segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Sábado à tarde...


Tarde de sábado, céu de um azul límpido sem mácula, temperatura amena, a pedir um agasalho.
Ali estava eu, deitado na espreguiçadeira da piscina do hotel, pedindo ao mar a devolução das palavras que se esgueiraram entre ondas de revolta, batendo na areia com desânimo.
Um livro à espera de ser lido, enquanto eu voava por Ushuaia em Janeiro, cigarrilha bailando-me entre os dedos, a compasso de pensamentos de aconchego.
No silêncio da tarde quieta, um sorriso assoma de um bikini. Um cigarro que se acende. Dois copos que se tocam numa saudação vaga: SKOL!
Quando olho aquele corpo nórdico quase nu, anunciando um Verão que ainda vem longe, desloco-me mais para norte e deixo-me ancorar nas Caraíbas.
A tarde escorre entre palavras, num diálogo em crescendo, percorrendo o Globo na narrativa de experiências vividas, apenas com o farol por testemunha.
Quando o sol começa a cair no horizonte, um arrepio percorre o corpo do bikini. Um braço estende-se para reconfortar o corpo frio. Percorre a pele sedosa, onde é perceptível o vigor próprio dos 30 anos. Um roupão de feltro vem aconchegar o corpo frio, provocando-lhe um estremecimento de conforto. Lábios que se tocam num beijo fugaz.
O sol desaparece no horizonte. Ela estende a mão, sem dizer uma palavra, deixando desprender um calor apelativo. Deixam a piscina enlaçados pela cintura. Lá dentro, os corpos vão envolver-se numa troca de calor.
Porque era sábado!

Dia Mundial do Não Fumador

O fundamentalismo às vezes dá nisto:
Um concelho municipal dos arredores de Londres, proibiu a adopção de crianças por pais fumadores!

Jornalismo zarolho (actualização)

Vários elementos da claque No Name Boys ( aqueles rapazes civilizados da claque do SLB) foram presos na posse de droga, na sequência de uma investigação da PJ. Segundo o DN são supeitos de tráfico de droga e de armas, associação criminosa e agressões violentas. (recorde-se que a investigação começou depois do incêndio provocado num autocarro do FC Porto, no dia em que foi à Luz bater o Benfica, onde conquistou o 7º título nacional consecutivo).
Ainda de acordo com o DN, 29 elementos da claque ficaram em prisão preventiva.
A Bola, esse ícone de jornalismo isento, sempre tão pressurosa a trazer para a primeira página uma qualquer escaramuça protagonizada por claques do Sporting e do FC Porto, em nome do direito à informação, não dedica uma única linha na primeira página a este assunto.
Não me admira. As acções dos No Name Boys casam bem com o tipo de jornalismo praticado n' "A BOLA"

Fumar ou não fumar, eis a questão


Cartaz da Top Models para a campanha anti-tabágica

Estavam sentados numa esplanada, quando Matilde disse a Frederico :
- Gostava que fosses jantar a casa dos meus pais...
Frederico reagiu com indiferença - e até algum desconforto- ao convite, deixando Matilde perplexa.
-Queres evitar conhecer os meus pais?
-Nada disso, Matilde, mas logo em casa deles?!...Já te esqueceste que sou um fumador compulsivo e que os teus pais não suportam o fumo? Imagina-me a puxar de um cigarro no final do jantar e ter logo que ouvir uma dissertação acerca dos malefícios do tabaco, dos desprotegidos fumadores passivos... Só de pensar nisso, perco logo o apetite!
Matilde empertigou-se, adoçou a voz e respondeu:
- Os meus pais não são trogloditas e o meu pai até foi fumador, mas o médico pô-lo entre a espada e a parede e teve que abandonar o vício. Deves compreender que, conhecendo perfeitamente os malefícios do tabaco, queira convencer os fumadores a deixarem de o fazer. E olha que agora, dez anos depois de ter deixado de fumar, ele reconhece perfeitamente o bem que lhe fez. Tem outro ar, respira melhor, anda mais jovial...
- Está bem, Matilde, mas o cigarro a mim acalma-me , ajuda-me a descontrair e a pensar melhor, que é que queres?
- Que não digas disparates, é o que eu quero! Qualquer principiante anti-tabagista te prova com a facilidade de multiplicar dois vezes dois que o tabaco torna as pessoas mais irascíveis, diminui a capacidade gustativa ...( Matilde não pôde evitar um olhar lascivo antes de terminar a frase) e diminui o apetite sexual!
- Balelas, é o que é – ripostou Frederico. O que mais me irrita é que se já não nos bastasse sermos escravos do vício, hoje em dia ainda somos mal amados, proscritos e apontados a dedo como um sub-produto da sociedade. Nos aviões proibem-nos de fumar,em algumas cidades queremos entrar num restaurante e deparamos com um cartaz anunciando “ Proibida a entrada a cães e a fumadores” . Não achas que é demais?


O diálogo foi interrompido por um pedinte reclamando o favor de um cigarro. Frederico estendeu-lhe de imediato o maço e ofereceu-lhe lume.Quando o mendigo se afastou, Matilde perguntou:
- Porque lhe deste um cigarro?
- Francamente, Matilde! Um copo de água e um cigarro são coisas que não se recusam!
- E se ele te tivesse pedido uma esmola, que lhe tinhas respondido?
- Que não tinha troco, claro!
- Há pessoas que agem e pensam de forma curiosa!...- retorquiu Matilde num suspiro. Recusam uma esmola que pode ajudar a viver, mas prontamente satisfazem o pedido de um cigarro que ajuda a matar...
A custo, Frederico conteve a ira. Recompôs-se e atirou para cima da mesa um rei de trunfo:
- Por acaso sabes o que escreveu o Cantagalli?
- ....
- Que se os maços de cigarros trouxessem uma bula como os medicamentos, neles se poderia ler “contra o aborrecimento, o medo, o frio e o calor, contra a disciplina, a injustiça, a ira, a solidão e a timidez; bom para esquecer, festejar, pensar ou não pensar em nada; bom para afastar o próximo e para dele nos aproximarmos, fonte inspiradora e criativa”. Satisfeita?(Azar dele, Matilde tinha o ás...)
- Estaria mais, se ele tivesse acrescentado: mas a verdade é que “ Fumar pode matar”, ou “Prejudica Gravemente a Saúde”, ou ainda “Fumar provoca cancro”. Se tivesse escrito isso, talvez hoje fosse conhecido por ter incitado os Governos a obrigar que se escrevesse nos maços de tabaco a verdade sobre as suas nefastas consequências para a saúde.
- Não te passa pela cabeça que fumar possa dar prazer , pois não?
- Não acredito que as pessoas fumem por sacrifício, mas o que eu sei é que um fumador é uma espécie de alcoólico que se embriaga com copos de fumo e acaba por perder o respeito pelos outros. Fuma nos elevadores, ao balcão de uma pastelaria, ou durante a refeição num restaurante obrigando o vizinho do lado a suportar o seu fumo e a perder o apetite. O cigarro acaba por ser um agente de divisão social..
- Estás a esquecer-te do “cachimbo da paz” como forma de aproximação entre os povos?



- Não tem nada a ver... Hoje em dia, se puxares de um cigarro diante de um não fumador, não te admires se ele te disser “ Não lhe fiz mal nenhum, porque me está a apontar uma pistola de efeito retardado”?
Frederico levantou-se disposto a terminar a conversa, mas ainda perguntou:
- É assim que me vês quando estou ao pé de ti e acendo um cigarro? Como um assassino? Então o melhor é mesmo ficarmos por aqui!...
Matilde pegou-lhe na mão, olhou-o com doçura e respondeu:
- Nada disso, meu tonto! Só estou a tentar chamar-te à razão e a pedir-te para reflectires um pouco. Ajuda-me a fazer umas contas. Fumas há 30 anos. Vamos supor que fumas apenas 10 cigarros por dia ( e tu bem sabes que fumas mais...). Sabes o que isso significa? Que já fumáste 100 950 cigarros. E quantas pessoas já obrigaste a engolir parte do teu fumo? E- o que mais me preocupa- como reagirás no dia em que o médico te der a escolher entre o tabaco e a vida?
- Nesse dia não me interrogarei só a mim. Questionarei também uma sociedade que me incutiu a ideia de que fumar era “chic” e só agora, depois de ter criado milhões de viciados, de ter permitido que a publicidade fizesse a associação entre tabaco e promoção social, ter aceitado a promoção do tabaco em provas desportivas, relacionado o seu consumo com o sucesso, me venha dizer que afinal fumar é “ choque”!
- Tens razão, mas não concordas que eu também tenho e neste momento as ideias que defendo estão na mó de cima? Vá lá, faz um esforço e tenta deixar de fumar. Faz isso por ti e...por mim! E vais jantar lá a casa?
- Sim, mas com uma condição. Como não posso fumar, não me vais obrigar a dizer que o jantar estava óptimo. Como o poderei fazer, sem fumar um cigarro no final?

Esclarecimento: A Matilde e o Frederico fizeram-me companhia nas páginas da revista "Tempo Livre" durante quase um ano. Estavam sempre a discutir, mas davam-se bem. Um dia mandei-os numa viagem até ao Brasil para ver se decidiam a casar-se e nunca mais soube deles. Acabam de dar notícias e prometem aparecer aqui de vez em quando com as suas tricas. Estão a candidatar-se ao "Prós e Contras"!