Agradeço a todos os que tentaram ajudar-me a resolver o problema que coloquei no post anterior.Como esperava, as soluções são diversas, todas me parecem ter vantagens e inconvenientes e nenhuma será a solução perfeita, mas todas se revelaram preciosas ajudas.
Estive sem acesso ao computador durante quase 24 horas e, quando finalmente pude voltar ao CR, fiquei felicíssimo com a vossa colaboração. Li todos os comentários atentamente, "mastiguei-os, digeri-os", ponderei-os e comparei-os. Depois pensei na história de " O Velho, o Rapaz e o Burro" e dei comigo a pensar que em circunstância alguma há soluções consensuais para resolver problemas que envolvam terceiros. Por mais justa que nos pareça a solução que tomemos, haverá sempre quem as critique, porque há sempre diversos pontos de vista.
Nas relações pessoais somos, diariamente, confrontados com situações onde somos postos à prova e, sem que muitas vezes nos apercebamos, estamos igualmente a pôr os outros à prova. Quando se trata de questões familiares, o problema ganha outra dimensão e por vezes leva a quezílias e até rupturas. Aprendi há muito que é difícil ser pai, mas chegamos a um momento em que ser filho pode ser igualmente complicado. Tenho percebido isso nos últimos anos. Nem sempre a atitude que um filho toma, com a melhor boa-fé, para proteger os seus pais, é compreendida pelos restantes familiares. Em certa medida temos para com os idosos a mesma postura que temos para com as crianças e adolescentes. Procuramos protegê-las, mas tudo fazer para que sejam felizes. Muitas vezes os filhos não compreendem essa forma de agir dos pais, rebelam-se, protestam, sentem-se injustiçados. No entanto, uma criança/adolescente tem oportunidade de construir a sua vida e reparar as "injustiças" de que julga ter sido alvo. Um erro com um idoso, não é fácil de reparar, porque o seu futuro não é a vida, mas a morte. Um erro com um idoso pode resultar, para quem cá fica, no remorso para toda a vida.
No caso que vos coloquei, é esse o grande problema. Privar um idoso de um prazer, é negar-lho para o resto da vida. Mas se lhe permitimos o gozo desse prazer e daí resulta a sua morte? E se o gozo desse prazer ainda por cima leva à morte de inocentes? Teremos remorsos para o resto da nossa vida, não é?
Ao ler os vossos comentários fui sendo assaltado por essa questão. Não sei ainda como agir, mas penso que talvez a melhor solução seja pensar em mim e evitar remorsos para o resto da vida. Talvez seja mais fácil viver com o remorso de tirar um prazer a uma idosa- sujeitando-me a arrostar com as críticas - do que viver o resto da vida com o remorso de ter contribuído, pela minha incúria, para a morte de inocentes e até poder vir a sentir-me culpado por destruir uma família. ( Imaginem, por exemplo, se um acidente provoca a morte de um casal que deixa dois filhos órfãos...)
Ao fim e ao cabo, constato que nunca me expus tanto aqui no CR, como no post de ontem. Mas afinal, não é isso que todos nós fazemos quando socialmente somos obrigados a tomar decisões complexas?
Adenda: Tudo seria mais fácil se o Estado impusesse uma idade limite para a carta de condução. A mim parecia-me do mais elementar bom senso, dada a complexidade de questões em causa, mas os mais liberais logo se rebelariam, acusando o Estado de intromissão na vida de cada um. Talvez tenham razão... eu é que continuo a pensar que o Homem é um ser social que deve pôr o interesse comum acima dos seus interesses individuais.