quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Crime no Ecoponto

Num fim de semana estival peguei – como é meu hábito - no lixo previamente separado em casa e dirigi-me a um Ecoponto. Foi uma curta viagem, mas cheia de surpresas. Comecei por constatar que o pilhómetro desaparecera apresentando, o local de onde fora extraído, visíveis marcas de acto de vandalismo de uns quaisquer cidadãos para quem “espírito cívico” significa tomar atitudes contrárias àquelas que promovam o bem público.
Depositadas as garrafas no verde e as embalagens de plástico no amarelo, aprestava-me a colocar os jornais no azul, quando às minhas narinas habituadas a odores não esquecidos de terras orientais, chegou um resquício de comida estragada. Indignei-me ao pensar que alguém deitara no recipiente restos de comida, a que a canícula avivara os odores. Não resisti a espreitar para o interior do recipiente, mas logo enojado e indignado desviei o olhar do cadáver de um cão dentro do recipiente.
A minha indignação aumentou e apurou o meu espírito de investigador. O que faria um cão- cadáver dentro de um ecoponto? Afastada a hipótese de se tratar de um cão suicida, comecei a magicar sobre as diversas possibilidades que justificassem a presença daquele cadáver no ecoponto destinado aos jornais e outra papelada. Teria morrido de doença e o dono escolhido o local para derradeira morada daquele que durante alguns meses ou anos terá porventura sido o seu melhor e mais fiel companheiro? Teria sido obra dos mesmos dementes que arrancaram o pilhómetro? Ou teria sido o canídeo vítima de um atropelamento selvagem, durante a noite, e o prevaricador, no intuito de apagar quaisquer vestígios, decidiu atirá-lo para o ecoponto, porventura ainda antes de o animal soltar o último extertor?
Um vizinho veterinário ajudou- me a descartar estas duas últimas hipóteses, pelo facto de o corpo do animal, que entretanto retirámos do recipiente, para lhe proporcionar enterro mais digno e última morada mais decente, não apresentar quaisquer sinais de violência. E foi assim , através de sumária investigação, que concluí ter sido o canídeo vítima de doença ( súbita ou prolongada, já não o posso afiançar) e que o dono - ou algum passante apiedado que o encontrou já cadáver – não teve melhor ideia do que escolher, para sua última morada o ecoponto.
A aludida investigação sumária também não me permitiu concluir se o bom do animal estaria integrado nalguma trupe circense ou desempenharia qualquer outro papel de animação, que tivesse levado o dono a confundir o animal com o seu papel, mas esta parece-me explicação plausível, para um destino tão bizarro.

Defendamos as nossas tradições

Corre por aí uma petição para se acabar com as cunhas, que deverá ser entregue oportunamente ao Presidente da República.
Devo dizer que não assinei, porque considero a iniciativa de muito mau gosto. Depois de nos acabarem com os “jaquinzinhos”, querem acabar com essa instituição nacional que é a cunha? Querem acabar com as nossas tradições?
Como seriam preenchidos os gabinetes ministeriais? Como passariam a ser feitas as nomeações para alguns cargos de Director-Geral? Como iriam os jornais preencher algumas colunas de opinião? Que seria do Serviço Nacional de Saúde? Como é que a minha prima Zélia, que além de uma cara bonita e um belo par de pernas nada mais tem para oferecer ao mundo, iria aguentar-se como secretária de Direcção de uma multinacional, a ganhar aqueles milhares de euros?
Por este andar, qualquer dia ainda aparece por aí algum maluco a querer acabar com os cocós de cão na rua!
É tempo de defendermos as tradições portuguesas, antes que nos acabem com elas!
Viva os sapatos de cunha, abaixo os sapatos stiletto!

Dicionário do Rochedo (21)

Globalização- Palavra inventada para justificar o aumento do fosso entre ricos e pobres; significa também o aparecimento e monopólios cada vez mais poderosos; explica a entrada de empresas como a Mc Donalds ou a Coca-Cola nos países de leste; serve ainda para explicar a razão de os mais altos cargos da Administração americana serem ocupados por pessoas com ligações fortes à indústria do armamento, ou aos petróleos. Dizem que é uma coisa boa