sexta-feira, 24 de outubro de 2008

No melhor bairro do mundo!



Quando esta manhã fui à caixa do correio e comecei a ler os comentários, fiquei a pensar quem seria a vizinha que tinha uma bola de cristal para adivinhar que a Madalena Iglésias não era a única a fazer anos hoje! Depois de muito matutar ( não sou nada bom nesse desporto da parte da manhã- também gosto é de caminha...) encontrei o culpado: o Pedro Oliveira. Há tempos, convidou-me amavelmente para ir hoje ao aniversário do Vilaforte, mas tive de recusar e expliquei-lhe a razão. Claro que no blogobairro há sempre umas simpáticas cuscas que espreitam as caixas de comentários e foi assim que fui desmascarado pela Patti... E vocês sabem como são estas coisas de vizinhos, não sabem? Resultado: ao fim da tarde fui apanhado numa "surprise party" organizada pela minha afilhada Si. Querem sabe os pormenores? Então têm bom remédio e vão lá ver. ( clicar aqui)


Ficam a saber a ementa, podem ver os vestidos das comadres Patti e Bluevelvet e da Si ( não mandem muitos assobios e piropos, ó malta da pesada!), ouvir uma musiquinha e provar os aperitivos. Não tive tempo para fazer o bolo, desculpem lá...

Aquilo vai ser de arromba, vos garanto, porque está lá toda a vizinhança. E até há quem venha da estranja! Este é o melhor bairro do mundo, podem crer.Bendito dia em que vim para aqui morar. Bom, eu estou com muita pressa porque já estão à minha espera e, como sabem, não gosto de chegar atrasado. E com aquela musiquinha e as fotografias que já vi da viznhança, este "pé de chumbo" não vai parar toda a noite. Elas são todas de cortar a respiração....'Tou que nem posso!



Hora de balanço



Já fiz um pouco de tudo na vida . Vendi livros, gastei tardes de sábado da minha juventude a fazer catálogos para editoras, fui jornalista, fui editor de revistas, andei nas vindimas, trabalhei em ONG’s e organizações internacionais, fiz voluntariado e tentei levar conforto aos sem-abrigo, criei associações e cooperativas, fui funcionário público, assessor de ministro, trabalhei em escolas, vi nascer, florir e morrer, projectos que criei em variadas áreas, vivi em três continentes onde trabalhei, estudei e fingi que estudei, percorri o mundo à descoberta de mim e… acabei por encontrar-me, algures na Patagónia, entre o Chile e a Argentina onde fui - e espero voltar a ser – ABSOLUTAMENTE feliz.
Na hora de balanço posso dizer que tive uma vida cheia, mas hoje sou um velho igual a todos os outros ( sim, não me lixem, depois dos 50 anos qualquer pessoa é tratada como velho, ninguém lhe oferece emprego apetecível- a não ser àqueles que todos sabemos). Sou rezingão, por vezes agressivo, comovo-me e olho para o futuro com um olho no passado. A única diferença é que talvez tenha mais recheio.
É esse recheio que me permite pensar que o importante é olhar para trás e não me arrepender das escolhas solitárias que fiz; da liberdade de movimentos que sempre exigi e almejei; de ter amado a minha profissão; de me congratular por ter ignorado os avisos dos que pretendiam que me tornasse em soldadinho de chumbo com trabalho das 9 às 17 e salário certo ao fim do mês; de ter a consciência tranquila, porque nunca atropelei ninguém para alcançar os meus objectivos; de nunca ter traído um(a) amigo(a); de sempre ter tentado ser objectivo ( o futebol não conta!!!) no meu trabalho; de nunca ter espezinhado os interesses dos outros, para poder ter uma notícia.
Continuo a acreditar que melhores dias virão para o mundo porque, apesar de tudo, confio nos jovens que apostam num futuro melhor e rejeitam o monte de cacos que vamos deixar-lhes em herança.
Mas, hoje, é dia para repensar o MEU futuro.
Entre livros, tangos e milongas, e a vista do Parque Nacional de Los Alerces a servir-me de musa inspiradora, tudo o que mais desejo é poder acordar todos os dias com a Felicidade a meu lado.

Adenda: Obrigado a todos os que se lembraram deste dia. Vocês são os melhores vizinhos do mundo! Não tive tempo para fazer bolo, nem para muitas visitas no blogobairro. Também não respondi aos vossos comentários. Enfim, portei-me mal, mas sei que hoje estou perdoado.
Amanhã, a vida continua!