quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Feios, Porcos e Tristes

Ontem li e comentei estes excelentes posts do Ferreira Pinto e do Nuno Castelo Branco e não pensava voltar ao assunto. Hoje, ao ver o que se passou na escola D. Dinis, não resisti.
É demasiado triste ver miúdos a atirar ovos a membros de governo como forma de protesto. Mas mais triste ainda é ver mães e professores a dar-lhes cobertura e apoio. E é quase revoltante ouvir professoras acusar de cobardes os membros do governo, por terem entrado pelas portas das traseira, quando foi notório que foram as professoras a instigá-los a isso e , assim sendo, deviam olhar para o espelho antes de proferir os insultos.E já agora, como professoras, tinham obrigação de saber que quando se luta por uma causa não se recorre à arruaça, mas sim à razão
Não me vou alongar em consideaçõe. Aconselho-vos a ler os textos citados, que subscrevo na íntegra. Só queria acrescentar que as atitudes a que temos assistido não só desacreditam a luta dos professores, como dão força à ministra e ao governo. Com atitudes destas, a maioria absoluta não escapará ao PS.
E já agora, vale a pena lembrar que outra ajuda preciosa ao governo foi dada pelo partido liderado por aquela que foi a pior ministra da educação e a pior ministra das finanças desde o 25 de Abril. Ao recusar-se a condenar a atitude de Alberto João Jardim, que classificou todos os professores com BOM, através de Portaria, o PSD deu mais argumentos ao governo para prosseguir na sua teimosia.
Se é assim que a oposição pensa ganhar votos, desiluda-se!

Sócrates e As Histórias das 1001 Noites (1)

Não sei se este é o pior governo desde o 25 de Abril. Como vivi muito tempo fora do país, apesar de ter quase sempre seguido à distância o que por cá se ia passando, não sou a pessoa mais indicada para fazer comparações. Não acredito,todavia, que tenha havido algum mais cínico.
O cinismo vislumbra-se logo, quando pensamos que este governo se intitula socialista mas constatamos que o seu socialismo termina no livro de apresentação. Na prática, é um governo que beneficia os ricos e poderosos, com o pretexto de que fazendo-o, está a beneficiar os pobres. Uma boa teoria para convencer idiotas, facilmente desmontável.
Este governo leu histórias de ficção, banda desenhada e livros de aventuras. O problema é que percebeu tudo ao contrário, como se demonstra nos exemplos que se seguem.
O livro de aventuras do governo parece ser o Robin dos Bosques. Seria bom prenúncio, mas infelizmente perceberam tudo ao contrário e, em vez de tirarem aos ricos, para dar aos pobres, roubam os pobres para dar aos ricos. Os exemplos, ao longo destes quase 4 anos de governação, são muitos: em nome do défice, esmagou os salários dos trabalhadores, retirou-lhes direitos, achincalhou a sua dignidade e, de braços e pernas abertas, atirou-se para o colo do grande capital, bajulando os bancos e passando a mão pelo pêlo dos grandes interesses económicos. Recentemente, com a crise financeira, mandou o combate ao défice às malvas, puxou os cordões à bolsa para socorrer os bancos e continuou a combater os trabalhadores, negando-lhes salários mais justos.
Os exemplos poderiam multiplicar-se mas tratarei disso mais tarde, noutro lugar…

Passemos então à banda desenhada. O cinismo do Tio Patinhas está bem patente na atitude do governo para com os reformados da função pública. Quando foi criticado por fazer descontos para a ADSE em 14 meses de salário dos reformados, o ministro das finanças apressou-se a dizer que a situação iria ser corrigida. Toda a gente ficou à espera que a injustiça fosse reparada. O que fez o governo? Anunciou que os funcionários públicos admitidos a partir de 2009 passariam igualmente a descontar para a ADSE durante 14 meses! Em breve, a medida será – obviamente- alargada a todos os funcionários públicos!
Cinismo de fazer inveja ao próprio Antístenes, discípulo de Sócrates, fundador de uma corrente filosófica que teve em Diógenes o seu expoente máximo. Mas o cinismo deste governo- carta de recomendação para não voltarmos a eleger um Sócrates engenheiro e reclamarmos o regresso do filósofo sem licenciatura conhecida- não se queda por aqui.
Desde o início anunciou igualdade de direitos entre trabalhadores públicos e privados. Para o fazer, usurpou direitos dos trabalhadores públicos, mas esqueceu-se de lhes dar os direitos do sector privado, impondo nomeadamente aumentos salariais inferiores à inflacção, aos funcionários públicos.
O maior cinismo deste governo reside, porém, no facto de se proclamar socialista. Tudo o que fez foi esbulhar os fracos e fortalecer os que já eram fortes. Desde quando é que a ideologia dos irmãos Metralha se chama socialismo?


O género literário por excelência deste governo é a ficção. Devem ter lido todos os autores, misturado um pouco de Maquiavel, adicionado uma pitada de novas tecnologias e assim construíram uma nova figura sinistra de fazer inveja a Orwell.
Já não se trata apenas de falar de um “Big Brother” que nos controla todos os passos e reduz a nossa existência a um número único. Não lhes chega uma central de informação que intoxica e paralisa o trabalho dos jornalistas e desvirtua a realidade. Espiolham-nos a vida inteira, tentando convencer-nos que o estão a fazer para nosso bem. O último exemplo é o “chip” nas matrículas dos automóveis. Bem me podem dizer que vou ter seguros mais baratos, só pagar quando circulo etc. etc. etc. Escaldado que estou com as sucessivas justificações deste governo para voltar atrás em relação ao que anunciara, vejo em cada ministro um Mr Pickwick travestido de Lobo Mau, pronto a devorar os incautos “Capuchinhos Vermelhos” . E quando penso que vou ter de pagar um “chip” para que espiolhem a minha vida, só me apetece transformar-me em Astérix!




Como sabe quem me lê há mais tempo, sou justo nas minhas apreciações. Por isso, reconheço um mérito a este governo: sabe de História e como adaptar alguns episódios à realidade portuguesa do século XXI. Se duvidam, recordo-vos as palavras de Maria Antonieta ao povo faminto:
“ Se têm fome e não têm pão, que comam brioches”.
Este governo, atento à evolução dos tempos e apaixonado pelas novas tecnologias, que fez? Adaptou este episódio a Portugal, no século XXI
“ Queixam-se de baixos salários, não têm dinheiro para pagar as dívidas que contraíram com o nosso incentivo e dos anteriores governos? Dêem-lhes instrução!”
E foi assim que Sócrates nomeou Maria de Lurdes Rodrigues para o cargo de ministra da Educação, com a missão de destruir a escola e descredibilizar os professores. Depois, voltou-se para a multidão desesperada e disse aos seus capatazes:
“Levantem-se e percorram as cidades vilas e aldeias do país. Levem convosco computadores, baptizem-nos de Magalhães e distribuam-nos às criancinhas, famintas de instrução.”
“E aos pais das criancinhas que fazemos?” – perguntou alguém sem dar a cara.
“Digam-lhes que têm de honrar a História! Nós já fizemos o nosso papel, distribuindo o Magalhães. Eles que sigam o exemplo e cumpram a tradição do país. Emigrem!”
Claro que Sócrates não leu a História de Maria Antonieta até ao fim, caso contrário, saberia que um dia destes há-de aparecer por aí uma nova máquina, inventada por um Dr. Guilhotin dos tempos modernos…
Nesse dia, alguns aprenderão que exagerar na leitura de ficção e construir um país de faz de conta, é capaz de não ser uma boa ideia!
É que nem todas as histórias têm um final feliz. Nem todas acabam com ministros nos conselhos de Administração de empresas que noutros tempos tutelaram, ou nomeados para altos cargos em instituições internacionais.
Há sempre alguém que um dia perde a cabeça…



Número Redondo

Este é o post número 1000! Logo, o próximo só poderá ser sobre uma história das Mil e Uma Noites que nos andam a impingir há uns tempos. Ou talvez não seja história, apenas a realidade!