Isolada, quase perdida no coração da serra de Montemuro, a norte de Castro Daire, fica a povoação de
Campo Benfeito. Não é fácil chegar lá. Num emaranhado de estradas estreitas, com sinalização escassa, a placa que indica o caminho a seguir para chegar à povoação deve ter ficado atascada num qualquer embaraço burocrático. De uma grua, espreguiçando-se lentamente ao sol de um fim de manhã de Setembro, saiu em sotaque brasileiro a senha que precisava para atingir a meta desejada.
“Campo Benfeito? É já ali... segue em frente e vira na primeira à direita. Quando você vir umas casas, é aí...”E foi assim, com a ajuda de sotaque de telenovela à berma da estrada, que três quilómetros mais tarde cheguei a uma povoação com cerca de cinco dezenas de casas em pedra, interligadas por um labirinto de ruas estreitas calcetadas. De quando em vez, avista-se uma casa que quebra a harmonia da paisagem, sinal iniludível de que a emigração chegou aqui. ( 1) Um letreiro em ferro forjado desenhando a palavra Capuchinhas anuncia-me, de forma indubitável, que acabo de cortar a meta.
À minha espera, estão a
“tia” Ofélia, a Henriqueta e a Isabel.Depois juntaram-se outras mulheres que me contaram como decidiram contrariar a tendência da emigração, juntando-se para formar uma cooperativa de artesanato. O resto da história não posso contar aqui, porque uma revista me pagou para a escrever nas suas páginas.
É deste jornalismo feito de histórias reais, que fala das pessoas sem insídias, acusações torpes ou insinuações grosseiras, que eu gosto.
Felizmente que há quem saiba disso e queira publicá-las