quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Rochedo das Memórias- A sala de brinquedos (1)


Ao longo do último século jogámos ao pião, brincámos com marafonas e jogámos futebol com bolas de trapos. Bamboleámo-nos com o Hulla- Hoop, fizemos acrobacias com o disco voador e habilidades com o iô-iô.
Enlouquecemos com o cubo de Rubik, perdemos noites a tentar enriquecer com o Monopólio, a construir palavras com o Scrabble ou a testar a cultura geral com o Trivial Pursuit.
As raparigas fizeram da Barbie a menina dos olhos, os rapazes montaram no cavalo dos sonhos como Cavaleiro Andante ou o Mosquito e todos mostraram as suas habilidades no Lego e no Meccano, se emocionaram a ler o Tin-Tin, o Pato Donald e o Rato Mickey. Fizeram músculo a ver desenhos animados do Poppeye, brincaram às guerras com soldadinhos de chumbo e recriaram o Oeste empunhando pistolas de fulminantes.
Apaixonaram-se pela bicicleta e ansiaram pela idade em que poderiam cavalgar uma Vespa. Depois… bem… depois veio o Dragon Ball, a paixão pelo tamagotchi, a moda do walkman e grudaram-se ao computador viciados em jogos electrónicos e na Play Station.
Tempos houve em que havia salas de brinquedos para meninos e meninas. Hoje as salas já são mistas, mas nelas não há lugar para o pião, o berlinde, ou o arco.
Uniformizaram-se os nomes das bonecas , acabando com os baptizados - momentos raros de brincadeiras entre meninos e meninas.
Já não há carrinhos de plástico e acabaram-se as corridas de “sameiras” em pistas improvisadas. Já não se coleccionam cromos em busca do “carimbado”, despareceu até o carrinho de sabão e o triciclo foi enjeitado. Já não se brinca ao “tira , rapa e põe”, porque na sala de brinquedos só resta o computador
(CONTINUA)

Não podia mais...

Resisti… resisti… resisti… a escrever um post sobre Paulo Pedroso, mas a resistência acabou quando ouvi as declarações de Rui Rangel criticando Sócrates por se ter manifestado ( nas entrelinhas…) satisfeito pela decisão do Tribunal que condenou o Estado a indemnizar o ex-secretário de Estado do PS, por “erro grosseiro” do juiz.
Desde pequenino que me encanita a inimputabilidade dos juízes ( Rui Rangel sabe disso, porque lho disse várias vezes quando trabalhámos juntos, ainda ele era estudante ).
Percebo perfeitamente que a inimputabilidade passa por uma garantia da separação de poderes, mas também sei que só seres muito especiais a merecem. Conheço juízes para todos os gostos, não vejo em nenhum qualidades excepcionais que os distingam do cidadão comum. Mas vamos por partes:
1- Os juízes não deviam abster-se de tecer comentários como os que fez RR? A sua inimputabilidade confere-lhes o direito de zurzir no PM , no PR ou num membro do Governo, só porque lhes apetece?… Ao fazê-lo não estão a interferir com o poder executivo ou, como é o caso, a tentar impedir que os membros do governo manifestem as suas emoções.?
2- Rui Teixeira – o juiz que ordenou a prisão preventiva de Paulo Pedroso depois de uma cena rocambolesca na AR - podecomportar-se como personagem de um filme americano de série B?
3- Consequência imediata da decisão leviana de Rui Teixeira, Paulo Pedroso esteve mais de 4 meses privado de liberdade e viu a sua vida política destruída, por uma pessoa que não tinha fundamento para o fazer. Natural que a pessoa reaja, não?
4- Paulo Pedroso pediu uma indemnização ao Estado, a decisão foi-lhe ( por agora) favorável, mas quem vai pagar o erro grosseiro do juiz é o Estado ( ou seja, eu e os contribuintes que não se eximem ao pagamento de impostos).
5- O Estado poderá ( eventualmente) reverter o pagamento da indemnização para o juiz, mas nada poderá fazer para apagar as sequelas que a prisão terão deixado na vida de Paulo Pedroso.
6- Face a tudo isto, como interpretar o silêncio dos juízes?
7- Efeito colateral de tudo isto: se o juiz Rui Teixeira tivesse sido mais prudente, é muito provável que Sócrates não fosse hoje Primeiro- Ministro.

Vi também, ontem na SIC, um advogado indignado por se pôr em causa a Justiça dizendo que isso contribui para a desacreditar e pôr em causa a democracia. Mas face a decisões de alguns juízes – nomeadamente neste período de circo mediático do crime- não é lícito perguntar se não serão alguns juízes que estão a pôr em causa a democracia e a justiça?
Afiançam-me que existe uma guerra entre juízes, que grassa um descontentamento entre os magistrados, fruto de algumas medidas legislativas do governo. Mas será legítimo que sejam os cidadãos a pagar por esse descontentamento e essa guerra surda?

Adenda: Vergonhosas e insanas são também as declarações de Pedro Namora, ao considerar inaceitável a decisão do Tribunal. Pedro Namora é advogado e devia colocar, acima das suas razões pessoais, as questões de Direito. É o mínimo que se pede a um advogado!

Segunda adenda: Para que não se gerem cofusões, esclareço que este post nada tem a ver com o processo Casa Pia, mas sim com a prisão preventiva, seus excessos ou omissões .

Deixem-me aplaudir!!!

"...Não sei se os meus pios leitores imaginam a natureza dos discursos de Pacheco e de Leonor Beleza, de António Borges e do general Garcia Leandro, sem omitir, claro!, o inimitável António Vitorino, socialista e tudo, sobretudo nos dias ímpares. Quase todos os nomeados são directamente responsáveis pelo estado a que chegou o País. Parte do descrédito da acção política a eles se deve. O nosso desalento deixou de ceder a qualquer apelo cívico, e as nossas emoções mais asseadas foram letalmente atingidas. A casta que tomou conta da Pátria devia ser condenada por indignidade nacional. Chega a ser infame a lista das prebendas, das reformas sumptuosas, das funções acumuladas, dos duplos e triplos vencimentos auferidos por uma gente desprezível, que entre si partilha o bolo, num macabro trânsito de interesses.(...)"

Excerto da crónica de Baptista -Bastos hoje, no DN . Com link aqui

Dicionário do Rochedo (24)

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