segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Crónicas do meu baú (9)

Férias em Cuba
- Foste passar férias a Cuba? Que horror, querida!
- Eu até gostei...
- Bem, estive cinco dias em Varadero e a praia é óptima e os hotéis não ficam nada a dever aos do Algarve, mas ouvi dizer que há outra praia ainda melhor...
- Sim, Cayo Coco!
- Foi em Cai o Coco que estiveste? É giro?
- Só lá estive um dia, para ver como era. Estive a passear pela ilha durante uma semana e fiquei três dias em Havana.
- Ai, filha, aquilo é um horror! Estive lá um dia e detestei. Que pobreza! Tudo degradado! E as pessoas? Coitadas, vivem miseravelmente! Nem sequer sabem o que é um hamburguer ... E nem imaginas como olhavam para o meu telemóvel quando eu estava a tirar fotografias!
- É... mas têm um bom sistema de saúde e bom ensino, tudo gratuito...
- Coitados, não têm dinheiro para comprar nada. Aliás... eles não têm é nada. Deixei-lhes as minhas roupas todas, coitados. Se aquilo é assim na capital, imagina como será o resto. O Fidel é um bruto, já devia estar morto. As pessoas nem sequer podem falar, com medo de serem presas.
- Eu falei com muita gente. Algumas discordam de Fidel, criticam-no e querem vê-lo morto, como tu, mas encontrei muita gente que está satisfeita e quase venera o Fidel.
- Ó filha... tu acreditas nisso? Eles dizem bem porque têm medo de ser presos e torturados se forem apanhados a criticar o Fidel!
- Quando andei a passear pela ilha não me apercebi que isso fosse bem assim..
- Ilha? De que ilha é que estás a falar?
- De Cuba, evidentemente...
- Aquilo é uma ilha? Não sabia... Lá em Varadero a gente nem se apercebe disso!

Gás ( pouco) natural - 2

Felizmente que há blogs!
Recebi há poucos minutos um telefonema da Lisboagás, dizendo que a informação que me tinha sido prestada esta manhã estava errada e que se eu telefonar para um número que me indicaram, até às 18 horas, me restabelecerão o serviço ( salvo se houver alguma deficiência...) antes das 22 horas.
Fiquei grato pela informação, apesar de em nada invalidar grande parte do que escrevi no post anterior. Ocorre-me, no entanto, uma pergunta: porque é que não prestaram essa informação no cartaz que afixaram no prédio, evitando assim perdas de tempo e exaltações?

Gás ( muito pouco) natural

Uma das pesadas heranças que o engº Guterres nos deixou foi o gás natural. Para além do aumento do custo do gás e de ser obrigado a contribuir para o aumento do PIB, com pagamentos suplementares que as empresas de gás natural arranjam sempre maneira de me cobrar, pelo menos uma vez por ano, não descortino qualquer vantagem no gás natural.
Do mesmo modo devem estar a pensar neste momento milhões de cidadãos europeus, com medo que a Rússia lhes feche a torneira do gás natural, se as instâncias europeias decidirem avançar para um confronto.
Mas isso agora não interessa nada. A razão deste post tem a ver com os meus mesquinhos interesses pessoais.
Na verdade, na zona onde vivo, somos uns mártires, vítimas indefesas da prepotência das empresas de gás natural. Volta e meia, afixam-nos um papel na porta do prédio, informando que estão a fazer umas obras, necessitam de cortar o gás e, quem o quiser ter reposto no próprio dia, terá que ficar em casa a aguardar que as Excelências nos visitem. Telefona-se para a Lisboa Gás, procura-se combinar uma hora para a visita, mas a resposta é invariavelmente a mesma:
-“Não podemos marcar hora, porque não sabemos a que horas os trabalhos estarão prontos. Mas se não puder estar em casa, deixamos um cartãozinho na sua caixa de correio com o número de telefone para onde deve ligar para pedir que seja restabelecido o fornecimento”.
- “E quanto tempo é que demoram a vir?"
- "Isso depende, talvez uns dois ou três dias!”

Passa pela cabeça de alguém que haja empresas tão estapafúrdias como estas? Como é possível que pelo menos uma vez por ano esta cena se repita, sem que ninguém ponha cobro a isto? Eu explico...
É que cada vez que fazem uma cena destas, descobrem ( não sei se o esquema é por amostragem, ou respeita as regras da rotatividade) meia dúzia de condóminos com defeitos nas instalações, encerram-lhes o gás e dão trabalho às centenas de empresas que vivem dessas reparações. Depois, as vítimas lá terão que ficar pelo menos mais dia e meio sem ir trabalhar e como prémio ainda pagam umas centenas de euros.
Já pensaram quantas horas de trabalho se perdem diariamente no país, graças à ineficácia, prepotência e estupidez das empresas de gás natural? Não haverá por aí um ministro sem nada que fazer, que se lembre de pensar nesta questão e resolver definitivamente o problema? Infelizmente, temo que este problema só se resolverá no dia em que a Argélia se chateie connosco por qualquer razão e nos feche ela a torneira e acabe com a mama destas empresas caça níqueis.

Adenda: Há meia dúzia de anos que venho escrevendo em várias revistas sobre este problema . Aqui no CR , também já escrevi sobre outros comportamentos miseráveis destas empresas. Quem estiver interessado, leia aqui.