segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Os azares de Manuela

Sócrates está perdido de riso, a mão no rosto é só para disfarçar

Manuela Ferreira Leite não acerta uma. Abriu a boca em véspera de Dia das Aparições na Cova da Iria, mas as críticas que teceu às medidas tomadas pelo governo para combater a crise foram estapafúrdias, despropositadas e reveladoras de alguma desonestidade intelectual. Pedro Passos Coelho saiu logo a terreiro para lhe pedir que se voltasse a remeter ao silêncio e Marcelo Rebelo de Sousa deu- lhe um puxão de orelhas. A resposta mais explícita, porém, foi a da Bolsa. Hoje, o PSI 20 subiu quase 10 por cento, manifestando o seu apoio a Sócrates.


Manuela " por que no te callas?" Não estará na altura de dar o biberão ao netinho?


Quem também não parece andar a bater bem da bola é Paulo Portas. Um dia depois de ter sugerido que o governo cortasse nas verbas do Rendimento Social de Inserção, pediu mais atenção ao governo com os menos desfavorecidos.


Com tanta desorientação à direita, Sócrates está nas suas sete quintas. Pode continuar a colocar açaimes nos deputados e reduzir o PS a um grupo de meninos bem comportados, porque a vitória ( e provavelmente a maioria absoluta) está garantida em 2009.

Rochedo das Memórias- Ícones e paranóias da indústria do ócio e do prazer


Foram inúmeros os produtos, serviços e actividades que, ao longo do século XX, constituiram verdadeiras paranóias consumistas.
Mudaram-se os tempos, mudaram-se os hábitos, os passatempos e os prazeres. Mudámos a nossa pele e tornámo-nos sedentários desde a infância.
Se o cinema foi o primeiro entretenimento que entusiasmou o mundo, logo no início do século, foi também o mais duradoiro. Do mudo ao sonoro, do preto e branco à cor, do pequeno ecrã ao cinemascope, dos filmes românticos ou históricos aos efeitos especiais e violentos, o cinema foi evoluindo, mas manteve sempre uma legião de fiéis seguidores que seguem as suas peripécias com desvelo.No entanto, inúmeros passatempos de outra ordem marcaram o século XX.
Começámos o século jurando fidelidade à rádio e ao inseparável tijolo e acabámos nos braços da televisão, devorados por "talk- shows", telenovelas, "thrillers" e "sitcoms". Deixámo-nos seduzir pela publicidade e divagámos em sonhos de concursos que nos prometiam desde o automóvel a uma viagem às Caraíbas. Passámos o dia a praticar body board, surf, parapente, asa delta, skate, ou buggeejumping e chegamos à noite sentados no sofá, em frente de um ecrã por onde passam vídeos, DVD e seriados, à espera da hora de ir para a discoteca. Para combater o sedentarismo e cultivar o corpo, tornámo-nos frequentadores de "Health Clubs", suamos as estopinhas em ginásios e quando envelhecemos recorremos ao lifting na vã esperança de sermos confundidos com os nossos filhos.
Demos as primeiras pedaladas num triciclo, fomos ases na bicicleta, idolatrámos a vespa e terminámos o século a conduzir um carro, grudados ao telemóvel.

Tivemos ídolos de carne e osso que a princípio eram duradouros, como Ginger Rogers, Fred Astaire ou Greta Garbo. Criámos alguns mitos como James Dean ou Elvis Presley. No final do século os ídolos passaram a ser efémeros , como alguns dos objectos e produtos e alguns deles nem são de carne e osso. Dão pelo nome de marcas (Benetton, Adidas,Levi Strauss, Swatch, BMW, Coca -Cola etc,etc, etc,) e são os nossos ícones. Namorámos com orquestra, grafonola ou gramofone, depois com o vinil e o gravador de fita.

O gira-discos portátil , chegado com o “yé-yé”, o gravador de “cassetes” e o disco de 45 r.p.m. foram objecto de juras de amor eterno, mas passámos a olhá-los com algum desdém quando surgiu o walkman e o compact disc se apresentou como a última e definitiva coqueluche musical. Mas não foi por muito tempo. No final do século,o disco laser e o DVD tornaram-se os novos fiéis companheiros dos melómanos que já se tinham cansado do karaoke.
Não tardou, porém, até que o MP-3 e o i-pod se transformassem nas novas coqueluches consumistas.
Palmita-me que o próximo passo será o (re)enamoramento pelos discos de vinil . Já faltou mais…

A cultura do ócio é tão antiga quanto o tempo, mas a indústria do ócio só começou a dar os primeiros passos na década de 50 do século XX, com o advento da sociedade de consumo. Indústria florescente, é olhada pelo marketing como a indústria do futuro, que terá o seu apogeu neste século, com o desemprego a aumentar. As empresas de marketing só ainda não foram capazes de explicar é como as pessoas vão arranjar dinheiro para comprar os produtos, quando terminar o crédito fácil e barato. A corda não pode esticar sempre...