Ao fim de uma semana sem medalhas o povão excitou-se. A eliminação de Obikwelu nas meias finais foi o extravasar do copo.O presidente do COP deu o mote e começaram a chover as críticas de "falta de profissionalismo"( bons tempos em que os JO eram coisa de amadores...).
Vicente Moura deveria ter esperado pelo final dos Jogos para fazer as acusações que fez. As suas palavras- em minha opinião- fizeram pelo menos uma vítima: Naide Gomes. Mas também fizeram ricochete pelo menos em Gustavo Lima- e assim perdemos o melhor velejador da actualidade. Também as palavras de Marco Fortes não teriam sido punidas com a expulsão da comitiva se a primeira semana tivesse corrido melhor e os judocas tivessem conseguido pelo menos uma medalha.
Quando iniciou o concurso do triplo salto, Nelson Évora carregava às costas as frustrações de um povo a quem Vicente Moura prometera cinco medalhas. Ambição desmedida. Embora alguns atletas pudessem ter ido mais longe, a verdade é que não me lembro de uma prestação olímpica melhor do que esta. Nada justifica que descarreguemos as frustrações nos nossos atletas, só porque não trouxeram as medalhas que desejávamos e que serviriam para aliviar as nossas "dores". Bem pior do que a prestação da selecção olímpica, foi a da selecção de futebol no Europeu. Com uma equipa de luxo, com um treinador pago a peso de ouro, mas coxo nas tácticas, quedou-se pelos quartos-de- final. Como era futebol, o povão engoliu em seco e calou-se.
Nélson Évora saltou para o ouro e o povão entrou outra vez em euforia. Quando é que os portugueses encontram o ponto de equilíbrio e aprendem a ver o mundo a cores e não a preto e branco? Mais uma vez o mau exemplo veio de cima, é certo, com Vicente Moura a dar o dito por não dito, admitindo recandidatar-se à presidência do COP. Afinal, se uma medalha de ouro era suficiente para mudar de ideias, porque razão não se calou até acabarem os Jogos? Talvez tivessemos ganho mais uma ou duas medalhas com o seu silêncio. Em minha opinião, portou-se muitíssimo mal, por isso deveria fazer as malas , regressar a casa e manter a sua decisão de não se recandidatar.
Como acontece sempre em Portugal, os líderes mantêm-se à tona à custa do esforço dos atletas. E isso não é bonito, nem recomendável, para o desporto português.