terça-feira, 5 de agosto de 2008

Crónica de uma canalhice ...



Mais uma crónica só para adultos, não aconselhável a pessoas sensíveis!

Nasci com todas as condições para vir a ser um adulto machista, impertinente e a cheirar a cavalo, apreciado por muitas mulheres que certamente detestaria.
 Caçula de uma família burguesa do Porto, mantendo tradições que já nos anos 60 cheiravam a mofo, fui “ensinado” a olhar para as mulheres como um objecto decorativo, instrumento de prazer, hábeis na gestão da vida familiar, prendadas para  bordado, lides domésticas e cozinhados, criadas para casar com tipos ricos que perpetuassem a tradição familiar. Aos 14 anos, olhava para as minhas primas como seres cuja única função, terminada a fase dos baptizados das bonecas, seria a de parideiras, boas donas de casa e extremosas esposas e mães.

Se hoje sou solidário com as mulheres e as vejo como iguais, isso não se deve  apenas às leituras que fiz, ao facto de ter abandonado o Porto e o seio familiar aos 17 anos para me tornar independente, ao Maio de 68, ou a uma vivência em vários continentes, durante muitos anos. Quase diariamente, vejo na televisão pessoas com um percurso idêntico ao meu ( com alguns dos quais partilhei momentos da minha juventude) e nem preciso de falar com eles, para perceber que apesar das aparências exteriores, se mantêm iguais ao que eram na juventude.


O que me fez tornar solidário com as mulheres e passar a olhar para elas como companheiras e não meros complementos sexuais foi,  também, este  momento de pura canalhice juvenil.
Era uma tarde de Agosto. Uma amiga deslumbrantemente ruiva, filha  de um médico amigo dos meus pais, fazia anos e deu uma festa. Em casa, como era habitual naquela época. 

Com  a cumplicidade de uma inglesa que veraneava em casa da aniversariante, alguém  conseguiu introduzir um gravador no quarto onde as raparigas deixavam os seus casacos e se iam retocar. 
O objectivo era apenas saber se nas conversas que travavam entre si, uma delas retribuiria os sentimentos que um de nós sentia por uma delas. Estávamos longe de imaginar o que iríamos ouvir...

Terminada a festa, reunimo-nos num quarto para ouvir a gravação. O resultado foi uma surpresa. Foi nesse dia que percebi que as raparigas da minha idade não se interessavam apenas por bordados, culinária e vestidos, pelo Johny Halliday ou pela leitura do “Salut Les Copains”. As raparigas da minha idade partilhavam das mesmas preocupações que os rapazes, tinham conversas sobre as mesmas questões dos rapazes e discutiam problemas sexuais como os rapazes ( com o à vontade possível na época, entenda-se...).
Quando do gravador saiu a voz de uma jovem lisboeta que passava parte das férias no norte, a dizer que um determinado fulano ( de que nenhum de nós gostava e muitos portugueses ainda hoje detestam) lhe fazia um “grande tesão” , caímos das nuvens. Como era possível que as mulheres tivessem uma coisa dessas? Andaríamos a ser enganados pelo professor de Ciências Naturais? Ou seria um coisa só das raparigas de Lisboa? Estávamos incrédulos. Como era possível uma mulher ter “aquilo” e ainda por cima gabar-se diante das amigas?
A partir desse dia a minha forma de olhar para as mulheres mudou radicalmente. O meu percurso de vida fez o resto, mas aquela foi uma data marcante, porque me fez pensar sobre o que ouvira e chegar à conclusão que entre homens e mulheres havia mais semelhanças do que diferenças. As mulheres poderiam ser aquilo que elas quisessem, se lhes fossem dadas as mesmas oportunidades e se libertassem do casulo de uma educação castradora que as queria condenar a tornarem-se dóceis donas de casa, fiéis aos maridos e assistindo, resignadas, às traições dos seus consortes. Percebi, nesse dia, que a orientação das leituras infantis ( com colecções denominadas “ Biblioteca dos Rapazes” e “Biblioteca das Raparigas”), os brinquedos diferenciados “p´ró menino e p´rá menina”, as brincadeiras “próprias de raparigas”, ou o rosa interdito aos rapazes, eram códigos de mentiras que apenas pretendiam manter o domínio do homem sobre as mulheres.
Só por isso, acho que valeu a pena aquele momento de pura canalhice juvenil!

Coisas do Sebastião (9)


Antes do saké, o leite!
Os estudos sobre a eficácia dos produtos alimentares no desenvolvimento da inteligência são como as cerejas.
Depois da descoberta dos efeitos benéficos do saké para o QI, agora é um grupo de cientistas dinamarqueses e noruegueses que, após aturada investigação, conclui que os bebés alimentados com leite materno por um período superior a três meses, têm um desenvolvimento mental superior aos que o fizeram durante menos tempo.
Os cientistas nórdicos sustentam mesmo que quanto mais tempo a criança for amamentada com leite materno, maior será o seu desenvolvimento cognitivo e que os efeitos se fazem sentir, mesmo que a mãe seja fumadora.
Com tantos estudos, ainda me baralho e qualquer dia ainda escrevo que as crianças devem beber saké e os adultos devem tomar leite materno de mães fumadoras. Ufff! Que confusão...

Dicionário do Rochedo (13)

Clone- Fotocópia genética que, se alguém quiser, pode ressuscitar um Hitler ou um Estaline em qualquer lugar. Os optimistas dizem que se trata de uma descoberta excelente,, pois permite verificar se a Marilyn Monroe teria o mesmo sucesso se nascesse no século XXI