terça-feira, 23 de setembro de 2008

Fantasias TMN!


Ontem de manhã, ao ligar o telemóvel, li no visor PIN errado! Tinha a certeza que estava certo, por isso insisti e acabei com o telemóvel bloqueado.
A primeira reacção foi correr para o telefone a marcar uma consulta no médico, para me queixar que o sr. Alzheimer me tinha vindo visitar. Depois lembrei-me que devia ter guardado em qualquer sítio um cartãozinho com o PIN e o PUK ( pronto, confesso, sou um bocadinho distraído e desorganizado nessa coisa dos papéis...) e encetei a árdua tarefa de o procurar.
Uma hora depois, Eureka! Sorrio vitorioso pelo 2 em 1. Encontrei o cartão e o PIN estava correcto.
Bora lá meter o PUK!- disse para os meus botões. Debalde! PUK errado... Valha-me S. Gregório!
Pé na tábua ( ou melhor, na sola dos sapatos) e ala até à TMN de Picoas.
Quando chegou a minha vez expliquei o sucedido, o jovem que me atendeu pediu-me a identificação, tentou repetir sem sucesso a operação de introdução do PUK e do PIN, mandou-me aguardar um momento e passados alguns minutos regressa com ar grave:

- Conhece alguma senhora com este nome... ?- perguntou
- Não, porquê?
- É que este telefone está no nome dessa senhora...
- Como? Mas não confirmou aí que este telefone é meu?
- Sim, mas no plano de carregamentos é o nome dela que aparece...
- Eu não faço carregamentos, sou jornalista e aderi ao Media XXI, que é um plano de pagamentos por factura que, por coincidência, está em meu nome...
Nova retirada do jovem, mais uns minutos de espera e regresso com o mesmo ar grave, mas felizmente também com uma solução.
- Houve um problema informático qualquer, mas já está resolvido. Tente lá agora outra vez.
Tentativa bem sucedida, pergunto:
- Mas afinal o que é que se passou?
- Isso também eu gostava de saber...
- Mas então não sabe como é que aparece aí uma Celeste qualquer como titular do meu número de telemóvel?
- Não... gostava de lhe poder dar uma explicação, mas não sei. De qualquer forma o problema já está resolvido.
E foi assim, sem uma explicaçãozinha minimamente aceitável, que voltei a poder utilizar o telemóvel.
Afinal vou mesmo ligar ao médico para marcar uma consulta. Mas não é para mim, é para o telemóvel. Quem me diz a mim que não sofre de Alzheimer e está incapaz de reconhecer o dono?
Ou o problema será da tal de Celeste?


O País vai de carrinho...


Assinalou-se ontem o Dia sem Carros. A ideia de, uma vez por ano, sensibilizar os cidadãos para a necessidade de trocarem o carro pelos transportes públicos, apesar de boa não tem conseguido alcançar os seus objectivos.
Tornou-se recorrente - pelo menos em Lisboa- usar o alibi da falta de qualidade dos transportes públicos, para justificar o recurso ao automóvel. Quem vive em Lisboa, sabe que essa justificação não tem cabimento.
Já há transportes de grande qualidade, cumprimento de horários e, nomeadamente nos comboios, grande conforto.
Foi ontem anunciado o reforço dos transportes públicos durante a noite ( ao fim de semana) com comboios a circular até às 4h30m da madrugada, mas não acredito que tenham muito sucesso, porque quem se diverte à noite vai continuar a querer regressar a casa de rabinho tremido. Apanhar um comboio às 4 da manhã? Deus nos livre!
Acontece é que a maioria das pessoas pensa que os transportes são os dos anos 60, porque nunca lá entraram ou acham que é preferível aguentar engarrafamentos de horas, a ter de esperar 4 minutos pelo Metro!
Claro que pais que habituam os filhos a ir de rabinho tremido todos os dias de casa até à escola, não podem esperar outra coisa, que não seja a exigência de um carro, quando os filhos atingem 18 anos e a recusa em andar de transportes públicos.
Por muitas razões que expliquei aqui e aqui , sou defensor das portagens para entrar em Lisboa, porque é a única forma de estancar o chorrilho de carros que diariamente entra na cidade. Para isso, porém, era preciso um Presidente da Câmara com coragem…
Em homenagem ao Dia Sem Carros e aos apreciadores de engarrafamentos, aqui fica a minha homenagem, nas palavras do Zeca:

O país vai de carrinho
Vai de carrinho o país
Os falcões das avenidas
São os meninos nazis

Blusão de cabedal preto
Sapato de bico ou bota
Barulho de escape aberto
Lá vai o menino-mota

Gosta de passeio em grupo
No Mercedes que o papá
Trouxe da Europa connosco
Até à Europa de cá

Despreza a ralé inteira
Como qualquer plutocrata
Às vezes sai para a rua
De corrente e de matraca

Se o Adolfo pudesse
Ressuscitar em Abril
Dançava a dança macabra
Com os meninos nazis

Depois mandava-os a todos
Com treze anos ou menos
Entrar na ordem teutónica
Combater os sarracenos

Os pretos, os comunistas
Os Índios, os turcomanos
Morram todos os hirsutos!
Fiquem só os arianos!

Chame-se o Bufallo Bill
Chegue aqui o Jaime Neves
Para recordar Wiriamu,
Mocumbura e Marracuene

Que a cruz gamada reclama
de novo o Grão-Capitão
Só os meninos nazis
Podem levar o pendão

Mas não se esqueçam do tacho
Que o papá vos garantiu
Ao fazer voto perpétuo
De ir prá puta que o pariu

José Afonso