segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Vindimas (Remake)


Aqui no Douro está um tempo fabuloso, com céu azul imaculado e temperaturas invejáveis. Há vindimas por todo o lado, respiro tempos da minha infância, sou contagiado pela alegria daqueles tempos. Sem nostalgias, mas sim com uma sensação de juventude que se renova. Decidi por isso reproduzir este post que escrevi em Outubro de 2007

“ Não se me dá que vindimem
Vinhas que eu já vindimei,
Não se me dá que outros logrem
Amores que eu já rejeitei”
( Cântico popular)
As vindimas constituem, no meu imaginário, a referência do Outono. Quando Setembro se aproximava do final, íamos para a quinta “fazer as vindimas” e isso significava que as férias estavam a chegar ao fim.
Terminei essa vivência, quando tive que procurar outras paragens para estudar. Em Inglaterra as aulas começavam cedo, não me permitindo participar naquele ritual adventista do “regresso às aulas”. Ainda hoje recordo, com saudade, alguns cânticos que acompanhavam a azáfama da “colheita” e os olhos verde água da Emília, moçoila minhota por quem me embeicei um ano e que desapareceu da minha vida para sempre, depois de um beijo de despedida no último dia da faina.
Ao longo dos anos sempre associei as vindimas ao Alto Douro, aos cânticos dolentes, ao fim do verão e, claro, ao beijo inesperado e furtivo da Emília.
Hoje, uma pequena notícia de jornal devolveu-me estas recordações e deixou-me com um ligeiro amargo de boca. A Real Companhia Velha está a utilizar uma máquina para fazer a vindima, prescindindo dos trabalhadores sazonais que se dedicavam à tarefa.Os cânticos cadenciados acompanhando os movimentos de vai-vem dos “jornaleiros” enquanto esmagavam as uvas estão a ser substituídos pelo ronronar monocórdico de uma máquina.
Acabou-se a festa das vindimas.

Actualizado em Setembro de 2008:Não se acabou a festa das vindimas, apenas está diferente. E O Douro continua lindo, como espero mostrar-vos em próximos posts.