sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Venha daí um sorriso!

Fiquei a saber, pela leitura de alguns blogs, que se comemora hoje o Dia do Sorriso.
Lembrei-me logo de um post que escrevi em tempos , onde falava de um estudo que foi realizado em Portugal sobre o assunto ( recomendo-vos vivamente que o leiam aqui) e que me valeu duras críticas de um leitor anónimo. É essa a razão porque não faço a republicação, optando por vos oferecer este conjunto de sorrisos.
E ofereço-vos também o meu, como forma de expressar a minha gratidão aos que continuam a ter paciência para me ler.

Rochedo das Memórias- Da mercearia de bairro ao "outlet"(4)

Foto de autor não identificado, roubada na Internet
Estávamos em Abril de 1907, ainda a sociedade de consumo estava longe de dar os primeiros passos e modificar os nossos comportamentos, quando foi inaugurado um empreendimento de dimensão desmesurada para a época: chamava-se Grandella e ficava localizado em plena baixa lisboeta.

Nos seus onze andares vendia-se desde as roupas mais simples às mais sofisticads e elegantes para a época, mas também artigos de decoração, loiças, brinquedos, material fotográfico ou de papelaria e até ferragens. Os preços praticados eram de tal maneira módicos, que não faltavam pessoas que acusassem o seu proprietário de recorrer ao contrabando.
Cópia do "Printemps" de Paris que, ironicamente, lhe viria a ocupar o espaço depois do incêndio do Chiado, o Grandella tinha o seu êxito assegurado não apenas pelos preços praticados, mas também graças às campanhas promocionais e publicitárias que lhe estavam aliadas. A sua localização na baixa lisboeta não impedia, no entanto, que as suas vendas se estendessem a todo o país, graças ao seu serviço de entregas ao domicílio. O Grandella foi o primeiro armazém em Portugal a utilizar a venda por catálogo, sendo por isso também pioneiro neste sistema de vendas.
Tal como o Colombo ou o Amoreiras, a abertura do Grandella não foi pacífica, pois o poder monárquico não via com bons olhos esta iniciativa de um capitalista de profundas convicções republicanas. A verdade, porém, é que o Grandella se impôs como um local de passagem obrigatória para portugueses e estrangeiros que visitavam Lisboa, graças ás suas instalações luxuosas e à "novidade" que constituía este tipo de comércio.
Importante, também, é referir o estatuto de privilégio atribuído aos empregados do Grandella que, para além de disporem de cantina própria, desfrutavam de descanso semanal e de uma semana de férias, situação pouco usual na época.
Se compararmos esta situação com a que se vive actualmente, em que a situação dos empregados na maioria das lojas dos centros comerciais é não só de grande precariedade, mas também de sub- emprego, em que são constantemente denunciados atropelos à legislação laboral, não temos razões para sorrir...