segunda-feira, 3 de novembro de 2008

É fartar, vilanagem!.

Será muito interessante seguir o caminho profissional e político dos senhores do BPN, cuja inabilidade fez volatizar 700 milhões de euros. Há suspeitas de fraude, branqueamento de capitais, maquilhagem contabilística e uma girândola de outras irregularidades de fazer inveja a Al Capone.

Como há casos em que a incompetência rende juros, não me admira mesmo nada que, para além da habitual impunidade, José Oliveira e Costa, Manuel Dias Loureiro e Daniel Sanches -e outros nomes menos sonantes- , ainda obtenham como recompensa uns lugarzitos jeitosos numas empresas públicas. Se for para estragar, não há problema, porque o contribuinte depois paga. O importante é defender o bom nome e reputação dos proto-banqueiros laranja e assegurar-lhes uma boa reforma.

Com um bocadinho de jeito, ainda arranjam uma condecoração no 10 de Junho!

God Bless America!


Amanhã os americanos vão escolher o seu presidente.
Em quase todo o mundo, há uma grande esperança de que seja Obama a ocupar o lugar na Casa Branca. Não me lembro de alguma vez ter assistido a umas eleições americanas que deixassem quase toda a gente a suspirar pelo mesmo nome. Depois do pesadelo Bush, que incendiou o mundo e nos atascou numa crise sem precedentes, compreende-se que Obama surja como um sinal de esperança na Europa, em África e até na Ásia.
Tenho pena de não entrar nessa euforia. Assustam-me os candidatos unanimistas e providenciais, principalmente quando esses candidatos vão exercer o cargo de presidente de país mais poderoso do mundo. A História está cheia de gente providencial que não cumpriu os requisitos mínimos.
Não nego que, mesmo sem euforia, torço por Obama. Faço-o apenas porque perante a hipótese de ver na Casa Branca a esquizofrénica Sarah Palin, Obama me parece uma escolha mais sensata. Daí a vê-lo como um salvador, vai uma grande distância.
Não descortino grandes diferenças entre Mc Cain e Obama, em termos de política externa, logo não acredito que a Europa venha a beneficiar com a eleição de um ou outro.
A principal diferença entre os dois candidatos reside em Sarah Palin e Joe Biden que poderão, por circunstâncias fortuitas, ser chamados a ocupar o lugar principal na Casa Branca.
Nunca me senti muito entusiasmado por Obama e muito menos estou desde que vi os apoios que está a conquistar no seio dos republicanos. Não foi Powell o estratega da encenação que justificou a invasão do Iraque?
Apesar das sondagens serem francamente favoráveis a Obama, devo dizer-vos que não estou assim tão seguro quanto à vitória do candidato democrata. Conheço razoavelmente bem os EUA para poder dizer que o racismo ainda é muito forte e que a eleição de um presidente negro não é bem aceite por uma grande parte dos americanos. Muitos manifestarão o seu apoio a Obama para efeito de sondagens, mas votarão em Mc Cain ou abster-se-ão.
Outro dado que me parece importante: toda a gente está a esquecer o papel de Ralph Nader nas eleições americanas. O candidato independente, conhecido pela sua militância na defesa dos direitos dos consumidores, foi o principal responsável pela vitória de Bush em 2000, ao retirar um número significativo de votos a AlGore, dado como vencedor antecipado. Na verdade, os votos em Ralph Nader teriam sido suficientes para evitar o imbróglio da Florida e teriam permitido ao candidato democrata uma vitória relativamente folgada.
Talvez, na manhã do dia 5, se ouça ecoar por todo o mundo um suspiro de alívio pela eleição de Obama. Tenho muitas dúvidas, porém, que estejamos mais seguros e mais prósperos dentro de um ou dois anos.
Continuo a acreditar que o século XXI vai ficar marcado pela emergência de um novo quadro de poder a nível mundial, onde os EUA deixarão de ocupar o papel hegemónico.
Nessa altura, os Hossanas com que o mundo vem glorificando Obama perderão todo o sentido mas, provavelmente mesmo antes dessa mudança, alguma esquerda se irá manifestar desiludida.
Em breve, o mundo vai livrar-se do maior carniceiro da história recente dos EUA. Não é líquido, porém, que ganhe estabilidade. Será, muito provavelmente, apenas um adiar do extertor do imperialismo americano.