domingo, 31 de agosto de 2008

"Rentrée"

Ei-los que chegam! Pele tisnada dos ares algarvios, carregando no acelerador o peso das amarguras, ou ensaiando malabarismos em ultrapassagens acrobáticas, num treino para o equilíbrio do orçamento mensal, desaguam nas ruas da grande cidade com o ar triste de quem regressa às rotinas diárias.
Voltam a abarrotar –se os transportes; regressam as filas intermináveis caracoleando nos acessos à cidade; os balcões das pastelarias voltam a animar-se em refeições rápidas de come em pé, num menu “standard” SFB ( sopa, folhado e bica); as escolas voltam a ser palco de disputas entre professores e alunos e a ministra voltará à sua função de árbitro parcial numa contenda interminável.
A cidade volta a tornar-se insuportável, os que cá ficaram suspiram pelo próximo Agosto, ou por aqueles dias de Natal e Ano Novo, quando a cidade se volta a esvaziar, para um encontro repetido de famílias, cumprindo o ritual de troca de presentes.
Até lá suceder-se-ão fins de semana, num movimento de io-io entre a cidade e a “terrinha”, continuaremos a assistir ao regresso a casa de carros a abarrotar de mantimentos e agruras.
Para a maioria das pessoas é assim que se renova a vida. Na sequência repetitiva do asfalto, nas areias de uma praia a abarrotar, no contar de mortos em acidentes de viação, provocados pela incúria e loucura de uns quantos. Para telenovela, o argumento até não me parece mau… mas para modo de vida parece-me curto de ambição!

Avante, camaradas!

Pedir a um daqueles moços que escreve na “Bola” e no “Record” que respeitem as elementares regras do jornalismo e sejam isentos nas análises que fazem a tudo quanto gira em torno dos interesses benfiquistas, é o mesmo que pedir a um heroinómano que deixe de chutar na veia de um dia para o outro. O benfiquismo está tão entranhado naqueles moços, que não conseguem distinguir entre realidade e ficção.
Hoje, depois de o FC Porto se ter deixado empatar na Luz, no jogo mais fácil que ali disputou nos últimos cinco anos, ler os desportivos fez-me lembrar “O Avante!”
Descoroçoados com o resultado, conseguiram ver o que eu e os benfiquistas que me rodeiam não conseguiram descortinar: um penalty sobre o Di Maria, num corte perfeitamente limpo.
A desfaçatez dos moços , no entanto, foi mais longe… nem uma palavrinha sobre a agressão ( murro) de Luisão a um jogador do F.C. Porto que a RTP mostrou, sem margem para dúvidas. E isto, para já não falar da expulsão de Katsouranis que deveria ter ocorrido ao minuto 11 ( basta fazer a comparação com a expulsão de Polga, frente ao Trofense…)
Não há razões para espanto. Nestes Avante! do jornalismo desportivo, pratica-se a lei das quotas e a maioria cabe a quem tiver cartão da agremiação vermelha. Dêem-lhes a foice e o martelo para o retrato das redacções daqueles jornais (???) ficar a condizer com as decisões da CD da Liga.
Adenda:O sr. Ricardo Costa irá abrir um sumaríssimo a Luisão, ou irá assobiar para o lado, fingindo qu não viu nada?