segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Momento de Humor(4)

Um dia, em Londres, um florista foi cortar o cabelo. Depois do corte, quando ia pagar, o barbeiro diz: - 'Lamento, mas não posso aceitar o seu dinheiro. O que fiz foi um serviço à comunidade.'
O florista ficou satisfeito e foi-se embora.Na manhã seguinte, ao chegar à loja, o barbeiro encontrou uma dúzia de flores e um cartão que dizia 'Obrigado'.

Noutro dia, um polícia foi lá cortar o cabelo. Depois do corte, quando ia pagar, o barbeiro diz:- 'Lamento, mas não posso aceitar o seu dinheiro. O que fiz foi um serviço à comunidade.'
O polícia ficou satisfeito e foi-se embora. Na manhã seguinte, ao chegar à loja, o barbeiro encontrou uma dúzia de donuts e um cartão que dizia 'Obrigado'.

Um dia depois, um português foi lá cortar o cabelo. Depois do corte, quando ia pagar, o barbeiro diz: - 'Lamento, mas não posso aceitar o seu dinheiro. O que fiz foi um serviço à comunidade.'
O português ficou satisfeito e foi-se embora.Na manhã seguinte, ao chegar à loja... adivinhem o que o barbeiro encontrou à porta ...

Dêem os vosso palpites. Hoje, durante o dia, revelarei a resposta. É muito fácil!

O jantar do Waldorf Astoria


Assisti, ontem, às imagens do jantar de Obama e Mc Cain no Waldorf Astoria. Pelo que me apercebi, respirou-se boa disposição, houve piadas e gargalhadas francas. Ninguém se ofendeu com as grilhoadas e até Hillary Clinton rebentou em efusivas gargalhadas, quando Mc Cain insinuou que estava ali para o apoiar.
Não pude evitar a comparação com um putativo jantar entre Sócrates e Manuela Ferreira Leite, durante a campanha para as legislativas de 2009, com os exércitos de acólitos cinzentões , sorumbáticos e subservientes, a aplaudir palavras mal dispostas
Já imaginaram como seria? Sócrates e MFL têm sorrisos de plástico, são incapazes de soltar uma gargalhada aberta, mas a verdade é que portugueses também nunca levariam a sério dois candidatos que ousassem gargalhar diante das câmaras, enquanto trocavam alguns piropos. Gostam deles sisudos, com postura de Estado ( seja lá o que isso for), prontos a exibir o chicote, se for necessário, para os pôr na ordem.
Estamos a anos –luz dos americanos, porque não temos cultura democrática. Dizemos que os políticos são uns chatos, mas é assim que gostamos deles.
Os portugueses ainda não se libertaram das grilhetas do Estado Novo que os tornou demasiado circunspectos, reflexivos e incapazes de exercer a nobre arte do riso. Essa é uma matéria para profissionais como os “Gato Fedorento”, os “Contemporâneos” e similares. Os portugueses só se reconhecem o direito de rir a horas certas e comandados por quem saiba do ofício. A gargalhada espontânea não faz parte do seu modelo comportamental. Devem considerá-la primitiva ou própria de gente que não deve ser levada a sério. Faz falta aos portugueses alguém que lhes diga, olhos nos olhos, que rir faz bem à saúde, alivia o “stress” e é um condimento essencial à vida.
Por isso é que tenho saudades de Mário Soares e das suas bochechas de “bon vivant” ou daqueles frente-a -frente com Cunhal ( uma pessoa com um humor refinado, que também não recusava uma boa gargalhada).

Rock 'n stock (5)


Há dias assim. Uma pessoa levanta-se estremunhada porque faltou a luz durante a noite e o despertador não cumpriu o seu dever de o acordar... e está o caldo entornado. Enquanto toma o duche lembra-se que vai chegar atrasado à reunião das 10 ( o que o deixa profundamente irritado, porque é uma pessoa pontualíssima) e desiste de tomar o pequeno almoço em casa. Decidido a trocar a reconfortante refeição matinal, por uma bica e um queque apressados no café da esquina, sai de casa disparado, pronto a deitar para trás das costas o mau começo de dia. Só que há alguém que não está pelos ajustes. No café da esquina não há luz, por isso não há bica e no caminho para o emprego o metropolitano tem a brilhante ideia de avariar.
Chega atrasado à reunião, o seu dia programado ao minuto está em vias de se estilhaçar. Tenta recuperar a calma, mas nada feito. Ao longo do dia os percalços e contrariedades sucedem-se. É o computador que insiste em desobedecer às suas ordens, o fornecedor que não cumpriu a entrega aprazada para esse dia, o chefe que implica com o seu trabalho e uma parafernália de minudências que o deixam exausto. Quando chega a casa, pronto para relaxar e ir até a um cinema, lembra-se que “amanhã” é o último dia para entregar o texto ao editor . E como é pontual e não quer atirar para cima dos outros as responsabilidades que são suas ( quem é que o mandou esperar pelo último dia para escrever o artigo?) troca o ecrã do cinema pelo do computador e mãos à obra! O problema é que a inspiração não abunda e tudo o que a sua mente lhe reserva, no espaço que ainda tem disponível para pensar, é IRRITAÇÃO!
Assim nasceu este texto. Fruto de um dia que prolongou pela noite um estado de espírito que aviva as coisas que me irritam enquanto cidadão e consumidor.
Quer o leitor saber o que me irrita? Então aqui vai:
Irrita-me pedir a conta num restaurante e ouvir o empregado perguntar “ Deseja factura?” E por que razão é que eu não havia de querer factura? Não é uma obrigação dos restaurantes passar factura? É obrigação de quem presta um serviço ou vende um produto. E é obrigação de quem consome exigi-la, até porque é indispensável para fazer qualquer reclamação. E é, também, uma questão de cidadania, de respeito por quem paga impostos.
Outra coisa que me irrita é chegar a uma lavandaria e pedirem-me para pagar adiantado. Recordo logo a esses pedinchas um conselho da minha Mãe que, na sua sabedoria de 94 anos, sempre afirmou: “ Quem paga adiantado é sempre mal servido”. Se do outro lado do balcão reagem com indignação, então aviso que tal pedido é ilegal e fica o assunto arrumado!
Irrita-me também que ameacem cortar a água em minha casa, pelo facto de não ter sido paga a água de outra casa onde não vivo há dez anos, mas que por incúria de alguém ainda tem o contador em meu nome. E mais irritado fico, quando essa cobrança respeita a facturas não cobradas há mais de seis meses. Ao querer cobrar-me essa dívida, a empresa não está a respeitar a Lei dos Serviços Públicos Essenciais que isenta o consumidor de efectuar qualquer pagamento que não lhe tenha sido solicitado nos seis meses subsequentes. E já que estamos a falar de serviços públicos, irrita –me ter que andar a descobrir facturas de telefones de 1999 para apresentar na PT, a fim de ser reembolsado de uma quantia que a empresa me cobrou indevidamente e o Tribunal a obrigou a devolver-me.
E já não me irrita, porque me deixa os nervos em franja, a falta de pontualidade dos portugueses. Por isso delirei quando há tempos o Carlos Fagundes impediu que os retardatários vissem o seu espectáculo, mas logo dois dias depois mergulhei numa grande depressão, quando fui ao cinema e me obrigaram a levantar meia dúzia de vezes, depois de o filme ter começado, para deixar passar os atrasados. Em Portugal nada se faz a horas: gastam-se tempos intermináveis em consultórios de médicos pagos a peso de ouro; desespera-se pela entrega da mobília, do televisor, da peça de roupa, ou de um simples par de óculos, certamente porque as empresas que fornecem estes produtos são como algumas pessoas finas que gostam de chegar atrasadas a todo o lado, para dar nas vistas; espera-se pacientemente que o tipo que vai contar a luz às 10 horas chegue duas horas depois. Por isso saúdo com alegria a iniciativa de um grupo de cidadãos que decidiu apresentar uma petição na Assembleia da República, no intuito de tornar os portugueses mais pontuais. A pontualidade é também uma questão de cidadania e quando a desrespeitamos estamos a contribuir para a perda de produtividade, num País que tanto dela carece.
Já chega de irritações, mas ainda há espaço para apontar o dedo aos automobilistas que deixam os carros estacionados em segundas filas, atrapalhando o tráfego ou, pior ainda, estacionam atrás de outro e vão à sua vidinha, sem se importarem se estão a transtornar a vida a outras pessoas. Quando ao fim de meia hora enfim regressam, em vez de pedir desculpa, ainda são capazes de se achar cheios de razão. E dêmo-mos por felizes se o transgressor se limitar a dizer, com ar cândido “foi só um minutinho!” pois às vezes ainda lançam alguns vitupérios, indignados com a nossa impaciência.
Lisboa, Abril de 2004
Texto ( reeditado) escrito para a revista "Tempo Livre"

Dicionário do Rochedo (36)

Parabólica- Antena que permite captar os programas de televisão de outros países, para podermos constatar que na generalidade são tão maus como os nossos. Caiu em desuso desde o aparecimento da TV Cabo e o lixo televisivo passou a fazer parte da globalização.