terça-feira, 26 de agosto de 2008

Quem me ajuda?

Não percebo nada de Direito Internacional. Talvez seja por isso que ando um bocado baralhado e agradeço a vossa ajuda. Alguém me pode explicar por que razão o reconhecimento pela UE da independência do Kosovo é legal e o reconhecimento da Ossétia e da Abecásia pela Rússia é ilegal?

E já agora, se não for abuso, agradecia que alguém me explicasse, ainda, porque é que chamam genocídio às atrocidades da Sérvia no Kosovo e consideram direito à defesa da integridade territorial da Geórgia, as atrocidades praticadas por este país na Ossétia e na Abecásia.

Há aqui qualquer coisa que não bate certo, mas se calhar sou eu que sou burro!

Maré de sorte?

Nem gosto de escrever isto, porque pode dar azar! A verdade, porém, é que tenho algumas razões para me considerar sortudo nos últimos tempos. Desde 2003 que não tinha um Verão com tanto trabalho- e vocês sabem como é importante para um "free-lancer" ter trabalho...- e além disso, trabalho que me dá prazer.

Depois de um período com bastantes deslocações, tenho a sorte de estar em Lisboa a trabalhar, nesta semana esplendorosa, junto ao rio. Estou a dividir as minhas tardes entre a Lapa e o Parque das Nações, sempre com o Tejo como horizonte e na companhia de pessoas com quem gosto de trabalhar. Não é razão para ficar desconfiado?

Aditamento: só vim aqui para partilhar isto convosco. Fizemos uma pausa para olhar o Tejo e beber uma água. Daqui a nada já vou fazer uma visita aos vossos blogs

Em Delfos, à conversa com Sócrates


Em 1995, numa visita a Delfos, fui surpreendido por um turista italiano , empoleirado numa pedra, esbracejando, de telemóvel bem aperrado ao rosto, tentando ouvir e ser ouvido.
A minha primeira reacção foi de repúdio. Depois indignei-me e, de seguida, retive a custo uma sonora gargalhada. Finalmente, enquanto o meu olhar repousava no oráculo de Apolo, na vã esperança de receber uma mensagem de cumplicidade reprovadora da cena que ambos estávamos a presenciar, os meus neurónios rebobinaram a História e, em “flashback”, revisionei a cena de Sócrates, diante de uma banca de vendas em Atenas, proclamando para os seus discípulos: “Vejam só a quantidade de inutilidades que os atenienses precisam para viver!”
Não pude escapar à tentação de imaginar a reacção de Sócrates , se um dia ressuscitasse e fosse obrigado a viver, durante uma semana, na sociedade actual.
Certamente não se espantaria com os “outdoors” anunciando os telefones eróticos , pois já em Éfeso presenciara situações semelhantes , de anúncios nas calçadas, indicando o caminho para casas de prostituição.

Talvez não lhe suscitasse mais do que um reparo, o facto de um turista acidental, de visita a Delfos , conspurcar o silêncio do oráculo com uma “long distance call” feita através de um paralelipípedo falante.

Não se sentiria tentado a beber cicuta, pelo facto de abrir a caixa de correio e deparar com um cheque de 2500 euros , em seu nome, enviado por um banco onde nem tinha conta, acompanhado de uma carta garantindo que apenas são necessários 50 cêntimos por dia, durante 60 meses, para acertar as contas.

Espantar-se-ia, certamente, ao aperceber-se que os jardins, onde outrora se reuniam os epicuristas, se cobriram de centros comerciais e hipermercados que exibem às suas portas a mesma frase que se podia ler à entrada dos jardins “ Estranho, aqui serás feliz! Aqui o prazer é o bem supremo!”
O seu primeiro esgar de indignação talvez surgisse quando, ao entrar num desses novos jardins da Felicidade Suprema, verificasse que aí estão à venda milhares de produtos supérfluos, muitos deles fabricados à custa de mão de obra infantil e trabalho escravo. Provavelmente, porém, só perderia o controlo absoluto ao verificar que existe um vasto leque de leis que visam proteger os consumidores e o ambiente, mas que têm pouca serventia. Pela primeira vez, então, ergueria a sua voz e perguntaria: afinal para que são tantas leis ? Não aprenderam nada com as lições da História?

Arrependido por ter proferido tamanha heresia, pediria então a clemência dos deuses , rogando-lhes que o devolvessem à pacata Atenas do seu tempo.

Dicionário do Rochedo (20)

FAX- máquina que projecta fotocópias a longa distância, evitando o incómodo de falar com interlocutores inoportunos ou chatos.