segunda-feira, 28 de julho de 2008

Postal do Porto

Hoje almocei com os meus amigos Manel M. e Jorge P. O Manel é meu amigo desde a adolescência, ao Jorge conheci por razões profissionais e ficámos amigos. Só os encontro quando venho ao Porto, porque são ambos avessos a Lisboa. O Manel vai meia dúzia de vezes por ano ao Algarve, mas passa sempre ao largo de Lisboa " Tenho medo c'aquilo seja cuntagioso, carago! Se calhar nem debia estar aqui a almoçar cuntigo, pá. Tás há tantos anos, lá ( na verdade ele diz naquela merda) que já te debe ter pegado a maleita, pá".

O Manel é genuíno no que diz. Tanto, que até deixou de ir a Lisboa ver os jogos do Porto, desde que há Sport TV. " É menos uma hipótese que têm de me cuntaminar, carago! Aquelas multidões num são recomendábeis, pá! Lagartos e águias, porra,! toda a gente sabe que têm peçonha".

O Jorge vai todos os meses a Lisboa, por razões profissionais, mas raras vezes nos encontramos. Vai num comboio e vem no outro, ou seja, chega imediatamente antes da reunião e regressa no primeiro combóio, logo após a reunião. Menos efusivo na contestação a Lisboa, limita-se a perguntar no seu genuíno sotaque: "Qué que bou lá fazer, pá? Aquela merda tem alguma coisa que se beja? "

Gosto de conversar com estes meus amigos, beber um copo ao fim da tarde, ou almoçar como agora foi o caso. Mas critico-lhes muitas vezes o exacerbado bairrismo que tem o seu quinhão de responsabilidade na situação de esquecimento dos governos em relação ao Porto. Eles convivem mal com as minhas críticas, mas no fundo sei que as compreendem. Não deixarão de ser meus amigos por isso. Hoje, porém, ficaram abespinhados quando lhes disse que as minhas amigas tripeiras ( algumas delas eles conhecem-nas) são muito mais abertas e desempoeiradas do que eles. E falei-lhes também de amigas de Lisboa que gostam muito do Porto e cá vêm com frequência, não se cansando de elogiar hospitalidade dos portuenses, mas criticando algum bairrismo exacerbado. Disse-lhes isto, porque sei que este tipo de juízos em relação a Lisboa tem tendência a tornar-se residual. Alvitrei msmo que se Elisa Ferreira viesse a ganhar as eleições em 2009, poderia ser bom para o Porto.

Um sonoro F...-se ecoou no restaurante, logo seguido de uma sentença: "Se o PS não tiver nenhum gajo com c...... para se candidatar e pôr o Rio a dar de frosques, estamos bem f.... Olha que não sei se voto numa gaja!- asseverou o Manel.

Aabámos na galhofa, claro, mas comigo a torcer para que Elisa Ferreira seja a próxima presidente da Cãmara do Porto. A cidade precisa de uma mulher a dirigir o seus destinos.

Desafio

A Fada lançou-me há dias um desafio a que vou finalmente tentar responder. Tere que enunciar 8 coisas 8 que gostaria de fazer / ter antes de morrer. A dificuldade principal deste desafio está na escolha. Procurei ser selectivo e escolher as oito mais importantes. Talvez daqui a um mês as opções fossem diferentes, mas por agora são estas:

1- Ter uma reforma prolongada, com saúde e feliz;

2-Construir uma casa ( pode ser pequena) com um terreno enorme à volta, onde possa criar muitos animais, como fazia na infância;

3- Que essa casa seja na Patagónia ( talvez próximo de Esquel, com vista para o Parque Nacional de Los Alerces, ou nas proximidades de Península Valdez);

4- Ter dinheiro para produzir a revista dos meus sonhos;

5- Montar uma escola de artesanato, para que não se perca o artesanato português;

6- Ter uma coluna num jornal onde possa contar a realidade da América Latina, para que aqueles que chamam ditador e louco a Chavez, ou apelida(ra)m Lula de lunático, percebam que não podem ver a América do Sul, com os olhos turvos dos europeus;

7- Adormecer e acordar todos os dias da minha vida com a Felicidade a meu lado;

8- Terminar a minha vida com a consciência tranquila, porque nunca atropelei ninguém para alcançar os meus objectivos; porque nunca traí um(a) amigo(a); porque sempre consegui ser objectivo ( o futebol não conta!!!) no meu trabalho; porque nunca espezinhei os interesses dos outros, para poder ter uma notícia.

Oh, já acabou! Tinha pelo menos mais 8, mas ficam para outra vez.