No Zero de Conduta leio esta pérola:
É preciso ter topete!
"Durão Barroso critica elites de Portugal por não terem espírito de serviço". Esta surpreendente revelação, efectuada pelo homem que trocou o compromisso assumido com os portugueses mal lhe acenaram com uma carreira "lá fora", teve lugar na gala da Odisseia de Talento The Star Tracking, onde os participantes estão proibidos de "falar mal de Portugal". "Proudly Portuguese", dizia o "discreto pin para as lapelas oferecido à entrada". Durão Barroso tinha um, claro."
Não há dúvida- digo eu. Este maoísta reciclado não se enxerga! Será que vai a Pequim elogiar a China pelos progressos na defesa dos direitos humanos?
domingo, 3 de agosto de 2008
Uma cidade a morrer aos bocados
( Na sequência do post anterior...)
O Porto foi, noutros tempos, uma cidade cheia de pujança económica e cultural . Hoje, apesar da sua inigualável beleza, parece estar moribunda. Há quem culpe o "traidor" Fernando Gomes e a falta de amor ao Porto, de Rui Rio, como os principais culpados do estado a que o Porto chegou. Há também quem aponte o dedo ao governo de José Sócrates, acusando-o de ter abandonado o Porto à sua sorte, ao negar o apoio a alguns investimentos na cidade ( o caso mais recente da esmola para a requalificação da zona ribeirinha, parece dar-lhes razão).
Independentemente das culpas que possam caber aos autarcas que têm servido (mal ) a cidade e aos governos que a têm ignorado, a verdade é que os portuenses também pouco têm feito para evitar o descalabro.
É certo que o Porto se levantou em protesto ( dizem-mo, mas não estava em Portugal para testemunhar) quando quiseram entregar um dos seus ex-libris- o Coliseu- à Igreja Maná. Alguns ( poucos) protestaram contra a decisão de Rui Rio entregar o Rivoli a Filipe La Féria e outros houve ( também poucos) que ergueram a sua voz contra o encerramento do Mercado do Bolhão.
Não serão, porém, as reacçõos pontuais dos portuenses que permitirão evitar o que se adivinha: a perda de influência da cidade nos destinos do País. Não foi certamente por culpa do poder político que desapareceram os jornais do Porto. Foi o desinteresse dos portuenses em relação àqueles títulos.
Os portuenses estão muito orgulhosos- e com razão- com o Museu de Serralves e com a Casa da Música, apontando-os como exemplos de uma cidade voltada para cultura. Ficam orgulhosos da sua Ribeira, do seu despovoado centro histórico ( o atentado perpretado por Rui Rio na Av. dos Aliados parece ter-lhes passado à margem...) e do seu papel em defesa da liberdade, em momentos determinantes da nossa História. Mas isso chega? Não me parece.
Exibir algumas Jóias da Coroa como prova de vitalidade é próprio de famílias arruinadas que se agarram a elas para demonstrar que ainda estão vivos. Infelizmente, não estão... O Porto está moribundo e os portuenses comprazem-se em culpar terceiros da doença, adiando a procura da receita certa, para recuperar a cidade enferma.
O Porto precisa de uma transfusão de sangue , não de placebos! Precisa de rejeitar o bairrismo provinciano que ainda corre nas suas veias e substituí-lo pela "intelligentsia", pelo empreendedorismo local, revitalizando a indústria e o comércio locais. Precisa de conservar os vultos da sua cultura, evitando a sua sangria para Lisboa ou para paragens ainda mais longínquas na Europa e além -mar. O Porto precisa de gente que goste da cidade, que a ame e a queira voltar a colocar no mapa. Os portuenses não podem continuar a olhar indiferentes para a fuga do seu mais importante capital- as pessoas.
O Porto não pode ficar indiferente ao desaparecimento da sua imprensa, porque nela reside a sua força. Como não pode ficar indiferente ao desaparecimento de um clube como o Boavista FC , uma instituição com mais de 100 anos que faz parte da sua história. Os portuenses têm de expulsar dos centros de decisão os Miguéis de Vasconcelos que estão a contribuir para o seu descrédito- chamem-se eles Ricardo Costa, Sílvio Cervan, Fernando Gomes ou Rui Rio- e apoiar quem, vivendo na cidade a tempo inteiro, está interessado em revitalizá-la.
Depois, é engavetar o bairrismo, meter as mãos à obra e lutar para que a cidade recupere o seu prestígio e a sua influência. O Porto merece que os portuenses lutem por ela!
O Porto foi, noutros tempos, uma cidade cheia de pujança económica e cultural . Hoje, apesar da sua inigualável beleza, parece estar moribunda. Há quem culpe o "traidor" Fernando Gomes e a falta de amor ao Porto, de Rui Rio, como os principais culpados do estado a que o Porto chegou. Há também quem aponte o dedo ao governo de José Sócrates, acusando-o de ter abandonado o Porto à sua sorte, ao negar o apoio a alguns investimentos na cidade ( o caso mais recente da esmola para a requalificação da zona ribeirinha, parece dar-lhes razão).
Independentemente das culpas que possam caber aos autarcas que têm servido (mal ) a cidade e aos governos que a têm ignorado, a verdade é que os portuenses também pouco têm feito para evitar o descalabro.
É certo que o Porto se levantou em protesto ( dizem-mo, mas não estava em Portugal para testemunhar) quando quiseram entregar um dos seus ex-libris- o Coliseu- à Igreja Maná. Alguns ( poucos) protestaram contra a decisão de Rui Rio entregar o Rivoli a Filipe La Féria e outros houve ( também poucos) que ergueram a sua voz contra o encerramento do Mercado do Bolhão.
Não serão, porém, as reacçõos pontuais dos portuenses que permitirão evitar o que se adivinha: a perda de influência da cidade nos destinos do País. Não foi certamente por culpa do poder político que desapareceram os jornais do Porto. Foi o desinteresse dos portuenses em relação àqueles títulos.
Os portuenses estão muito orgulhosos- e com razão- com o Museu de Serralves e com a Casa da Música, apontando-os como exemplos de uma cidade voltada para cultura. Ficam orgulhosos da sua Ribeira, do seu despovoado centro histórico ( o atentado perpretado por Rui Rio na Av. dos Aliados parece ter-lhes passado à margem...) e do seu papel em defesa da liberdade, em momentos determinantes da nossa História. Mas isso chega? Não me parece.
Exibir algumas Jóias da Coroa como prova de vitalidade é próprio de famílias arruinadas que se agarram a elas para demonstrar que ainda estão vivos. Infelizmente, não estão... O Porto está moribundo e os portuenses comprazem-se em culpar terceiros da doença, adiando a procura da receita certa, para recuperar a cidade enferma.
O Porto precisa de uma transfusão de sangue , não de placebos! Precisa de rejeitar o bairrismo provinciano que ainda corre nas suas veias e substituí-lo pela "intelligentsia", pelo empreendedorismo local, revitalizando a indústria e o comércio locais. Precisa de conservar os vultos da sua cultura, evitando a sua sangria para Lisboa ou para paragens ainda mais longínquas na Europa e além -mar. O Porto precisa de gente que goste da cidade, que a ame e a queira voltar a colocar no mapa. Os portuenses não podem continuar a olhar indiferentes para a fuga do seu mais importante capital- as pessoas.
O Porto não pode ficar indiferente ao desaparecimento da sua imprensa, porque nela reside a sua força. Como não pode ficar indiferente ao desaparecimento de um clube como o Boavista FC , uma instituição com mais de 100 anos que faz parte da sua história. Os portuenses têm de expulsar dos centros de decisão os Miguéis de Vasconcelos que estão a contribuir para o seu descrédito- chamem-se eles Ricardo Costa, Sílvio Cervan, Fernando Gomes ou Rui Rio- e apoiar quem, vivendo na cidade a tempo inteiro, está interessado em revitalizá-la.
Depois, é engavetar o bairrismo, meter as mãos à obra e lutar para que a cidade recupere o seu prestígio e a sua influência. O Porto merece que os portuenses lutem por ela!
Vítima de doença prolongada...
...morreu "O Primeiro de Janeiro". Era uma morte há muito anunciada. Desde 1976, embora a sentença só tenha assinada dois anos depois quando Freitas do Amaral comprou o jornal ao preço da "uva mijona" e o quis transformar em órgão do CDS, terminando com a sua tradição de jornal independente. O noticiário internacional- imagem de marca do PJ- perdeu também relevância e o jornal começou a ter um cariz vincadamente regional.
Posso dizer que quase aprendi a ler nas páginas de "O Primeiro de Janeiro", que todos os dias chegava lá a casa pelas mãos de um ardina, por volta das 7 da manhã. Foi também nas suas páginas que comecei a apreciar a banda desenhada, primeiro com "O Reizinho" e "Coração de Julieta" e mais tarde com o "Zé do boné".
Mas o "PJ" sempre foi para mim mais do que um jornal.. Conheci-o por dentro, desde miúdo, porque a minha mãe era colaboradora do caderno cultural. Muitas vezes entrei com ela naquele edifício majestoso da Rua Santa Catarina- hoje transformado em Centro Comercial.
Habituei-me, desde cedo, a respeitar a figura altiva de D. Martha, esperando a minha mãe no alto da escadaria, para em conjunto discutirem os artigos que a minha mãe escrevia. Enquanto conversavam eu ficava no "hall" a apreciar a decoração e a arquitectura do edifício, que desde sempre me deslumbraram. Não sei e era prazer, se era respeito... era muito miúdo para deslindar esse enigma.
Como seria de esperar, foi também nas páginas de "O Primeiro de Janeiro" que publiquei os meus primeiros escritos. O primeiro, coincidiu com os 50 anos de casados dos meus avós ( ainda haveriam de completar 75!). Impressionou-me aquela data. Eu era um garoto com 9 anos e não imaginava como era possível sobreviver tanto tempo. Pensava que viver 50 anos já era um feito histórico, por isso encarei "a festa das bodas de ouro" como algo de mágico. Escrevi um pequeno texto e mostrei à minha mãe. Ela levou-o à D. Martha que pediu para o publicar. Fiquei muito envergonhado, chorei, porque tinha medo que os meus colegas da escola o lessem e se rissem de mim.
D. Martha apresentou a solução: publicas sob pseudónimo, como a tua mãe, e ninguém fica a saber. Acedi, porque sabia que o segredo ficaria bem guardado ( poucas pessoas sabiam - e ainda hoje poucas sabem- que era a minha mãe quem escrevia sob um pseudónimo que se tornou popular no Porto). No entanto, foi gato escondido com rabo de fora, porque os 50 anos de casados dos meus avós foram muito badalados na cidade. Mas, para grande alívio, ninguém na escola me falou do assunto.
Com o desaparecimento do "PJ"- pouco me importa se vai voltar como gratuito, porque para mim morreu de vez- morre um bocado de mim e morre um bocado do Porto. Dos quatro jornais diários do Porto da minha infância e juventude- PJ, JN, Comércio do Porto e o vespertino Diário do Norte- resta o JN... dirigido por um amigo meu da adolescência, o Zé Leite Pereira. Os restantes desapareceram envoltos em polémica.
Parece que o JN também já não terá a pujança de outros tempos, tendo-se deixado ultrapassar pelo Correio da Manhã. Os portuenses parecem não dar grande valor ao seu património informativo, o que não deixa de ser estranho. Com a morte da imprensa do Porto, morre um bocado da cidade ( sobre isso escreverei no próximo post...). Curiosamente, é lá que está instalado o Museu da Imprensa. Será que isso tem algum significado?
Posso dizer que quase aprendi a ler nas páginas de "O Primeiro de Janeiro", que todos os dias chegava lá a casa pelas mãos de um ardina, por volta das 7 da manhã. Foi também nas suas páginas que comecei a apreciar a banda desenhada, primeiro com "O Reizinho" e "Coração de Julieta" e mais tarde com o "Zé do boné".
Mas o "PJ" sempre foi para mim mais do que um jornal.. Conheci-o por dentro, desde miúdo, porque a minha mãe era colaboradora do caderno cultural. Muitas vezes entrei com ela naquele edifício majestoso da Rua Santa Catarina- hoje transformado em Centro Comercial.
Habituei-me, desde cedo, a respeitar a figura altiva de D. Martha, esperando a minha mãe no alto da escadaria, para em conjunto discutirem os artigos que a minha mãe escrevia. Enquanto conversavam eu ficava no "hall" a apreciar a decoração e a arquitectura do edifício, que desde sempre me deslumbraram. Não sei e era prazer, se era respeito... era muito miúdo para deslindar esse enigma.
Como seria de esperar, foi também nas páginas de "O Primeiro de Janeiro" que publiquei os meus primeiros escritos. O primeiro, coincidiu com os 50 anos de casados dos meus avós ( ainda haveriam de completar 75!). Impressionou-me aquela data. Eu era um garoto com 9 anos e não imaginava como era possível sobreviver tanto tempo. Pensava que viver 50 anos já era um feito histórico, por isso encarei "a festa das bodas de ouro" como algo de mágico. Escrevi um pequeno texto e mostrei à minha mãe. Ela levou-o à D. Martha que pediu para o publicar. Fiquei muito envergonhado, chorei, porque tinha medo que os meus colegas da escola o lessem e se rissem de mim.
D. Martha apresentou a solução: publicas sob pseudónimo, como a tua mãe, e ninguém fica a saber. Acedi, porque sabia que o segredo ficaria bem guardado ( poucas pessoas sabiam - e ainda hoje poucas sabem- que era a minha mãe quem escrevia sob um pseudónimo que se tornou popular no Porto). No entanto, foi gato escondido com rabo de fora, porque os 50 anos de casados dos meus avós foram muito badalados na cidade. Mas, para grande alívio, ninguém na escola me falou do assunto.
Com o desaparecimento do "PJ"- pouco me importa se vai voltar como gratuito, porque para mim morreu de vez- morre um bocado de mim e morre um bocado do Porto. Dos quatro jornais diários do Porto da minha infância e juventude- PJ, JN, Comércio do Porto e o vespertino Diário do Norte- resta o JN... dirigido por um amigo meu da adolescência, o Zé Leite Pereira. Os restantes desapareceram envoltos em polémica.
Parece que o JN também já não terá a pujança de outros tempos, tendo-se deixado ultrapassar pelo Correio da Manhã. Os portuenses parecem não dar grande valor ao seu património informativo, o que não deixa de ser estranho. Com a morte da imprensa do Porto, morre um bocado da cidade ( sobre isso escreverei no próximo post...). Curiosamente, é lá que está instalado o Museu da Imprensa. Será que isso tem algum significado?
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