
Sócrates fez um excelente discurso em Guimarães (Por favor, antes de me acusarem de estar louco, leiam até ao fim!).
Não seria difícil brilhar, perante os sucessivos dislates de MFL, o visível desconforto do PSD em criticar o governo, ou apresentar propostas alternativas, por se identificar com a governação do PS. Mas Sócrates foi mais longe e lembrou algumas propostas alucinadas do PSD caso formasse Governo- como é o caso da privatização da Segurança Social.
Com o CDS não perdeu um segundo. Se os democrata-cistãos já eram um nado-morto, ficaram completamente atascados nas malhas do descrédito, depois de Paulo Portas ter escondido aos seus parceiros, durante um ano, a demissão de Nobre Guedes. Quem ai votar num partido que nem para si próprio é capaz de falar verdade?
Como é seu hábito disparou contra o PCP, acusando-o de não defender os trabalhadores. O discurso anti-PCP está tão gasto, que já se transformou numa “cassette”. Sócrates sabe, porém, que entre os seus apoiantes e potenciais votantes os ataques ao PCP são muito apreciados e que se não desbobinasse a “cassette” da vacuidade, muitos dos seus seguidores não lhe perdoariam.
O ataque à extrema – esquerda ( onde Sócrates teme perder votos) já se tornou um must. Para sua felicidade, a extrema –esquerda ainda não percebeu que vive numa teia de contradições , divorciada da realidade do país, preocupando-se com propostas fracturantes para entalar a rosa, tentando capatr-lhe votos dos descontentes do PS que nem sequer conhecem as propostas do Bloco. Quando as conhecerem, ou desertam, ou não votam. O Bloco vive da figura de Louçã. – um dos poucos políticos credíveis da nossa praça- e de um conjunto de libelinhas tontas que esvoaçam em seu redor, à espera de boleia para uns minutos de fama.
Mas apesar de viver rodeado de um deserto de alternativas, nem por isso Sócrates consegue ser um oásis. Que propostas concretas apresentou? Nenhuma! Limitou-se a apregoar a MUDANÇA, reafirmando que irá prosseguir a sua política!
Sócrates sabe que, apesar de ter governado para agradar ao capital e desprezando quem trabalha, isso não lhe provocará grande mossa em 2009, se conseguir estancar a abstenção. Apesar de ter desprestigiado a função docente e enxovalhado os funcionários públicos, que transformou em marionettes, sabe que pode recuperar muitos votos acenando com o papão de que com o PSD ainda será pior. ( Os dirigentes do PSD e seus porta-vozes não oficiais parecem querer dar-lhe razão…)
Funcionários públicos e professores, que poderiam ser decisivos no resultado das legislativas de 2009, vivem- também eles- rodeados de contradições e de medos. Embora descontentes, escondendo a raiva de terem sido os "bombos da festa" da política reformista, não podem pôr em risco a mesada certa ao fim do mês. Há rendas e créditos bancários para pagar e, para muitos, a certeza de que não encontrarão emprego se decidirem desertar das fileiras do Estado.
Pondo num prato da balança o achincalhamento a que têm sido sujeitos, a perda de poder de compra nos últimos 10 anos, a subserviência a que estão obrigados, a desmotivação diária e - noutro- o risco de arrostar com um PSD revigorado pela força de uma vitória eleitoral, pronto a dizimar o que resta da estrutura da Administração Pública, e a depositar as reformas dos portugueses nas seguradoras a escolha vai para o mal menor. E esse, Sócrates garante-lhes.
Percebem agora, porque considerei o discurso de Sócrates excelente?
É que apesar de ter tratado os portugueses que trabalham como concorrentes do concurso da Teresa Guilherme, lançando-os no desemprego, destruindo vínculos familiares, impregnando-os de ideias suicidas, os portugueses têm ainda mais medo do que possa vir com este PSD, do que com a continuidade do PS no poder.
Eu sei que Sócrates foi sádico, mas jogou no medo para captar votos. Só não percebo é como ainda há socialistas a votar no PS, mas isso fica para outra altura