Enquanto Vasco Pulido Valente está a alinhavar mais uma das suas crónicas para denegrir a cerimónia de encerramento dos JO de Pequim, esperando os aplausos da corte, eu associo-me ao Mischa , despedindo-se de Moscovo com uma lágrima que emocionou os mais empedrenidos.É um ritual que se renova cada quatro anos.Desde Moscovo que os JO não eram alvo de tantas críticas. Já aqui critiquei a atribuição dos JO a Pequim, mas isso não me impediu de rejubilar com as vitórias de todos os atletas, sejam eles americanos, russos, cazaques ou chineses. Grudo-me ao ecrã para ver o mais que posso, indiferente às questões políticas que sempre envolvem a realização dos Jogos. Desprezo as arengas do VPV e os aplausos da sua corte de seguidores. Rendo-me à beleza de cada momento de esforço dos atletas, deixo-me subjugar pela grandiosidade das cerimónias de abertura e encerramento. E, meus caros amigos, as cerimónias de abertura e encerramento dos Jogos de Pequim foram momentos inolvidáveis.
Não faltará quem continue a arengar prosas lembrando o recurso às novas tecnologias, que iludiram os espectadores, ou atiçando ódios contra o regime opressor de Pequim. A verdade é que hoje – tal como aconteceu em Moscovo- começou a escrever-se uma nova página da História. Quem não tiver percebido isso, ou anda distraído e esqueceu Moscovo, ou ainda não compreendeu que este é o século da China e que a relação de forças se alterou definitivamente. Não o digo pelo facto de a China ter ganho o maior número de medalhas de ouro, quando há 20 anos era ainda uma potência que se quedava a meio da tabela medalhística. Afirmo-o, porque enquanto no Ocidente andamos todos muito satisfeitos com os prazeres consumistas e este arremedo de Democracia que diariamente nos impingem, como um modelo de virtudes, a China está a construir uma Nova Ordem Mundial. Não será a melhor? Totalmente de acordo. Mas a culpa é de quem se deixou convencer que na Europa e nos EUA se vive no melhor dos mundos, autênticos paraísos terrenos, onde nos atolamos na febre consumista, esquecendo outros valores. Ensonados e rabugentos vamos ter um despertar difícil para a realidade.
Até Londres 2012!