruição de 5000 obras de autores considerados degenerados. Para compensar, Estaline confisca várias obras de arte na Polónia e leva-as para casa.
Um alemão ( Rudolf Harbig) estabelece novo recorde mundial dos 800 m em atletimo, com a marca de 1m46,6 s e o de 400m em 46 segundos. Setenta anos depois, estas marcas deixam-nos com um sorriso nos lábios. O mundo caminha vertiginosamente para a loucura. Em muito menos tempo, são destruídos milhões de hectares de floresta, e solo arável é substituído por terreno edificado.
Adenda: Para mais informações, consulte o Rochedo das Memórias ( link na coluna da direita)

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Mistérios da noite...

Pedro França Alemão, ex-namorado da ex-mulher do nutricionista espanhol mais famoso em Portugal nos anos 90, é acusado pelas autoridades portuguesas de ser o principal rosto do caso “Polvo”, que me recorda uma série italiana de grande sucesso.
A imprensa diz que era ele quem, alegadamente, mandava entregar droga às mulheres que frequentavam os bares de diversão nocturna. Independentemente dos fundamentos da acusação, não restam dúvidas que, com um nome destes e com um passado amoroso de âmbito internacional, Pedro tem todos os condimentos para se assumir como rosto do crime à escala global. Há nomes tramados…
Mais difícil é tentar encontrar uma explicação para o facto de uma grande percentagem dos acusados de crimes relacionados com a noite e com a exploração sexual de mulheres, serem defendidos por advogadas…

O Poder dos Astros

Hoje, quando se estiver a iniciar o Porto- Benfica, a SIC estreia a sua série de ficção sobre Salazar que nos vai mostrar um ditador galã.
À mesma hora a RTP estará a exibir mais um episódio da belíssima série “Conta-me como foi”. Tudo se conjuga, pois, para um desastre no Dragão, cuja vítima será o FC Porto, mais uma vez confrontado com a necessidade de enfrentar as forças ocultas do Estado Novo, que consagravam o SLB campeão honorário do regime.
Com tantas forças a ajudar, os encarnados talvez nem precisem da ajuda do árbitro para sair do Dragão com uma vitória.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Adivinha ( solução)

Pois um MEGAFONE serve para tudo o que vocês disseram na caixa de comentários e ainda...
para anunciar ao blogobairro que hoje é dia de aniversário de um dos melhores blogs portugueses. Foi um blog que me serviu de guia e roteiro quando comecei a aventura blogueira e onde encontrei, pela primeira vez, o espírito que sempe me animou nestas andanças.
Três anos depois do primeiro post, o Corta-fitas continua a ser, para mim, um blog de referência que gosto muito de frequentar.
Parabéns a todos os que lá escrevem e um abraço especial para os fundadores que tive a oportunidade de conhecer há meses, graças a um amável convite que me fizeram.
Daqui a um ano espero estar aqui de novo, a assinalar mais um aniversário corta-fiteiro, com a mesma alegria e boa disposição.

Adivinha

Sabem para que serve um MEGAFONE?

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Momento de humor ( negro)

Os pais do Zézinho convidaram um casal amigo para um jantar lá em casa. Sabendo como era o seu filho, o pai do Zézinho chama-o e pede-lhe encarecidamente para ele não fazer comentários acerca das orelhas do filho do casal amigo, que pura e simplesmente não tinha as ditas.
À hora marcada o casal amigo chegou, e o Zézinho corre logo para a porta para verificar se efectivamente o rapaz tinha ou não orelhas. Constatou que era mesmo verdade.
Durante o jantar o Zézinho não tirava os olhos do rapaz. Às tantas, incapaz de resistir, perguntou :
- Tu vês bem ?
- Vejo. (respondeu inocentemente o rapazinho)
Ainda bem! Deus te conserve a vistinha, porque se um dia tiveres de usar óculos estás lixado!!!

Mistérios do blogobairro

Uma onda de mistério assaltou o blogobairro. Na semana passada, a Patti ficou sem Internet e os Ares perderam a Graça durante alguns dias.
Há dias, uns comentadores anónimos invadiram a caixa de comentários do Rochedo com comentários insultuosos. Ainda publiquei os dois primeiros e dei-lhes resposta, mas quando os insultos se estenderam à vizinhança, exerci o meu poder moderador. Aproveito a oportunidade para dizer que não publicarei mais comentários anónimos, nem de heterónimos cuja proveniência não seja possível identificar.
Acontece é que, desde esse dia, vários leitores se têm queixado da impossibilidade de enviarem comentários. Agradeço, por isso, que quem não o consiga fazer, mo comunique através do e-mail.
Finalmente, hoje, o blog da Si só está visível para alguns. Muitas pessoas ( eu incluído), cada vez que batem à porta, constatam que os posts desapareceram.A Si pede-me que todos os passantes com dificuldade em aceder ao blog dela, a informem para o seguinte e-mail: de.si.para.si@gmail.com
Esperemos que a onda de mistério não se alastre e que a vida volte à normalidade. Para preocupações já chega o raio da crise!

Proposta para o fim de semana

A Associação 25 de Abril acaba de lançar um site sobre a Guerra Colonial.
É um projecto de grande envergadura, destinado a perpetuar a memória colectiva da nossa história contemporânea, sem preconceitos.
Dizem-me que ainda está inacabado, mas a documentação é já tão vasta, que merece ( eu diria mesmo, exige...) uma visita.
É uma excelente proposta para este fim de semana que se anuncia chuvoso. Para ler , ver ( são quase 5 horas de filmes ...) e pensar.

Por falar em ingleses...

Este post surge na sequência do que a Gi escreveu ontem sobre os ingleses. Como partilho da mesma opinião, resolvi deitar ainda mais umas achas para a fogueira .
Declaração de interesses: Vivi em Inglaterra onde estudei, trabalhei e aprendi a não gostar dos ingleses. Chateia-me ser tratado como terceiro mundista, que querem? Feito o esclarecimento, vamos ao que interessa.
Lembram-se da forma como a justiça inglesa denegriu as investigações da PJ durante o caso Maddie, utilizando os jornais ingleses como câmara de eco? O nevoeiro lançado a partir de Londres, sobre o caso, adensou-se com a renúncia do assessor de imprensa de Gordon Brown, para ir trabalhar com os Mc Cann. Até que alguém me explique, direitinho, as motivações de Clarence Mitchell para trocar de emprego, sinto-me no direito de pensar que ali houve marosca.
Que se diria em Portugal se a mãe de Joana tivesse sido recebida pelo Primeiro Ministro e recrutasse para trabalhar consigo um assessor de imprensa do Governo? O mínimo é que tudo cheirava a esturro e que era próprio de um país do terceiro mundo, onde o Governo se intromete nos assuntos da Justiça.
Pois os McCann conseguiram essas duas proezas. Foram recebidos por Gordon Brown e contrataram Clarence Mitchell para dirigir a campanha publicitária com que pretendiam manter viva a memória ( é disso mesmo que se trata...) de Maddie.
A Polícia inglesa, agorrante como sempre, fez obstrução às investigações e recusou-se a fornecer dados sobre a conta bancária dos Mc Cann. Ou pior… nem sequer respondeu aos pedidos feitos pela PJ. Depois há também o pedido de extradição de Vale e Azevedo, tratado com os pés pela justiça britânica.
É tudo muito estranho. Demasiado estranho mesmo… Serei talvez rebuscado, mas estas recordações acabam sempre por me levar a Alcochete.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Pelo país dos blogs (38)

Francisco José Viegas fez um "lifting" no Origem das Espécies e parece ter ganho novo fôlego. Recomendo uma visita. Não preciso de estar de acordo com ele para gostar do que leio por lá...

Boas ideias, precisam-se!

Quando andava na Faculdade de Direito, contava-se que Marcelo Caetano terá dito um dia a Soares Martinez: “Você tem ideias boas e originais … o problema é que as originais não prestam e as boas não são suas”.
Nunca consegui apurar se havia algum fundo de verdade na história, ou se era apenas um rumor que se propagara em ondas, alimentado pela antipatia ( para não dizer outra coisa) que Martinez despertava na Faculdade e no meio universitário em geral.
Lembrei-me deste episódio a propósito deste cartaz.

Coisas do Sebastião (20)

A Polícia vai sempre ao local do crime
Aquela ideia de que a polícia nunca está onde é precisa está em vias de se tornar uma lenda.
NDb= (60%xNc/Nt+40%XDc/Dt)x17585 é a fórmula mágica que permite ter sempre um agente nas imediações do local do crime. Afinal a solução é fácil!
Se não percebeu nada, o Sebastião explica. Esta foi a equação que um grupo de matemáticos apresentou à polícia londrina, que lhes encomendou o trabalho de determinar onde deveriam ser colocados os agentes policiais da cidade, de forma a tornar o combate ao crime mais eficaz. E, traduzida por miúdos, significa que basta determinar o número de agentes necessários para uma determinada área (NDb) e depois distribuir 60% dos efectivos de acordo com as necessidades, por exemplo, de cada freguesia, tendo em consideração a população nocturna e diurna, o desemprego e a situação económica dos residentes. A carência específica da freguesia (Nc) e a falta sentida em todo o distrito é determinada por Nt, sendo que os restantes 40% de efectivos serão colocados de acordo com os níveis de criminalidade ou pedidos de protecção.Falta referir que Dc/Dt significa a relação entre a oferta e a necessidade total. Finalmente, refira-se que 17585 é o número de polícias disponíveis em Londres.
Não estou em condições de garantir que na sua próxima visita a Londres não vá ser assaltado, até porque não sabemos se a polícia já pôs em prática o segredo... mas lá que é fácil, não restam dúvidas...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Pelo país dos blogs (37)

Ontem, a Cerejinha embarcou na onda de nostalgia que invadiu o blogobairro e presenteou-me com isto, no Pano Para Mangas.
Fiquei vários minutos a ler o post, a ver as fotografias e a recordar momentos da minha infância. Se não estão a perceber, aquela máquina fez-me recordar isto.
Não porque utilizasse a máquina, mas porque à volta de uma igual ouvi ( e vivi) muitas histórias.

Juros de Mora

Passo diante de um televisor que difunde os lamentos de um habitante de Mora: " Isto está a ficar sem gente jovem, nasce cá pouca gente, não sei o que é que o governo pensa fazer...". Penso com os meus botões: que poderá o governo fazer? Ao meu lado alguém tem uma ideia luminosa! Que tal enviar uns ministros e secretários de Estado para Mora, com a missão de engravidarem as moçoilas?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Empreendedorismo à portuguesa

Em entrevista ao DN, no último domingo, o presidente do Automóvel Clube de Portugal dizia que se o Estado lhe desse 15 milhões de euros punha um Grande Prémio de Fórmula 1 em Portugal. Em tempo de crise, está-se mesmo a ver que o país precisa é de Mundiais de Futebol e do Circo da Fórmula 1, mas adiante…
Trago a entrevista à colação, porque esta postura de Carlos Barbosa é ilustrativa do comportamento de uma boa parte do tecido empresarial português.~
O empresário português ( na generalidade) arrisca pouco e procura sempre respaldar-se no Estado - para salvaguardar perdas em situações que corram mal-, quer lucro rápido e gosta de brilhar à custa do esforço dos outros ( sejam eles os trabalhadores, ou parceiros empresariais, porque na selva onde se movem, vale tudo).
Quando as coisas correm mal, a economia estagna, ou o país entra em recessão, os empresários culpam o governo e desatam a pedir subsídios para salvar a sua área de actividade. Em tempo de vacas gordas, os mesmos empresários acusam o Estado de ingerência, de impedir o funcionamento livre do mercado, de não o deixar auto-regular-se e chamam a si os louros pelos êxitos alcançados.
Desta vez. alguém do governo lhe disse o que pensava deste comportamento vampiresco. “Se queres ver palhaços vai ao circo” – é o que se pode deduzir da reacção de Laurentino Dias .
Carlos Barbosa assobiará para o lado e do seu pedestal de superioridade continuará a acusar os governos pela sua falta de apoio ao empreendedorismo, mas pelo menos alguém disse o que era precisos ser dito.

Cartas de amor

Há dias, uma velha Amiga falava-me de alguém por quem tive uma paixoneta de “teenager”, não correspondida. O nome dizia-me qualquer coisa, mas não consegui recordar a imagem da miúda. Depois de algum esforço lembrei-me vagamente de uns olhos verdes e de uma canção do Donovan que me deixava em pranto amoroso, cada vez que a ouvia numa festa.
Este fim de semana, por razões que a própria razão desconhece, dei comigo a remexer uma volumosa caixa de cartão que a minha mãe, há meses, me obrigou a trazer para Lisboa, com depojos da minha juventude. Lá encontrei alguns escritos, cartas de amor e alguns poemas ( foleirotes, porque nunca tive jeito para poemar) vertidos em momentos de telúrico desespero amoroso e umas fotografias esquecidas. Entre elas, estava uma fotografia daquela miúda que tanto sofrimento me causou e levou a pensar que a recusa do seu amor significava o desboroar da minha vida. Lá estava aquele rosto alvar, de onde sobressaíam dois grandes olhos verdes, emoldurado nuns belos cabelos loiros. Sorria (não para mim, certamente)…
Retribuí-lhe o sorriso, pensando que naquele momento da madrugada, talvez um anjo lhe levasse em sonho a recordação de mim. Reli um poema que lhe escrevera e um bilhetinho que um dia me enviara, anulando um encontro no salão de chá da “Confiança” ( alguns dos vizinhos do Porto saberão, certamente, o significado de um lanche num sábado à tarde na Confiança”) a que se deveria seguir uma sessão de cinema no Cine Clube da Boavista, para vermos um filme de Jacques Tati.
Voltei a fechar a caixa e recordei-me das palavras da minha Amiga: “ Vi-a há dias. Está um caco”.
Estranhamente, não senti nostalgia, nem saudade. Senti, apenas, uma profunda saudade da Amiga que me relembrou este episódio. Dos tempos em que a nossa cumplicidade era tão grande, que eu lhe contava os meus desgostos de amor.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Rochedo das Memórias (89)- O ano da Grande Depressão (1929)


Nem só a Grande Depressão marcou o ano de1929. O descalabro da Bolsa, com as acções a descerem 30 por cento num só dia, acentuou a crise financeira e a quinta feira negra de 24 de Outubro foi o dia em que, formalmente, teve início a maior crise financeira do século XX, que iria durar até eclodir a Segunda Guerra Mundial.
Mau presságio para o que pode acontecer com a crise instalada no mundo inteiro desde 2007, mas que os governos ocidentasi ( não apenas o português, é justo dizê-lo) só admitiriam no final de 2008, quando já estava instalada.
Trotsky tornara-se um dos políticos mais populares da Revolução russa,mas não resistiu a Estaline,que o deportou para Alma Ata onde viria a ser assassinado em 1940.
A Itália reconhece a Santa Sé e a soberania papal sobre o Estado doVaticano.
Cerejeira é nomeado cardeal patriarca de Lisboa.
Nasce Tintim. Criação de Hergé, é o protagonista da primeira banda desenhada europeia e terá enorme sucesso durante todo o séculoXX,sempre na companhia do seu inestimável Milu mas, como assinalava Erich Maria Remarque , A Oeste nada de novo” .
Seria assim? Nem tanto, pois nesse mesmo ano são atribuídos em Hollywood os primeiros Óscares (que nessa altura se chamavam ainda Academy Awards of Meritt Wings,de William Wellmann recebeu o prémio do melhor filme e Charlie Chaplin um prémio especial,pela genialidade do seu filme "O Circo"
Em Portugal morre Columbano e Vieira da Silva parte para Paris.As artes portuguesas ficavam mais pobres. Nem o filme Zé do Telhado é capaz de disfarçar o desaire. Ainda não se falava no “Grande Circo da Fórmula 1”, mas nesse ano corria-se pela primeira vez um dos circuitos mais emblemáticos do automobilismo : O Grande Prémio do Mónaco.
Registe-se que o carro vencedor foi um Bugatti. Exactamente a marca do carro que Cristiano Ronaldo anunciou aos jornalistas ir comprar,80 anos depois, ao desfazer o seu Ferrari num acidente em Manchester.
No dia de S.Valentim, Al Capone mostra a sua raça assassinando 7 membros do bando rival de Dion O’Banion. Mais de 20 mil pessoas participaram nos funerais das vítimas.
Para assinalar a data,a Internacional Consumista vai transformar este dia no Dia dos Namorados.
Bem vistas as coisas,até não foi mal pensado. Ao fim e ao cabo há por aí tanto namoro a acabar em guerras sangrentas… A Lei Seca criara os seus heróis.
Quais serão os heróis do fundamentalismo anti-tabágico,80 anos depois é que ainda está para se saber.Seja como for,os Loucos Anos 20 terminavam em grande estilo,fazendo jus ao nome e à fama que ainda hoje granjeiam em todo o mundo.
Adenda: Mais informação no Rochedo das Memórias

Estamos tramados!

Estão todos muito satisfeitos, com este sol matinal que aquece os corações? Pois como ontem vos dizia, preferia que hoje estivesse a "chover a cântaros", por causa disto.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Coisas de domingo

Como se já não bastasse a crise mundial, a mesquinhez da política nacional, as previsões catastrofistas de Medina Carreira ( que foi, por acaso, mau ministro das Finanças do PS) e as homilias do Pacheco Pereira, eivadas de resquícios maoísta, ainda havia de vir S. Pedro juntar-se à festa enviando-nos um dos invernos mais rigorosos das últimas décadas. Perante este panorama, só torço para que amanhã esteja um dia de temporal e o sol não ouse sequer aparecer por trás das nuvens. Eu bem sei porque formulo este desejo. E vocês?

Mudam-se os tempos...

Lembram-se do tempo em que se pedia insistentemente a liberalização dos preços dos combustíveis , alegando que ficariam mais baratos? Eu lembro e sempre afirmei que não seria uma boa ideia.
Como seria de esperar, a liberalização descambou num regabofe sem nome.
Agora divirto-me imenso a ver aqueles que pediam a liberalização a exigirem a intervenção do Estado para controlar os preços, enquanto acusam as gasolineiras de estarem a actuar em cartel.
Assim se vê que a incoerência e o oportunismo bate à porta de todos ou, como diz o povo, na sua imensa sabedoria, “a ocasião faz o ladrão”.